Será que o errado sou eu?

(Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

Levei um susto lendo uma matéria no Globo.com, em que um dirigente do Grêmio, com delicadeza, dizia que iria tentar incomodar o treinador Renato Gaúcho, o mínimo possível, no seu período de férias e, que prometia não tomar muito o tempo do treinador, caso alguma consulta sobre a formatação do elenco fosse necessária.

Aquilo foi uma cacetada em tudo que vivenciei profissionalmente, pois há profissões que são verdadeiras exceções, que fogem ao lugar comum e que requerem uma certa dose de sacrifício, muito embora isto nada represente quando se faz por amor.

Trabalhei como repórter durante um belo tempo da minha vida. Nunca tive sábado, domingo e, feriado. Não doeu nada, pois eu amava o que fazia. Aquilo para mim não era trabalho, era prazer, com extrema responsabilidade.

E, quando há amor, quando há sinergia, tudo se resolve, como por exemplo a convivência familiar. Exemplo? Klebinho e Dudu esperavam terminar minha última participação noturna radiofônica, que era o “Esporte no Ar”, na Rádio Globo, para irmos jogar bola na Lagoa, de onde saíamos suados para o Aurora, em Botafogo, onde eles tomavam suco, e eu, minha “papinha”…

Querem saber qual é o período mais importante para um treinador? É este que começou hoje!!! Esta é a hora de começar de forma objetiva a montar o elenco para o ano seguinte e, como todos sabem, isto requer inspiração e transpiração, o que demanda tempo e concentração total.

Claro que haverá um momento em que quem participa deste processo vai começar a pensar em mudar de vida, pois, inegavelmente, requer sacrifícios, inclusive o familiar, porém, enquanto se está dentro do processo, é mergulhar de corpo e alma, até porque, este é o fio da meada para futuras grandes alegrias, inclusive de ordem financeira. Portanto, não consigo entender como no futebol, por mais importante que seja o treinador, possa ele julgar um fardo abrir mão de um período de férias em favor do futuro que está logo ali…


(Foto: Rubens Chiri / Divulgação Saopaulofc.net)

O treinador do futuro muito próximo

Dando seguimento ao tema, mudando um pouco a direção do barco.

Conversando com queridos amigos – e, alguns deles, rigorosamente do ramo – levantei a seguinte tese e, claro, pensando em Flamengo.

Já é hora de, com extrema responsabilidade, começar a se preparar para ter um treinador que fuja ao lugar comum. Não que o “lugar comum” seja ruim, muito pelo contrário, só que o “lugar comum”, também faz aniversário…

Quais são os treinadores consagrados, em atividade que, podemos nós ou, qualquer clube, contratar? Felipão, Renato Gaúcho, Mano Menezes, Dorival Junior, Levir Culpi, Abel? Pois é… Convido para uma reflexão e, de cara, ante a idade dos aqui mencionados e seus compromissos já assumidos, fica mais do que claro que, mais dia, menos dia, a renovação será inevitável.

Não para fazer o que a direção do Flamengo fez, efetivando como treinador alguém completamente fora do contexto da bola, sem nunca ter tido qualquer identificação com este mundo. Digo isto para lembrar que há no mercado um treinador começando a carreira, porém, com uma baita vivência e, vitoriosíssima carreira.

Estou me referindo a Rogério Ceni que, em sua longa trajetória como jogador, foi um grande vencedor e, de tudo que se possa imaginar no futebol. Campão Paulista, Brasileiro, da Copa Libertadores, do Mundial, onde foi protagonista e, campeão do mundo pela Seleção Brasileira. Antes que alguém do contra diga que foi campeão do mundo pela Seleção sem ter jogado uma única partida, respondo, com uma pergunta: “e a experiência acumulada, não vale nada?”.

Rogério Ceni errou ao começar no único lugar onde não deveria, pois no São Paulo foi um grande ídolo e, isto ao invés de ajudar, estava na cara que atrapalharia. Com humildade, foi encarar o batente no Nordeste, onde se viu ante um enorme desafio e saiu vencedor, colocando o Fortaleza na primeira divisão e conquistando o título da segunda, divisão, com quilômetros de pontos de diferença para as outras três equipes que subiram.

Paralelo a tudo que aqui coloquei, Rogério é um líder na acepção da palavra, de um nível cultural muito acima da média e, com um tesão descomunal em vencer.  Em síntese, vejo Rogério Ceni como a melhor expectativa neste mercado da bola. Fosse ele uma empresa, compraria todas as ações que pudesse. Fosse eu presidente do Flamengo, o contrataria, ontem!!!

E, antes que alguém do contra afirme que Rogério já renovou com o Fortaleza, respondo com uma máxima; “Isto aqui, é Flamengo!!”

