Prova final?

Treino do Flamengo – 5/5/18 (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo) Klefer

Meu querido amigo Gerson Biscotto sugere o título do post. A interrogação vai por minha conta, respeitando o espírito democrático que reina no nosso blog.

Explico. Na opinião de Biscotto, o jogo deste domingo contra o Inter que, na opinião dele, é uma das forças deste campeonato, será a nossa prova final, decisiva, pra valer. A partir deste jogo vamos ter a certeza se os últimos resultados resultaram de uma efetiva subida de produção ou, se os bons resultados ficaram na conta da fragilidade dos adversários.

O meu ponto de interrogação nada mais é do que uma provocação a todos os companheiros do blog, no sentido de que cada um opine se este jogo vale como conclusão definitiva sobre a evolução do nosso time ou, não.

De cara, já antecipo que não vejo o Inter como pretendente ao título, portanto, não creio que seja uma prova final. Este time do Inter é instável, completamente dependente de D’Alessandro.

A nossa novidade é que Guerrero foi relacionado e, em consequência, vai para o banco. Fico imaginando se nas primeiras jogadas o nosso Ceifador demonstrar pouca intimidade com a bola, qual será a reação da torcida, estando Guerrero na reserva.

Sou da teoria de que há certos jogadores que não podem ficar no banco, pois desestabilizam quem entra para começar o jogo. Já vi este filme uma centena de vezes…

Acho que o público será muito bom e, é bom não esquecer que o Flamengo estará defendendo a liderança do Campeonato Brasileiro.


Hoje, neste 5 de maio, dia da comunicação, meu fortíssimo abraço para o querido companheiro Robert Rodrigues, ilustre aniversariante do dia. Robert foi um destes presentes, surpreendentes e adoráveis, que Papai do Céu vai nos entregando ao longo da vida. Vida longa, saúde, paz e muito amor, querido amigo.

Por falar em presente, recebi um e, ESPETACULAR, esta manhã. Agora, na NET, no ar, a RÁDIO LULU SANTOS. Todas as músicas de Lulu, interpretadas por ele e muitos outros cantores. Muito bom!!!

Que o nosso domingo seja de muita alegria.

Passando do ponto

E o pau comeu em São Januário, com relatos de que até tiro houve. O pessoal da torcida culpando os seguranças do clube, enquanto que estes negam terem atirado e afirmam que torcedores vândalos causaram o tumulto.

Da mesma forma que Abel Braga, em boa hora, afirmou que a FIFA só vai proibir jogo na altitude de quatro mil metros quando alguém morrer, o mesmo se aplica ao exagero de alguns torcedores insatisfeitos com a performance do seu time.

Se continuar na batida, que começou com o Flamengo, e agora chegou ao Vasco, da mesma forma, se alguém não tomar algum tipo de atitude enérgica, alguém vai acabar morrendo.

O problema é que o ser humano confunde protesto com atitude violenta e, como violência é uma praga que se propaga com facilidade, não precisa ser pitoniza para concluir que, nesta batida, não vai demorar muito para que uma grande tragédia aconteça.

Será que os torcedores do Vasco que, como todos, viram após a selvageria de alguns torcedores do Flamengo, o time começar a ganhar, imaginaram que “tocar o terrror” em São Januário, poderia surtir o mesmo efeito?

No caso do Flamengo que, inegavelmente tem um elenco muito superior ao do Vasco, não foi surpresa o time ter melhorado, pois piorar seria impossível e, o material humano rubro-negro é pertinente a qualquer subida de produção.

O Vasco está em posição oposta. Não há santo que dê jeito ou, faça quem não joga nada, do nada, virar bom jogador. O problema do Flamengo é de uma melhor estrutura no seu departamento de futebol, tanto é que, quem comanda o elenco é um estagiário. No Vasco, com o material humano disponível, Pepe Guardiola e Tite, juntos, não dariam jeito.

Voltando ao ponto de partida, acho que é hora de um grande movimento, no sentido de que os torcedores entendam de uma vez por todas que protestar, pode e, que, agressão é crime.


A minha saudação, neste 4 de maio, ao Rei do pop. Lulu Santos, meu querido amigo que está em Santos para shows antológicos neste final de semana, completando 64 aninhos de vida.

Vida longa para quem, com raro talento e poesia na alma, faz de cada um de nós seres humanos mais sensíveis e, consequentemente, melhores.

VIVA LULU!!! VIVA A VIDA!!!

