Redação SporTV

Carlos Cereto e André Rizek em ação (reprodução da TV).

Carlos Cereto e André Rizek em ação (reprodução da TV).

O formato, o conteúdo e os comunicadores, não necessariamente nesta ordem, em termos de importância, fazem do Redação SporTV, muito antes de ser programa esportivo, um prazer diferenciado para quem adora futebol.

No início, com a saída do genial Marcelo Barreto, tive minhas dúvidas com respeito ao sucesso de André Rizek na condução do programa. Talvez, uma dúvida alimentada por um sentimento antigo de que, jornal é jornal e, rádio ou TV, são coisas completamente diferentes. Neste conceito, do qual já não faço parte, pois se render a uma evidência me parece lógico, há as exceções, e André Rizek é uma delas.

Em 1970, na Rádio Tupi, o então diretor comercial, Paulo Max, contratou uma fonoaudióloga, hoje celebridade, Glorinha Beuttenmüller, para “passar um verniz” em todos os comunicadores. Com a turma do esporte, as reuniões, ou melhor, as aulas, eram sempre a cada segunda-feira, pois debatíamos muito as jornadas de final de semana. Lembro que, em um destes encontros, fiz à nossa professora a seguinte pergunta: “Glorinha, como repórter, o meu produto é a notícia. O público é o consumidor. Vamos falar de técnica para a venda deste produto? Como devo fazer e de que forma devo abordar, para que o meu produto seja consumido, seja aceito, tenha força e credibilidade?” A resposta, objetiva ao máximo, foi um tiro: “SEJA SINCERO!” E é isto que sinto em André Rizek, mesmo quando com ele não concordo. E, independentemente de talento, também obrigatório, este é o item número 1 para quem se propõe a dirigir qualquer programa. Como falei em talento, também a ele não falta. Aliás, o talento que é natural, evoluiu ao longo do tempo e, hoje, diria que está próximo da perfeição.

Quando um apresentador consegue conduzir e se comportar de forma descontraída, porém, mantendo o nível e o padrão de qualidade, é sinal de que craque é. Claro que, há ali, como diria Lulu Santos, um “auxílio luxuoso”. Hoje, vou falar apenas de um deles. Carlos Cereto. Que figurinha doce, inteligente, criativa, competente, comunicativa, sincera, delicada e bem-humorada…. Que comunicador!

Pois bem, hoje, Carlos Cereto, após Rizek colocar no ar duas “correntes” tricolores, (obs: no mundo da bola, corrente é a reunião do grupo, antes e após os jogos, em que, antes, tem caráter motivacional e, após os jogos, dependendo do resultado, comemorar ou confortar…) em que um jovem jogador, e não lembro exatamente quem, e também Fred, aparecem colocando “lenha na fogueira”, isto é, mexendo nos brios da rapaziada, e de forma veemente, contundente.

Os dois pontos principais foram mencionados pelo apresentador. Primeiro, um jovem já assumindo uma postura de liderança e, no caso de Fred, uma parte em que ele pede total entrega, dizendo que após o jogo, isto feito, todos irão concluir que terá valido a pena…. Duas belas sacudidelas. Duas belas mensagens pré-jogo. Aí, entra o Cereto, com seu jeitinho doce, mas a fisionomia já demonstrando que não concordava e, numa sacada espetacular, solicita a algum companheiro, telespectador ou, a quem quer que seja que, apresente a ele a gravação da corrente da Seleção Brasileira nos 7 a 1 da Alemanha, principalmente a mensagem do Felipão. Cereto, mesmo eu discordando, e depois explico o motivo, se advogado fosse, e se num julgamento estivesse, ante tão talentoso argumento, teria ganho a causa. Em síntese, para ele, este momento do futebol é puro folclore. Mais ou menos como dizia Neném Prancha que, se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado…

Com respeito aos argumentos, aí, fico mais com o Neném Prancha, e discordo, pedindo mil desculpas ao Cereto. Em grandes jogos, e com grandes times, o que acontece antes dos jogos em cada vestiário é parecido. O aspecto motivacional é muito importante. Pode não ser para quem tenha outro tipo de cultura, como por exemplo, para quem joga no futebol europeu. Aqui, a banda toca de maneira diferente. Imaginemos um Fla-Flu. Haverá a corrente, com certeza, momentos antes do jogo, nos dois vestiários. Claro que, só uma das equipes poderá sair com a vitória. Só que a vitória será definida dentro de campo. Se um dos times não sair do vestiário psicologicamente pronto, já entrará derrotado. A derrota terá sido decretada antes do jogo, no vestiário.

