Melhor ouvir isso do que ser surdo

Gerson, o Canhotinha de Ouro (foto: Agência Estado)

Gerson, o Canhotinha de Ouro (foto: Agência Estado)

Aprendi esta máxima, na época do rádio, com meu querido amigo e ídolo Gérson, o “Canhotinha de Ouro”, o maior meio campista que o mundo do futebol já fabricou e, que segundo Tostão, era o Pelé do meio de campo.

Toda vez que ouvia um absurdo, nosso “Papa” (abreviatura de papagaio) mandava ver: “é melhor ouvir isso do que ser surdo”. Lembrei dele hoje, ao ouvir um depoimento do presidente do Palmeiras, o boa praça Paulo Nobre, que afirmou ser Palmeiras x Corinthians o clássico de maior rivalidade de São Paulo, de maior rivalidade do Brasil, o terceiro na América do Sul, e o sétimo no mundo.

Vamos começar por São Paulo. Pergunte a qualquer torcedor do São Paulo, sobre qual seja a maior rivalidade do estado. A resposta, será esta: São Paulo x Corinthians. Pergunte a qualquer torcedor do Santos, a mesma coisa. A resposta, será esta: Santos x Corinthians. Resumo da ópera: A grande força é o Corinthians, que se alimenta da rivalidade de todos e, por isso, é o peso pesado de São Paulo.

No Rio, é igual. Vascaínos, Botafoguenses e Tricolores, cada um deles apontará o Flamengo como o grande rival. Aí reside a descomunal força do Flamengo. Cada torcedor afirmará que o clássico de maior rivalidade será do clube para o qual torce, contra o Flamengo.

Saindo dos dois principais centros, que são Rio e São Paulo, onde em cada um destes estados há quatro grandes clubes, encontramos as situações polarizadas, como em Minas e Rio Grande do Sul, por exemplo. E por falar nisso, há rivalidade maior, talvez até pelo fato de serem somente dois grandes clubes em cada estado, que um Gre x Nal para os gaúchos, ou um Cruzeiro x Atlético, para os mineiros?

Enfim, o nosso bravo presidente do Palmeiras não disse nada que qualquer Palmeirense não dissesse. Só que esta verdade começa e termina na torcida palmeirense. Só que, há outras verdades…

Em termos nacionais, o grande clássico, o mais popular e, ao longo do tempo, o que cada vez mais terá a rivalidade estimulada, será Flamengo x Corinthians.

Questão de tempo… Quem viver, verá…

Velho Apolo

ApolinhoO primeiro dia do mês de setembro precisa ser muito comemorado. Não pela chegada do novo mês, e sim, pelo nascimento de um genial “setembrino”. Washington Rodrigues, o “Velho Apolo”, é o nosso aniversariante do dia. E, quando um gênio da comunicação dá mais uma volta no relógio da vida, a alegria é toda nossa que, aprendemos a amar e admirar esta rara figura humana e comunicador único. Aliás, no campo profissional, já jogamos no mesmo time e já fomos “adversários”. A amizade, sempre foi a mesma. Carinho e respeito, igual. Amor, de irmãos.  Temos inúmeras coisas em comum, porém, sem dúvida, a paixão em vermelho e preto é a mais marcante.

Sempre que posso, afirmo, até porque, entendo que as homenagens devem ser feitas em vida. Washington Rodrigues, talvez seja hoje, o único gênio da comunicação radiofônica. Washington quebrou barreiras no rádio, sendo a principal delas, fazer com que um mundo de gente ficasse colada no rádio, aos sábados, de meia-noite às cinco da manhã, quando apresentava o Show da Madrugada. Ali, a audiência não era pela emissora, muito menos pelo horário. A audiência, e que audiência, era obra de um ser iluminado que, por acaso, nos apresentou o prazer de começar todo domingo de maneira mais alegre, verdadeira fonte de inspiração para a sequência de dia tão importante, principalmente quando o Flamengo jogava…

Em contra partida, como se atendesse aos nossos pedidos, Papai do Céu tem sido generoso com o nosso aniversariante. Colocou ao lado dele, durante um lindo tempo de vida, uma companheira como se tivesse sido feita, moldada para ele. Maria Lucia, deve estar passando no mundo azul, desconhecido por nós, um dia muito feliz. Os dois construíram uma família adorável e hoje, como legado de uma linda amizade, de tanto afeto e carinho, tenho o privilégio de conviver, dia sim, dia também, com Brunão, um de seus filhos.