Julio Cesar

(Foto: Gilvan de Souza, Rodrigo Branco / Flamengo)

Já contei isto aqui, mas pela importância deste sábado, quando um dos maiores goleiros do Flamengo e do futebol brasileiro estará pendurando luvas e chuteiras, acho que o replay é válido.

Participava de uma reunião de diretoria no Flamengo, quando a eficientíssima secretária da presidência, Martha Camargo, cochicha no meu ouvido que havia duas visitas me aguardando e, que o assunto parecia ser importante.

As visitas eram Romário e Joel Santana que, pacientemente, aguardaram o encerramento da reunião de diretoria e, um tanto preocupados, me levavam um tema importante.

Informaram que estávamos com um sério problema no gol, pois havia um caso de contusão e outro de ordem “psicológica”. Não vou me aprofundar no tema em respeito ao profissional que, segundo eles, o goleiro em questão, até que não era ruim, mas… “chamava gol”!!!

O pior, é que me participavam e ao mesmo tempo pediam uma solução imediata, como se contratar um goleiro fosse a mesma coisa que tomar um cafezinho.

O goleiro – e bom – Clemer acabou sendo contratado, mas a solução tinha que ser imediata, ou seja, para o final de semana seguinte. Diante da situação, pedi à nossa secretária Martha, que localizasse Marcos Paquetá, que era o nosso treinador dos juniores.

Em quarenta minutos chegou Paquetá e, de imediato, pedi uma detalhada análise dos goleiros das categorias de base. O do time de juniores eu já conhecia, pois sempre ia ver os jogos da garotada que, em muitas oportunidades, faziam a preliminar. Tratava-se de Marcelo Leite, de quem tinha boa impressão.

Paquetá, de forma absolutamente pragmática, não mediu palavras quando fez a seguinte colocação: “Presidente, o melhor goleiro DO FLAMENGO, entre juvenis, juniores e os profissionais, está no juvenil. Tem 17 anos e o nome dele é Julio Cesar”.

Ante tamanha contundência na afirmativa, todos nós pedimos que Paquetá falasse um pouco sobre Julio Cesar e, após ouvirmos com atenção, não lembro se foi Joel que perguntou – acho que sim – como era a cabecinha dele, ao que Paquetá afirmou que o nosso personagem, além de um goleiro espetacular, tinha cabeça muito boa e que era um menino de 17, com mentalidade de um homem de 30.

Sem ninguém perceber, enquanto conversavam, fui até a sala da vice-presidência, onde estava meu companheiro Getúlio Brasil e dei um telefonema. Liguei para meu guru Telê Santana, a quem amava e admirava. Contei o caso. Telê ouviu e sapecou: “Se o goleiro é tudo isso e, se a cabeça é boa, vá em frente, sem medo”. E assim foi. Julio Cesar foi guindado, direto da categoria juvenil, para os profissionais.

Ainda menino, na largada, foi campeão da Copa dos Campeões mundiais e campeão da Copa de Ouro, da Confederação Sul-americana. O que veio a seguir, todo mundo já sabe.

Além de tudo isto, Julio Cesar era e continua sendo um rubro-negro apaixonado. Claro que todo bom profissional, quando defende um clube, dá o melhor de si, vibra nas vitórias e sofre nas derrotas. Agora, quando o profissional é exemplar e veste a camisa do clube pelo qual tem paixão, aí é outro mundo. Diria mesmo, tratar-se de uma realização de vida, uma vitória, de goleada, da alma.

Certa vez, em uma festa de aniversário, o pai de Jullio Cesar foi ao meu encontro para, segundo ele, me agradecer, com atraso, tudo que havia feito pelo filho dele, citando inclusive uma passagem em que, numa entrevista, quando ainda ninguém sabia quem era Julio Cesar, eu havia me referido a ele como genial goleiro. Agradeci a gentileza e disse que todos os méritos eram de Julio, pois no futebol, graças a Deus, não há padrinhos. Vinga quem é bom, pelos seus próprios méritos.

Tive a honra e o prazer indescritível de ter visto nascer para o futebol, no clube que é a minha paixão de vida, um dos mais notáveis goleiros do futebol mundial. E, não bastasse isso, uma figura humana adorável, única.

Obrigado Júlio. Não errei. Você foi genial.

