Violino

Gerson e Carlinhos (Imagem: Gazeta Esportiva Ilustrada)

Gerson e Carlinhos (Imagem: Gazeta Esportiva Ilustrada)

São muitas e variadas as recordações que tenho de Carlinhos, o “Violino”. A primeira, como jogador, onde me impressionava a elegância com que desfilava o seu raro talento num campo de futebol. Na época do 4-2-4, Carlinhos formou com Gerson, o “Canhotinha de Ouro”, provavelmente o mais técnico, criativo e elegante meio campo da história do Flamengo. Depois da saída de Gerson, seu companheiro foi Nelsinho, e esta dupla também marcou época. Carlinhos foi um craque apaixonado pelo seu clube, tanto é que frequentava a Gávea assiduamente, independentemente de estar jogando ou treinando o Flamengo. Aliás, há treinadores de um clube só, como há mulheres de um homem só. Identificação, amor, carinho, cumplicidade e paixão, para um único amor, para uma única paixão. E, quando este tipo de encontro acontece, normalmente dá certo, tanto dá que, Carlinhos como treinador foi duas vezes campão brasileiro pelo Flamengo. Tentou como treinador, é verdade, o Guarani, mas não poderia mesmo dar certo, pois Carlinhos era um profissional que amava um único clube que, na realidade, era a casa dele, a família dele. Independentemente de tudo que aqui coloco, era uma figura humana adorável, de fala mansa e coração de mãe. Carlinhos e Flamengo se confundem. Amor raro. Amor eterno.

Descanse em paz, doce Violino.

Começou a corrida

luiz-eduardo-baptista-d-o-bap-vice-de-marketing-do-flamengo-concede-entrevista-ao-lado-do-presidente-eduardo-bandeira-de-mello-e-1368045851121_615x300Nesta segunda-feira pela manhã levei um bom papo com querida e competente figura rubro-negra e, nesta conversa, ficou mais do que claro que foi dada a largada para a corrida presidencial no Flamengo. Até aí, nada demais, até porque julho está batendo à porta e, como as eleições são programadas para o final de novembro, cinco meses nos separam dela. A primeira informação é a de que o ex-presidente Márcio Braga lançou a candidatura de Adalberto Ribeiro, advogado, de finíssimo trato, rubro-negro apaixonado com inúmeros serviços já prestados ao clube, e que atualmente ocupa uma das cadeiras do conselho gestor. Aí, a porca começa a torcer o rabo, pois na esteira desta apuração captei que, como candidato à reeleição, Eduardo Bandeira de Melo, a partir de agora, somente manterá no conselho gestor aqueles que estiverem firmes ao lado dele, o que me parece mais do que justo. Bom não confundir este conselho gestor com o do futebol. Este em questão é mais amplo e diz respeito aos assuntos mais importantes do clube como um todo. O conselho gestor do futebol é composto por uma quantidade menor de pessoas e, lá também, só ficará quem estiver alinhado com o presidente, que tentará a reeleição.

Uma informação que me deixou surpreso, foi a de que Wallim Vasconcelos, ao contrário do que imaginava eu, está ao lado do Bap, que não reza na mesma cartilha de Eduardo, e que poderá lançar um  candidato, quem sabe, o próprio Wallim. Na opinião desta dinâmica e competente figura rubro-negra, o panorama pode ser visto neste momento da seguinte forma: se o futebol engrenar, a possibilidade de Eduardo Bandeira ser derrotado é desprezível, pois já está colada em Eduardo a fama de bom administrador. Se o futebol continuar como está, tudo muda, pois também está associada a Eduardo Bandeira de Mello a fama de que de futebol, nada sabe.

