Retrato do fato

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Recebi um telefonema de um grande rubro-negro que, não só já prestou enormes serviços ao clube, como também tem sensibilidade aguçada. O meu amigo estranha a ausência do vice de futebol, por dois dias consecutivos, após a demissão em massa no departamento de futebol.

Realmente, é pra lá de estranho. E, ficaria mais estranho ainda se tivéssemos a convicção de que a vassourada geral tenha sido realmente obra dele.

Curioso, resolvi pesquisar e, pela retidão de caráter da pessoa com quem falei, a possibilidade de ele não ter me passado o retrato fiel do que ocorreu, é zero.

Quem “colocou a boca no trombone” após o jogo, foi o nosso vice de futebol. Quem tomou a decisão e demitiu todo mundo, foi o presidente Eduardo Bandeira. Se o desabafo público do vice de futebol, após o jogo, teve influência na decisão do presidente, só ele pode confirmar ou, não. O que é certo, é que a decisão das demissões foi do presidente. Qualquer outra história foge à realidade dos fatos.

E, quem está dando “tratos à bola” na tentativa de rearrumar a casa, é o presidente. Talvez este fato explique a ausência do vice, provavelmente achando que deveria ser ele o maestro da remontagem. Bom não se esquecer que o regime é presidencialista e, seria loucura imaginar que em momento tão complicado e importante, não fosse o presidente do clube o maestro da remontagem.

A boa notícia é que sabemos que há um comando único, até porque, provado está que, quando muitos mandam, quando o comando é dividido, a vaca toma o caminho do brejo…

Que o nosso presidente seja feliz na remontagem da estrutura do futebol. O tempo joga a favor, pois o time só entra em campo no dia 14, embora seja óbvio que, quanto antes, melhor.

Quem vai comandar?

Esta pergunta é pertinente, sim. Para que as coisas entrem nos eixos, é por aí que se começa.

Partindo da premissa de que, independente da competência individual de cada profissional que venha a ser contratado, a química no futebol é fator decisivo. Como tal, urge que, primeiro seja definido quem vai comandar. Será o presidente ou o vice de futebol?

Definido o comandante, compete a este montar toda a estrutura, até porque, o dia a dia irá requerer sinergia, compromisso, parceria e cumplicidade entre as pessoas.

A minha melhor experiência sobre este tema foi no período entre o final de 2005 e 2009, quando, apesar de todo tipo de dificuldade pela qual o clube passava, o grupo do futebol formado por poucas pessoas era unido, onde respeito, camaradagem e cumplicidade faziam parte do dia sim, dia também.

Que o comandante monte a sua tropa. Simples assim.

Muito cuidado nesta hora

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Leio que o diretor de futebol e o treinador do Flamengo foram demitidos, ou seja que, em tese, a responsabilidade maior dos sucessos não obtidos foi por culpa deles.

Não vou aqui discutir a competência profissional de cada um destes profissionais. Prefiro afirmar que, pela experiência acumulada no mundo da bola, a decisão tomada foi pertinente ao momento, porém, sem nenhuma garantia de que esta simples atitude venha a reverter o triste panorama do futebol do Flamengo.

Entendo que, na crise, este tipo de atitude seja até normal, só que há também no mundo do futebol, algo que é definitivo. As coisas caminham, desde que, haja um bom time e que ninguém atrapalhe.

No nosso caso, o assunto é mais profundo. Há um time que, repito, no contexto nacional é bom, mas onde não há uma sintonia fina, até porque, se houvesse, muitos títulos teriam sido conquistados.

Não tenho a informação precisa de como é estruturado e como caminha o nosso futebol. Apenas, pelos resultados – e pelo que me dizem – a fórmula atual, é ruim.

Amigos, a regra é simples. No futebol, quanto menos gente, melhor. Quando não há um comando claro, DEFINIDO, nada caminha. O jogador de futebol, funciona ou não, muito em função da estrutura. A nossa é fraca, é frágil. E, como o jogador é sensível…

O resumo da ópera: pela atitude tomada pelo presidente Eduardo, há indícios de que com estas mudanças o panorama vai mudar? Tomara.

