Tragédia anunciada

(Foto: André Durão)

Não lembro de nenhum momento pior do que este que estamos vivendo no Rio de Janeiro. Há no ar uma crise de comando e, quando isto ocorre, a leitura é a de terra de ninguém, onde todos podem tudo, ou seja, zona total.

Há um pouco de culpa de todos os setores, na tragédia – tragédia sim, até porque alguém perdeu a vida – que ocorreu em São Januário.

Há cabimento em um jogo entre Flamengo e Vasco ser programado para São Januário ou para a Ilha do Urubu? E quem autoriza? E, se quem autoriza, se equivoca, quem conserta?

A falta de sensibilidade foi geral. Começou pela diretoria do Vasco que, mesmo sabendo do momento político conturbado, onde a briga pelo poder faz de São Januário uma praça de guerra, ignorou o que estava mais do que na cara.

A CBF errou ao priorizar o regulamento em detrimento da segurança do torcedor. O Flamengo, no mínimo, deveria ter jogado sob protesto. O Ministério Público, tão zeloso no interesse e segurança da população, comeu mosca. Errou feio em não agir. E, por fim, o Governo do Estado, que trata o tema Maracanã como se fosse a discussão de um bueiro entupido. Tudo errado!!!

O próximo passo compete ao governo estadual. Que, em tempo recorde, a gulosa Odebrecht seja tratada como merece e, que seja lá como for, o Maracanã seja devolvido aos clubes e aos cariocas.

Chega de tanta incompetência, inconsequência, negligência e burrice.

E aí Ministério Público, vai ficar só olhando?

Vitória para embalar

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Tomara que ninguém venha aqui colocar que vencemos um time fraco. Hoje, o Vasco não é o “Expresso da Vitória”, mas também não é o Íbis.

Jogo difícil, como imaginávamos. E, em tempo algum foi moleza ganhar em São Januário. Quanto mais agora, com o time da casa tendo 90% dos torcedores.

Primeiro tempo muito truncado, com o árbitro fortão meio enrolado, distribuindo cartões no início do jogo e economizando no final. O Flamengo dominou o primeiro tempo, até porque tem mais time, porém, sem ser agudo.

No segundo tempo procuramos o gol e encontramos. O drible de Éverton Ribeiro foi sensacional. Aliás o gol premiou os dois jogadores mais inspirados. O título do blog bem que poderia ser “ÉVERTONS”… Os dois, Éverton e Éverton Ribeiro, jogaram muito.

E, por falar em jogar muito, não dá para não registrar o quanto foram eficientes, precisos e guerreiros, Márcio Araújo e Raphael Vaz. Desculpem os amigos que pensam de forma diferente, mas não há no elenco do Flamengo um jogador com as características de Márcio Araújo, que resiste como titular ao longo de todos os treinadores que por lá passaram. Por que será?

Raphael Vaz, outro combatido por tanta gente, demonstrou que, além de saber jogar, tem personalidade. Segurou com talento e determinação o seu setor. Acertou tudo. Desculpem. Errou aos 48 do segundo tempo em uma esticada de bola. Bela partida do único zagueiro que sobreviveu…

O nosso goleiro, no momento preciso, compareceu. Muito boa a defesa no chute de Luiz Fabiano. Laterais atentos e fogosos. Cuellar foi um bom auxiliar de Márcio Araújo, e Diego, a categoria de sempre.

Os dois centroavantes, Guerrero e Damião, infernizaram a zaga do Vasco. Curioso que, após a saída de Guerrrero, por contusão, Damião deu ritmo igual, inclusive sendo responsável por linda jogada que Éverton Ribeiro se enrolou e, perdeu o gol.

Vitória para embalar, para dizer a todos que o Corinthians tem no campeonato o seu caçador…

 

São Januário

(Foto: André Durão)

Quem olha a tabela do Campeonato Brasileiro, talvez imagine uma igualdade técnica entre o terceiro e o sexto. Como o campeonato ainda não atingiu o ponto em que tudo fica mais claro, há de se imaginar um equilíbrio entre Flamengo, o terceiro, e Vasco, o sexto.

Na realidade, e sem qualquer influência emocional, este jogo só pode ser encarado como equilibrado pelo fato de ser realizado em São Januário, pois inegavelmente o Flamengo tem um elenco infinitamente melhor e, não bastasse isso, um time bom, que começa a ganhar entrosamento.