Sou testemunha auditiva e ocular, e também participante, de que muitos jogos foram ganhos no vestiário. Aliás, há momentos em que o vestiário é como se um templo fosse e, como tal, o pastor é decisivo. Fabio Luciano, para mim, foi o Pelé dos pastores. Como ganhou jogo…

O dia do Rádio

Esta é a data consagrada para homenagear o mais popular e democrático veículo de comunicação. Hoje é o dia do Rádio.

Desde menino, o rádio exerceu sobre mim um fascínio indescritível e, de forma ampla, pegando todos meus “lados”. A paixão pelo futebol e pelo Flamengo, a música, e a necessidade que sempre tive de estar bem informado.

Na paixão pelo futebol e pelo Flamengo, diria mesmo que o Rádio solidifica, ou seja, na realidade é um vício, no bom sentido. Os talentos do rádio, os programas do rádio, o poder de imaginação que o rádio desenvolve em cada um de nós, fizeram de mim um amante do futebol e um rubro-negro completamente apaixonado. Lembro que, ainda menino, não desgrudava do meu radinho de pilha, querendo saber tudo sobre o Flamengo. Na hora do almoço, havia uma resenha esportiva na Rádio Continental que era devorada por mim, todo santo dia, de segunda a sexta, do meio dia até uma da tarde. Meus pais bem que tentaram me fazer entender que aquele momento era de encontro familiar, oportunidade única para colocarmos a conversa em dia e, que aquela “falação”, aquele “blá, blá, blá”, estava atrapalhando um pouquinho. Sim, “um pouquinho”, porque faltava a eles a autoridade para pegar pesado, pois a paixão pelo Flamengo nada mais foi do que um seguimento da mesma paixão deles. Nos acertamos, combinando que, toda vez que o assunto fosse Flamengo, teria eu o direito de ouvir como bem entendesse, ou seja, com o volume máximo. O restante, a menos que houvesse influência para a nossa causa de amor comum, em volume moderado…

As transmissões esportivas eram verdadeiras óperas, regidas por extraordinários maestros da comunicação esportiva. Os talentos do rádio transformavam um jogo de futebol, num evento de sonhos e paixões.

A música, outra paixão de vida, também foi estimulada pelo rádio. A rádio musical, primeira no Rio de Janeiro, foi a Rádio Tamoio, e seu criador, foi um gênio do Rádio, José Mauro, com quem tive o privilégio, bem mais tarde, isto já em 1969, de trabalhar na Rádio Tupi. A parada de sucesso era definida pelo ouvinte, que identificava a sua música predileta, indicando uma cor. “Agora, a música escarlate, The Beatles, Let it be”… aí, o ouvinte ligava e dizia apenas, “música escarlate”… Genial!!! Este programa era de segunda a sexta, de cinco às seis da tarde. Na segunda hora do programa, voltavam as músicas mais votadas. Audiência, descomunal. Depois, no mesmo trilho, surgiu a Rádio Mundial, com uma proposta mais jovem e, durante muito tempo a briga foi Tamoio x Mundial, em que o único vencedor foi o ouvinte.

O famoso “Jornal Falado”, ou seja, o noticiário geral, continua sendo uma marca registrada do Rádio. A Rádio Globo optou pela hora cheia, com “O Globo no ar”, e a Tupi, em outra jogada genial de José Mauro, cravou seu noticiário sempre cinco minutos antes, quando faltavam cinco minutos para a hora cheia. Era, e continua sendo, o horário de “Sentinelas da Tupi”. Esta parte da programação (noticiário geral) caiu tanto no gosto popular que, como no caso da CBN, que é só notícia e, o seu slogan, diz tudo: a rádio que toca notícia.

