Julio Cesar

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Já contei isto aqui, mas pela importância deste sábado, quando um dos maiores goleiros do Flamengo e do futebol brasileiro estará pendurando luvas e chuteiras, acho que o replay é válido.

Participava de uma reunião de diretoria no Flamengo, quando a eficientíssima secretária da presidência, Martha Camargo, cochicha no meu ouvido que havia duas visitas me aguardando e, que o assunto parecia ser importante.

As visitas eram Romário e Joel Santana que, pacientemente, aguardaram o encerramento da reunião de diretoria e, um tanto preocupados, me levavam um tema importante.

Informaram que estávamos com um sério problema no gol, pois havia um caso de contusão e outro de ordem “psicológica”. Não vou me aprofundar no tema em respeito ao profissional que, segundo eles, o goleiro em questão, até que não era ruim, mas… “chamava gol”!!!

O pior, é que me participavam e ao mesmo tempo pediam uma solução imediata, como se contratar um goleiro fosse a mesma coisa que tomar um cafezinho.

O goleiro – e bom – Clemer acabou sendo contratado, mas a solução tinha que ser imediata, ou seja, para o final de semana seguinte. Diante da situação, pedi à nossa secretária Martha, que localizasse Marcos Paquetá, que era o nosso treinador dos juniores.

Em quarenta minutos chegou Paquetá e, de imediato, pedi uma detalhada análise dos goleiros das categorias de base. O do time de juniores eu já conhecia, pois sempre ia ver os jogos da garotada que, em muitas oportunidades, faziam a preliminar. Tratava-se de Marcelo Leite, de quem tinha boa impressão.

Paquetá, de forma absolutamente pragmática, não mediu palavras quando fez a seguinte colocação: “Presidente, o melhor goleiro DO FLAMENGO, entre juvenis, juniores e os profissionais, está no juvenil. Tem 17 anos e o nome dele é Julio Cesar”.

Ante tamanha contundência na afirmativa, todos nós pedimos que Paquetá falasse um pouco sobre Julio Cesar e, após ouvirmos com atenção, não lembro se foi Joel que perguntou – acho que sim – como era a cabecinha dele, ao que Paquetá afirmou que o nosso personagem, além de um goleiro espetacular, tinha cabeça muito boa e que era um menino de 17, com mentalidade de um homem de 30.

Sem ninguém perceber, enquanto conversavam, fui até a sala da vice-presidência, onde estava meu companheiro Getúlio Brasil e dei um telefonema. Liguei para meu guru Telê Santana, a quem amava e admirava. Contei o caso. Telê ouviu e sapecou: “Se o goleiro é tudo isso e, se a cabeça é boa, vá em frente, sem medo”. E assim foi. Julio Cesar foi guindado, direto da categoria juvenil, para os profissionais.

Ainda menino, na largada, foi campeão da Copa dos Campeões mundiais e campeão da Copa de Ouro, da Confederação Sul-americana. O que veio a seguir, todo mundo já sabe.

Além de tudo isto, Julio Cesar era e continua sendo um rubro-negro apaixonado. Claro que todo bom profissional, quando defende um clube, dá o melhor de si, vibra nas vitórias e sofre nas derrotas. Agora, quando o profissional é exemplar e veste a camisa do clube pelo qual tem paixão, aí é outro mundo. Diria mesmo, tratar-se de uma realização de vida, uma vitória, de goleada, da alma.

Certa vez, em uma festa de aniversário, o pai de Jullio Cesar foi ao meu encontro para, segundo ele, me agradecer, com atraso, tudo que havia feito pelo filho dele, citando inclusive uma passagem em que, numa entrevista, quando ainda ninguém sabia quem era Julio Cesar, eu havia me referido a ele como genial goleiro. Agradeci a gentileza e disse que todos os méritos eram de Julio, pois no futebol, graças a Deus, não há padrinhos. Vinga quem é bom, pelos seus próprios méritos.

Tive a honra e o prazer indescritível de ter visto nascer para o futebol, no clube que é a minha paixão de vida, um dos mais notáveis goleiros do futebol mundial. E, não bastasse isso, uma figura humana adorável, única.

Obrigado Júlio. Não errei. Você foi genial.

Viajando nos comentários

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Vou começar levantando a bola sobre uma observação feita pelo jovem, talentoso e grande rubro-negro HENRIQUE, que, de uma certa forma, afirma que o treinador não é fraco.