Além do que foi colocado, o Flamengo vai completo, já que Pará ou Rodinei, a diferença não é tão grande. O Vasco, além da inferioridade técnica, tem problemas na escalação, principalmente com a ausência do jovem e talentoso Douglas.

Acontece que o jogo é em São Januário, que terá lotação máxima, com goleada cruzmaltina nas arquibancadas, em função do regulamento do Campeonato Brasileiro. De cada dez torcedores, nove estarão torcendo para o Vasco.

E, não fosse São Januário, isto é, não fosse a performance do Vasco como mandante, certamente estaria próximo ou, na zona de rebaixamento. Portanto, localizado está o nosso grande adversário.

Dá pra ganhar em São Januário? Confesso que estou otimista. Hoje, o futebol mudou e, há muito menos árbitros caseiros do que antigamente. Além disso, o time do Flamengo é cascudo e, neste tipo de jogo, experiência conta, e muito.

O horário do jogo, simplesmente espetacular!!! Jogando às 18h, o sábado é todo do torcedor, que pode fazer o que bem entender durante tarde e manhã e, se tiver disposição, a noite será uma criança…

Ontem, Washington Rodrigues, o genial Apolinho, enquanto apresentava o seu programa na Rádio Tupi, recebeu a visita do rubro-negro Leonardo, mineiro, de Belo Horizonte. O filho de Leonardo nasceu em 1995, ano do nosso centenário e, foi batizado com o nome de Washington Kleber, homenagem ao Velho Apolo e a mim. Caramba, quanta honra e que homenagem linda. Obrigado, Leonardo!!!

Como compôs Peninha, um trecho de “Sozinho”, canção eternizada por Sandra de Sá, Tim Maia e Caetano Veloso, retrata com fidelidade as almas rubro-negras, minha e do Velho Apolo… “é que carinho às vezes cai bem…”. E, como… quanto mais pintado com tanto amor e, em vermelho e preto.

G U E R R A

Pego o título emprestado à nossa Cora Rónai, honra e glória do nosso jornalismo mais puro, doce e competente.

Já estava com a cabeça pronta para sair um dia do tema que nos alimenta a alma e, dividir com vocês o que vem me angustiando. Como há futebol dia sim e dia também e, como a nossa paixão pelo Flamengo ocupa espaço descomunal, vivia protelando libertar este sopro de revolta que está em mim, até que, lendo hoje no Globo a coluna de Cora Rónai, resolvi dividir com vocês o que vem me atormentando.

O Rio de Janeiro vive o seu pior momento e, o sofrimento é o pior de todos, qual seja a perda da liberdade, do direito de ir e vir, até porque, quando se vai não se tem a certeza de que se volta.

Chegamos ao limite máximo da insegurança. Balas perdidas já mataram ou mutilaram neste primeiro semestre do ano centenas de pessoas, inclusive as que por aqui ainda nem estavam, como a criancinha na barriga da mãe. Os assaltos viraram paisagem. Os arrastões, parte do cotidiano do trânsito. A morte, algo natural, como se em guerra estivéssemos. Enfim, estamos vivendo em uma praça de guerra, onde os bandidos, com suas metralhadoras e fuzis à mostra, não têm o menor pudor em aparecer, mostrar a cara, desafiando a lei e o mundo. Agora mesmo, acabo de ser informado de que a Cobal de Botafogo, na movimentada rua Voluntários da Pátria, foi assaltada e que a correria é grande, com a polícia chegando e cercando as saídas de Botafogo.

O que me espanta e revolta é o fato de que, quem tem a obrigação de dar solução a estes problemas, está mais preocupado em resolver os seus problemas pessoais e, que a imprensa, tomada pelo torpor da Lava Jato, não tenha sabido fazer outra coisa qual não seja informar e filmar quem foi ou quem vai ser preso. Procuradores da República, Ministério Público, políticos, mídia, enfim, todos, “inclusive, todos!!!”, perderam o senso hierárquico de importância das coisas e, voltados ao tema da moda, esquecem do tema da vida, da segurança, da sobrevivência…