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Viajando nos comentários

(Foto: Gilvan de Souza, Rodrigo Branco / Flamengo)

Vou começar levantando a bola sobre uma observação feita pelo jovem, talentoso e grande rubro-negro HENRIQUE, que, de uma certa forma, afirma que o treinador não é fraco.

Henrique, amigo e doçura de pessoa, o treinador é fraco sim, para o tamanho do Flamengo. Meu Deus do Céu, será que não se consegue entender que cada um de nós tem o seu limite de competência e o limite do nosso treinador (?) está um bilhão de quilômetros de distância da necessidade do Flamengo?

A não contratação de um TREINADOR, de um LÍDER, além de comprometer um terço dos jogos que compõem este Campeonato Brasileiro, inibe a possibilidade de um melhor aproveitamento do período de paralisação, quando em função da Copa do Mundo, quem tiver competência pode ir se arrumando melhor e, quem sabe, estar em outro estágio quando do reinício do campeonato.

Juro que não consigo entender esta estratégia. Parece elaborada pelo arco-íris…


O nosso DIEGO S. OLIVEIRA, traz dois temas muito bons. O primeiro, também já havia ouvido algo a respeito, dá conta de que Diego está jogando de segundo volante em função de ser o local onde Tite poderia levá-lo para ter uma vaga entre os jogadores que irão para a Copa. Não quero aqui discutir se Tite tem ou não razão se Diego só pode na “amarelinha” ter vaga nesta função. Isto é uma coisa.

A outra coisa é o interesse do Flamengo e, sobre isto, não há nenhuma dúvida de que Diego armando mais próximo à área e, portanto, também em condições de chegar próximo ao gol adversário, funciona bem melhor. Tomara que isto não seja verdade, pois seria o fim da picada o Flamengo se curvar aos interesses de qualquer um, inclusive aos da Seleção.

O nosso DIEGO toca em um outro assunto, com uma pergunta de quem sabe das coisas: “Cadê o Vitor Gabriel?” Diego, amigo, penso igualzinho. Vitor Gabriel, no Flamengo, só perde para Guerrero.


O amigo PAULO CESAR FERNANDES indaga se o governador Luiz Fernando Pezão, realmente, assinou a liberação para a construção de um estádio na Gávea, com capacidade para 45 mil pessoas.

Como também já havia lido e comemorado a bela notícia, mantive contato com o nosso governador e, infelizmente, a notícia não corresponde. O que assinou ele foi a liberação para a construção da Arena, que irá atender aos esportes olímpicos, além da construção de um restaurante voltado para a Lagoa.


Os temas dos amigos IGUARACY DE SOUZA e FERNANDO ARAGÃO, embora distintos, tem tudo a ver.

IGUARACY indaga se convidado fosse eu para ajudar no futebol, se aceitaria. FERNANDO cita o caso Éderson e, transcreve no seu comentário o post em que dou conhecimento ao pessoal do futebol do Flamengo, baseado em uma informação seguríssima, de que poderia ser uma contratação complicada, pelos problemas físicos do jogador.

Vamos começar – e terminar – por aí. Se os dirigentes atuais, ao menos, escutassem e avaliassem, hoje o Flamengo não teria o prejuízo que teve e, continua tendo, pagando a um jogador que não joga. Se, ao menos, escutassem e avaliassem as observações feitas por quem, como único interesse seja o sucesso e a grandeza do clube, quem sabe o balanço do futebol, que hoje não é bom, pudesse ser bem melhor…


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

A DESPEDIDA DE JÚLIO CÉSAR

Sobre Júlio César, a quem amo, admiro, respeito e sou grato, vou falar amanhã. O que quero discutir aqui é o timing, o momento, a oportunidade, para esta despedida festiva.

Deixo algumas perguntas no ar:

  • O momento é propício?
  • A torcida está em sintonia fina com o time, para um momento que requer cumplicidade?
  • A competição – Campeonato Brasileiro – foi definida de forma a atender os interesses do clube, nesta despedida festiva?
  • E por último. Vale a pena correr este risco, com três pontos em disputa?

 

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André Gustavo Richer

André Richer (Reprodução da internet)

De malas prontas para voltar, recebo a triste notícia do falecimento do ex-presidente do Flamengo, André Richer.

Os rubro-negros mais jovens, acostumados com os números estratosféricos via direitos de TV, marketing e sócio torcedor nos dias de hoje, não têm ideia das dificuldades encontradas pelos que presidiram o Flamengo em outros períodos.