Henrique, amigo e doçura de pessoa, o treinador é fraco sim, para o tamanho do Flamengo. Meu Deus do Céu, será que não se consegue entender que cada um de nós tem o seu limite de competência e o limite do nosso treinador (?) está um bilhão de quilômetros de distância da necessidade do Flamengo?

A não contratação de um TREINADOR, de um LÍDER, além de comprometer um terço dos jogos que compõem este Campeonato Brasileiro, inibe a possibilidade de um melhor aproveitamento do período de paralisação, quando em função da Copa do Mundo, quem tiver competência pode ir se arrumando melhor e, quem sabe, estar em outro estágio quando do reinício do campeonato.

Juro que não consigo entender esta estratégia. Parece elaborada pelo arco-íris…


O nosso DIEGO S. OLIVEIRA, traz dois temas muito bons. O primeiro, também já havia ouvido algo a respeito, dá conta de que Diego está jogando de segundo volante em função de ser o local onde Tite poderia levá-lo para ter uma vaga entre os jogadores que irão para a Copa. Não quero aqui discutir se Tite tem ou não razão se Diego só pode na “amarelinha” ter vaga nesta função. Isto é uma coisa.

A outra coisa é o interesse do Flamengo e, sobre isto, não há nenhuma dúvida de que Diego armando mais próximo à área e, portanto, também em condições de chegar próximo ao gol adversário, funciona bem melhor. Tomara que isto não seja verdade, pois seria o fim da picada o Flamengo se curvar aos interesses de qualquer um, inclusive aos da Seleção.

O nosso DIEGO toca em um outro assunto, com uma pergunta de quem sabe das coisas: “Cadê o Vitor Gabriel?” Diego, amigo, penso igualzinho. Vitor Gabriel, no Flamengo, só perde para Guerrero.


O amigo PAULO CESAR FERNANDES indaga se o governador Luiz Fernando Pezão, realmente, assinou a liberação para a construção de um estádio na Gávea, com capacidade para 45 mil pessoas.

Como também já havia lido e comemorado a bela notícia, mantive contato com o nosso governador e, infelizmente, a notícia não corresponde. O que assinou ele foi a liberação para a construção da Arena, que irá atender aos esportes olímpicos, além da construção de um restaurante voltado para a Lagoa.


Os temas dos amigos IGUARACY DE SOUZA e FERNANDO ARAGÃO, embora distintos, tem tudo a ver.

IGUARACY indaga se convidado fosse eu para ajudar no futebol, se aceitaria. FERNANDO cita o caso Éderson e, transcreve no seu comentário o post em que dou conhecimento ao pessoal do futebol do Flamengo, baseado em uma informação seguríssima, de que poderia ser uma contratação complicada, pelos problemas físicos do jogador.

Vamos começar – e terminar – por aí. Se os dirigentes atuais, ao menos, escutassem e avaliassem, hoje o Flamengo não teria o prejuízo que teve e, continua tendo, pagando a um jogador que não joga. Se, ao menos, escutassem e avaliassem as observações feitas por quem, como único interesse seja o sucesso e a grandeza do clube, quem sabe o balanço do futebol, que hoje não é bom, pudesse ser bem melhor…


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

A DESPEDIDA DE JÚLIO CÉSAR

Sobre Júlio César, a quem amo, admiro, respeito e sou grato, vou falar amanhã. O que quero discutir aqui é o timing, o momento, a oportunidade, para esta despedida festiva.

Deixo algumas perguntas no ar:

  • O momento é propício?
  • A torcida está em sintonia fina com o time, para um momento que requer cumplicidade?
  • A competição – Campeonato Brasileiro – foi definida de forma a atender os interesses do clube, nesta despedida festiva?
  • E por último. Vale a pena correr este risco, com três pontos em disputa?

Preocupante. Cada vez mais

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Tenho sempre o maior cuidado em avaliar um jogo atípico. E foi o caso desta partida contra o Santa Fé, até porque, para o clube mais popular do país, jogar em casa, sem torcida, realmente foge à normalidade.

Com tudo isso e, desde já dando um desconto, a atuação do Flamengo foi simplesmente ridícula. Jogamos contra um time brigador, é verdade, porém, tecnicamente muito fraco.