Além do que já disse aqui, vão aparecer alguns oportunistas de plantão, tentando com candidaturas nanicas, visando composições para futuros cargos. Se depender da minha torcida, Eduardo já está eleito, nem tanto por morrer de amores por ele como presidente e, sim, pelo fato de independentemente de qualquer coisa, em se tratando de Flamengo, eu só saiba torcer a favor. Muito mais importante do que qualquer nome está a glória do Flamengo e, tão importante quanto, a alegria da galera. Mais uma vez, e tomara que nunca mude, o futebol vai decidir  uma eleição no clube mais querido do Brasil.

Erros, dentro e fora de campo

(Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo)

(Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo)

O jogo de hoje, para quem conhece um pouquinho de futebol, era muito difícil. Se pudesse eu ter escolhido contra quem não jogar, certamente seria o Atlético Mineiro, time compacto, bem arrumado, com bons jogadores e um treinador de quem sou admirador confesso. Levir Culpi é competente vinte e quatro horas por dia, inclusive dormindo, pois fica a impressão de que o sono dele é inspirador. Comedido, humilde, inteligente, estrategista, sensível e sincero. Não bastasse tudo isso, ainda possui um enorme poder de comunicação. Qualquer entrevista dele é interessante. Diria mesmo, sem medo de errar, que é há muito tempo um dos melhores treinadores do Brasil.

Diante de um belo time, muito bem treinado, cometemos duas infelicidades. A primeira com Samir e, no gol do argentino, acho que o nosso Cesar foi atrasado na bola. Tipo do jogo que qualquer erro é fatal. Errar duas vezes então…

Gostei da estreia do Emerson. Demonstrou vontade e um surpreendente preparo físico, além de ter sido o jogador mais perigoso do Flamengo. Tomara que eu esteja errado, mas a sensação que tenho é a de que o nosso treinador está confuso com relação a que time escalar. Quando isto acontece, como em futebol confiança é tudo, alguns bons jogadores começam a descer a ladeira, fruto desta insegurança que nasce no treinador. A hora é de ser prático e colocar em campo o melhor time e, indo por aí, há de se escalar um meia, abrindo mão de um volante. Entender que Pará, além de limitado, não é lateral esquerdo e que, com o elenco que temos, dar força a Marcelo Cirino é fundamental. Hoje, me pareceu inteiramente sem confiança e isto acontece quando o jogador conclui que o treinador não acredita muito nele.

Enfim, uma semana para Cristóvão Borges colocar a cabeça no lugar e ser o mais pragmático possível. E, convenhamos, não é tão difícil assim…

Se um treinador não consegue escalar o melhor time, esperar o que dele?

Deu no Lance

(Foto: Carlos Augusto Ferrari/Globoesporte.com)

(Foto: Carlos Augusto Ferrari/Globoesporte.com)

Deu no Lance que os dirigentes de Flamengo e São Paulo estão conversando sobre a possibilidade de Paulo Henrique Ganso trocar São Paulo pelo Rio. A turma do jornal, diga-se de passagem, muito bem informada, garante que o papo é antigo e começou com uma proposta do Flamengo de 10 milhões de reais por 32% dos direitos econômicos, muito distante dos 25 milhões pedidos pelo São Paulo, daí o assunto ter esfriado por um bom tempo.

Agora, o Flamengo, segundo os companheiros do Lance, subiu a proposta para 18 milhões e o São Paulo baixou para 22 milhões. Portanto, 4 milhões de reais estariam separando Ganso do Flamengo. Como confio na turma boa do jornal, pelo andamento das negociações, arriscaria afirmar que o negócio tem tudo para sair e, acontecendo, finalmente vamos ter alguém criativo no meio de campo. Bem, esta é a minha opinião. Não posso deixar de formular aqui, para os companheiros do Blog, três perguntas:

1 – Nota de zero a 10 para Ganso, como jogador.

2 – Ganso é o reforço que o Flamengo precisa para o meio campo?

3 – Ganso vale este investimento?

CT

20120323104653_180O assunto “Centro de Treinamento” rendeu mais do que se esperava e, deixou mais do que claro que a maioria esmagadora dos rubro-negros entende que o Flamengo, para mudar de patamar no mundo de futebol, obrigatoriamente terá de concluir o seu Centro de Treinamento. Se você não leu os comentários dos companheiros no blog de ontem, dê uma olhadinha, pois os depoimentos traduzem exatamente o que o Flamengo precisa.