Acreditando que qualquer mudança, até pelo fato de ter a obrigação de apresentar algo diferente, possa fazer o barco andar melhor, com todo respeito, tenho minhas dúvidas.

Aprendi que no futebol, além de, quanto menos gente melhor, a química é fundamental. Não há química…

Inacreditável, mas possível…

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Entrei no avião e, quando caminhava procurando minha cadeira, alguém me chamou. Olhei para trás e sorridente veio em minha direção um dos comissários de bordo, que foi logo se apresentado: “Meu nome é Hilário e vamos sofrer juntos pra saber o resultado do jogo do nosso Mengão”.

Abro parênteses para dizer que o avião decolou ontem às 15h30 e, a duração da viagem foi de onze horas. Portanto, durante todo o jogo, ficamos completamente “fora da jogada”…

Cumprimentei o gentil comissário rubro-negro e, de cara, já fui perguntando se havia Wi-Fi a bordo. Com decepção visível, Hilário infirmou que não. Aproveitando a intimidade que a paixão pelo Flamengo proporciona, sondei se o comandante não poderia dar uma mãozinha e ir informando o andamento do jogo. Hilário disse que, isto estava proibido, em função de alguns abusos ocorridos. Apenas se dispôs a me informar assim que o avião pousasse. Só que, quando o avião ainda estava a dez metros do chão, já estava eu de telefone em punho, retirando do modo avião e, procurando o Globo.com. A palavra que me veio à mente, quando soube do resultado, foi a primeira da manchete do post: Inacreditável!

A sequência da manchete é o retrato do mais apaixonante esporte da face da terra, onde tudo é possível. E, só por isso, mesmo sabendo da enorme distância de qualidade entre os dois times, eu e Hilário estávamos ansiosos em saber o resultado. Mesmo tendo a convicção de sermos superiores, sabíamos que a “zebra” passeia pelos campos de grama onde a bola rola…

Claro que decepcionado e triste pela eliminação do Flamengo, no mais fácil Campeonato Carioca que disputamos ao longo da história, comecei a ser bombardeado, pelo telefone, WhatsApp e e-mail. Amigos, ou apenas conhecidos, claro que, todos rubro-negros, indignados com a surpreendente eliminação.

Houve quem dissesse ter concluído que o nosso time é uma merda. Respondi, discordando. O nosso elenco, levando-se em conta o atual futebol brasileiro, não pode ser considerado ruim.

O que ocorre é a surpreendente falta de conexão, a desproporção, entre o elenco bom e as conquistas. Quando isto ocorre, qual é a conclusão lógica? O “em torno” deve ser questionado. E, estimo que o presidente Eduardo comece a raciocinar desta forma. Não faz muito tempo, escrevi aqui que no futebol do Flamengo falta convicção, onde se muda de opinião com velocidade espantosa.

Carpegiani foi contratado para ser gerente e acabou treinador. Pará era titular absoluto. Passou a reserva e, do nada, voltou ao time. Trauco era o bambambã. Melhor jogador da temporada peruana, chegou arrebentando. Logo foi para a reserva, onde Renê, hiper combatido, virou titular.

Como ninguém tem certeza de nada no Flamengo, na hora de começar a decisão, entra Éverton 22. Caramba, se isto estava na cara que era a melhor alternativa, por que tanto tempo foi desperdiçado, em que poderia Éverton ter se adaptado à nova função?

No meio, pior ainda. Jonas, que não convenceu, foi emprestado. Arão era titular absoluto, causa da “guerra quente” entre Flamengo e Botafogo. Chegou a ser convocado para a Seleção e, de repente, foi para o banco. Voltou no momento decisivo… Cuellar, foi exaltado em verso e prosa e, de repente, virou reserva de Jonas, que era ruim e, após o empréstimo, virou solução.

No ataque – o nosso é uma piada – confusão geral. Ceifador, só ceifa pênalti. Vinícius Júnior, recorde do Guinness em entra e sai. Isto tudo, sem falar no plano tático, onde Diego virou volante.