E, esse é o caso de Richer, pessoa de finíssimo trato, um gentlemen na acepção da palavra que, como outros tantos ex-presidentes, se virou para manter a pipa rubro-negra no alto.

O Flamengo, em respeito à tradição do clube, que nasceu através do remo, sempre abraçou os esportes olímpicos e, como já frisei aqui no blog, já houve uma olimpíada em que um terço da delegação brasileira era composta por atletas e treinadores do Flamengo. Isto sempre custou ao clube uma fortuna incalculável, pois só havia gastos. Receita, zero.

Mesmo assim, ocupando o lugar do Estado, que deveria se responsabilizar por este espaço, o Flamengo ia se virando como podia, até porque, jamais houve uma contrapartida para o sacrifício rubro-negro por parte de nenhum governo.

Posto Mengão (Reprodução da internet)

André Richer, com o seu jeito educado e persuasivo, conseguiu alugar um espaço no terreno da Gávea, onde – durante muito tempo – abrigou o posto Mengão, explorado pela ESSO. O tema na época foi controverso, porém, com apoio quase unânime do Conselho Deliberativo, que carimbou a negociação. Em síntese, naquela época, encontrou o ex-presidente a saída para o problema.

A minha homenagem a este grande rubro-negro, e por tabela, a todos os que não estão mais conosco, que entregaram parte significativa das suas vidas à nossa maior paixão.

Descanse em paz, querido amigo e companheiro, André Gustavo Richer.

De um lado um tapetão tosco. De outro uma revolução no futebol mundial. É fácil saber quem é o campeão de 1987

(Reprodução da internet)

Amigos do blog:

Por favor, já que o tema voltou a fazer parte da pauta da semana, leiam com a máxima atenção, neste texto brilhante, a visão do companheiro e amigo Eduardo Bisotto, sobre a mais ridícula discussão da história do futebol brasileiro.


“Recebi no final do ano passado, de presente do amigo Kleber Leite, o livro “1987: A História Definitiva”. De largada, o título parece pretensioso. Após a leitura de suas 307 páginas, a conclusão é inescapável: não há nada de pretensão ali. É apenas mera constatação. Assinado pelo diplomata rubro-negro Pablo Duarte Cardoso, o livro não é daqueles que deve ficar restrito ao público flamenguista. É uma obra prima que contribui, e MUITO, para a compreensão da maior paixão nacional, o futebol.

Cardoso não deixa pedra sobre pedra naquele ano. Sua pesquisa abrange desde o ambiente político em que vivíamos, passando pela estruturação da Copa União, comparando com a maneira pela qual o futebol se organizava mundo afora e desmontando e explicando nos mínimos detalhes as questões legais. Sua conclusão no aspecto legal é devastadora e precisa: o problema é que a questão foi julgada por diletantes, pessoas completamente alheias às questões esportivas, incluindo a própria legislação brasileira a respeito e que mesmo assim não se viram impedidas de julgar o caso. 

Comecemos do começo: a Copa União de 1987 foi a salvação da lavoura em um ano de absoluto caos na CBF de Nabi Abi Chedid e Octávio Bulhões. Os mandarins do futebol brasileiro na época tinham em mãos uma Confederação falida, dependente de dinheiro público via Loteria Esportiva e em confronto com a FIFA de João Havelange. O descalabro era tão grande que a dupla brincava de revezamento na Presidência: ora era Octávio o Presidente, ora era Nabi.

Com o ano andando e sem um puta pila em caixa para organizar uma competição nacional, Octávio chegou a declarar de forma peremptória: se dependesse da CBF, não teríamos Campeonato Brasileiro em 1987. Para só ser desautorizado por Nabi quando a coisa já estava andando.

Se hoje muitos se deslumbram diante da gestão do Flamengo, certamente é o desconhecimento da história o motivo. Quando se vê o nível da gestão de Márcio Braga, as ideias que ele levou adiante, não só para o clube, mas para todo o futebol brasileiro e o nível das figuras que envolveu, como João Henrique Areias, diretor de vendas da IBM do Brasil na época e responsável pelo marketing da competição, se descobre que o Brasil, há exatos 31 anos, dispunha de gênios muito à frente de seu tempo.