Jogamos contra um time em que o goleiro entregou o gol em uma saída equivocada, repetiu o mesmo erro mais umas cinco vezes e, mesmo assim, nada de alguém colocar a bola para dentro.

Os nossos erros são os de sempre. Dinâmica de jogo não existe. Há quem prefira chamar de intensidade. Uma coisa ou outra, talvez seja o nosso principal pecado.

Times tecnicamente inferiores conseguem fazer a bola rolar melhor e criar muito mais. Quem vê o Flamengo jogar tem a sensação de estar nos anos 70. A diferença é que lá atrás havia talentos. A dinâmica de jogo, igual.

Diego, não consigo entender, joga de segundo volante, muito distante da área adversária. Até mesmo com a entrada de Arão, o nosso camisa 10, talvez pela nova força do hábito, continuou jogando muito atrás. Também fica a sensação de falta de personalidade, de confiança. Não há liderança.

Hoje, substituídos, Ceifador e Éverton Ribeiro saíram emburrados, de caras feias, de poucos amigos para o treinador. Treinador?

Aliás, por falar nisso, CADÊ O NOSSO TREINADOR?

Andrés x Eduardo

(Reprodução da internet)

Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, sem papas na língua, colocou a boca no trombone, acusando o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, de ter oferecido um milhão de reais, mensais, ao treinador corintiano, Fábio Carille, além de ter sondado o excelente jogador Rodriguinho.

Andrés também criticou o fato de o Flamengo ter comparecido à reunião para eleger o novo presidente da CBF, Rogério Caboclo, e não ter votado. Dos três dissidentes, o Corinthians foi e votou em branco. O Flamengo se fez representar e não votou e, Atlético Paranaense, lá não foi.

De positivo, foi o fato de sabermos que o Flamengo está procurando um treinador. O problema tem sido a falta de sensibilidade para detectar as reais possibilidades. Estava na cara que Renato não iria, como está na cara que, mesmo com a exagerada oferta de um milhão por mês, pela declaração de Andrés, Carille ficará no Corinthians.

Ia esquecendo que, em seu desabafo, o presidente corintiano chegou a afirmar que duvidava que o Flamengo pagasse a metade da multa de Rodriguinho, prevista em contrato.

Em tempo: não seria o Flamengo uma bela solução para o imbróglio envolvendo Scarpa, Fluminense e Palmeiras?

Em tempo 2: Soube que Lucas Lima não está feliz no Palmeiras.

Flafesta e Luxemburgo

Festa da torcida no treino aberto no Maracanã (Foto: Cahê Mota).

Alguns amigos, rubro-negros e integrantes do arco-íris, escreveram e telefonaram, achando meio fora de propósito a ação desenvolvida hoje pela diretoria do Flamengo, colocando, no Maracanã, uma multidão para o último treino antes do jogo de amanhã, contra o Santa Fé, pela Copa Libertadores.

O argumento é no sentido de que há uma visível falta de conexão com o momento que vive o time do Flamengo, com a euforia do torcedor.

Não tiro certa razão de quem assim pensa, mas, ao mesmo tempo, até como conceito de vida, acho que todas as tentativas são válidas, e que o grande pecado é a omissão.

São duas formas de ver as coisas, uma mais profunda na análise – a de alguns amigos – e, a outra – a minha – que aplaude as iniciativas e, quanto mais ousadas, mais gosto. Tomara que a rapaziada do futebol tenha tido uma noção exata do que é a paixão rubro-negra.

Quem sabe não tenha sido uma sacudidela que estes jogadores estão, visivelmente, precisando…

O melhor de tudo, é que a resposta virá rápido. Amanhã vamos saber se funcionou ou, não.


(Reprodução da internet)

Os amigos, sempre atentos, ligaram e mandaram mensagens, dando conta da presença de Vanderlei Luxemburgo, no Esporte Interativo. Liguei a televisão e tive a oportunidade de ver um bom programa, com profissionais interessantes e competentes, trocando figurinhas com o treinador.