Não lembro de nenhuma matéria recente – e sou um ser antenado, onde, rádio, TV, jornal e internet fazem parte do meu dia a dia – em que um repórter tenha “encostado na parede”, Presidente da República, Ministro da Justiça ou, qualquer um dos muitos generais, – que parece que também não estão nem aí – para perguntar o que pode ser feito, se há um plano de emergência e, cobrar! Cobrar! Cobrar! E cobrar!!!! Como um quadro do jornalismo da Globo, no RJTV, que, atendendo solicitação da população, vai ao local, filma, cobra dos responsáveis e, marca no calendário o dia em que a autoridade afirmou que daria solução ao tema. No “dia D”, vai lá e mostra se o problema foi ou não solucionado. Elogia ou, enfia a ripa em quem foi incompetente e irresponsável.

Reparem nos noticiários. Claro que se noticia a guerra civil em que vivemos, porém, não é, jornalisticamente, dado o seguimento natural da matéria. Não se cobra, não se aponta os responsáveis e, com isso, muito à vontade fica quem deveria ter feito e não fez.

Como qualquer cidadão, também acho que tudo que estamos observando em termos de corrupção passou do ponto. Como qualquer cidadão, acho que tudo deve ser apurado e que os responsáveis pelos seus atos devem ser punidos. Só que, há no ar algo mais importante, qual seja estancar esta violência que tomou conta das principais cidades brasileiras, com destaque negativo especial para o nosso Rio de Janeiro. Se a mala com 500 mil reais era para o Temer, que se apure, mas que não se esqueça de que mais importante do que apurar este assunto é salvar a vida dos cidadãos que estão acuados e dominados pela marginalidade.

Tenho a certeza de que a gravidade da insegurança no Rio de Janeiro é tão grande que, passa ao largo das soluções que possam ser encontradas pelo governador do estado.  O buraco é enorme e, a solução terá que vir do Governo Federal, que tem o poder de fazer com que as forças armadas entrem em cena. Políticos e imprensa, enquanto só lavam à jato, o Rio apodrece e, os cariocas morrem. Por favor, acordem, tomem vergonha e ajam!!! Imprensa, mostrando e cobrando. Políticos, agindo. Se não, rua!!!

Chegamos ao limite máximo. A partir de agora, a falta de ação do combate à marginalidade só pode ser encarada como deboche. Vamos virar fantoches alienados?

Noite feliz e curiosa

(Foto: Staff Images / Flamengo)

. Quem acorda e pergunta quanto foi o jogo e, como resposta, ouve que foi 5 a 2 Flamengo, conclui que deve ter sido um show de bola e, no campo do adversário.

De verdade, o placar. O show de bola só na imaginação de quem não viu o jogo. O primeiro tempo, sofrível tecnicamente, terminou sem um golzinho sequer. Nos 45 minutos finais, sete gols, cinco do Flamengo, e dois do Palestino.


. Além do desnível técnico, o placar pode também ser explicado pelo aspecto físico. A temporada chilena vai começar agora, o que equivale a dizer que um time que está em plena pré-temporada, tem que pagar o preço de um condicionamento físico deficiente.


. Em um dos gols do Palestino, meu amigo Escobar não foi feliz na narração, criticando Rafael Vaz pela rebatida de cabeça. Na verdade, Vaz não tinha outra opção, tirando de cabeça um lance de perigo. O problema foi a falta de alguém do Flamengo no rebote. Faltou ali – que os críticos me perdoem – o Márcio Araújo.


. Tecnicamente, Éverton Ribeiro sobrou na turma, embora não se possa dizer que jogou como Diego jogaria. Diego, a meu conceito, não tem substituto, pelo fato claríssimo de ser um jogador que arma pelo meio e, que chega. Diego é arco e flecha. Éverton Ribeiro é um misto de meia e atacante. Talvez, mais agudo que Diego, porém, não tão articulador, não tão cerebral. De qualquer forma, dentro de suas características, Éverton Ribeiro foi destaque.


.Berrío, sem ter sido brilhante, foi útil e guerreiro. O gol que marcou foi fruto da sua determinação. Damião está se caracterizando por atuações que não animam e, com gols de rara beleza. Outro dia, de bicicleta. Ontem, de letra. Para um centroavante e, reserva, vai dando conta do recado…


. Esta Copa Sul Americana, a bem da verdade, é a segundona do continente sul-americano. Não é um título que enriqueça a sala de troféus de um clube de ponta. De positivo, unicamente a garantia da vaga na Libertadores, ou seja, a garantia de jogar na primeira divisão continental do ano seguinte.