Na hora H, mudou tudo. Retornaram os dois volantes. Some-se ainda o abuso da individualidade, onde Paquetá tem sido o mestre-sala…

O resumo da ópera é simples. No Flamengo, não há convicção em nada, por isso mudanças ocorrem com enorme velocidade. O navio do futebol não é ruim, mas viaja ao sabor do vento…

Dá-lhe Egon!!!

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Queridos amigos,

Neste momento estou dentro de um avião. São os ossos do ofício, onde pode se registrar uma das coisas mais angustiantes da vida, qual seja viajar em dia de jogo do Flamengo.

Como somos um time, aqui a bola não para nunca de rolar e, quem vai rolar a bola para os comentários de vocês é o “Rei de Angra”, nosso irmão Carlos Egon Prates.

Dá-lhe Egon


Mais uma vez, a dúvida volta a nos atormentar. Começamos o ano com ambições gigantes e, até hoje, não sabemos se temos um elenco mediano ou bom.

Sim! Perder de 4 para o Fluminense, e para o lanterna da competição, prova que temos a conta do chá. E, sem querer ressuscitar o fantasma do “cheirinho” ou, “deixaram chegar”, ainda estamos longe de Tóquio.

Entre trancos e barrancos, tentamos destronar o futebol mais organizado do Rio, que é o tricolor.

A palavra encaixe passa longe das nossas aspirações.

Na verdade, não temos o protagonista. A garotada que subiu da base, embora muito promissora, ainda alterna jogos como vagalumes.

Ainda não descobriram que existem mais dez com camisas idênticas. Na verdade, na cabecinha deles, e dos empresários, a Europa é logo ali…

Diego, que deveria se impor pela rodagem, na verdade só foi protagonista no Werder Bremen, principalmente e, no Atlético de Madrid. No Santos foi coadjuvante, onde o cara era Robinho.

Já Éverton Ribeiro, após dois anos absolutos no Cruzeiro, fazendo chover, sumiu no Al-Ahli e hoje, só faz número pelos cantos do campo.

Enfim, jogando com o benefício do empate, novamente o Botafogo no nosso caminho.

Na gangorra deste Carioca mequetrefe, mais uma vez deixamos a desejar. Talvez isso sirva pra varrer de vez o enganador Carpegiani.

Mais uma derrota que, na verdade, nega nossas aspirações do começo do ano.

Temos nomes com passado brilhante, mas com presente questionável. Mesmo nessas circunstâncias, se o técnico ajudasse e, o encaixe surgisse naturalmente, poderíamos ser um  Corinthians 2012, quando ganharam tudo, com time pra lá de mediano, mas que jogava por música…

Vamos às notinhas das crianças… não tão crianças…

Diego Alves – Pegou uma cabeçada do zagueiro, e sem culpa no gol – 5

Pará – Mais próximo de um paralelepípedo que de um lateral. Saudades do Léo Moura – 1

Réver – Ainda fora de ritmo, foi melhor que seu amiguinho de zaga. Muito afobado nas saídas de bola – 3

Rhodolfo – Três saídas erradas e chegou atrasado no bote do gol – 1

Éverton Cardoso – Uma saída pertinente para escalar VJr, mas uma solução desastrosa tanto como lateral como atacante. Prefiro na frente – 3

Jonas – Muita pancada e pouco futebol. Bem substituído por Cuellar – 2

Arão – Um dos piores em campo. Sem alma, sem futebol, sem nada – 0

Diego – Como enceradeira não foi tão mal. Mas como meia, muito dispersivo – 5

Vinicius Jr – Um vagalume apagado. Errou tudo que tentou e ainda furou uma bola na cara do gol – 2

Paquetá – Muita gracinha em jogo errado. Firulas e mais firulas, mas futebol que é bom, nada – 2

Henrique Ceifador – Uma cabeçada na trave e nada mais. Até pra correr é esquisito – 2″

Carlos Egon Prates

Mengão e Seleção

Treino do Flamengo – 26/03/18 (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

O panorama é totalmente favorável. Melhor elenco, melhor time, jogando em casa – apesar do gramado ruim – e, tendo a vantagem do empate.

Fosse qualquer outro esporte, já daria para começar a comemorar a passagem para a finalíssima do campeonato. O problema é que estamos falando de futebol, onde a soma de 2 + 2 pode não ser 4.

