Isto é o Flamengo?

Foto: Marcos Ribolli

Foto: Marcos Ribolli

Ligo a televisão. Que Jogo é esse? São Paulo x Inter? São Paulo x América? Ué, hoje não era São Paulo x Flamengo?

Olho o jogo com mais atenção e vejo o Léo Moura. É o Flamengo!!! Mas, que diabo de camisa é essa? E o preto na nossa camisa? Será um movimento racista, usando a popularidade do Flamengo para difundir este preconceito abominável?

Ou será apenas uma decisão infeliz, de quem não tem a menor noção do que seja bom ou ruim para o Flamengo? Acho que é por aí. Tudo bem que a empresa fornecedora do material esportivo não tenha preocupação com a história e com a tradição do Flamengo. Agora, a diretoria do clube ser cúmplice desta falta de respeito, passa do suportável.

Alô, Delair, presidente do Conselho Deliberativo!!!

Alô, Presidente Eduardo Bandeira de Mello!!!

O FLAMENGO É VERMELHO E PRETO!!!

Noite mágica

20140923_staffimages_80anoshorta-112-2Emocionante, seria definir em uma única palavra a festa dos 80 anos de Francisco Horta, ontem na Tribuna de Honra do Maracanã. Uns duzentos amigos foram abraçar o aniversariante, que foi recebido pela chefe de cerimônia, Rosani Simas. Na programação, Horta iria direto para o espaço já com vista para o campo, cujos telões estavam preparados para exibir momentos marcantes do homenageado como presidente do Fluminense. O script teve que ser modificado, pois todos os presentes foram em direção a ele. Os cumprimentos iniciais retardaram a cerimônia em 45 minutos. Em seguida, com todos rodeando o aniversariante, os telões do Maraca mais pareciam o túnel do tempo. Do tempo de alegria, de criatividade, de imaginação e talento. Ao final, com a emoção tomando conta do ambiente, Pedro Bial embalou o sentimento de todos, com esta mensagem que qualquer poeta bateria palmas de pé.

20140923_staffimages_80anoshorta-117

“Sou Francisco Horta de coração,

o presidente todas as vezes campeão!

Inspira pela sua disciplina,

a todos ele ensina.

Eu tenho amor ao Doutor!

Salve seu querido coração,

onde três cores traduzem devoção:

paz, esperança, vigor – sim!

Unindo os fortes, pelo esporte nos transporta,

eu sou mais o Doutor Horta!

Vence com o Fluminense,

com o verde da perseverança,

alcançando antes de quem só espera.

Cartola que orgulha o Brasil,

em instantes, construiu glórias e contou histórias mil!

Sou Francisco Horta de coração,

o presidente todas as vezes campeão!

Vence com todos os clubes,

com o sangue encarnado de todas as arquibancadas,

com amor e mais amor.

Faz, fez e sempre fará a torcida querida

louvar com emoção a sua condução!

Fidalguia é seu dia a dia,

prega a paz, pratica a harmonia.

Brilha no céu da manhã,

qual luz de um refletor,

abre da felicidade a porta,

salve Francisco Horta!”

Depois, um verdadeiro delírio, com aplausos mais do que justificados e merecidos. Ia esquecendo. Desde a chegada, no estacionamento do portão 2, por todo caminho até chegar ao local do evento, uma quantidade enorme de painéis formava um autêntico corredor polonês com fotos marcantes da vida esportiva de Francisco Horta. É como se uma historinha de vida fosse sendo contada em doses homeopáticas através de fotos gigantes geniais.

Após o poema/mensagem do tricolor Pedro Bial, Horta recebeu as camisas do Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo, CBF e Fluminense. Em todas as camisas o número 80 às costas e o nome FRANCISCO HORTA. O primeiro clube a homenagear foi o Flamengo, com o Manto Sagrado sendo entregue pelo Presidente Eduardo Bandeira de Mello que, diga-se de passagem esbanjou simpatia. A camisa da CBF, foi entregue por Patrícia Viegas, do departamento jurídico da entidade, representando Carlos Eugênio Lopes, seu diretor, que estava em Zurich para uma reunião na FIFA. As camisas de Botafogo e Vasco da Gama, foram entregues por torcedores e a do Fluminense, por Paulo Cesar Caju, Búfalo Gil, Zé Roberto, Rubens Galaxe e Miguel. A nossa turma da Klefer, que ofereceu e organizou a festa, entregou ao presidente eterno tricolor uma placa, com o seguinte texto: FRANCISCO AMOR TALENTO HORTA – O MAQUINISTA – 80 ANOS.