Se pudesse eu modificar alguma coisa neste nosso mundo da comunicação, trocaria de data o dia consagrado ao tema. Deixaria de ser o dia da comunicação comemorado a cada 05 de maio e passaria para 1º de setembro. Seria mais justo… E, atenção para a total imparcialidade do “locutor que vos fala”, que nasceu no quinto dia do mês de maio…

Que o seu dia, meu amado Velho Apolo, esteja sendo lindo, inspirado na sua alminha abençoada por Deus.

 

Meu amigo Yustrich

Dorival Knipel, ou Yustrich.

Dorival Knipel, ou Yustrich.

Após o post de ontem, aliás, agradeço aos queridos companheiros pelos comentários, houve quem duvidasse que Yustrich tenha tido realmente um amigo jornalista. Por favor, não duvidem. Teve sim, e fui eu.

Convivi com Dorival Knipel, popular Yustrich, quase que diariamente durante os anos de 1970 e 1971. O nosso extraordinário personagem que, como jogador, foi quatro vezes campeão pelo Flamengo e, como treinador, ganhou uma Taça Guanabara, à época em que a Taça Guanabara era um campeonato quase que à parte, pois tinha, além da Taça, volta olímpica e muita comemoração. Ainda como treinador, foi campeão mineiro por quase todos os clubes: Cruzeiro, Atlético, América e até, campeão pelo Siderúrgica, isto em 1964. Também foi campeão português e campeão da Taça de Portugal, treinando o Porto, na temporada 1955/1956. Seu último título como treinador foi pelo Cruzeiro, em 1977, clube onde também encerrou a carreira em 1982.

O nosso personagem, e que personagem, tinha cara de poucos amigos, era enorme, de poucas palavras e era objetivo ao extremo. Os jornalistas que cobriam o Flamengo tinham com ele uma convivência meramente profissional, até porque, penetrar naquela alma não era missão fácil.

O destino nos uniu, quando começando eu na rádio Tupi, recebi do inesquecível Doalcei Benedicto Bueno de Camargo, chefe da equipe e notável locutor, a missão de preencher boa parte de um domingo à tarde, sem futebol, pois era período de férias dos jogadores, em que, obrigatoriamente, deveria apresentar uma matéria “digna”, com o treinador do Flamengo.

Quando recebi este presente de grego, nem acreditei. Achei mesmo que fosse uma pegadinha, pois quatro dias antes, ao sair de férias, Yustrich juntou todos os jornalistas para solicitar que ninguém o importunasse no seu descanso, que seria em seu sítio, em Vespasiano, um pouquinho fora de Belo Horizonte. Quando caí na real, a única coisa que me veio à cabeça foi imaginar que, muito antes desta missão ser um problema, poderia ser, não um presente de grego e, sim, de Deus, pois um “foca” conseguir esta proeza, seria como um primeiro e importante gol na profissão. Primeiro, com jeitinho, fui até o Dodô (assim chamávamos o grande Doalcei), e deixei claro que faria de tudo para conseguir a matéria, mas que tivesse ele a noção da dificuldade da missão. A reação dele me matou, pois disse: “Se pedi para você fazer, é porque tenho certeza de que você pode”. Me mandou passar na administração para pegar as diárias, a passagem, e me desejou boa sorte. Isto, uma quinta-feira. Primeira missão foi descobrir onde era o sítio em Vespasiano e, por favor, principalmente os mais jovens, não imaginem o ano de 1970 com a tecnologia de hoje… Lembrei de uma querida amiga, também jornalista, que vivia em Belo Horizonte e, não foi difícil para ela, em menos de uma hora, descobrir o endereço. Enquanto ela procurava, imaginei como deveria aparecer para ele e, dizer o que? Uma luz, do nada, pintou na minha cabeça quando o telefone tocou, e esta minha amiga me dava a boa notícia de ter conseguido o endereço. Achei que, se chegasse acompanhado, seria mais gentil, mais suave, mais fácil de explicar as nossas presenças. Minha amiga não só topou como, aliás, adorou a ideia da aventura, e se prontificou a levar uma amiga, que era gaúcha e estava hospedada na casa dela.