Não falei do Rádio entretenimento, com seus comunicadores espetaculares e até suas novelas e seriados, que marcaram época. O Brasil inteiro parava para ouvir na Rádio Nacional, “Jerônimo, o herói do sertão”.

O Rádio é tão amplo e apaixonante que ficaria aqui, durante horas e horas, falando sobre ele. Que fique a nossa homenagem sincera, profunda e carinhosa, a todos os companheiros que fizeram do Rádio este veículo de comunicação, para mim, inigualável. Gosto de mim quando me sinto coerente e, este é um caso típico. Em três oportunidades, mestre Armando Nogueira, que comandava o jornalismo da TV Globo, tentou me tirar do rádio e, claro, me levar para a TV. Nas três oportunidades disse a ele, agradecido pelo reconhecimento profissional, que a minha paixão era o Rádio. A TV me projetaria mais, independentemente do aspecto financeiro, mas como paixão não tem preço, continuei no Rádio. E nunca me arrependi.

Este post é dedicado, com o maior amor do mundo, a: Jorge Curi, Doalcei Camargo, Waldir Amaral, João Saldanha, Rui Porto, Oswaldo Moreira, José Mauro, Paulo Max, Mario Vianna, Loureiro Neto, Antônio Porto, Celso Garcia, Afonso Soares, Alberto Rodrigues, Mario Luiz, Raul Brunini, Luiz Brunini, Walter Mello e, a outros queridos companheiros que não mais estão entre nós, que fizeram parte da história do Rádio e fizeram de mim um ser humano melhor.

Que saudade de vocês…

 

Melhor ouvir isso do que ser surdo

Gerson, o Canhotinha de Ouro (foto: Agência Estado)

Gerson, o Canhotinha de Ouro (foto: Agência Estado)

Aprendi esta máxima, na época do rádio, com meu querido amigo e ídolo Gérson, o “Canhotinha de Ouro”, o maior meio campista que o mundo do futebol já fabricou e, que segundo Tostão, era o Pelé do meio de campo.

Toda vez que ouvia um absurdo, nosso “Papa” (abreviatura de papagaio) mandava ver: “é melhor ouvir isso do que ser surdo”. Lembrei dele hoje, ao ouvir um depoimento do presidente do Palmeiras, o boa praça Paulo Nobre, que afirmou ser Palmeiras x Corinthians o clássico de maior rivalidade de São Paulo, de maior rivalidade do Brasil, o terceiro na América do Sul, e o sétimo no mundo.

Vamos começar por São Paulo. Pergunte a qualquer torcedor do São Paulo, sobre qual seja a maior rivalidade do estado. A resposta, será esta: São Paulo x Corinthians. Pergunte a qualquer torcedor do Santos, a mesma coisa. A resposta, será esta: Santos x Corinthians. Resumo da ópera: A grande força é o Corinthians, que se alimenta da rivalidade de todos e, por isso, é o peso pesado de São Paulo.

No Rio, é igual. Vascaínos, Botafoguenses e Tricolores, cada um deles apontará o Flamengo como o grande rival. Aí reside a descomunal força do Flamengo. Cada torcedor afirmará que o clássico de maior rivalidade será do clube para o qual torce, contra o Flamengo.

Saindo dos dois principais centros, que são Rio e São Paulo, onde em cada um destes estados há quatro grandes clubes, encontramos as situações polarizadas, como em Minas e Rio Grande do Sul, por exemplo. E por falar nisso, há rivalidade maior, talvez até pelo fato de serem somente dois grandes clubes em cada estado, que um Gre x Nal para os gaúchos, ou um Cruzeiro x Atlético, para os mineiros?

Enfim, o nosso bravo presidente do Palmeiras não disse nada que qualquer Palmeirense não dissesse. Só que esta verdade começa e termina na torcida palmeirense. Só que, há outras verdades…

Em termos nacionais, o grande clássico, o mais popular e, ao longo do tempo, o que cada vez mais terá a rivalidade estimulada, será Flamengo x Corinthians.