Depois do “Parabéns pra você”, o papo “mata saudade” rolou até quase invadir a quarta-feira…

Fotos: Staff Images

Curtas da festa

Braguinha e Horta

Braguinha e Horta

Antônio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, mostrando a garra que marcou a sua vida, driblou as dificuldades momentâneas de locomoção e, numa demonstração de amor e amizade inacreditáveis, foi beijar e parabenizar o seu amigo de vida, Francisco Horta. Viu e ouviu tudo. Ficou até o final e foi embora emocionado.

Dos convidados com história de vida com o aniversariante, o que mais lamentou não ter comparecido foi Carlos Eugênio Lopes que, a mim justificou sua ausência de forma emocionada. Estava em Zurich, a serviço da CBF.

Rivelino deve estar para o Horta, assim como Romário está para mim. Os dois marcaram as nossas vidas. São verdadeiros troféus para nós. Uma pena Rivelino não ter comparecido. Justificou a ausência por um compromisso com uma emissora de televisão. Pena.

Muito me impressionou a forma dos jogadores que compuseram a famosa ‘Máquina Tricolor”: Miguel, Rubens Galaxe, Zé Roberto e Búfalo Gil estão fininhos, rigorosamente em forma. Paulo César Caju, nem tanto, mas…passa com nota seis. Também, quem foi um talento nota 10 como jogador, tem todo o direito de agora relaxar um pouquinho…

A emoção tomou conta de Horta.

A emoção tomou conta de Horta.

Por falar em Paulo César Caju, deu ele na noite de ontem um verdadeiro show de alegria, bom humor e papos polêmicos. Paulo César embarcará para Paris no início do mês, onde combinamos nos encontrar. Vai conhecer uma vinícola que pretende representar no Brasil e jogar uma pelada com Platini e outros craques franceses. Fui convidado para esta pelada no Parque dos Príncipes. Não fosse a recente operação de coluna, seria a glória. Quem sabe, Papai do Céu ajudando, mais na frente… Como ninguém é de ferro, nosso PC vai terminar a jornada francesa em Saint Tropez…

Paulo César anda uma fera com a falta de renovação entre os treinadores brasileiros que, segundo ele, são os maiores responsáveis pela precariedade de talentos em nossos gramados. “Ninguém dribla mais…” dizia, e acrescentava: “Eles (os treinadores) só querem saber de quem seja grande e dê porrada. Criar, para eles, é um detalhe sem importância.” E, concluiu: “Do jeito que está, estamos fodidos já para a próxima copa…”. Ia esquecendo. No seu discurso, Paulo César até cantou e parece que o talento foi transferido dos pés para o gogó. Afinado e com um senhor vozeirão.

O aniversariante recebe um abraço de Radamés.

O aniversariante recebe um abraço de Radamés.

Radamés Lattari, segurando uma placa com a inscrição 4040, contava uma história genial que bem define a personalidade do nosso Paulo César. Rada, que apresenta um programa de entrevistas no Esporte Interativo, convidou duas figuras do futebol: Marcos Paquetá, treinador e cunhado de Radamés, e Paulo César Caju. Quando o programa ia começar, Paulo César chamou Radamés para um papo em particular. Saíram do estúdio e Paulo César foi logo dizendo: “Rada, não vou participar deste programa porque não suporto preparador físico fazendo às vezes de treinador. Eles estão matando o futebol brasileiro. Se eu ficar, vou bater boca com ele e não vai ser legal”. Ato contínuo, tomou o caminho da rua. Radamés só teve um entrevistado.

Ao final da festa, Dudu, meu filho, convidou Horta e família para jantar no Restaurante Gonzalo. Horta agradeceu e declinou do convite, afirmando: “Depois de tanta emoção, se comer vou passar mal”. E continuou saboreando os amigos, sem beber e sem comer nada.

Fotos: Staff Images

Fim de papo

galeraO meu agradecimento a todos os companheiros da Klefer que deram um verdadeiro show de produção em um espaço de tempo tão curto. Como dizia meu mestre Doalcei Bueno de Camargo, “As homenagens devem ser feitas em vida”. Como poderia passar em branco uma data tão significativa? Como não juntar toda esta gente, para o nosso presidente eterno ter a noção exata do que representou ele para quem realmente ama o futebol? Saí de alma lavada, com o sentimento do dever cumprido. Mais uma vez, muito obrigado aos meus queridos companheiros da Klefer. Vocês mataram a pau!!! A causa, era mais do que justa.

