Tudo passa e tudo muda

Primeiro, o “tudo passa”, que foi o lema de vida de Julio Grondona, ex-presidente da AFA, recentemente falecido. Grondona, ante as situações mais adversas sempre olhava para o seu enorme anel onde estava escrito “tudo passa”, em espanhol.

Foto: Gilvan de Souza

Foto: Gilvan de Souza

Vanderlei Luxemburgo, que não sei se também tem este lema de vida, vem fazendo com seu belo trabalho a torcida do Flamengo entender que dias melhores virão e que o pavor de cair para a segunda divisão é coisa do passado recente. Agora o tema é outro. Há alguns dias ouvi de Vanderlei Luxemburgo e, concordei plenamente que, apesar da importância da Copa do Brasil, a prioridade seria sair do sufoco no Campeonato Brasileiro ou, como diz o treinador se referindo ao perigo de cair, “sair da confusão”. Embora matematicamente não haja garantia de que o problema está superado, quem conhece futebol sabe que confiança é tudo e que, apesar das limitações do elenco, o time está jogando com confiança e, acima de tudo, com inteligência.

Não é qualquer time que ganha consecutivamente quatro vezes neste Campeonato Brasileiro. Acho que esta noite Vanderlei refletirá muito. Quarta que vem já tem Copa do Brasil e o adversário é o mesmo batido recentemente pelo Flamengo. Difícil não imaginar o rubro-negro nas quartas de final e, pelo que vi na tabela, podendo pegar ainda nesta fase adversários que não metem medo. Isto ocorrendo, já estaremos na cara do gol da semifinal da Copa do Brasil ou, a quatro jogos para o título. Bom não esquecer que esta é a competição feita para o Flamengo, onde a sua incomparável torcida não coloca a camisa 12. Ela é a camisa 10, e como joga…

Bom dilema para o competente Vanderlei. Se o conheço um pouquinho, arriscaria dizer que, embora não afirmando, mudará o seu conceito de dias atrás. Tudo passa e, para o Flamengo, tudo é possível.

AJAX TV

Hoje, procurando novidades, encontro várias chamadas para o aniversário de 10 anos de um golaço de Ibrahimovic pelo AJAX. Nada contra o gol, realmente muito bonito. O que me chamou atenção foi o lance de oportunidade encontrado pela AJAX TV, responsável pela distribuição do aniversário do feito nos mais distantes cantinhos do mundo.

Zico dando uma bicicleta em jogo do Flamengo (Foto:Exame)

Bicicleta de Zico em jogo do Flamengo (Foto: Exame)

Esta sensibilidade, além de prolongar para o autor o êxtase do mais mágico momento do futebol, leva na esteira da glória a instituição. O AJAX viajou pelo mundo da melhor forma possível, agregando novos simpatizantes graças a inspiração e competência dos que hoje fazem o AJAX TV. Como copiar o que é bem feito não é pecado, que tal, por exemplo, o nosso pessoal da TV Fla entrar em contato com Zico, fazer um levantamento dos aniversários dos gols antológicos marcados pelo nosso gênio maior e detonar pelos quatro continentes? Flamengo e Zico vão viajar o mundo de mãos dadas, atingindo os corações de quem ama o futebol. Para Zico haverá o reconhecimento. Para o Flamengo, uma nova legião de, a princípio admiradores e, quem sabe, no futuro, de apaixonados rubro-negros.

Se é possível para a dupla IBRA/AJAX, imagine para a dobradinha ZICO/FLA. Com todo respeito…

Os bons exemplos

Saber educar é garantir para a NAÇÃO um futuro feliz. Fundamental começar cedo, bem cedo. Educando com sabedoria inevitavelmente estará se estendendo os bons e inesquecíveis momentos que, somados, formam a palavra FELICIDADE.

O maior exemplo do que afirmo aqui, você pode ver acima.

O nome do “BEM EDUCADO” é Bernardo, mais conhecido como Bê e, nasceu num dia 05 de maio, o dia da comunicação. Este é um belo exemplo de como seus pais e avós sabem educar e, com dois aninhos, como alguém já pode dar uma verdadeira aula de amor, bom gosto e sabedoria.

