Quanto vale o show?

No início dos anos 90, a Klefer e a Mills & Niemeyer se juntaram para um projeto musical que, se financeiramente não foi bom, como experiência profissional, e de vida, foi simplesmente espetacular. Na construção do Imperator, à época a principal casa de espetáculos do Rio, competia a nós da Klefer todo o desenvolvimento de marketing, comunicação e publicidade. A Mills era a responsável pela administração e o talentoso Luiz Oscar Niemayer desenvolvia a programação. Embora cada um tivesse a sua função definida, nos reuníamos semanalmente para projetar o próximo período, avaliar a perspectiva de cada show e definir o valor dos ingressos, que variava, principalmente de acordo com o peso do artista.

Casa cheia era "prejuízo" para o guloso.

Imperator lotado era “prejuízo” para o guloso…

Na definição dos preços dos ingressos tudo era levado em conta. O cachê que iríamos pagar, a montagem do show (se mais simples ou poderosa), a análise do poder aquisitivo do público, a quantidade de shows, pesquisa dos preços cobrados pela concorrência em eventos com a mesma característica, enfim, após tudo analisado, cada um colocava no papel o preço que imaginava justo e, dentro de um processo democrático, a média das opiniões acabava sendo o preço cobrado. Quando um show atingia 100% dos ingressos vendidos, enquanto a maioria da sociedade comemorava o acerto, havia um dos sócios que dava murros na mesa e irado, comentava: “Que merda droga! Poderíamos ter cobrado mais caro”.A nossa visão era de vitória pelo objetivo alcançado, pelo acerto na definição dos preços. A dele era de derrota, de frustração, de inconformismo, achando que como as pessoas lotaram o Imperator pagando aquele preço, pagariam da mesma forma com um preço maior. Nesta queda de braço ganhamos sempre, pois o grupo do comedimento era formado por quatro pessoas e o sócio guloso era apenas um. Apesar de goleado sempre, jamais deixou de reclamar o que na opinião dele era jogar dinheiro pela janela.

Casa cheia é o que precisamos (foto de Gilvan de Souza)

…mas casa cheia é o que precisamos (foto de Gilvan de Souza)

Conto isto para entrar num assunto que vem causando enorme polêmica. A diretoria do Flamengo aumentou o preço dos ingressos para o jogo contra o Corinthians, causando a revolta de uma quantidade significativa de torcedores que não param de protestar. Sei que o assunto é delicado e sei da importância em se arrecadar para fazer frente a tantos compromissos. Só não sei como este tipo de decisão é tomada. Se compete a uma pessoa ou se em reunião de diretoria, de forma equilibrada, com tudo sendo analisado e chegando-se ao preço final de maneira democrática. Se a decisão estiver sendo tomada por uma ou até por duas pessoas somente, corre o risco desta ou, destas duas cabeças, serem iguais ao do nosso sócio guloso que, embora não percebesse, tinha a vocação do erro.

 

1 Comentário

  1. Palavras chaves do “Quanto vale o show ” : vocação para o erro. Infelizmente esta diretoria tem a vocação para o erro, nas contratações estapafúrdias , na falta de humildade no trato com ex presidentes que construíram a história gloriosa do nosso clube, na forma como planejam as ações de fidelidade.
    O programa sócio torcedor é o pior do Brasil, comparado com outros clubes.
    Saudações.

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  2. Amigo Octavio,
    “Nas contratações estapafúrdias”…
    ELES não conhecem o histórico de jogador nenhum.
    É o feio, barato, e de preferência, refugo velho…
    Como o que é ruim ainda pode piorar, “vendem” o artilheiro do Brasil 2013, por uma bagatela digna de jogador de base…
    Se Wrobel realmente deixar o cargo, será a falência total da falta de credibilidade.
    Como afirmou, que até o final do Brasileiro os ingressos não seriam majorados, os elitistas já trataram de arrumar a cama dele.
    Abs

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