O papo fluiu legal e, dois detalhes me chamaram atenção. O primeiro foi com respeito a Éverton, que quando indagado se foi uma boa iniciativa do São Paulo, Vanderlei disse que sim. E, complementou, afirmando que Éverton, embora não seja um craque, arruma qualquer time. Interveio um dos participantes da mesa, dizendo que o São Paulo já tinha uma quantidade significativa para a função que Éverton desenvolve pelo lado esquerdo, ao que Vanderlei respondeu: “é verdade, mas nenhum tão bom quanto Éverton”…

O segundo detalhe vai muito de encontro a tese do meu amigo Fernando Versiani, sobre qual seja a melhor formação de ataque do nosso time. O assunto foi o tal do camisa 9 que, na opinião de todos no programa, inclusive na de Vanderlei, cada vez mais sai da lupa do futebol moderno.

A tese do Fernando Luiz, e com ela começo a concordar, é a de que o Ceifador deveria ceifar o banco de reservas e o ataque, que primaria pela rapidez, deveria ser formado por Éverton Ribeiro, Lucas Paquetá e Vinícius Junior, onde não haveria um homem fixo, mas em contrapartida, a movimentação, pelas características dos três jogadores citados, deixaria o sistema defensivo adversário enlouquecido.

Vanderlei chegou a citar a própria Seleção Brasileira atual que, atingiu o seu melhor momento jogando exatamente desta forma. Enfim, foi um bom programa que, para mim, serviu para concluir que de retrogrado, Vanderlei Luxemburgo nada tem. Ao contrário, está bem atualizado…

E por falar em treinador, antes que esqueça, CADÊ O NOSSO TREINADOR?

Quanto mais vejo, mais preocupado fico

(Foto: GloboEsporte .com)

Curioso estava pela estreia do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Afinal, estamos falando de quem mais investiu, do time apontado pela maioria esmagadora dos companheiros de imprensa como o mais provável candidato ao título.

Aí, me preparei para ver o Palmeiras e, acabei vendo um bom jogo, com o time do Botafogo operando quase que um milagre.

Vamos começar pelo Palmeiras. Realmente, as opções que têm o seu treinador são enormes. Neste jogo, no intervalo, Lucas Lima foi sacado e, o seu substituto, Guerra, foi o autor do gol do Palmeiras. Em síntese, o banco do Palmeiras é um luxo.

O problema é que o Botafogo, com todos os problemas financeiros e, consequentemente, com um elenco limitado – e ainda por cima desfalcado de jogadores importantes – é um time muito bem arrumado e com uma bela dinâmica de jogo.

Após o gol, o Palmeiras relaxou e o Botafogo partiu pra cima, sendo premiado, com justiça, com o gol de empate.

O jogo, muito gostoso de se ver. E, no final, para mim, uma preocupação que cresce. Temos um bom elenco, porém, inferior ao do Palmeiras.

E, temos um time que, em termos de dinâmica e arrumação, fica devendo ao Botafogo.

Gostaria muito de estar externando minha opinião de forma diferente, mas esta é a realidade. Só não vê quem não quer ou, quem de futebol entende o mesmo que entendo eu de Botânica.

Para encerrar. Há quem comente que a medida em se definir um treinador para o Flamengo após a Copa do Mundo é uma atitude inteligente. Aos que assim pensam, um pequenino lembrete e, uma rápida aplicação da velha matemática. Até a Copa, serão disputadas 12 rodadas de um total de 38. Ou seja, esperar pelo reinício do campeonato para contratar um treinador será abrir mão de 31,6%, ou, quase um terço da competição.

Ainda há um agravante. O período da Copa do Mundo seria tudo que um profissional precisaria para ajeitar o time. Após a Copa, no dia seguinte, a bola já rola por aqui.

Em 2006, conquistamos a Copa do Brasil exatamente assim. Com um treinador novo ajeitando o time para a decisão. E ganhamos!!!

CADÊ O TREINADOR???

Campeonato nivelado

(Foto: Staff Images / Flamengo)

Numa análise fria, sem paixão, o início do Campeonato Brasileiro não foi tão ruim como se poderia imaginar.

Ontem, em função de erros grosseiros da arbitragem, principalmente contra o Flamengo, num jogo atípico, fica impossível um comentário correto sobre a partida e, sobre o potencial dos dois times.

Pelo retrospecto, fica a sensação de que o time do Vitória é fraco e que, infelizmente, o Flamengo não dá ao torcedor a certeza de que pode brigar pelo título. Sinceramente, diferente de alguns companheiros aqui do blog, não acredito mesmo que corramos algum risco de sofrimento no campeonato. Aí também já seria demais…

Não há como negar que fica uma sensação de que o nosso barco não navega com firmeza no mar agitado do Brasileirão. No timão do nosso barco, não há o comandante. Está mantido um marinheiro. De primeira viagem… Acreditar, como?