E imaginar que há vinte anos tivemos entre outros benefícios, no projeto assinado e totalmente aprovado com o Consórcio Plaza, o Centro de Treinamento que, na realidade, era parte de um todo, que terminava na Gávea com um estádio e estrutura de primeiro mundo, incluindo um hotel para o futebol profissional. E, por descaso, inconsequência, incompetência, e provavelmente algo mais, o que estava escrito acabou não valendo…

Respondendo

(Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)

(Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)

Os companheiros e amigos, André Tavares e Pedro Cesar de Oliveira Filho, chamam atenção para a cena bizarra em que o goleiro Paulo Vitor, contundido, foi fotografado e filmado no CT George Helal, sendo carregado por um carrinho de mão. Há uma unanimidade com relação ao prejuízo institucional, já que esta imagem rodou por aí, em tudo que é lugar. Embora o argumento de que houve negligência por parte da diretoria, ou dos responsáveis pelo funcionamento do CT, faça todo sentido, a bem da verdade, não posso deixar de dizer que, ante tantos problemas, muitas vezes as coisas mais simples, e de fácil solução, passam batidas.

Certa vez, na Gávea, houve uma reunião no vestiário, onde algumas cobranças foram feitas pela diretoria aos jogadores e comissão técnica. O treinador, em momento de rara infelicidade, certamente por não ter gostado da cobrança, se dirigiu a uma mesa de massagem, que realmente tinha um rombo, alegando que nenhuma cobrança poderia ser feita por uma diretoria que admitia aquele tipo de precariedade. Duas providências foram tomadas. A primeira, demitir o treinador. A segunda, contratar um profissional atento à qualidade em tudo que os olhos pudessem alcançar.

Embora os meus companheiros tenham razão nas colocações, prefiro sugerir aos dirigentes a segunda providência que tomamos à época, em problema semelhante. A primeira providência tomada, não há necessidade. Por enquanto…

Amarelinhas

Neymar chuta a bola em Armero e começa a confusão (foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Neymar chuta a bola em Armero e começa a confusão (foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Não é novidade para quem acompanha este blog que, não gosto de emitir opinião ou tomar decisão sob impacto emocional. No mundo do futebol, aprendi que vestiário não é local para se decidir nada, pois a nuvem emocional que está sempre rondando este local após os jogos, pode conduzir o dirigente para decisão equivocada. Melhor esperar o dia seguinte e, aí sim, com o emocional sob controle, tomar uma decisão. Ontem, foi meio assim. Estava tão irritado com o que vi no jogo do Brasil, que preferi pensar um pouco mais para dizer o que penso.

Desta feita, nada mudou. Agora, cabeça fresca, o sentimento é o mesmo de ontem. Vamos lá: primeiro, mesmo reconhecendo que em função da safra atual não contar com muitos talentos e, muito em cima disso, me parece que quando se tem um jogador diferenciado, mesmo que problemático seja, não dá pra não contar com ele e optar por um jogador comum. O exemplo é na lateral esquerda, em que Dunga convoca e escala Felipe Luiz, autêntico burocrata, em detrimento de Marcelo, que é um dos melhores laterais do mundo.  Nesta esteira, andam também Fred e Roberto Firmino. Será que não há coisa melhor para se convocar e escalar? Bom, o gol que o Firmino perdeu, nem vou comentar. Ridículo… Outra coisa: Acho que hoje em dia, as pessoas estão fazendo confusão entre meia e volante. Elias, por exemplo, é um belíssimo volante, muito acima da média. Não é meia. De um meia, se espera a organização do jogo, enfim, o jogador que dite o ritmo, que tenha talento, que seja o “cabeça”. Assim, tipo Gérson, o “Canhotinha de Ouro”, que armava qualquer time.

