Refletir, é preciso…

(Foto: Anderson Pinheiro / Estadão Conteúdo)

(Foto: Anderson Pinheiro / Estadão Conteúdo)

Amigos, na minha etapa de vida como dirigente, aprendi que não é prudente tomar qualquer decisão no vestiário. A decisão no domingo à noite é absolutamente igual, e tem a mesma força, se tomada na segunda-feira. A vantagem de se tomar qualquer decisão no dia seguinte é poder se depurar melhor as ideias, com a carga emocional mais amenizada e, consequentemente, com tudo mais equilibrado.

Embora tenha a certeza de que todos, “inclusive todos”, os amigos e companheiros deste blog estejam ávidos por discutir o momento do Flamengo, peço, em nome da razão, algumas horas para nossa reflexão.

Hoje, aconteceram algumas coisas interessantes e curiosas, que preciso de um mínimo de tempo para entender melhor e, aí sim, dividir com todos. Que o sono, se vier, seja um bom companheiro, e sábio conselheiro…

Amanhã, cabeça feita, conversamos. Como sempre de peito aberto, e sem medo de defender o que nossas almas e corações entenderem como correto, providencial, pertinente e justo.

Amanhã, avançamos isto… sem nenhuma dúvida.

Plano de voo

Clipboard01Todos sabem que não há avião que saia do chão sem que haja um plano de voo. Deveria ser assim também para outras atividades além da aviação, inclusive o futebol.

Imagino que o torcedor do Flamengo que acompanha diariamente o noticiário da sua paixão maior, deve andar meio zonzo, pois além da quantidade de nomes, não há objetivos definidos, pois da noite para o dia, o centroavante Guerrero deixa de ser a meta e a bola da vez passa a ser o volante Elias. Finalmente, qual é a prioridade? Um volante? Um meia? Um enganche? Um atacante que jogue pelos lados? Um centroavante? … ou será que não há uma definição das prioridades? Não seria mais lógico seguir um script das necessidades, priorizando as carências maiores e, tentar se contratar cirurgicamente, ao invés de se utilizar uma louca metralhadora giratória?

Na semana passada uma conhecida figura rubro-negra, que priva da intimidade de Vanderlei Luxemburgo, comentou comigo que o nosso treinador não anda nada satisfeito com a morosidade nas contratações.

Ontem, uma outra pessoa, também de destaque e importância no clube, e também amigo de Vanderlei, me disse a mesma coisa. As duas fontes são de total confiabilidade.

Preocupante…

Reagir, é preciso!!!! Antes que seja tarde demais

Bem, para começar, sugiro que quem não leu os comentários do post anterior, cujo título é “PAÍS DE MERDA?“, dê uma olhadinha agora, até porque, o nosso tema deste post, nada mais é do que o seguimento em função das manifestações variadas que recebemos.

Os comentários foram todos pertinentes, embora partindo de pensamentos e cabeças diferentes. Em todos, fica clara a necessidade de profundas mudanças e, pelo que li, todos concordam que, esperar este milagre do poder público e, a curto prazo, é acreditar na historinha do Boi Tatá…

O meu guru para assuntos criminais, o brilhante Dr. Michel Assef, também acha que mudanças sejam necessárias, porém trilha um caminho mais suave e político para se atingir os objetivos, como enfatizar que precisamos de mais escolas e menos presídios, e que arma é para profissional e não para amador. Afirma ainda não ter entendido o comportamento da mídia, que carregou o noticiário em cima da morte do médico Jaime Gold, e pouco noticiou sobre a morte de dois menores, no Morro do Dendê, na Ilha do Governador.

Vamos começar por aí. Pode ser até cruel a minha afirmativa, mas é verdadeira e pragmática. A morte de inocentes nas favelas do Rio, infelizmente, como vivemos uma guerra disfarçada nestas comunidades, apesar de ser uma tragédia, não é novidade. Isto acontece dia sim e dia também… Agora, o assassinato de um médico, quando cuidava da saúde, pedalando em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão postal do Rio de Janeiro, metro quadrado dos mais caros do Brasil, IPTU caríssimo também, extrapola ao que pode ser considerado corriqueiro e causa forte impacto emocional na população. Quem vive numa favela e, certamente, se pudesse lá não viveria, sabe perfeitamente dos riscos diários, sabe perfeitamente que vive e convive numa guerra civil disfarçada, porém cruel da mesma forma. Quem pega a sua bicicleta, que comprou como manda o figurino, pagando os impostos absurdos, que só o brasileiro paga, e vai para um local em tese seguro, até porque quem ali mora contribui pagando toda sorte de impostos altíssimos, inclusive o relativo à segurança, imagina estar minimamente protegido e, como vimos, não está.