(Foto: Newton Menezes / Futura Press / Estadão Conteúdo)

Hoje, o panorama para o futebol carioca foi até bom. O Fluminense, que perdeu, deixou a impressão de que a derrota de 2 a 1 para o Corinthians não foi um resultado que traduzisse o que se viu.

Primeiro tempo ridículo, pobre, de dar sono. Segundo tempo vibrante, com mais chances para o Fluminense, mas como o tema é futebol, vitória do Corinthians por 2 a 1. Aqui pra nós, este Rodriguinho, além de bom jogador, é decisivo. Jogador iluminado, que faz a diferença.


(Foto: Celso Pupo / Fotoarena / Estadão Conteúdo)

O Vasco, com todos os seus problemas, foi o único do Rio a vencer. E, com méritos, venceu o Atlético Mineiro por 2 a 1. Difícil discordar do excepcional comentarista e querido amigo Lédio Carmona, que não achou pênalti no lance que originou o gol da vitória do Vasco. Achei pênalti. Aliás, “muito pênalti”… Lédio, querido, desculpe discordar. A primeira vez em mil anos…

Agora, atentem para um fato curioso neste campeonato. O Cruzeiro, apontado como um dos favoritos para o título, começou perdendo, em casa, para o Grêmio, num jogo em que o time de Renato Gaúcho teve domínio total. Agora, o Cruzeiro vem ao Rio e pega o Fluminense que, hoje, perdeu, mas não decepcionou. Apesar da competência indiscutível de Mano Menezes, não vejo o Cruzeiro como bicho papão.

Para encerrar, a pergunta que não quer calar: CADÊ O TREINADOR DO FLAMENGO?

Parece castigo

(Foto: Staff Images / Flamengo)

No balanço final sobre a arbitragem, sem dúvida, o prejuízo maior foi do Flamengo, pois, embora dois gols tenham sido assinalados de forma irregular, sendo um para cada lado, é bom não esquecer que o Flamengo foi duplamente punido no erro do árbitro.

Além do pênalti inventado, a expulsão de Éverton Ribeiro deixou, de forma injusta, o Flamengo com um jogador a menos durante praticamente o jogo todo.

Jogo feio, nervoso e com uma desarrumação geral dos times, principalmente o nosso. Não entendi as alterações introduzidas pelo nosso treinador. Paquetá saiu dando a entender que não concordava, ou que estivesse surpreso com a sua substituição.

No fim do jogo, a entrada de Pará no lugar de Vinícius Júnior foi a sinalização clara de que estávamos abdicando da tentativa de vitória e, como era de se esperar, fez com que o Vitória jogasse no nosso campo, sem nenhum receio de um possível contra-ataque.

O segundo gol do Vitória, com Réver marcando a bola e Juan atrás do atacante do time baiano, deixa uma enorme sensação de desarrumação.

Não quero me alongar analisando um jogo atípico, mas que, ante tantos erros cometidos, dentro e fora do campo, o que se viu hoje parece castigo….

Começo, desanimador…

Parece simples, mas não é

(Fotos: Gilvan de Souza / Flamengo)

O que? O mundo da bola.

Nosso moderador e querido amigo Robert Rodrigues, assim que cheguei de viagem, me encaminhou polêmica matéria, concedida ao UOL, pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello (ler aqui).

O motivo do encaminhamento a mim, feito pelo Robert, foi pelo fato da referida matéria estar sendo muito discutida nas redes sociais. A matéria em si, tem como ponto central o fato de – na reunião com os jogadores – o presidente ter pedido a ajuda deles, pois seu mandato termina em dezembro e, mais do que justo que Eduardo queira sair bem, com reconhecimento popular e, como todos sabem, isto no Flamengo só é possível com o futebol sendo vitorioso.

Sinceramente, não achei nada demais. Se há uma linha direta entre o presidente e seus jogadores e, uma das partes no que tange a honrar os compromissos assumidos – no caso a do clube com os jogadores – é cumprida à risca, com salários em dia, bom ambiente e boas condições de trabalho, tem o presidente todo o direito de exigir reciprocidade, mesmo apelando para o lado emocional.