Peguei o avião na sexta-feira bem cedo, as duas me buscaram no aeroporto e, rumamos direto para Vespasiano. O meu gravador, era, se não estou equivocado da marca UHER e, como características, a qualidade de som e o tamanho. Era enorme… portanto tinha que ficar no carro da minha amiga, pois nem de longe o nosso personagem poderia desconfiar, pelo menos no início, do propósito real da visita. Ah, ia esquecendo de dizer que esta minha amiga jornalista, além de competentíssima e simpática, era muito bonita. A amiga, da amiga, mais bonita ainda… Finalmente, chegamos. Paramos o carro e nos deparamos com um portão enorme de madeira, com algumas frestas que possibilitavam parcial visão do interior do sítio. Mesmo longe, vimos de cara, uma rede branca, balançando, e alguém muito grande estava ali deitado. Suando frio, toquei o sino que ali estava para anunciar a chegada de algum visitante. Segundos após, o portão foi aberto, se a memória não me trai o nome, por Maria, mulher de Yustrich. Simpática, nos recebeu e fui logo dizendo que eu era do Rio, que iria passar o final de semana na casa das minhas amigas e, como uma delas também tinha um sítio em Vespasiano, não poderíamos perder a oportunidade de levar as flores (compramos no caminho) para o casal. De repente, alguém se levanta da rede branca e vem até nós. Não precisei falar nada, pois a dona da casa fez a nossa introdução com enorme carinho. Yustrich me cumprimentou, ficou visivelmente impressionado com a beleza e a simpatia das suas visitantes inesperadas e, nos convidou para entrar. O papo rolou de forma descontraída e amigável, diria mesmo, adorável. Tão bom que, convidados fomos para almoçar. Aceitamos, claro, e o almoço, de tão agradável foi quase até às seis da tarde. Com todos já quase íntimos, imaginei que havia chegado a hora de engatar uma segunda e, pedir a entrevista. Criei coragem e falei o quanto seria importante para mim que estava começando, gravar uma matéria especial com o dono da casa. Yustrich, concordou, porém só fez uma exigência. Tínhamos que voltar para novamente almoçar com eles no dia seguinte. Nem acreditei…

E, ele ainda perguntou: Mas, com que gravador você vai fazer a entrevista? Respondi que minha amiga tinha um UHER espetacular… No dia seguinte, voltamos. Um sábado memorável, um sábado que faz parte da minha história de vida. Talvez, mesmo em se tratando de um “foca”, tenha feito uma das melhores entrevistas como profissional de rádio.  Duas horas de gravação!!! Um show!!! Peguei o último voo para o Rio e ainda no sábado à noite, madrugada adentro, editei o material. A entrevista, de tão boa, foi publicada no dia seguinte, em três páginas, no JORNAL DOS SPORTS.

Há pessoas que somam, que são importantes e decisivas na sua vida. Para mim, Yustrich foi uma delas. O meu primeiro degrau profissional. A minha primeira grande vitória. Onde quer que você esteja neste misterioso e, para nós, desconhecido mundo azul, muitíssimo obrigado, querido amigo.

 

Lembrete de Yustrich

Yustrich.

Yustrich foi goleiro e técnico de Flamengo e Vasco, dentre outros clubes.

Os números do Vasco, neste Campeonato Brasileiro, são assustadores:

  • 20 jogos. Em sessenta pontos possíveis, conquistou 13. Aproveitamento: 21,6%.
  • O pior ataque, contando-se os 40 clubes que disputam as séries A e B: 08 (oito!!!) gols.
  • A pior defesa, ao lado do Mogi Mirim, entre os 40 clubes que disputam as séries A e B: 34 gols.
  • O pior saldo de gols, entre os 60 clubes que disputam as séries A, B e C: -26 gols.

Isto me remete ao início dos anos 70, quando Yustrich era o treinador do Flamengo e, eu, repórter que começava a carreira na Rádio Tupi. Lembro que este fato ocorreu numa sexta-feira, antevéspera de um suculento Flamengo x Vasco. O momento era muito melhor para o Flamengo, que estava embalado, ao contrário do Vasco, que não se acertava de jeito nenhum. Naquela época, os repórteres tinham livre acesso para as entrevistas e, o único local não permitido era o vestiário. Naquele dia, estava eu aguardando os jogadores do lado de fora para as entrevistas iniciais, quando recebo um recado que Yustrich pedia para que eu fosse ao vestiário, pois precisava falar comigo. Por ter sido chamado, entrei no “terreno proibido”, onde encontrei o meu amigo, como de hábito, chupando muitas laranjas, da maneira que fazia sempre antes de todo treinamento. À sua esquerda, um balde com muitas laranjas, à sua direita outro balde, onde jogava os bagaços das laranjas. À sua frente, algo que os jogadores temiam. A balança. Nenhum jogador, deixava de se pesar diariamente e, quem controlava era o “chefe”. O “trabalho” já estava no final, pois o balde dos bagaços estava cheio e, feliz por todos os jogadores estarem no peso, me honrou com o convite para jantar na casa dele, em comemoração ao aniversário da filha, que era a paixão da sua vida. O que mais me chamou atenção, foi o que li, num quadro negro enorme, colocado na cara de quem entrasse no vestiário e, com letras garrafais… VASCO É VASCO!!! Assim mesmo, como está aí e, com três exclamações. Embora não trabalhasse em jornal, senti o faro de que aquela foto daria brincando uma primeira página e, acabei intercedendo junto ao “chefe”, no sentido de que, os jornalistas Lineu de Lavor e Zildo Dantas, respectivamente de “O Jornal” e “O Dia”, pudessem conduzir os respectivos fotógrafos para o local. Yustrich, até pousou com o giz na mão como se escrevendo estivesse. No dia seguinte, conforme intuí, primeira página, fácil.