Para quem gosta de gestão esportiva o livro é absurdamente apetitoso. Talvez por isso eu o tenha devorado em uma tarde. Foi na Copa União que pela primeira vez na história do futebol brasileiro se tratou da venda dos direitos de televisão de forma séria. Até então, a maioria dos dirigentes de futebol consideravam a TV como concorrente e viam no estádio sua principal fonte de receita. Inclusive o presidente do meu Inter na época, Gilberto Medeiros, era radicalmente contra a negociação entre o Clube dos 13, capitaneada por Areias e a TV Globo.

O choque vai ficando cada vez maior quando descobrimos que a Premiere League, liga independente dos clubes da Inglaterra, só foi criada em 1992. Ou seja: o Brasil estava cinco anos à frente daquela que hoje é a Liga mais forte do planeta, com aquele que é reconhecidamente o campeonato mais forte e disputado do mundo. Tudo obra e graça dos 13 e tantos quantos se juntaram na aventura, Rede Globo incluída. 

Mas então, aonde a coisa toda descambou? Naquilo que sempre descamba no Brasil: politicagem, mesquinharia, falta de visão de conjunto e de longo prazo. Descambou com Eurico Miranda pulando a cerca: de dia, almoçava com o Clube dos 13 e era seu aliado, de noite, jantava e dormia com a CBF. De um ponto de vista cínico, até poderíamos dizer que Eurico fazia o quê fazia no interesse maior de seu clube e por isso mereceria respeito. O fato é que, se ganhou campeonatos e tamanho graças à aliança com a CBF, olhe-se o tamanho que o Vasco está hoje. 

Descambou com uma Constituinte que se tinha Márcio Braga lutando por uma legislação esportiva moderna, tinha de outro vários deputados fazendo lobby para manter as Federações estaduais de pé. Justamente as maiores interessadas em sabotar os clubes.

Descambou na falta de apoio político. Mas não na falta de seriedade do evento.

Para uma resenha do livro, que é o que eu me propunha neste texto, já estou ficando longo demais. “Mas e o Sport, cadê?”, há de perguntar quem me acompanhou até aqui. O Sport não existe no contexto do verdadeiro Campeonato Brasileiro de futebol de 1987. 

DEPOIS que os 13 organizaram a competição, da qual o meu Internacional foi vice-campeão, a CBF de Nabi e Octavio Bulhões saiu feito vaca-louca para tentar retomar o controle. Teve de sabotagem no calendário a regulamento clandestino, passando pela tentativa de impedir a Globo de transmitir as partidas negociadas com o Clube dos 13. Numa tentativa de apaziguamento, a grana que ajudou com que o Sport jogasse a Série B acabou vindo de uma fatia do que os 13, numa gestão não vista até então nestas plagas, conseguiu levantar para o Campeonato.

Mas por quê ainda discutimos o Campeão Brasileiro? Bom, eu resumiria numa frase: é que o Brasil tem uma dificuldade imensa para ser minimamente sério.

No meio das idas e vindas da relação mais do que conturbada entre os 13 e a CBF, foi proposto que a vaga na Libertadores do ano seguinte fosse decidida entre Campeão e Vice da Copa União (módulo verde só na cabeça da CBF) contra campeão e vice do módulo amarelo (na prática, a Segundona). Os 13 toparam porque já estavam de saco cheio de discutirem por tudo e, a bem da verdade, naquele ano ninguém tava nem aí pra Libertadores, uma competição deficitária e que só dava prejuízo aos participantes.

Eis que no final do campeonato, a dupla Nabi-Octávio informa: o quadrangular não seria mais apenas pra decidir a vaga na Libertadores. Seria para decidir quem era, de fato, o Campeão Brasileiro de 1987. Alguém em são consciência duvida de quem venceria o título, de qualquer modo, num quadrangular envolvendo Campeão e Vice da Série A contra Campeão e Vice da Série B? Ainda mais em 1987, quando clube grande não andava nas divisões menores. 

Mas então, por que Flamengo e Inter não jogaram? Primeiro, porque como dito anteriormente, não estavam nem aí pra Libertadores, uma competição tão quebrada quanto era o próprio futebol brasileiro da CBF de Nabi-Octávio. Segundo, porque não foi esse o combinado. E terceiro, porque se a legislação da época fosse respeitada, o Campeonato que começava em um determinado ano deveria terminar naquele mesmo ano. Além de tudo a ideia de um quadrangular para decidir o título era ilegal.