Muito difícil para quem está de fora ter a certeza de qual seja o melhor remédio, quando não se convive com os problemas do paciente…

De qualquer forma, cobrar é um direito do presidente. A forma, pode até ser discutível, mas dependendo do tamanho da cumplicidade entre as partes, pode até funcionar.

O outro ponto que muito foi discutido, ficou por conta da fala do presidente, se dirigindo aos jogadores e mostrando que o resultado da eleição passa pelo resultado do futebol e, daí a necessidade de vencer e conquistar títulos. Para dar ênfase ao seu discurso, Eduardo afirmou que não suportaria ver os ladrões de volta ao Flamengo. Fato, claro, se o atual grupo vier a perder as eleições.

Vou surpreender muita gente e, dizer que o presidente não errou na afirmativa, mas foi infeliz generalizando, deixando no ar… Como o Flamengo foi para mim uma missão divina, lá entrei para dar e me entregar. Levava isto tão a sério que, ao longo de nove anos trabalhando para o clube, como presidente e vice-presidente de futebol, duvido que alguém encontre uma nota de viagem, nacional ou internacional, de hotel, de refeições, de representação, enfim, de qualquer coisa, em que eu tenha sido a origem da despesa.

O Flamengo jamais me pagou uma Coca-Cola. Onde o Flamengo foi, eu fui, pagando todas as despesas com meus próprios recursos. Alguns companheiros afirmavam tratar-se de um exagero. Fiz e não me arrependo.

Da mesma forma, tomei conhecimento de pessoas que ocupavam determinados cargos com o único objetivo de obter alguma vantagem, independentemente de, para o clube, ser bom ou ruim.

Como bati de frente, abominando a patifaria, arranjei inimigos que queriam fazer do Flamengo o quintal da casa deles. Inimigos, que até hoje, inconformados, me perseguem. Por isso, entendo o desabafo do Eduardo. Como em mim a carapuça não cabe e, sabedor de que há gente sim, rondando sempre à espera de uma boquinha, não posso deixar de dizer que Eduardo tem certa dose de razão. Já passei da idade de querer ser politicamente correto. Digo o que penso.



Ia esquecendo. Se há uma multa contratual e o São Paulo pagar, o que se pode fazer? Resposta: Pegar o dinheiro e reaplicar no futebol, contratando de acordo com a necessidade do time. No mais, papo furado. Discutir o sexo dos anjos?

Para encerrar: Vamos começar o Campeonato Brasileiro com um comandante que nunca comandou. CADÊ O TREINADOR?

 

 

André Gustavo Richer

André Richer (Reprodução da internet)

De malas prontas para voltar, recebo a triste notícia do falecimento do ex-presidente do Flamengo, André Richer.

Os rubro-negros mais jovens, acostumados com os números estratosféricos via direitos de TV, marketing e sócio torcedor nos dias de hoje, não têm ideia das dificuldades encontradas pelos que presidiram o Flamengo em outros períodos.

E, esse é o caso de Richer, pessoa de finíssimo trato, um gentlemen na acepção da palavra que, como outros tantos ex-presidentes, se virou para manter a pipa rubro-negra no alto.

O Flamengo, em respeito à tradição do clube, que nasceu através do remo, sempre abraçou os esportes olímpicos e, como já frisei aqui no blog, já houve uma olimpíada em que um terço da delegação brasileira era composta por atletas e treinadores do Flamengo. Isto sempre custou ao clube uma fortuna incalculável, pois só havia gastos. Receita, zero.

Mesmo assim, ocupando o lugar do Estado, que deveria se responsabilizar por este espaço, o Flamengo ia se virando como podia, até porque, jamais houve uma contrapartida para o sacrifício rubro-negro por parte de nenhum governo.

Posto Mengão (Reprodução da internet)

André Richer, com o seu jeito educado e persuasivo, conseguiu alugar um espaço no terreno da Gávea, onde – durante muito tempo – abrigou o posto Mengão, explorado pela ESSO. O tema na época foi controverso, porém, com apoio quase unânime do Conselho Deliberativo, que carimbou a negociação. Em síntese, naquela época, encontrou o ex-presidente a saída para o problema.

A minha homenagem a este grande rubro-negro, e por tabela, a todos os que não estão mais conosco, que entregaram parte significativa das suas vidas à nossa maior paixão.

Descanse em paz, querido amigo e companheiro, André Gustavo Richer.