Sorte

four-leaf-clover-152047_640Pode ser que nem todos concordem comigo, mas tenho a teoria de que, quando se faz tudo certo, quando não se agride o óbvio ululante, na hora da dividida, a sorte ajuda. No jogo fora de casa, em Curitiba, no gol do Éverton, que aliás está jogando muito, a sorte soprou forte. Quando o juiz apita um pênalti à favor, é sorte. Ele poderia não marcar, mesmo sendo um pênalti claro. Quando um adversário erra, como foi o caso do jogo contra o Coritiba, não é sorte? E ontem, no lance do pênalti batido pelo Leo Moura, não foi sorte a bola ter entrado?

Enfim, quando tudo é feito com correção, a sorte ajuda. A sorte gosta dos competentes.

Torcida do Flamengo

Gostaria de confessar, para início de conversa, que inúmeras vezes na função de repórter de campo, normalmente atrás do gol, deixava o jogo de lado, virava as costas para a bola rolando e babava vendo o maior espetáculo da terra, que vinha da arquibancada, à esquerda das cabines de rádio no velho Maracanã. Foram tantas as vezes que a emoção falou mais alto que perdi a conta. Em alguns momentos conseguia fazer com que esse sentimento parasse na garganta. Em outros, capitulei e chorei mesmo. Ontem, de novo, vendo aquela energia indescritível saindo da arquibancada, invadindo o campo e empurrando o time, deixei a emoção me levar. Aliás, quando se chega a um determinado ponto na vida, este é o tipo de briga que não mais vale a pena. É melhor deixar a emoção rolar e chorar…

Último trem para Paris

Eduardo Silva e Léo Moura comemoram. (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Realmente impressionante a mudança de atitude do time do Flamengo de uns jogos para cá. Salta aos olhos a disposição com que a rapaziada tem entrado em campo e como tem encontrado as saídas nos momentos mais difíceis, inclusive ontem, quando o Atlético fez 1 X 0. A alucinante torcida do Flamengo e a competência de Vanderlei Luxemburgo estão operando um verdadeiro milagre. Primeiro, Vanderlei conseguiu incutir na cabeça de cada um dos jogadores qual é o limite de competência do time. Mérito também para os jogadores, que estão conseguindo jogar a vaidade para escanteio, aceitando a forma de jogar imposta pelo treinador, que tem sido perfeita. Humilde, porque o time é fraco e corajosa, por admitir isso, procurando soluções que comportem a deficiência técnica do elenco.

No fundo, não é só o Flamengo que está saindo do buraco. Vanderlei também. Depois de oito meses no ostracismo, sem que nenhum grande clube lembrasse do seu nome, retorna sabedor de que o rubro-negro é seu “último trem para Paris”. Pelo jeito, e tomara que assim continue, em cabine de primeira classe…

A primeira do Dunga

Este vai ser o papo principal nas conversas sobre futebol. De um modo geral achei a convocação interessante, gostei da preocupação do treinador em valorizar o talento, principalmente no setor de meio campo. Alguns pontos que me impressionaram favoravelmente:

  •  A convocação de Miranda, o mais injustiçado jogador brasileiro na última copa. Considerado um dos três melhores zagueiros da temporada europeia, viu sua camisa ser entregue a Henrique. Duro…difícil de engolir.
  •  A presença de Elias. Pelo seu dinamismo e pela modernidade do seu futebol, vai melhorar a qualidade de saída de bola. Este é um dos raros volantes com dinamismo e visão de jogo.
  •  Não só a convocação, mas principalmente a justificativa de Dunga para a convocação de Everton Ribeiro. Dunga afirmou e, como foi bom ouvir, que todo jogador criativo e driblador sempre terá preferência, pois só o talento é capaz de jogar por terra um esquema defensivo bem montado.
  •  Para quem tem acompanhado este Blog, a convocação de Philippe Coutinho não foi surpresa. Este é outro jogador de raro talento e capaz de, no improviso, desmontar um sistema defensivo competente. Bela convocação.
  •  Quando Dunga convoca para o ataque Hulk, Diego Tardelli e Neymar, está sinalizando com clareza que, neste momento, o futebol brasileiro não tem nenhum centroavante de referência que mereça ser convocado. E Dunga tem toda razão. Melhor improvisar, como deveria ter feito Felipão na Copa, do que jogar com 10 jogadores.