Grande Dionísio

Foto: Daniel Castelo Branco

Foto: Daniel Castelo Branco

Recebo a triste notícia do falecimento de Dionísio, o “Bode Atômico”, que de 1967 a 1972, jogou pelo Flamengo. Dionísio, apareceu como centroavante, o camisa 9, no time de juvenis que tinha um quinteto ofensivo de respeito, tanto é que, todos se tornaram titulares do time principal do Flamengo. Zéquinha, Rodrigues Neto, Dionísio, Luiz Carlos e Arilson. Dionísio jogou 164 partidas pelo Flamengo, tendo marcado 62 gols. O seu forte era o jogo aéreo. Com ele convivi como torcedor em 1967 e 1968, como jornalista de 1969 até encerrar sua carreira e, como dirigente de 1995 a 1998, e depois de 2005 a 2009. Um ser humano simples e educado. Foi um grande rubro-negro. Jogou e torceu sempre pelo Flamengo. Descanse em paz.

Francisco Horta

Contagem regressiva. À partir da meia-noite, vamos comemorar os 80 anos do mais criativo dirigente do futebol brasileiro. Homenagear Francisco Horta é reverenciar a dignidade, o amor, o carinho, a esperança e o talento.

Por que não batizar o dia 23 setembro?

Primeiro palpite: Dia do gênio!

Com certeza não homenagearíamos quantitativamente, mas gênio também é filho de Deus.

Mensagem odiosa na contramão do tempo

imageCerta vez, como vice-presidente de futebol, fui para Salvador com a delegação do Flamengo para um jogo pelo Campeonato Brasileiro. Barradão lotado e uma faixa, muito bem produzida por sinal, tinha uma seta (apontando para o local onde estava a torcida do Flamengo), com o seguinte texto: “VERGONHA DO NORDESTE”. Achei um absurdo, uma violência contra o livre direito de escolha de qualquer cidadão, que procurei o presidente da Federação Baiana para mostrar a minha indignação e exigir a imediata retirada daquela faixa. Num primeiro momento fui atendido, mas durante o jogo a faixa voltou. Claro que algum “gênio” deve ter imaginado que esta seria uma boa maneira de sensibilizar o povo baiano a só torcer pelos clubes locais. Para eles, um crime alguém que lá nasceu, ter a audácia de torcer por um clube de outro estado. Mesma coisa seria hoje, querer proibir uma criança brasileira de usar a camisa do Barcelona. Que absurdo! Hoje leio que movimento semelhante ocorre em Natal, onde o Flamengo em breve jogará contra o América-RN importante partida pela Copa do Brasil.

Este tipo de coação, de incitamento à violência, de agressão ao livre direito de escolha, deveria merecer profunda análise e providências por parte das autoridades competentes.

Marketing político

Hoje pela manhã, vendo o “Bom Dia Brasil”, mais uma vez me deparei com o que considero um grave erro na condução de uma campanha política. A Rede Globo, através do seu departamento de jornalismo, está durante 30 minutos entrevistando no “Bom dia Brasil” os candidatos à presidência da república, a exemplo do que já foi feito no “Jornal Nacional”, quando todos os CANDIDATOS foram ao estúdio da Globo, menos a CANDIDATA DILMA ROUSSEFF que, ao meu ver, equivocadamente fazendo valer a sua condição atual de presidenta, recebeu os companheiros da Globo em Brasília.

Foto: Eraldo Peres

Foto: Eraldo Peres

Hoje, muitas pessoas comentaram comigo este fato, e no fundo, fica a sensação clara de que o tratamento desigual, imposto por quem cuida da campanha da candidata Dilma, acaba sendo um tremendo gol contra, pois a igualdade é a base do processo democrático. Nem quero falar da postura, pois para quem viu a entrevista de hoje ficou uma sensação clara de que ali não estava uma candidata e sim, uma presidenta disposta a fazer valer sua autoridade, o que em diversas oportunidades fez com que os entrevistadores ficassem meio sem jeito, não sabendo como reagir. Quem viu, deve ter notado que quem conduziu a entrevista foi a presidenta, que falou o que quis, independente do que lhe era perguntado.

“Marketeiramente” falando, um desastre.

Jogo dos erros

Este foi o Fla X Flu dos equívocos. Vamos lá:

1- Alô, CBF!!! Definitivamente esta ideia de, em todos os jogos do Campeonato Brasileiro, haver obrigatoriamente a execução do Hino Nacional, está vulgarizando o nosso Hino. De novo no Maracanã, enquanto era executado o Hino Nacional Brasileiro, a torcida do Flamengo, soltando a voz, cantava o seu hino. Hino Nacional, por favor, só em jogos da seleção brasileira e, assim mesmo, apenas em jogos oficiais.