Com certeza, por ser um treinador experiente e por respeitar a tradição, desta, ou de outra forma, Oswaldo de Oliveira dará o mesmo recado aos seus jogadores. Como aconteceu lá atrás, um jogo começa a ser ganho quando se tem a noção exata do que vem pela frente. E, como dizia João Saldanha, “o jogo é mole, mas primeiro, tem que jogar…” e, que ninguém se iluda. Depois de amanhã, com todos os problemas que o Vasco enfrenta, para passar para as quartas de final, o Flamengo vai ter que jogar muito e, com fome de desesperado.

Se o espírito for esse, a nossa chance é enorme.

 

Zico polêmico

Zico e Juninho (Foto: Patricia Ingo/Rádio Globo))

Zico e Juninho na Rádio Globo (Foto: Patricia Ingo/Rádio Globo))

Como gosto muito de rolar a bola para as discussões, vou começar pelo meu ídolo e, o maior na história do Flamengo. Para quem não sabe, Zico participa às segundas-feiras, ao lado de Ricardo Rocha e Juninho Pernambucano, de interessante programa, à noite, na Rádio Globo. O programa é muito bem conduzido e, como o negócio é debater os principais assuntos ligados ao futebol, o sucesso está diretamente ligado à qualidade dos debatedores que, neste caso, é excepcional. Todos estão muito bem, soltos, autênticos e com colocações inteligentes. Ontem, o nosso Galo deu show. Entre tantas participações brilhantes, Zico saiu com uma tese que me fez pensar muito. Disse ele que era radicalmente contra a expulsão de um jogador por ter cometido um pênalti, independentemente das circunstâncias. A tese, oportuna, interessante e inteligente, é no sentido de que ninguém pode ser punido duas vezes. Ora, o pênalti é o maior castigo que um time pode receber e, o jogador que cometeu o pênalti, integrante deste time penalizado, não pode ser punido duas vezes. Primeiro com a pena máxima que é o pênalti e, depois, com a expulsão.

Como o debate está aberto, você, companheiro do blog, concorda ou discorda da tese de Zico?

 

Gol de placa

Alfredo Raymundo, Diretor Executivo da Super Rádio Tupi

Alfredo Raymundo, Diretor Executivo da Super Rádio Tupi

Acabo de ser informado pelo meu irmão de vida Washington Rodrigues que domingo, será dia de BOMBAS RADIOFÔNICAS. A Tupi contratou José Carlos Araújo, Gérson – o “Canhotinha de Ouro” – e Gilson Ricardo.
Que maravilha ver o Rádio agitado e vivo.
Parabéns a este monstro sagrado do Rádio, Alfredo Raimundo. Que sacudidela…
Que domingo vem aí…

Até quarta-feira…

Baile do Vermelho e Preto (Foto: Helio Motta/UOL)

Baile do Vermelho e Preto (Foto: Helio Motta/UOL)

Chegou o carnaval. Há uma enorme discussão se o sábado de momo é um bom dia para futebol no Rio de Janeiro. Os defensores da tese argumentam que a cidade está tomada por turistas, sequiosos por atrações com a cara da cidade e, que um grande clássico, valendo três pontos, seria barbada ver o Maracanã lotado. Há quem lembre que isto não é um fato novo. Lá atrás, por obra e graça do genial Francisco Horta, o Maraca foi palco lotado, num sábado de carnaval, quando da estreia de Rivelino no Fluminense. Os que não concordam, como outra figura genial que é o companheiro Ruy Castro, afirmam que o turista que está no Rio neste momento quer é carnaval, e nada mais. Pessoalmente, se o jogo for atrativo e tiver charme, e ao menos um ídolo (coisa rara), aí sim vale a pena. Programar um jogo qualquer, num sábado de carnaval, apenas para correr atrás do dinheirinho do turista, não é inteligente. Aliás, tremendo gol contra.