. Agora, o que interessa é o jogo de sábado, que promete… Com todo respeito ao Vasco e ao estádio da colina histórica, estou com um bom pressentimento. Repito: Com todo respeito…

Angra dos Reis de luto

Há uma semana perdemos uma das pessoas mais carismáticas e doces de Angra dos Reis. Na verdade, ninguém conhecia Marcio Frederico da Silva Reis.

Mas TODOS, conheciam Marcio da Fla Angra…

Por razões que a própria razão desconhece, além do seu amor incondicional pelo clube, Marcio nasceu no dia 3 de março. Coincidentemente, no dia de aniversário do nosso maior ídolo, Zico!!!

Em março de 1975, juntamente com Nilson Gonçalo (Nilsinho), fundou a primeira torcida organizada de Angra dos Reis. A Fla Angra…

Além do amor pelo Flamengo, foi eterno participante de TODAS as procissões marítimas de Angra, sendo um dos maiores vencedores do evento.

Além do mar e da terra, a Fla Angra também venceu inúmeros torneios nos campeonatos amadores do Aterro. Sempre levando e elevando o nome da organizada.

Em um determinado tempo, ficamos mais de 60 partidas invictos. E eu, como não jogava essa bola toda, bebendo ao lado dos meus amigos.

A última vez que encontrei meu amigo, já com 59 anos, me disse estar cansado de participar de alguns eventos, como a procissão marítima.

Até porque, após a morte do Roberto Marinho, e do afastamento do Boni da cidade, o evento ficou muito esvaziado.

Mas o amor irreversível pelo Flamengo, se resumia em ver os jogos na casa dele com vários amigos. Era nosso ponto de encontro…

Marcio, por muitas vezes, abriu mão da família para organizar viagens ao Rio e, colocar o barco da organizada na competição.

Aos 59 anos, vítima de um infarto fulminante, esse cara especial nos deixou.

Angra dos Reis perde o maior representante da nossa Nação. Meu amigo e parceiro Marcio da Fla Angra…

Carlos Egon Prates

Conhecimento de causa

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Como estive dos dois lados, tendo passado por estilingue e por vidraça, tenho um certo cuidado quando penso em criticar, pois a injustiça começa a ser desenhada quando alguém se arvora a concluir alguma coisa sem que tenha o conhecimento de causa necessário. Ontem, lendo uma matéria no Globo.com, sobre a composição da delegação do Flamengo para o jogo de amanhã, no Chile, pela Copa Sul-Americana, veio a informação de que alguns titulares seriam poupados, e que Conca não viajaria, como de fato não viajou. Os dois primeiros comentários criticavam de forma contundente – diria até, deselegante – o treinador Zé Ricardo, pelo fato de não ter levado o argentino.

 

(Foto: Marco Favero / Diário Catarinense)

Hoje, leio com surpresa que Vagner Mancini foi demitido e não é mais o treinador da Chapecoense. Ainda não li, mas com absoluta certeza haverá uma enxurrada de críticas espinafrando a direção da Chapecoense pela decisão de demitir o treinador. Como o tempo passa e, em função disso, as experiências acumuladas vão cada vez mais solidificando a maturidade, me recuso a comentar qualquer um destes fatos sem que tenha pleno conhecimento de causa.

No caso de Conca, não teria cabimento, se estivesse o jogador minimamente em condições, não usufruir do futebol que vimos quando jogava pelo Fluminense.

Exatamente no Fla-Flu, quando Conca entrou por pouco tempo, tive a impressão de estar ele completamente fora de sintonia, como se o jogo estivesse sendo jogado em ritmo normal e ele em câmera lenta. Pra ser sincero, achei até a maneira de correr meio estranha. Vou me aprofundar no tema e, o que apurar, informo.

De todas as formas, convenhamos ser, no mínimo, precipitada a crítica ao nosso treinador. Talvez, o pessoal do Flamengo deva estar mais atento à comunicação. Se for o caso, é muito melhor dizer a verdade – que o jogador ainda não está inteiro – do que calar e, com isso, criar uma polêmica desnecessária, colocando em risco a imagem dos profissionais que integram a comissão técnica.