Fecho com um desagravo muito bem feito pelo livro ao comportamento do Kleber como Presidente do Flamengo, quando o Sport foi aceito no Clube dos 13 em 1996, agora infelizmente transformado numa mera associação para dividir os direitos de televisão. Para um novo clube entrar, era exigida a unanimidade dos votos. À época (e pelo que entendi do texto até hoje, ainda), alguns acusaram Kleber de capitular diante do Sport, já que poderia ter vetado a sua entrada. A história contada pela própria ata da reunião não é esta.

O Sport, cuja conduta dos dirigentes deveria envergonhar qualquer torcedor com um mínimo de decência, comprometeu-se na reunião a reconhecer o Flamengo como seu campeão. Chegou a assinar um documento reconhecendo isso, documento que inclusive foi utilizado pela CBF para reconhecer provisoriamente o título rubro-negro. Entretanto, o Sport deu pra trás e resolveu deixar o dito pelo não dito. O gigante que mostrou que sua palavra não valia nada foi Luciano Bivar, Presidente do partido pelo qual Jair Bolsonaro pretende ser candidato a Presidente da República e presidente do Sport na época. O mesmo Bivar afirmou em 2013 que pagou propina para que Leomar, volante do Sport do qual ninguém mais lembra fosse convocado para a Seleção por Emerson Leão em 2001.

1987 tem um Campeão Brasileiro e um Vice. O Campeão é o Clube de Regatas do Flamengo. O Vice é o Sport Clube Internacional. Qualquer torcedor de clube grande com um pingo de vergonha na cara é moralmente obrigado a reconhecer isto. 

Já os nanicos podem se divertir com o outro nanico que ganha um título no tapetão, julgado por gente que não faz a menor ideia sobre questões esportivas básicas, inclusive as legais e 31 anos depois que o verdadeiro campeão comemorou. 

Encerro conclamando: rubro-negros ou não, leiam o livro. É uma aula magna sobre a história recente do futebol brasileiro.”

Eduardo Bisotto

Muita emoção e dois equívocos

(Reprodução da internet)

A morte de Bebeto de Freitas mexeu muito comigo. Tanto que, sob forte emoção, no post anterior (ler aqui), acabei trocando os personagens de um episódio importante, além de deixar de registrar um fato que nos deixa mais felizes do que pintos no lixo.

A troca de personagens foi com relação ao jogo entre Flamengo e Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro, quando colocamos no Castelão 105 mil pessoas. O presidente do Botafogo, à época, era Carlos Augusto Montenegro, e não Bebeto de Freitas. A emoção me traiu.

A gozação de que, dos 105 mil, 100 mil eram rubro-negros, 4 mil curiosos e mil botafoguenses, foi sim em cima do meu querido Bebeto de Freitas, no calçadão de Copacabana, onde eu corria e ele ia ver um jogo de vôlei de praia. Portanto, minhas desculpas a todos.


E por falar em desculpas, deixei de registrar o aniversário de um irmão do blog.

Hoje, soprando as velinhas em Angra dos Reis, o nosso querido Carlos Egon Prates. Dona Lurdinha, a mamãe cantora, lá está, para alegria do nosso Egon.

E assim é a vida. Tristeza para uns, alegria para outros. Hoje, experimentamos os dois momentos. Melhor que, as duas figuras, a do momento de tristeza e, o da alegria, fizeram e fazem este mundo melhor.

E amanhã, seja o que Deus quiser. MMEEENNNGGGOOOO!!!!

Bebeto de Freitas

(Foto: Bruno Cantini/ Atlético-MG)

Na semana passada, jantava com meu amigo Luiz Guilherme Barbosa em um restaurante na Lagoa, quando chegava, acompanhado de sua mulher, meu querido amigo Bebeto de Freitas.

Após longo e afetuoso abraço, retrato da nossa amizade, do respeito mútuo e da saudade, o futebol foi o tema e, em meio ao papo polêmico, brinquei, dizendo que não deveríamos ir para o voto, pois como sempre, o Flamengo seria maioria. E, também, como sempre, lá se foi Bebeto resmungando e dizendo para quem quisesse ouvir que, torcer pelo Flamengo era falta de imaginação…

Hoje, no mesmo restaurante, almoçando com o nosso pessoal da Klefer, e com o meu afilhado Roger Flores, recebi a triste notícia do falecimento do meu amigo Bebeto.

Caramba, estive com ele aqui, poucos dias atrás… foi o que me veio à mente e a inevitável conclusão de que a vida é um fiapo.