Questão de tempo… Quem viver, verá…

Velho Apolo

ApolinhoO primeiro dia do mês de setembro precisa ser muito comemorado. Não pela chegada do novo mês, e sim, pelo nascimento de um genial “setembrino”. Washington Rodrigues, o “Velho Apolo”, é o nosso aniversariante do dia. E, quando um gênio da comunicação dá mais uma volta no relógio da vida, a alegria é toda nossa que, aprendemos a amar e admirar esta rara figura humana e comunicador único. Aliás, no campo profissional, já jogamos no mesmo time e já fomos “adversários”. A amizade, sempre foi a mesma. Carinho e respeito, igual. Amor, de irmãos.  Temos inúmeras coisas em comum, porém, sem dúvida, a paixão em vermelho e preto é a mais marcante.

Sempre que posso, afirmo, até porque, entendo que as homenagens devem ser feitas em vida. Washington Rodrigues, talvez seja hoje, o único gênio da comunicação radiofônica. Washington quebrou barreiras no rádio, sendo a principal delas, fazer com que um mundo de gente ficasse colada no rádio, aos sábados, de meia-noite às cinco da manhã, quando apresentava o Show da Madrugada. Ali, a audiência não era pela emissora, muito menos pelo horário. A audiência, e que audiência, era obra de um ser iluminado que, por acaso, nos apresentou o prazer de começar todo domingo de maneira mais alegre, verdadeira fonte de inspiração para a sequência de dia tão importante, principalmente quando o Flamengo jogava…

Em contra partida, como se atendesse aos nossos pedidos, Papai do Céu tem sido generoso com o nosso aniversariante. Colocou ao lado dele, durante um lindo tempo de vida, uma companheira como se tivesse sido feita, moldada para ele. Maria Lucia, deve estar passando no mundo azul, desconhecido por nós, um dia muito feliz. Os dois construíram uma família adorável e hoje, como legado de uma linda amizade, de tanto afeto e carinho, tenho o privilégio de conviver, dia sim, dia também, com Brunão, um de seus filhos.

Se pudesse eu modificar alguma coisa neste nosso mundo da comunicação, trocaria de data o dia consagrado ao tema. Deixaria de ser o dia da comunicação comemorado a cada 05 de maio e passaria para 1º de setembro. Seria mais justo… E, atenção para a total imparcialidade do “locutor que vos fala”, que nasceu no quinto dia do mês de maio…

Que o seu dia, meu amado Velho Apolo, esteja sendo lindo, inspirado na sua alminha abençoada por Deus.

 

Meu amigo Yustrich

Dorival Knipel, ou Yustrich.

Dorival Knipel, ou Yustrich.

Após o post de ontem, aliás, agradeço aos queridos companheiros pelos comentários, houve quem duvidasse que Yustrich tenha tido realmente um amigo jornalista. Por favor, não duvidem. Teve sim, e fui eu.

Convivi com Dorival Knipel, popular Yustrich, quase que diariamente durante os anos de 1970 e 1971. O nosso extraordinário personagem que, como jogador, foi quatro vezes campeão pelo Flamengo e, como treinador, ganhou uma Taça Guanabara, à época em que a Taça Guanabara era um campeonato quase que à parte, pois tinha, além da Taça, volta olímpica e muita comemoração. Ainda como treinador, foi campeão mineiro por quase todos os clubes: Cruzeiro, Atlético, América e até, campeão pelo Siderúrgica, isto em 1964. Também foi campeão português e campeão da Taça de Portugal, treinando o Porto, na temporada 1955/1956. Seu último título como treinador foi pelo Cruzeiro, em 1977, clube onde também encerrou a carreira em 1982.

O nosso personagem, e que personagem, tinha cara de poucos amigos, era enorme, de poucas palavras e era objetivo ao extremo. Os jornalistas que cobriam o Flamengo tinham com ele uma convivência meramente profissional, até porque, penetrar naquela alma não era missão fácil.

O destino nos uniu, quando começando eu na rádio Tupi, recebi do inesquecível Doalcei Benedicto Bueno de Camargo, chefe da equipe e notável locutor, a missão de preencher boa parte de um domingo à tarde, sem futebol, pois era período de férias dos jogadores, em que, obrigatoriamente, deveria apresentar uma matéria “digna”, com o treinador do Flamengo.