Quando afirmei que a população deve reagir e ir à luta, foi no sentido de tentar se organizar, independente do que possa fazer o poder público. Exemplo: O comércio em torno da Lagoa é enorme. Inúmeros bares, restaurantes, casas noturnas com atrações musicais, aluguéis de bicicletas e pedalinhos, parquinhos etc… e todos estão afetados pela insegurança que afasta os consumidores. Ora, eles que se unam, que chamem para o projeto de segurança a ser montado, a associação de moradores, a igreja, enfim, quem quiser ou puder participar. E, ação!!! Ontem!!!

Esperar mais o que? Isto feito, os bandidos vão começar a entender que o buraco é mais embaixo…. melhor não correr riscos…

O maior exemplo da frouxidão do nosso povo é lembrado pela minha amiga, e grande chef, Rosani Simas. Numa manhã de verão, a praia com mais de 500 mil pessoas e, entre elas, marombeiros e marombeiras, jogadores de vôlei, praticantes de frescobol, enfim, em meio a um mar de atletas, 50 pivetes conseguem promover uma onda de horror, organizando um arrastão e pondo o povo todo para correr (vídeo acima)… e os marginais vendo a multidão de quatro… O nome disto é covardia. Há momentos na vida em que o risco é inevitável. Se a causa for justa, o risco é obrigatório. Pelo menos para quem tem vergonha na cara.

Para encerrar, quero registrar que não preguei aqui o ato isolado de sair armado, em atitude Quixotesca. O que prego é o direito de qualquer cidadão poder, nesta guerra em que vivemos, estar minimamente em igualdade de condições com os bandidos, que não têm nenhum compromisso com o que há de mais sublime, que é a vida. Para eles, a vida vale o preço de uma bicicleta…

Vamos agir ou, isto é uma terra de frouxos?

País de merda?

Uma das muitas homenagens prestadas a Jaime Gold hoje na Lagoa(Foto: Márcia Foletto)

 (Foto: Márcia Foletto)

Acredito que não haja uma pessoa razoavelmente esclarecida no Brasil, que não tenha tomado conhecimento da tragédia anunciada, ocorrida anteontem na Lagoa Rodrigo de Freitas, aqui no Rio de Janeiro.

Está circulando na internet o depoimento comovido de autor desconhecido.


Jaime era médico e trabalhava em hospital universitário. Atendia a população pobre, num hospital em ruínas porque acreditava na educação médica de qualidade como instrumento importante para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Morreu porque desafiou a realidade atual, de total abandono, onde o criminoso é tratado como vítima dos 500 anos de colonização errada… Balela.
Não, Jaime não terá cruzes na praia de Copacabana,.
Não, nenhum favelado vai tacar fogo em ônibus nem fechar com barricadas a curva do Calombo, onde Jaime foi covardemente atacado.
Não, Dilma não ficou estarrecida e sequer vai ligar para a família de Jaime para uma palavra de conforto.
Jaime, cidadão brasileiro, pagava seus impostos em dia.
Jaime sou eu, é você. Jaime somos todos que antes desconfiávamos, mas agora temos certeza, que esse país deu totalmente ERRADO.
País de Merda.


Gostaria de debater o tema, a começar pelo final do depoimento do autor desconhecido que, ante tanta decepção, classifica o Brasil como “País de Merda”. Há no ar um outro tipo de comoção, com a revolta popular ante a roubalheira monumental e descarada na Petrobrás. Em ambos os casos, se há alguma coisa para se “qualificar” como merda, não é o país, e sim, o povo. Até porque, as ações criminosas nos dois casos foram desenvolvidas por seres humanos, todos nascidos aqui e, pior do que isso, está exatamente no comportamento do nosso povo diante das duas situações. Vejo na passividade do povo brasileiro o seu grande problema. No caso da Petrobrás, com a roubalheira noticiada aos quatro ventos mundo afora, a presidente da empresa, responsável maior por tudo que lá acontecia, só foi ser demitida meses depois. Onde é que no mundo ocorre um tipo de escândalo deste tipo e, o principal mandatário fica meses ainda no cargo, como se nada tivesse acontecendo? Alguém reagiu? Alguém protestou?