Com susto e sem zebra

Júlio César defende pênalti decisivo. (Foto: Magalhaes/JR)

Estava em dúvida sobre que jogo assistir na rodada da degola. Meu afilhado Roger Flores sugeriu o jogo do Vasco que, para ele, seria mais animado. E, ainda argumentou que a Globo centralizaria a transmissão em Vasco x Ceará, entremeando com os principais lances de Fluminense x América Mineiro.

As emoções ficaram guardadas para o segundo tempo, em especial, após o gol do Sport, pois se o Vasco levasse um, estaria rebaixado. Por este jogo, o Vasco mereceu permanecer, pois perdeu dois gols, enquanto que o Ceará, perdeu um.

E o Fluminense, hein? O herói foi o goleiro Júlio César que, até pênalti pegou. Após oito jogos sem marcar, no momento perfeito, pintou o gol da salvação.

Enfim, os dois cariocas se safaram. Pode até neste blog rubro-negro não ser “politicamente correto”, mas prefiro ser honesto comigo mesmo e afirmar que entendendo o drama, torci para Fluminense e Vasco não serem rebaixados. Não vejo nenhuma graça quando um grande clube cai para a segunda divisão.

Hoje, ouvindo algumas opiniões no rádio sobre o ano rubro-negro, deu vontade de entrar no ar para dizer que o papelão deste ano sem nenhum título pode ser resumido da seguinte forma:

1 – Liderança institucional, nota zero.
2 – Liderança no departamento de futebol, nota zero.
3 – Competência na condução do departamento de futebol, nota zero.
4 – Contratações, nota zero!!!

De bom, só a nossa torcida. Nota 1.000!!!

Que 2019 chegue rápido e que as lambanças não sejam repetidas.

Despedida triste

(Foto: Staff Images / Flamengo)

No final do ano passado, enviei mensagem ao presidente Eduardo Bandeira de Mello, lembrando que deveríamos ter toda atenção com relação à confecção da tabela para o Campeonato Brasileiro de 2018, pois durante dois anos seguidos o Flamengo jogou a última partida fora de casa, quando o critério era no sentido de que houvesse sempre o revezamento.

A CBF entendeu o pleito rubro-negro como justo e, divulgou a tabela, com o Flamengo fazendo o último jogo em casa, exatamente este, contra o Atlético Paranaense.

O que todos nós sonhamos foi fazer deste jogo uma festa, mas comemorando o título em casa, no calor da nossa torcida. Infelizmente, não disputamos o título neste jogo e, tão pouco pudemos comemorar uma simples vitória no último jogo da temporada.

Primeiro tempo, com leve predomínio do Flamengo, que saiu em vantagem em gol de cabeça de Rhodolfo, em falha do goleiro do Atlético Paranaense.

Em escalação política, visando encontrar um lugar para Paquetá, o time entrou em campo sem um único jogador de ataque veloz que, o nosso morno treinador tentou consertar, colocando Berrío em campo. Só que errou tirando Éverton Ribeiro, quando deveria ter sacado Uribe, mais uma vez, de uma nulidade impressionante.

Aliás, além de não contribuir como atacante, falhou no início da jogada do primeiro gol do time paranaense. Na transmissão, o locutor Gustavo Villani indagou ao baita comentarista Lédio Carmona onde o Flamengo deveria se reforçar para 2019. Lédio citou as laterais, um meia para o lugar de Paquetá, e um atacante. Se a mim fosse feita esta pergunta, não titubearia em afirmar que, prioritariamente, precisamos de um senhor atacante. Duro é depender de Uribe…

Erramos muito na formatação do elenco. Comentava durante o jogo que duvidava que, no Madureira, no Olaria ou no Bonsucesso, não se encontre um jogador igual ao paraguaio Pires da Mota… e, infinitamente mais barato…

Que os erros cometidos pelos “gênios” do departamento de futebol não sejam repetidos no ano que vem.

Muito ruim, no último jogo do ano, ouvir o Maracanã inteiro chamar o time de sem-vergonha.

Vida que segue. E, já lembrando que, o Flamengo, pelo erro da CBF, tem o direito de, em 2019, também fazer o último jogo em casa. Tomara que seja para a torcida gritar “é campeão” e não, “time sem-vergonha”.

Feliz 2019!!!

Torcida campeã

(Reprodução da internet)

Um ano de absoluta falta de sintonia com os títulos, dentro das quatro linhas e, uma perfeição nas arquibancadas.

A perfeição foi a nossa torcida, que foi muito além do que lhe competia. Fez o dela, com juros e correção monetária, colocando o Flamengo no topo, com distância quilométrica para o segundo colocado.

Não apurei, mas tenho a impressão de que a nossa torcida deve ter batido o recorde de presença de público neste Campeonato Brasileiro. Meu amigo Michel Assef sempre disse que o que o Flamengo tinha de melhor era a sua torcida. E vem dizendo isso faz um tempão…

Imaginar que neste jogo de despedida, contra o Atlético Paranaense, teremos mais de 70.000 torcedores no Maraca. Realmente, de se tirar o chapéu!!! Que torcida é essa…

Se este amor verdadeiro reinasse nos gabinetes, com certeza absoluta, teríamos comemorado muitos títulos este ano.