Quando recebi este presente de grego, nem acreditei. Achei mesmo que fosse uma pegadinha, pois quatro dias antes, ao sair de férias, Yustrich juntou todos os jornalistas para solicitar que ninguém o importunasse no seu descanso, que seria em seu sítio, em Vespasiano, um pouquinho fora de Belo Horizonte. Quando caí na real, a única coisa que me veio à cabeça foi imaginar que, muito antes desta missão ser um problema, poderia ser, não um presente de grego e, sim, de Deus, pois um “foca” conseguir esta proeza, seria como um primeiro e importante gol na profissão. Primeiro, com jeitinho, fui até o Dodô (assim chamávamos o grande Doalcei), e deixei claro que faria de tudo para conseguir a matéria, mas que tivesse ele a noção da dificuldade da missão. A reação dele me matou, pois disse: “Se pedi para você fazer, é porque tenho certeza de que você pode”. Me mandou passar na administração para pegar as diárias, a passagem, e me desejou boa sorte. Isto, uma quinta-feira. Primeira missão foi descobrir onde era o sítio em Vespasiano e, por favor, principalmente os mais jovens, não imaginem o ano de 1970 com a tecnologia de hoje… Lembrei de uma querida amiga, também jornalista, que vivia em Belo Horizonte e, não foi difícil para ela, em menos de uma hora, descobrir o endereço. Enquanto ela procurava, imaginei como deveria aparecer para ele e, dizer o que? Uma luz, do nada, pintou na minha cabeça quando o telefone tocou, e esta minha amiga me dava a boa notícia de ter conseguido o endereço. Achei que, se chegasse acompanhado, seria mais gentil, mais suave, mais fácil de explicar as nossas presenças. Minha amiga não só topou como, aliás, adorou a ideia da aventura, e se prontificou a levar uma amiga, que era gaúcha e estava hospedada na casa dela.

Peguei o avião na sexta-feira bem cedo, as duas me buscaram no aeroporto e, rumamos direto para Vespasiano. O meu gravador, era, se não estou equivocado da marca UHER e, como características, a qualidade de som e o tamanho. Era enorme… portanto tinha que ficar no carro da minha amiga, pois nem de longe o nosso personagem poderia desconfiar, pelo menos no início, do propósito real da visita. Ah, ia esquecendo de dizer que esta minha amiga jornalista, além de competentíssima e simpática, era muito bonita. A amiga, da amiga, mais bonita ainda… Finalmente, chegamos. Paramos o carro e nos deparamos com um portão enorme de madeira, com algumas frestas que possibilitavam parcial visão do interior do sítio. Mesmo longe, vimos de cara, uma rede branca, balançando, e alguém muito grande estava ali deitado. Suando frio, toquei o sino que ali estava para anunciar a chegada de algum visitante. Segundos após, o portão foi aberto, se a memória não me trai o nome, por Maria, mulher de Yustrich. Simpática, nos recebeu e fui logo dizendo que eu era do Rio, que iria passar o final de semana na casa das minhas amigas e, como uma delas também tinha um sítio em Vespasiano, não poderíamos perder a oportunidade de levar as flores (compramos no caminho) para o casal. De repente, alguém se levanta da rede branca e vem até nós. Não precisei falar nada, pois a dona da casa fez a nossa introdução com enorme carinho. Yustrich me cumprimentou, ficou visivelmente impressionado com a beleza e a simpatia das suas visitantes inesperadas e, nos convidou para entrar. O papo rolou de forma descontraída e amigável, diria mesmo, adorável. Tão bom que, convidados fomos para almoçar. Aceitamos, claro, e o almoço, de tão agradável foi quase até às seis da tarde. Com todos já quase íntimos, imaginei que havia chegado a hora de engatar uma segunda e, pedir a entrevista. Criei coragem e falei o quanto seria importante para mim que estava começando, gravar uma matéria especial com o dono da casa. Yustrich, concordou, porém só fez uma exigência. Tínhamos que voltar para novamente almoçar com eles no dia seguinte. Nem acreditei…