Por favor, entendam que não estou aqui criticando o trabalho de Dunga que, depois dos 7×1 para a Alemanha, no aspecto psicológico vem fazendo um belo trabalho, tanto é que amargou ontem a sua primeira derrota. Outro mérito de Dunga é não dar murro em ponta de faca. Se não há um centroavante que mereça vestir a amarelinha, melhor mesmo ir de Tardelli, como vinha ocorrendo, e com sucesso.

Como toquei no aspecto psicológico, acho que o nosso Dunga deve ter um papo com Neymar, que ontem estava completamente fora de prumo. Talvez o peso da responsabilidade de resolver tudo, já que é único fora de série da Seleção, esteja pesando além da conta e, o resultado foi o que se viu na noite triste desta quarta-feira. Pior que, além do amarelo que o tira do próximo e decisivo jogo, ainda foi expulso e, pelo jeito, a punição será severa, já que a Conmebol está num momento de demonstrar distância do famoso “jeitinho”…

Com Neymar, conversar é preciso e, urgentemente!

Vermelhinha e preta

Sheik, Guerrero e o Sócio Torcedor Rafael Gama (Fotos: Paulo Sergio/Lancepress! e Divulgação / Flamengo)

Sheik, Guerrero e o Sócio Torcedor Rafael Gama (Fotos: Paulo Sergio/Lancepress! e Divulgação/Flamengo)

Como ficaram bem, Emerson Sheik e Paolo Guerrero, com o “Manto Sagrado”… Que beleza!!! E parabéns à diretoria pela bela ideia de levar o “Manto” até o cenário da Copa América e lá, “batizar” o nosso Guerrero. Muito feliz, também, a iniciativa de dar um sopro no projeto “Sócio Torcedor”. Muito legal premiar um destes torcedores, Rafael Gama, com a oportunidade de participar de evento importante e inteligente.

Tremenda bola dentro…

Mensagem de gratidão a um gênio da medicina

Querido Professor Tarcísio,

Há exatamente um ano e duas semanas, chegava eu ao aeroporto de Congonhas para uma consulta com o amigo. Duro foi fazer o trajeto até a garagem, onde o motorista havia estacionado o carro. Eu, que sempre tive uma vida saudável, marcada por inúmeras e permanentes atividades esportivas, estava me arrastando…

Nesta tarde o conheci. Ouvi todas as didáticas explicações e, saí do seu consultório sabendo que a cirurgia na coluna era a única solução para um futuro que não fosse humilhante. Precisava decidir. Dois fatores pesavam para que eu “empurrasse com a barriga”. Os comentários sobre as consequências de cirurgia tão delicada e a Copa do Mundo que ia começar. Como a vida é feita de afinidade, no aeroporto em São Paulo, quase entrando no avião, telefonei e disse a você que havia decidido pela cirurgia. A sua pergunta foi direta: “Quando você quer operar?” e, a minha resposta, foi rápida: “ontem!!!”.

No dia 15 de junho fui para o nosso incomparável Hospital Sírio e Libanês e, no dia seguinte, 16 de junho de 2014, aconteceu a cirurgia, graças a Deus e ao seu enorme talento, plena de êxito. A Copa, vi toda pela TV e, um único jogo ao vivo, exatamente o último, a decisão no Maracanã, entre Alemanha e Argentina.

Lembro da minha recuperação e em meio a muita fisioterapia, comandada pelo amigo Leonardo, comecei a caminhar. Como diria Nelson Rodrigues, fui melhorando a cada cinco minutos. Foi duro, mas valeu a pena.

Hoje, fiz um intervalado nos sete quilômetros e meio da Lagoa Rodrigo de Freitas, hora caminhando forte, hora correndo. Em todo o percurso a sua doce figura não me saiu da cabeça. Agradeci em silêncio durante todo o percurso e, agora, registro aqui a minha gratidão eterna.

Obrigado, grande mestre Tarcísio Barros Filho.