(Foto: Staff Images)

O árbitro vestia amarelo. (Foto: Staff Images)

2- Árbitro amarelão. Em três ou quatro oportunidades, depois de dar o cartão amarelo, sabedor que o jogador que fizera a falta merecedora de novo cartão já havia levado o primeiro, ignorava a regra e, em atitude covarde, fingia não ter visto a falta desclassificante.

3- Para que serve este auxiliar que fica atrás do gol? No gol do Fluminense, quando Fred cometeu a falta, a visão do “poste” era perfeita. Por que não avisou ao árbitro? Estava ele ali, pra que? Quanto será que ganha cada “poste” por jogo? Para fazer o que?

Paulo Vitor, um dos destaques. (Foto: Staff Images)

Paulo Vitor, um dos destaques. (Foto: Staff Images)

4- Dia infeliz de Vanderlei Luxemburgo. A primeira alteração, um desastre. Lucas Mugni foi o pior jogador em campo. Áureo Ameno, com certeza absoluta, o teria mandado hoje para a pensão da Cremilda. Quando poderia consertar o erro, colocando Gabriel no lugar do Mugni, preferiu tirar Luiz Antônio, que fazia um bom jogo e, para encerrar, quando Alecsandro foi sacado.Fazia ele talvez, a sua melhor apresentação no Flamengo. Quase marcando um gol antológico e brindando o público com um passe de letra como há muito tempo não se via no Maraca. Apenas um dia infeliz. O crédito de Vanderlei é enorme.

Num Fla X Flu de equívocos, nota 10 para os dois goleiros. Brilhantes!

Francisco Horta

Conheci Francisco Horta na época em que era repórter de rádio. A primeira entrevista foi em um restaurante italiano, na Barra da Tijuca, que hoje não mais existe chamado Tarantella. Um italianão típico, com frios pendurados e panos de mesa quadriculados, puxando sempre para a cor vermelha. O Tarantella, que ficava na beira da praia, era uma festa diária, talvez por isso Horta gostasse tanto de lá, onde a classe artística assinava o ponto quase que diariamente.

Conheci um dirigente completamente diferente. Um juiz de direito, culto, sensível, agradável, criativo e permanentemente alegre. Ele era feliz dia sim, dia também. Se motivo houvesse para quebrar esta corrente de alegria, encontrava sempre na explicação para o momento infeliz, a alavanca para retomar o seu dia a dia de felicidade.

horta1Horta sempre foi um otimista. Nesta fase, eu repórter, ele presidente do Fluminense, a relação foi muito estreita em função da palavra que para mim define a vida: AFINIDADE. Quando falo em afinidade, pode até soar cabotino, pois quem lê conclui que a admiração era recíproca. Eu diria que ficou recíproca depois dele perceber o quanto eu o admirava e o quanto me fazia bem sua companhia. Foram muitas noites e, principalmente, madrugadas no Tarantella. Sim, porque o nosso personagem não dormia quase nada. Amava a noite e era inspirado por ela. As suas grandes ideias, que acabaram por revolucionar o futebol, todas, “inclusive, todas”, nasceram com a benção da lua. E quantas e quantas testemunhei. Volta e meia cito Horta neste blog, toda vez que ouço um dirigente dizer que não pode contratar porque o clube não tem dinheiro. Horta contratou um fenômeno chamado Rivelino, com o Fluminense pobre, pobre, de marré, marré, e ainda pagou com um cheque que, no momento da entrega, não pesava uma grama. IMG_1427-0.JPGDepois, em função da enorme criatividade de Horta, ficou robusto e, quando foi colocado na balança pelo presidente do Corinthians, pesava o que tinha que pesar. Gênio! Uma imagem correta para esta operação, seria dizer que um mesmo jogador cobrou o córner e fez o gol de cabeça. Nesta contratação de Rivelino, Horta criou o fato e num passe de mágica viabilizou a maior jogada tricolor de todos os tempos.

O troca troca, hoje normal, naquele tempo era impensável. Horta convenceu exatamente o Flamengo, seu maior rival, a mudar o rumo do futebol. Gênio! Independentemente do seu amor ao tricolor, abraçava as causas justas e ia para a briga. Certa vez, o Flamengo foi proibido de sair para jogar uma partida beneficente na Itália. Quem ganhou a guerra foi ele. Apelou para o judiciário e, na marra, o Flamengo viajou e Zico pode esbanjar todo o seu talento, encantando os italianos.

No rádio, na Globo e na Tupi, foi meu companheiro permanente nos programas “Enquanto a bola não rola” e “Bola de Fogo”. Disciplinado e genial, é como posso definir esta fase dele.

Na próxima terça-feira, está figura mágica e querida completará 80 anos. Um presidente da república que amasse o futebol certamente decretaria feriado nacional.