No caso de Vagner Mancini, igual. Não dá para criticar sem saber os reais motivos que fizeram a diretoria tomar tão drástica atitude. Se revelarem, facilitarão qualquer tipo de análise. Caso se calem, alimentarão a polêmica e, com certeza, as críticas serão inevitáveis.

JOÃO SALDANHA. JOÃO SEM MEDO. JOHNNY…

Gilson Ricardo lançou e, na Rádio Globo, João Saldanha, o comentarista que o Brasil consagrou, deixou de ser João, para ser Johnny. E, para quem não sabe, ele até que gostava de ser assim chamado. Isto era intimidade.

Digo isto pelo fato de perceber que alguns “companheiros”, na maior cara de pau, vivem apregoando uma intimidade com o nosso doce e querido personagem que, a bem da verdade, só existiu na imaginação de quem tenta se aproveitar e pegar uma carona na imagem do João.

Viajei o mundo inteiro com o nosso Johnny, dividi até cama de casal com ele e, sou obrigado a aturar estas criaturas com visíveis sinais de deformação de caráter. Cuidado “companheiros”, algum dia vocês podem reencontrar o João e aí, o pau pode comer…

Hoje, 3 de julho de 2017, João Saldanha estaria completando 100 anos. Portanto, hoje é o centenário de uma das mais carismáticas e geniais figuras do mundo do futebol.

João, com uma cultura geral invejável, foi o rei do pragmatismo, o campeão do poder de síntese, a simplicidade em forma de gente e, tudo isto, com muito charme.

Figura humana especial, que em diversas oportunidades deixava, em viagens ao exterior, suas suadas diárias para brasileiros que passavam aperto em função do exílio e, na maioria das vezes, pessoas que sequer conhecia.

João Máximo, com o brilhantismo de sempre, conseguiu sintetizar com clareza quem foi João Saldanha ao escrever para O Globo, afirmando que “João Saldanha era vários Joões em um só”.  Íntegro, leal, amigo dos amigos, culto, generoso, simples, doce, contundente, pavio curto, corajoso, afetivo, brigão, despojado, charmoso e, o maior contador de história que o rádio já produziu.

Certa vez, viajávamos ele, eu e Fernando Versiani e, em pleno voo, Fernando observou que a calça jeans do João estava muito surrada, perdendo a tonalidade azul. João chamou a comissária, pediu uma caneta Bic e, durante um bom tempo foi revigorando o azul na sua calça com a tinta da caneta emprestada…

E, por falar em viagem, João não levava mala. Era uma malinha de mão, com duas cuecas e duas mudas de roupa. Ocupava o tempo de folga nas viagens procurando sempre conhecer algo novo. Não comprava nada. Gastava o dinheirinho das diárias alimentando a alma.

Através de longas caminhadas João me apresentou Paris, cidade pela qual sou apaixonado. Andar em Paris, para João, era como se estivesse no Rio ou em Alegrete, conhecia tudo, “inclusive, tudo”!!!

Aliás, houve uma única oportunidade em que, por ter recebido encomenda de um dos filhos, comprou duas garrafas térmicas na zona franca de Manaus. Quando foi passar pela fiscalização foi informado de que só poderia passar uma única unidade, que era lei. João ainda tentou argumentar, dizendo que as garrafas eram encomenda dos filhos e, apresentando as notas, mostrou que havia gasto muito pouco e longe estava do valor permitido. O fiscal, irredutível, disse que uma das garrafas lá teria que ficar. João olhou pra ele com cara de poucos amigos e, jogando e quebrando a garrafa no chão, disse: “Pode ficar pra você”…

Alguns companheiros, em especial os mais gozadores, diziam que João adorava inventar histórias, que era mentiroso e acreditava na própria mentira.

Certa vez, chegamos a Londrina, João, Cury, João Fogueira – nosso engenheiro de som – e eu. Pegamos um táxi. Cury na frente, nós três atrás. No caminho para o hotel, João falou sobre um determinado prédio histórico, se não me equivoco, onde há algum tempo atrás funcionou uma Universidade, afirmando que ficava do lado oposto ao estádio. O motorista disse que João estava enganado, que o tal prédio ficava ao lado do estádio. Jorge Cury, que adorava provocar João, pediu que ele se mancasse e não discutisse com um motorista profissional e, local.