E o Wagner Love no Corinthians, hein? Com Wagner Love e Montillo, apostaria todas as minhas fichas no Flamengo para ganhar quase tudo este ano. Enfim, sonhar não custa nada…

Hoje, é o Dia Mundial do Rádio. Um carinhoso abraço aos queridos amigos e companheiros que continuam a fazer do Rádio o companheiro de todas as horas. Aos que fizeram do Rádio uma potência no mundo da comunicação e, que aqui não mais estão entre nós, a nossa saudade, o nosso respeito e o nosso muito obrigado.

E como diz o poeta, na famosa marchinha de carnaval, “Até quarta-feira…”

Rádio

Jorge Curi sentado ao lado de Waldir Amaral.

Jorge Curi sentado ao lado de Waldir Amaral.

Hoje, fui entrevistado pelo pessoal do “Rádio de Verdade”. Papo muito gostoso sobre o rádio, radialistas e vida, onde voltei no tempo e, de certa forma, estive novamente “tabelando” com queridos companheiros que marcaram a minha vida. Quem foi o melhor locutor esportivo? Sem dar uma de “Murilo”, fui sincero ao afirmar que era impossível responder, pois os estilos eram diferentes. Waldir Amaral “embrulhava um presente” como ninguém. Imbatível!!! Ninguém conseguiu até hoje dar grandiosidade a uma transmissão, como ele. Um jogo transmitido por ele, fosse que jogo fosse, quem estava do outro lado do rádio se sentia participante do maior acontecimento do planeta. Tudo era colossal, tudo tinha brilho e importância. Jorge Curi, emoção pura, dono de uma voz potente, talvez a mais potente do rádio esportivo. Gol do Curi era o orgasmo maior do futebol. Doalcei Camargo, era o rei da precisão e da velocidade. Não errava nunca. Clóvis Filho, o dono do Golaaaaaaço, de característica muito parecida com Doalcei. O Golaaaaaaaço de Clóvis Filho, tempos depois, virou golaaaaaaço, açoooo….açooooo… na voz de Jorge Curi, que lançou a novidade num gol de Zico. José Carlos Araújo, lançou a narração carregada de juventude e modernidade. Daí, o “Garotinho”… Enfim, todos gênios, responsáveis diretos por tantas e tantas emoções em nossas vidas.

Goleiros

Como sou louco por rádio, sapeando atrás de coisas boas, acabei encontrando. Primeiro, uma entrevista de Cesar, goleiro reserva do Flamengo, muito jovem, por quem já havia me encantado numa destas Copinhas da vida, mas que hoje, nesta entrevista, deu um banho de profissionalismo e de alma iluminada.

Foto: Alexandre Durão / Globoesporte.com

Foto: Alexandre Durão / Globoesporte.com

Cesar afirmou que, embora procurando o seu espaço, imaginando um dia ser titular da camisa 1 do Flamengo, torce apaixonadamente por Paulo Vitor que, em tese, é a maior barreira para que ele atinja o seu objetivo. Com sabedoria de veterano, tendo pouco mais de 20 anos, afirmou ele que na vida há o tempo certo para tudo, e que as coisas acontecem naturalmente. Pelo que ouvi, César deve ser um destes profissionais apaixonados pelo que faz. Treina como um leão, embora saiba que o espera no jogo seja quase nada, até porque a chance de jogar é quase zero. Sabe de tudo isso, torce pelo seu amigo titular e sabe também que a sua hora é uma questão de tempo. Sabedoria numa alminha especial.

Quando achei, encantado com tudo que havia ouvido, que tudo aquilo era música para meus ouvidos, é convocado para opinar sobre o depoimento de Cesar, um ex-goleiro do Vasco da Gama. Aí, outro show. Acácio deu um banho de simplicidade, encantado com o depoimento de César e falando sobre suas passagens de vida. Querem saber quem foi o primeiro treinador de goleiros que ele teve? Vanderlei Luxemburgo!!! É isso mesmo. Vanderlei, começou como treinador de goleiros e, segundo Acácio, introduziu a importância do treinador de goleiros ser um bom chutador. Ainda, segundo Acácio, a canhota de Vanderlei era poderosa e, ao contrário dos outros treinadores de goleiros da época, que usavam somente as mãos, Vanderlei, com sua canhota, colocava os goleiros em situações parecidas como as que iriam encontrar nos jogos. Em síntese, foi um revolucionário para os goleiros.

Quem diria. O nosso Vanderlei, consagrado técnico, começou como treinador de goleiros e o seu primeiro clube, como treinador, foi o América.

Ouvindo e aprendendo.