E, ele ainda perguntou: Mas, com que gravador você vai fazer a entrevista? Respondi que minha amiga tinha um UHER espetacular… No dia seguinte, voltamos. Um sábado memorável, um sábado que faz parte da minha história de vida. Talvez, mesmo em se tratando de um “foca”, tenha feito uma das melhores entrevistas como profissional de rádio.  Duas horas de gravação!!! Um show!!! Peguei o último voo para o Rio e ainda no sábado à noite, madrugada adentro, editei o material. A entrevista, de tão boa, foi publicada no dia seguinte, em três páginas, no JORNAL DOS SPORTS.

Há pessoas que somam, que são importantes e decisivas na sua vida. Para mim, Yustrich foi uma delas. O meu primeiro degrau profissional. A minha primeira grande vitória. Onde quer que você esteja neste misterioso e, para nós, desconhecido mundo azul, muitíssimo obrigado, querido amigo.

 

Lembrete de Yustrich

Yustrich.

Yustrich foi goleiro e técnico de Flamengo e Vasco, dentre outros clubes.

Os números do Vasco, neste Campeonato Brasileiro, são assustadores:

  • 20 jogos. Em sessenta pontos possíveis, conquistou 13. Aproveitamento: 21,6%.
  • O pior ataque, contando-se os 40 clubes que disputam as séries A e B: 08 (oito!!!) gols.
  • A pior defesa, ao lado do Mogi Mirim, entre os 40 clubes que disputam as séries A e B: 34 gols.
  • O pior saldo de gols, entre os 60 clubes que disputam as séries A, B e C: -26 gols.

Isto me remete ao início dos anos 70, quando Yustrich era o treinador do Flamengo e, eu, repórter que começava a carreira na Rádio Tupi. Lembro que este fato ocorreu numa sexta-feira, antevéspera de um suculento Flamengo x Vasco. O momento era muito melhor para o Flamengo, que estava embalado, ao contrário do Vasco, que não se acertava de jeito nenhum. Naquela época, os repórteres tinham livre acesso para as entrevistas e, o único local não permitido era o vestiário. Naquele dia, estava eu aguardando os jogadores do lado de fora para as entrevistas iniciais, quando recebo um recado que Yustrich pedia para que eu fosse ao vestiário, pois precisava falar comigo. Por ter sido chamado, entrei no “terreno proibido”, onde encontrei o meu amigo, como de hábito, chupando muitas laranjas, da maneira que fazia sempre antes de todo treinamento. À sua esquerda, um balde com muitas laranjas, à sua direita outro balde, onde jogava os bagaços das laranjas. À sua frente, algo que os jogadores temiam. A balança. Nenhum jogador, deixava de se pesar diariamente e, quem controlava era o “chefe”. O “trabalho” já estava no final, pois o balde dos bagaços estava cheio e, feliz por todos os jogadores estarem no peso, me honrou com o convite para jantar na casa dele, em comemoração ao aniversário da filha, que era a paixão da sua vida. O que mais me chamou atenção, foi o que li, num quadro negro enorme, colocado na cara de quem entrasse no vestiário e, com letras garrafais… VASCO É VASCO!!! Assim mesmo, como está aí e, com três exclamações. Embora não trabalhasse em jornal, senti o faro de que aquela foto daria brincando uma primeira página e, acabei intercedendo junto ao “chefe”, no sentido de que, os jornalistas Lineu de Lavor e Zildo Dantas, respectivamente de “O Jornal” e “O Dia”, pudessem conduzir os respectivos fotógrafos para o local. Yustrich, até pousou com o giz na mão como se escrevendo estivesse. No dia seguinte, conforme intuí, primeira página, fácil.

Com certeza, por ser um treinador experiente e por respeitar a tradição, desta, ou de outra forma, Oswaldo de Oliveira dará o mesmo recado aos seus jogadores. Como aconteceu lá atrás, um jogo começa a ser ganho quando se tem a noção exata do que vem pela frente. E, como dizia João Saldanha, “o jogo é mole, mas primeiro, tem que jogar…” e, que ninguém se iluda. Depois de amanhã, com todos os problemas que o Vasco enfrenta, para passar para as quartas de final, o Flamengo vai ter que jogar muito e, com fome de desesperado.