O motorista se encheu de gás e disse que era meio que uma ofensa discutir este assunto com ele, motorista há mais de vinte anos e, sempre em Londrina. Enquanto Cury morria de rir, João, já emputecido, se dirigiu ao motorista, dizendo: “Se você tem tanta certeza, vamos fazer uma aposta. Se o prédio estiver onde você diz estar, pago sozinho a corrida e, em dobro. Se estiver onde afirmo estar, a corrida é de graça”. Aí, Cury riu mais ainda, dizendo tratar-se de uma verdadeira barbada para o motorista, que após rodar por 20 minutos, quase perdeu a cor ao se deparar com o prédio exatamente onde João disse que estava. Cury agora ria de alegria, pois a corrida havia ficado de graça e, como gostava ele de uma moleza…

João, todo prosa, contou a história para Deus e o mundo, sempre chamando a mim e ao João Fogueira como testemunhas. Contei este fato para dizer que, além de tudo, da genialidade, João tinha memória fotográfica. Se fosse espião seria melhor do que o agente 007.

E, por falar em James Bond, a mais britânica sacada de todos os tempos foi de um brasileiro. Entrevistado pela BBC, João teve que ouvir de companheiros ingleses que o futebol sul-americano era violento e praticado por bandidos. João ouviu, e sem perder a elegância, disse: “Bandidos são vocês ingleses. A Scotland Yard ficou famosa prendendo freiras?” A entrevista terminou aí e, entrou para a história do jornalismo mundial.

João sempre foi um apaixonado pelo craque, embora tenha sido sempre elegante – menos em uma oportunidade, que depois eu conto – a ponto de jamais afirmar que um determinado jogador era ruim, era perna de pau. Preferia dizer que, “mais uma vez, fulano de tal, não esteve em uma tarde inspirada…” O craque era a sua paixão. João, na primeira convocação como treinador da Seleção Brasileira, no estúdio da TV Continental, em Laranjeiras, além de convocar, escalou o time titular. Esta matéria que fiz com ele, não dá para esquecer. Foi em 1969, ano em que eu começava na Rádio Tupi e, honrado, fui escalado por Doalcey Camargo para esta adorável missão. A tese de João Saldanha, de que futebol é momento e, a de que compete ao treinador encontrar um jeito de colocar os melhores em campo, está viva até hoje na cabeça de cada torcedor brasileiro.

A única vez que João deixou de ser elegante, foi genial. Em uma excursão da Seleção Brasileira pela Europa, em Cardiff, onde vários jogadores estavam estreando. O primeiro tempo terminou, fiz as reportagens e retornei para o Cury. Ato contínuo, com aquele vozeirão, anunciou: “e agora, com vocês, o comentarista que o Brasil inteiro consagrou”… Vinhetinha… João Saldanha… – antes de continuar, quero chamar a atenção de todos com relação a hábitos e costumes da época, onde ninguém imaginava falar um palavrão no rádio que, era mesmo nas transmissões esportivas, um veículo cerimonioso –  Muito bem, aí, o João sai com essa; “Meus Amigos… Vocês estão querendo saber o que eu achei dos novatos na seleção? UMA BOSTA!!! UMA BOSTA!!!”

Não acreditei no que estava ouvindo. Saí comentando com todos os companheiros de outras rádios e, o pior é que ninguém acreditava que fosse verdade.

Em 1983, a Klefer foi fundada e, a nossa primeira ação foi uma integração nacional através do Rádio e, via Embratel, “ao vivo e a cores”. Os grandes astros do futebol: João Saldanha, Jorge Cury, Zico, Sócrates, Falcão, Armando Marques, Raul, Carlos Alberto Parreira, Gérson “Canhotinha de Ouro” e Carlos Alberto Torres, viviam no nosso estúdio, na Glória, montado pelo genial Formiga, craque das carrapetas.

O estúdio, na realidade, era parte da nossa sede, pequena, mas aconchegante. O maior freguês foi o João, que adorava ir pra lá e ficar jogando conversa fora e, quantas e quantas vezes tirou uma soneca após o almoço, num sofazinho que ficava no corredor… Ali, conversamos muito sobre tudo que se possa imaginar, inclusive futebol. Johnny, para mim, como aprendizado de vida, foi primário, ginásio, clássico, faculdade e mestrado. Mestre de vida, de bola. Mestre de mundo…

Sem medo de errar, e certo de que não estou cometendo nenhuma injustiça, João Saldanha, o nosso Johnny, foi o mais carismático ser com quem convivi. E, aprendi. Muito!!!