É isso aí. A convocação foi animadora. Agora é esperar para ver nos jogos como é que fica…

Faltando uma letra

No momento das cartas abertas no Flamengo, sobre a última, pela forma deselegante, covarde, como a mim se refere e irresponsável, pelo fato de não me conhecer, tenho duas observações a fazer. A primeira, como dizem os antigos, quem escreveu, certamente foi “emprenhado pelo ouvido”, pois se tivesse lido todas as matérias deste blog veria que jamais houve qualquer crítica contundente a qualquer dirigente do Flamengo. Muito pelo contrário… A segunda, é que aprendi na vida que “vento que venta cá, venta lá”. O que me dá o direito, pelo que li, de imaginar que esteja faltando uma letra importante no sobrenome do autor argentino.

Bem, é isso aí.

Pitacos

Quando se emite uma opinião, claro que alguns vão concordar e outros não. Aliás, isto é muito bom. De repente, até quem emitiu a opinião, ante argumento que considere relevante, pode até rever o pensamento. Isto nada mais é do que exercitar o processo democrático. Há alguns companheiros deste blog que, nem sempre concordando, inspiram e enriquecem com seus pensamentos melhores colocações de nossa parte. Carlos Egon Prates é um caso típico: discordando muitas vezes, porém todas com sabedoria, elegância e educação. Há casos de extremo carinho, como o do Pablo Barcelos, filho do nosso remador Aroldão (Aroldo Barcelos Silva), que nos deixou no dia 12 de junho deste ano. Enfim, nada melhor do que interagir, desde que com elegância e, acima de tudo, sendo verdadeiro. As “armações” encomendadas, são conhecidas (muito usadas hoje no Flamengo) e, automaticamente deletadas.

Esperança

Há jogos em que você tem a sensação de saber o que vai acontecer, independente do seu estado de espírito. Algumas vezes, por pura intuição, outras baseado em algo concreto. Ontem, às 4 da tarde, sentei em frente à televisão com o sentimento de que novamente veria um time do Flamengo limitado tecnicamente, mas brigador e inteligente. E foi o que aconteceu. Intuição? Não, conclusão, após ouvir, no meio de semana, de Vanderlei Luxemburgo, não só uma análise perfeita sobre elenco e momento do Flamengo, como e, principalmente, sabedoria para encontrar uma saída honrosa com o material humano que tem ele à disposição.

Evérton, autor do gol da vitória. (foto de Heuler Andrey/Getty Images)

Evérton, autor do gol da vitória. (foto de Heuler Andrey)

Recentemente, pagamos o maior mico da história do futebol brasileiro pelo fato do nosso treinador não ter tido uma leitura precisa do material humano que dispunha. Pior, foi induzir nas pessoas a certeza da vitória, com a afirmativa de que tínhamos sim a obrigação de ganhar a Copa do Mundo. Ao contrário de Felipão, Vanderlei adequa o time que tem, e a necessidade de resultados imediatos, à forma de jogar. Claro que entendo e aplaudo quando nosso escribas falam em futebol bonito, ofensivo, em futebol arte etc. Só que, no momento, isto em termos de Flamengo é utopia. O que ouvi de Vanderlei me animou tanto que, pela primeira vez nos últimos jogos, liguei a televisão com otimismo e esperança. Não de uma grande atuação e, sim, achando que poderíamos ganhar os primeiros três pontos fora de casa. E, a menos que algumas caras novas surjam para dar mais qualidade ao time, muito melhor jogar fechadinho, sabedor dos seus limites, do que imaginar o que não se pode e acabar caminhando para o abismo.