Agora, no bárbaro assassinato deste médico, adorado por todos os amigos, como a sociedade reagiu? Indignação? Ora, indignação é nada para quem pretende que a mentalidade neste país seja modificada. O nosso governador Pezão, por quem tenho admiração e respeito, vai para a televisão e diz que o judiciário tem sua parcela de culpa, pois a polícia prende e o judiciário solta. O representante do judiciário responde, afirmando que num ponto estratégico para a imagem da cidade, a segurança é pífia, daí a tragédia ocorrida. Quem tem razão? Os dois! Aliás, quem não tem razão? Os dois!!! A verdade é que, realmente a polícia prende e o judiciário solta, da mesma forma que ninguém se sente seguro nesta cidade.

Pode ser que esteja eu enganado, mas enquanto a sociedade não tiver uma postura mais firme, mais corajosa, ousada até, nada vai mudar. Esperar todas as soluções por parte do poder público, convenhamos, é acreditar em Papai Noel e na gata Borralheira… Vivemos numa situação em que as pessoas de bem não andam armadas. Só os bandidos… Desigual, não? Injusto, não?

Como ando quase que  diariamente de bicicleta na Lagoa e, não pretendo, por covardia, abrir mão deste saudável direito, vou procurar o Dr. Michel Assef, criminalista de primeira linha e extraordinário rubro-negro, para saber dele que providências podemos tomar para que, o mais breve possível, dentro da legalidade, possa eu  dar as minhas duas voltas diárias de bicicleta na Lagoa, portando no coldre, uma eficaz pistola, um 38 ou uma 45… Talvez esteja aí a explicação para o fato do povo americano, em hipótese alguma, abrir mão do direito de portar uma arma, baseado no sagrado direito de defesa.

O Brasil é um país de merda ou, o Brasil é um país de frouxos?

 

Fogo brando

velaEstou recebendo uma série de e-mails, mensagens de texto, WhatsApp, telefonemas, o diabo, me parabenizando pelo “furo” em função do post publicado no blog ontem, cujo título foi “Fogo Brando”, no qual noticiamos que um treinador de um dos times do Rio, que disputa a primeira divisão, desconfiava que estava sendo vítima de uma “fritura”. Como hoje caiu o treinador do Fluminense, Ricardo Drubscky, claro que a relação com a matéria foi imediata por parte de todos. Só há um pequeno detalhe. Atirei no que vi e acertei o que não vi. O clube é outro e o treinador, claro, também. Vamos aguardar. Questão de tempo…

Efeito Corinthians

O jovem Matheus Cassini (foto: (Agência Corinthians/Rodrigo Coca)

O jovem Matheus Cassini (foto: (Agência Corinthians/Rodrigo Coca)

Também ontem, falei da minha surpresa com relação ao estado atual do Corinthians que, após a construção do Itaquerão, surgiu no cenário do futebol mundial como clube de vanguarda no continente sul-americano, e desaba deste patamar, a ponto de se ver obrigado a entregar seu mais promissor jogador, Cassini, por uma ninharia, na correria para pagar dívidas imediatas, como os salários de funcionários e jogadores.

Há dois comentários muito interessantes no blog, feitos ontem, pelos amigos Pedro César de Oliveira e Diego. O título da matéria é “Inacreditável”. Vale a pena ler os comentários.

Flamengo

Petros (foto:  Mauro Horita/AGIF/Folhapress)

Petros (foto: Mauro Horita/AGIF/Folhapress)

Pelo que leio, o jogador que o Flamengo está correndo atrás é realmente o volante Petros, que teria sido indicado por Vanderlei Luxemburgo. Acho que o treinador tem todo o direito de indicar jogadores, porém, da mesma forma o dirigente, se não está convencido, tem o direito e a obrigação de vetar, até porque compete a ele zelar pelos interesses do clube. Não quero aqui discutir a qualidade técnica de Petros, e sim, argumentar que, se o dinheiro é pouco, aplicar cirurgicamente é mais do que necessário. O Flamengo tem 350 volantes, nenhum jogador criativo no meio e nenhum atacante que desequilibre. Pergunta: Ante tal argumento, você contrataria o volante Petros?

Aliás, neste desmanche do Corinthians, por que não se correr atrás de Guerrero, ou mesmo do jovem Cassini? Ora, se o Corinthians topa negociar esta promessa por 3 milhões de reais com um clube italiano, não seria um belo risco? E mais: Se o Flamengo não quiser aplicar aí o seu dinheirinho, duvido que não se encontre parceiro disposto a pagar para ver. Há empresários que adoram uma aposta… Tudo é uma questão de saber fazer…e, onde procurar a parceria…

Inacreditável

(Foto: Friedemann Vogel/Getty Images)

Arena Corinthians (Foto: Friedemann Vogel/Getty Images).