Além da imprevisibilidade que o velho esporte bretão proporciona, é bom não esquecer que a vitória do Flu sobre o Bota, foi justa, porém, com um placar exagerado, diante do que se viu em campo.

Humildade, inspiração e transpiração, fórmula única para a nossa primeira decisão. E, tomara que Carpegiani acerte na escalação…


Gabriel Jesus comemora seu gol em partida amistosa contra a Alemanha – 27/03/2018 (Robert Michael/AFP)

Seleção

Vi, zapeando, os jogos de Brasil e Argentina. Galvão Bueno foi muito feliz ao afirmar que o principal nestas duas vitórias, sobre Rússia e Alemanha, foi a confiança que tomou conta do nosso time. E, como confiança é quase tudo no futebol, começar a Copa neste embalo é um belíssimo caminho andado.

Mesmo com a Alemanha poupando este ou aquele jogador, o teste foi ótimo. O sistema defensivo do Brasil beirou a perfeição. E, incrível como o time está indo bem sem o seu principal jogador. Quero ver o que Tite vai arrumar quando Neymar voltar…

A Argentina, goleada impiedosamente pela Espanha, sofreu sem Messi. O início foi até equilibrado. O primeiro tempo terminou 2 a 1 para a Espanha, mas Higuaín perdeu dois gols inacreditáveis… Depois, no segundo tempo, Los Hermanos tomaram uma surra de bola com o placar vergonhoso de 6 a 1.

Faz tempo que venho chamando a atenção de todos para esta seleção da Espanha. Está renovada, tem jogadores decisivos e, coletivamente, dá gosto de ver jogar.

Para encerrar, a brincadeira que circulou após o jogo da seleção do Brasil.

  1. Alemanha com a camisa do Flamengo: Alemanha 7 x 1 Brasil.
  2. Alemanha com a camisa do Palmeiras. Brasil 1 x 0 Alemanha.

Resumo da ópera: “Manto”, só há um.

Messi, Caetano e a Taça Rio

Lendo a matéria em que Messi afirma não ser a Argentina uma das favoritas para ganhar a Copa, em que o melhor jogador do mundo, sem papas na língua, afirma que Brasil, Alemanha, Espanha e França são os reais favoritos, me veio à mente um vídeo espetacular (acima) que não para de rodar no Flashback, reduto de quem é louco por música, em que Caetano Veloso interpreta “Sozinho”, de Peninha.

A interpretação é uma obra de arte, mas o melhor fica por conta do final, quando Caetano diz que ouviu “Sozinho” pela primeira vez no rádio, na voz de Sandra de Sá. Ouviu e jurou que iria gravar a música. O tempo passou e, também no rádio, ouviu a música de Peninha interpretada por Tim Maia. Diz Caetano que, as duas interpretações, com Sandra, maravilhosa, e com Tim, arrasadora, quase o inibiram de gravar a música que tanto amava.

Caetano gravou e, a meu conceito, é uma das maiores interpretações da MPB.

O que Caetano e Messi têm em comum? Genialidade ao grau máximo e humildade que comove, inspira e é exemplo.


(Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo)

Taça Rio

Hoje, Marcelo Barreto puxou o tema que, realmente é muito bom. Campeão da Taça Rio é título?

Contou inclusive Barreto que o editor de esportes do Globo, recorreu a uma pesquisa para decidir se na segunda-feira haveria ou não, poster de campeão.

A pesquisa foi favorável e, como todos viram, lá estava o time do Fluminense, posando como campeão.

A meu conceito, a conquista se resume ao campo esportivo, quando garante vaga para disputar semifinal e final.

Quando a Taça Guanabara era uma competição isolada, aí sim, cabia volta olímpica e poster de campeão.

Hoje, neste formato de campeonato, é forçação de barra.

Ou, como ouvi de um amigo tricolor: “Vou ao Maraca. Se o Flu ganhar, é campeão. Se perder, não vale nada”.

Abelão e mais 11

(Foto: André Durão/GloboEsporte.com)

Deu o que tinha que dar. O primeiro tempo de Fluminense e Botafogo foi até igual, embora o Fluminense tenha saído com o placar parcial por 1 a 0.