Se o espírito for esse, a nossa chance é enorme.

 

Zico polêmico

Zico e Juninho (Foto: Patricia Ingo/Rádio Globo))

Zico e Juninho na Rádio Globo (Foto: Patricia Ingo/Rádio Globo))

Como gosto muito de rolar a bola para as discussões, vou começar pelo meu ídolo e, o maior na história do Flamengo. Para quem não sabe, Zico participa às segundas-feiras, ao lado de Ricardo Rocha e Juninho Pernambucano, de interessante programa, à noite, na Rádio Globo. O programa é muito bem conduzido e, como o negócio é debater os principais assuntos ligados ao futebol, o sucesso está diretamente ligado à qualidade dos debatedores que, neste caso, é excepcional. Todos estão muito bem, soltos, autênticos e com colocações inteligentes. Ontem, o nosso Galo deu show. Entre tantas participações brilhantes, Zico saiu com uma tese que me fez pensar muito. Disse ele que era radicalmente contra a expulsão de um jogador por ter cometido um pênalti, independentemente das circunstâncias. A tese, oportuna, interessante e inteligente, é no sentido de que ninguém pode ser punido duas vezes. Ora, o pênalti é o maior castigo que um time pode receber e, o jogador que cometeu o pênalti, integrante deste time penalizado, não pode ser punido duas vezes. Primeiro com a pena máxima que é o pênalti e, depois, com a expulsão.

Como o debate está aberto, você, companheiro do blog, concorda ou discorda da tese de Zico?

 

Gol de placa

Alfredo Raymundo, Diretor Executivo da Super Rádio Tupi

Alfredo Raymundo, Diretor Executivo da Super Rádio Tupi

Acabo de ser informado pelo meu irmão de vida Washington Rodrigues que domingo, será dia de BOMBAS RADIOFÔNICAS. A Tupi contratou José Carlos Araújo, Gérson – o “Canhotinha de Ouro” – e Gilson Ricardo.
Que maravilha ver o Rádio agitado e vivo.
Parabéns a este monstro sagrado do Rádio, Alfredo Raimundo. Que sacudidela…
Que domingo vem aí…

Até quarta-feira…

Baile do Vermelho e Preto (Foto: Helio Motta/UOL)

Baile do Vermelho e Preto (Foto: Helio Motta/UOL)

Chegou o carnaval. Há uma enorme discussão se o sábado de momo é um bom dia para futebol no Rio de Janeiro. Os defensores da tese argumentam que a cidade está tomada por turistas, sequiosos por atrações com a cara da cidade e, que um grande clássico, valendo três pontos, seria barbada ver o Maracanã lotado. Há quem lembre que isto não é um fato novo. Lá atrás, por obra e graça do genial Francisco Horta, o Maraca foi palco lotado, num sábado de carnaval, quando da estreia de Rivelino no Fluminense. Os que não concordam, como outra figura genial que é o companheiro Ruy Castro, afirmam que o turista que está no Rio neste momento quer é carnaval, e nada mais. Pessoalmente, se o jogo for atrativo e tiver charme, e ao menos um ídolo (coisa rara), aí sim vale a pena. Programar um jogo qualquer, num sábado de carnaval, apenas para correr atrás do dinheirinho do turista, não é inteligente. Aliás, tremendo gol contra.

E o Wagner Love no Corinthians, hein? Com Wagner Love e Montillo, apostaria todas as minhas fichas no Flamengo para ganhar quase tudo este ano. Enfim, sonhar não custa nada…

Hoje, é o Dia Mundial do Rádio. Um carinhoso abraço aos queridos amigos e companheiros que continuam a fazer do Rádio o companheiro de todas as horas. Aos que fizeram do Rádio uma potência no mundo da comunicação e, que aqui não mais estão entre nós, a nossa saudade, o nosso respeito e o nosso muito obrigado.

E como diz o poeta, na famosa marchinha de carnaval, “Até quarta-feira…”