Quando houve a definição para a Copa do Mundo de 2014 ser realizada no Brasil, foi iniciado um movimento para a construção da Arena Corinthians. Andrés Sanchez, que de bobo só tem o jeito de andar, sentindo a indefinição com relação ao aproveitamento do Morumbi, mergulhou de cabeça, com rara competência, para que o Corinthians, finalmente, tivesse o seu estádio dos sonhos. Claro que somou muito o peso político do ex-presidente Lula, corintiano assumido e, entre tapas e beijos, surgiu o Itaquerão. A opinião de todos, sempre foi no sentido de que este estádio fosse mudar radicalmente a vida do mais popular clube de São Paulo. Com a chegada do sonho, o fim dos problemas. Sócio torcedor? Com o estádio próprio, o Corinthians seria o recordista brasileiro. Enfim, mundo novo. Vida nova.

O tempo não passou tanto assim e, eis que me deparo com a notícia dando conta de que o Corinthians está negociando, com o Palermo da Itália, a venda de seu mais promissor jogador, o jovem Matheus Cassini, de apenas 19 anos. Imaginei um valor próximo dos 50 milhões de reais. Claro! Como um clube independente financeiramente aceitaria conversar sobre a saída de seu mais notável jovem jogador, qual não fosse por uma fortuna? Por isso imaginei os 50 milhões. Aí, começo a desmoronar quando leio que o valor a ser pago pelo clube italiano é de 3, eu disse, três milhões de reais. E, pior. Que esta quantia era para pagar salários atrasados do elenco corintiano. Juro que não entendi nada. Que loucura é essa?

Fogo brando

fogo brandoOntem, elogiei o momento do Botafogo, dizendo que sentia no ar uma sinergia perfeita entre diretoria, treinador e jogadores. E, ao longo do tempo, aprendi que, para os resultados aparecerem, isto é absolutamente fundamental. Quando todos falam a mesma língua, quando há confiança, quando não há ciumeira, quando tudo é muito claro, o sucesso fica logo ali… e, obviamente, a recíproca é verdadeira. Quando diretoria, treinador e jogadores, não estão abraçados e, não formam um único corpo, aí meu amigo, difícil dar certo…

Hoje, recebi um telefonema de um querido amigo, confiabilíssimo como fonte, dizendo que, no clube onde já foi dirigente de destaque, tendo exercido várias funções, este elo tão importante que acabo de mencionar, está partido. Que a desconfiança impera, a ponto do treinador estar imaginando que possa estar sofrendo uma fritura em fogo brando…

 

Futebol Carioca

Foto: Staff Images

As equipes cariocas não podem deixar para agir no último minuto (Foto: Staff Images).

Hoje, depois dos jogos de final de semana, a crítica bateu forte e, verifiquei uma unanimidade pessimista com relação a um final de filme feliz para os clubes do Rio. Em síntese, os companheiros acham que, Flamengo, Fluminense e Vasco, com boa vontade, vão brigar nas posições intermediárias.

Claro que, esta análise está correta se avaliarmos as duas primeiras rodadas do campeonato, porém, é bom não esquecer que este campeonato tem 38 rodadas, e só disputamos duas.

Hoje, pude constatar que o pessoal do Flamengo está realmente correndo atrás, e as possibilidades de bons fatos novos, em espaço de tempo curto, são muito boas. Isto acontecendo, o panorama muda. Se Vanderlei entender que o mais primário em futebol é se escalar o que se tem de melhor, como por exemplo, escalar Samir e Paulinho com titulares e, paralelo a isso, os reforços de peso chegarem, não vejo como o Flamengo não brigar em cima.

O Vasco, que já operou verdadeiro milagre montando um elenco surpreendentemente razoável, principalmente no sistema defensivo, com mais umas duas caras novas e boas no ataque, vai estar livre de grandes sustos e, com um pouco de sorte, pode dar uma engrenada.

Para o Fluminense, que alguns críticos entendem como sendo o melhor elenco entre os cariocas, não consigo enxergar futuro bom.

Na série B, acho que o Botafogo vai nadar de braçada. Sinto uma grande sinergia entre dirigentes, comissão técnica e jogadores. Quando o clima é bom, o vento sopra sempre a favor. E que belo trabalho vem fazendo Rene Simões. Acho que este Botafogo está sendo um divisor de águas na carreira dele. Rene Simões começa a mudar de patamar como treinador de futebol.

Enfim, não faço coro com os pessimistas de plantão. Ainda há tempo para uma plena recuperação dos clubes do Rio, porém, bom não esquecer que, agir rápido, é preciso.