Tanto é verdade que, o Botafogo teve cinco chances de gol, contra duas do Fluminense.

Veio o segundo tempo e aí, o que se viu foi o time do Fluminense muito mais maduro e, também, muito mais organizado. Resultado: 3 a 0. O famoso placar clássico…

Três coisas me chamaram a atenção. Primeiro, aquela máxima do saudoso Otto Glória de que “sem ovos não se faz omelete”. Como para toda regra há exceção, Abelão está aí mesmo…

A segunda, nos diz respeito de uma certa forma. Este garoto Pedro, jovem centroavante do Fluminense, ouso dizer que é melhor do que o Ceifador. Embora alto, é rápido, tem bom domínio de bola, mete gol e, dá passes decisivos. Será que eles não topam trocar?

Para encerrar, para aqueles que defendem a tese de que o Maracanã tem mesmo que ser palco musical, já que futebol é negócio e, como tal, quem tem estádio tem que faturar com ele seja como for, espero que tenham notado as condições do gramado. Uma vergonha!!! E quarta e quinta tem mais jogo no campo de areia…

Pegamos agora o Botafogo. Como sempre disse o mestre João Saldanha, “o jogo é mole, mas primeiro tem que jogar”. O time do Botafogo, apesar de lutador, é fraco.

Tomara que esta folguinha tenha sido útil para que Carpegiani tenha concluído, finalmente, qual é o melhor time do Flamengo.

Eu não tenho nenhuma dúvida. E você?

Flamengo e o “Festival Pré-Copa”

Philippe Coutinho comemora o segundo gol da Seleção Brasileira em Moscou (Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP)

Vamos começar pelo verdadeiro festival de futebol, que rolou nesta tarde/noite, para nós, aqui no Brasil.

Estou até zonzo de tanto zapear (trocar de canal). O único jogo inteiro que vi, foi o da Seleção Brasileira, que jogou sem o seu principal jogador. Este, a meu conceito, foi o fato mais importante, pois mesmo sem Neymar, a atuação do time brasileiro foi prá lá de convincente.

Como nós rubro-negros só pensamos no vermelho e preto, via o jogo coletivo da Seleção e não havia como não pensar no Flamengo, sem fazer certas comparações.

Na Seleção Brasileira, a individualidade ocorre no momento exato, normalmente próximo à área adversária, enquanto que a individualidade do time rubro-negro acontece a todo momento – e em qualquer lugar do campo. Tática cujo nome é “Murici”, onde cada um cuida de si.

Voltando à Seleção, já que sobre o Flamengo falaremos adiante, a impressão que o  time de Tite deixou, foi a melhor possível.

Como sabia que os Russos jogariam super retrancados, Tite optou por um time bastante ofensivo e, deu certo. Resta saber se, quando o jogo for contra um peso pesado, como por exemplo a Alemanha, na terça-feira, Tite manterá o time que começou. Tenho minhas dúvidas….

Após o jogo do Brasil, festival de zapeadas. O jogo que mais despertou a minha atenção foi entre Alemanha e Espanha, cujo resultado foi 1 a 1. Jogão! Esta seleção espanhola, que os “especialistas” não estão levando fé, tem tudo para ser uma baita surpresa nesta copa. Aqui no Brasil, veio uma seleção espanhola envelhecida. Hoje, o time está renovado e com pinta de que vai ser sucesso na copa.

A Argentina, sem Messi, meteu 2 a 0 na Itália. Apesar da vitória, dá para arriscar a afirmativa de que, sem Messi, a Argentina fazer um bom papel na Rússia, só com muito milagre…

Vi algo inédito. A primeira vitória da Colômbia sobre a França. Como ando batendo de frente com os “especialistas”, ao contrário do que apregoam eles, tenho sérias dúvidas com respeito à badalada seleção francesa.


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Vamos ao nosso Mengo. Claro que, como em qualquer clube brasileiro, há no nosso time pontos vulneráveis. Sei perfeitamente que, por melhor que seja o treinador, sem material humano minimamente competente, não há solução.