Bebeto foi um ser humano cuja principal virtude foi nunca abrir mão e, lutar pelas suas convicções. Não era para a maioria das pessoas uma seda no trato, mas colocava no colo os amigos de verdade.

No esporte, um baita triplo vencedor, como atleta, treinador e dirigente. Foi campeão em tudo, graças ao seu talento, disciplina, carisma e liderança.

Certa vez, decidimos levar um Flamengo e Botafogo, partida válida pelo Campeonato Brasileiro, para Fortaleza. Um sucesso! Colocamos 105 mil pessoas no estádio e, louco ele ficava quando eu dizia que eram 100 mil rubro-negros, 4 mil curiosos e mil botafoguenses…

Neste dia, saímos do estádio às três da madrugada. Percebemos que estávamos sendo enrolados na arrecadação e, juntos, partimos para a briga. E, a cada berro que dávamos, chegava um saco de dinheiro…

Época fantástica, em que a rivalidade era só dentro do campo. Fora dele, amor, carinho, respeito e camaradagem.

Lá se foi um dos grandes do esporte brasileiro. Se lá em cima houver reencontros, desse não abro mão.

Até um dia, Bebeto, querido amigo.

Post de silêncio

(Arquivo pessoal)

Faleceu em Curitiba, Iara de Toledo, mãe do nosso querido companheiro e amigo, Robert Rodrigues, a alma deste blog.

Dentro da normalidade da vida, quando os filhos enterram os pais, este é o pior dos momentos, pois mãe, é o que há de mais doce e sublime na nossa existência.

Hoje, enviei mensagem para o Robert, dizendo que, como alguém que já passou por isto, tenho a certeza de que o melhor a fazer é homenagear e, tentar não sofrer. E, com absoluta certeza, é o que todas as mães que partem desejam para os filhos que ficam.

Deixar que os lindos momentos de vida ao lado da mãezinha dele possam voltar no tempo, atenuando o sofrimento. Afinal, o que se leva de bom desta vida, são estas doces e divinas lembranças.

Vamos rezar pela mãezinha do Robert?

Força, amigo!

Mensagem carinhosa para o Anderson e, ainda, o “chororô”…

Gérson e Pelé ouvem as instruções do técnico João Saldanha (Foto: AE)

O querido companheiro Anderson, em seu comentário, coloca que nunca gostou de ser chamado de “Negão”, pois tem nome e sobrenome. Sabe Anderson, embora eu nunca tivesse chamado qualquer amigo ou conhecido de “Negão”, já vi este tipo de coisa ocorrer, sem que houvesse um mínimo de falta de respeito ou preconceito racial.

Gérson, o nosso “Canhotinha de Ouro”, João Saldanha, Carlos Alberto Torres e Oldemário Touguinhó, como tinham total intimidade com Pelé, o chamavam, e se referiam a ele, como “Negão”. Nenhum dos quatro aqui citados era racista. Muito pelo contrário. Se havia algo em comum entre eles, era a alma pura e linda.

Áureo Ameno, talento raro do rádio, e um ser humano admirável, criou no “Bola de Fogo”, o “Negão da Cremilda”. Quando criou o personagem, quis fazer com que o ouvinte imaginasse um cara enorme, fortíssimo e bem dotado… Na criação do personagem, nenhuma maldade, nenhum sentimento racista.

Estou tentando mais uma vez dizer que o mundo mudou sim, só que, para pior e, em função disso, o nosso Anderson, que é jovem, se posiciona de acordo com o que é o mundo hoje e, com quem se convive agora.  Se a tecnologia avançou, o ser humano, na sua essência, regrediu.

Querem ver como o humor era diferente? O exemplo está na nossa casa. Por que o Urubu é o símbolo do Flamengo? Pra quem não sabe, aí está o caso típico de como se fazer do limão, uma limonada. Alguns idiotas, torcedores do “arco-íris”, cantarolavam das mais variadas formas, querendo em tom pejorativo, carimbar o Flamengo como clube dos “crioulos” (assim nos chamavam). A resposta rubro-negra, de pretos, brancos, amarelos e vermelhos, foi adotar o Urubu como símbolo do clube. Ali, matamos a pau. Com humor, sensibilidade e inteligência, derrotamos e calamos os idiotas.

Em síntese, não se passa recibo. Isto é mais velho do que a bicicleta. O pessoal do Botafogo até agora não aprendeu. O chororô sobrevive graças ao próprio Botafogo. E, pelo jeito, caminha para ser eterno.