Ia contar a história da baianinha do Acarajé, a linda Maria. Fica para outro post.

Valeu, João!!! Nos seus 100 anos, a alegria por ter tido o privilégio de ter convivido com você é toda nossa…

VIVA JOÃO!!! VALEU, JOHNNY!!!… Um dia nos encontramos… Tomara!!!

 

Indo e, bem!!!

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

O que imaginamos aconteceu. Um time bem armado, em casa, jogando o que se esperava. Resultado: Flamengo 2 x 0 São Paulo.

Tenho a clara impressão de que Zé Ricardo começa a ter um domínio geral da coisa. Do time, do elenco e dos campeonatos que disputamos. Hoje, acertou tudo, a começar pela escalação.

A partir da próxima rodada, o que vai valer será a perseguição ao líder do campeonato. Os pessimistas que me desculpem, mas não vejo como, entre Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, não beliscarmos pelo menos um título. E, qualquer um deles, novamente, nos colocará na Libertadores, sendo que, no Brasileiro, o critério é ainda mais favorável.

Ainda me desculpando com os pessimistas, acho que o nosso jogo de hoje, somado a tudo que temos visto, deixa claro que somos sérios candidatos ao título. Só não vê quem não quer ou, quem torce contra.

O ambiente do nosso “alçapão”, realmente, é espetacular! O lance do aconchego, aproximando o torcedor do time, é o céu. Paraíso para quem é de casa e, inferno para quem tem que jogar contra. Ao contrário do ano passado, onde viajávamos como mandante, agora mandamos como mandante e, sem pegar avião…

As notas, as atuações, deixo com vocês. Vou aqui arriscar: Hoje, começou a caçada a quem está na frente. Levo enorme fé no caçador…

Aposto todas as minhas fichas no caçador. MEENGOOOOO!!!!!!!

* Este post é dedicado a Márcio Reis, fundador da Fla Angra (junto com nosso querido amigo Carlos Egon), que hoje nos deixou. E, em dia de vitória e de alegria…

Chegando…

Machado fez gol contra aos 32 minutos do segundo tempo (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

O Grêmio, “abusado”, foi jogar em São Paulo – o jogo foi no Pacaembu – contra o Palmeiras, com um time “alternativo”. O Palmeiras, inteiro, venceu o jogo pelo placar de 1 a O e, só saiu vencedor graças a um esdrúxulo gol contra.

. O jogo foi, surpreendentemente, quase igual, sendo decidido na infelicidade do volante gremista, que se enrolou todo e fez contra. Para que se tenha uma ideia do quanto o futebol anda nivelado, Fernandinho – aquele mesmo que andou por aqui – foi a principal peça ofensiva do time gaúcho.

O Palmeiras, um time bem arrumado. Ponto!

De certa forma, para o Flamengo foi um bom resultado, pois, em caso de vitória neste domingo sobre o São Paulo, ficaremos distantes somente dois pontos do vice-líder, que é o Grêmio.

Neste momento, a situação é a seguinte:

  1. Corinthians – 26
  2. Grêmio – 22
  3. Palmeiras – 19
  4. Flamengo – 17

E o nosso Zé Ricardo, em fase inspirada, escala o time como se esperava: Thiago; Pará, Réver, Rodholfo e Trauco; Márcio Araújo, Cuellar, Diego e Éverton; Éverton Ribeiro e Guerrero.

Após a boa atuação de Berrío no último jogo, houve quem defendesse a titularidade do colombiano. Conclusão com sopro do imediatismo e falta de memória dos outros jogos. E, sem falar no altíssimo investimento em Éverton Ribeiro.

Zé Ricardo escalou quem tinha que ser escalado.

E o Internacional, hein? Perdeu, em pleno Beira Rio, para o Boa. Tenho a impressão de que o Inter, até aqui, faz a pior campanha dos times grandes que caíram para a segunda divisão. Como a segundona não é – e nunca foi – a nossa praia, vamos ficando por aqui.

Um domingo, segundo a meteorologia, com chuva e, pintado de vermelho e preto. Só, de vermelho e preto!!!!