Como dizia o saudoso treinador Otto Glória, “sem ovos, não se faz omelete”. O problema é que com o elenco que temos, dá pra fazer omelete, sim. Iria além e aqui afirmo: o único elenco que eu trocaria pelo nosso, se possível fosse, claro, seria o do Palmeiras. Não vejo no cenário brasileiro nenhum elenco superior. Vejo alguns iguais. Melhor, só o Palmeiras.

Dito isto, não há como não concluir que, antes de pensar em corrigir o elenco, precisamos fazer o dever de casa e melhorar, e muito, com o que temos. A sensação que tenho é a de que as pessoas não sabem o que pensam e o que querem.

Em um determinado momento, Pará é o cara na lateral direita. Depois, Rodnei é a solução e, para finalizar, já querem o Pará de novo. Na outra lateral, o peruano Trauco, recomendado por Guerrero, chegou cheio de moral e jogando uma bola redondinha. Pelo jeito, esqueceu como se joga bola e, Renê foi guindado a titular absoluto…

Éverton 22, para muitos seria o ideal, pois resolveria o problema da lateral esquerda e abriria brecha para a escalação de Vinícius Júnior. Apesar de muitos pensarem assim, só ontem Carpegiani se tocou…

Jonas, que não faz tanto tempo foi empurrado por empréstimo por ser considerado tecnicamente fraco, virou titular absoluto. Cuellar, que era o dono da posição, elogiado por Deus e o mundo, virou reserva.

Diego, de ponta de lança, como os antigos chamavam o camisa 10, se transformou em volante, jogando, em consequência, muito longe da área adversária. Éverton Ribeiro, embora bem melhor do que no ano passado, não se acha em campo, onde está desempenhando um papel de marcação, que antes, nunca havia feito.

Ceifador, que custou caro, não ceifa. Só de pênalti… Felipe Vizeu, tecnicamente limitado, joga com o corpo aqui e a cabeça na Itália.

Se houvesse a possibilidade de se jogar com duas bolas, talvez resolvêssemos um problema que aumenta a cada dia, sem que ninguém resolva. Uma bola para todos os jogadores e, uma exclusiva, para Lucas Paquetá. Será que ninguém vê que o excesso de individualismo deste bom jogador, o está matando e, freando o time?

E, o nosso melhor atacante, Vinícius Júnior é o TITULAR ABSOLUTO DO BANCO DE RESERVAS.

Com respeito ao treinador, que confiança se pode ter, se foi ele contratado para ser gerente e acabou dirigindo o time? E nem falei no plano tático, onde adotamos o esquema de um único volante de origem.

Enfim, acho que esta paradinha, pelo fato de termos sido eliminados ontem, abre espaço para uma profunda reflexão interna, onde, pelo que pude aqui expor, se muda de ideia com muita facilidade e, em consequência, nada se conclui.

Time arrumado 1 x 1 Time desarrumado

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Antes do jogo começar, com extrema humildade, Abel chamou a atenção para a disparidade técnica entre os elencos de Flamengo e Fluminense, inclusive, destacando a qualidade do banco de reservas do Flamengo. Porém, completou: “tudo isto é verdade, mas vamos buscar o resultado.”

O que se viu foi espantoso e surpreendente. O time inferior jogando por música, enquanto que o time mais qualificado, desafinava….

Confesso que o que o Fluminense apresentou foi uma novidade que nem os tricolores esperavam. Em contrapartida, nenhum rubro negro imaginaria um time tão desarrumado, abusando das jogadas individuais.

E, assim terminou o primeiro tempo, com o gol de Gum, onde o nosso bom goleiro poderia ter saído e cortado o cruzamento. O curioso é que o “anãozinho” Éverton é quem marcava o “gigante” Gum…

No segundo tempo, com a entrada de Vinícius Júnior, o nosso time ficou mais agudo, porém sempre dependente das jogadas individuais. Ao contrário, o Fluminense continuou arrumadinho.

Apesar da pressão natural do Flamengo, que chegou ao empate, as melhores chances de gol foram do Fluminense. Por este jogo, a classificação tricolor foi justa. Mereceu.

Os nosso laterais são fracos e, ataque não temos, pois o nosso único bom atacante é titular absoluto do banco de reservas.

E o Ceifador hein?