Agora mesmo, ao invés das chapas se unirem e trabalharem juntas no que fosse comum entre elas visando 2019, o desamor os afastou e a torcida e o Flamengo pagam a conta.

Renato, já era, embora fosse o alvo das duas chapas. Nunca tudo foi tão fácil e, nem assim, o objetivo foi alcançado. Aliás, muito parecido com tudo que aconteceu dentro de campo, onde apesar de parecer possível ou, até mesmo, fácil, a vaca viveu indo para o brejo o ano todo, campeonato a campeonato…

Infelizmente, a crise da falta de talentos de que Paulo César Caju tanto fala, vai além das quatro linhas. Fora dela, no nosso caso, é pior ainda.

Enfim, vamos comemorar o que temos de melhor. Viva está torcida única, comovente, apaixonada, inigualável!!!

Complexo de vira-lata

(Reprodução da internet)

Mais do que nunca, estou curioso para saber a opinião dos amigos do blog, brasileiros e, consequentemente, sul-americanos, sobre a decisão da CONMEBOL, sob o pretexto de “latinidade”, marcando a decisão da Copa Libertadores da América, entre Boca e River, para a cidade de Madrid.

O que quero aqui colocar é muito mais um sentimento do que propriamente uma opinião. Como sul-americano o meu sentimento é de vergonha!!! É isto mesmo. Vergonha!!! Como é que o mais importante título entre clubes, restrito ao continente sul-americano, terá a sua principal partida, a decisiva, realizada em solo europeu?

Como é que uma Confederação Sul-Americana de Futebol, mais conhecida como Conmebol (nome horroroso) não tem a capacidade de organizar uma partida na Argentina, alegando problema de segurança?

O meu sentimento é de impotência, de vergonha, ao ver o quanto somos pequenos, submissos e, de forma grosseira, assumindo a condição de vira-latas, também no futebol.

E, imaginar que o futebol era até então uma raridade, pois através dele, falávamos de igual para igual com quem quer que fosse, inclusive com os europeus.

Esta Conmebol avacalhou de vez o futebol sul-americano, passando um atestado de incompetência jamais visto, apequenando nossos clubes e toda e qualquer pessoa envolvida neste processo, inclusive os torcedores.

Como já aqui afirmei, o futebol está sendo conduzido por quem não o ama e não o respeita.

Urge uma revolução, uma “Lava Jato” sul-americana no mundo da bola. E, o mais rápido possível, antes que seja tarde demais.

No fundo do poço

Estádio Monumental de Nuñez (Foto: Xinhua/Martín Zabala).

Quando não há autoridade, nada caminha bem. Desde o último sábado estamos sendo testemunhas da mais absurda página na história do futebol sul-americano que, por absoluta falta de autoridade e competência, o que poderia ter sido um momento épico, acabou se transformando na maior vergonha do mundo da bola no nosso continente.

Ainda no sábado, após a selvageria nas ruas de Buenos Aires – e a covarde emboscada sofrida pelos jogadores do Boca Juniors – o que vimos pela TV? Os presidentes de Boca e River, num entra e sai sem fim dos vestiários, e a cara de pastel do presidente da Conmebol, sem saber o que fazer e dizer. Isto sem falar no presidente da Fifa, também atônito, afirmando que não haveria clima para um novo jogo.

Impressionante a diferença dos dirigentes que conheci no passado e os de hoje. Otávio Pinto Guimarães tinha um lema: “tudo pode, menos o circo parar”. E, com esta filosofia, superou uma greve que os árbitros anunciaram, confirmando a rodada e afirmando que poderia, em último caso, recorrer até a torcedores para que os jogos tivessem árbitro e dois bandeiras. Como foi firme, o problema foi resolvido.

A Federação do Rio tinha um líder na acepção da palavra e, um líder que AMAVA futebol. Hoje, tenho sérias dúvidas com relação ao real interesse de certos dirigentes, pois não é difícil detectar que se vestibular houvesse, em que o tema fosse, exclusivamente, futebol, uma quantidade significativa de cartolas levaria pau.

Direto ao tema. A Conmebol anuncia que o segundo jogo entre River e Boca será disputado no dia oito ou, nove de dezembro e, não será na Argentina, havendo três opções, a saber: Miami, Doha e Assunção. Paralelo a esta informação, o presidente do Boca diz que o seu time não entra em campo enquanto o River não for julgado pelo tribunal da Conmebol e, arremata, reivindicando o título de campeão da Libertadores.

Mais uma vez, fica claro que o problema reside em liderança, em autoridade e, óbvio, em conhecimento de causa. Não caberia outra medida ao presidente da Conmebol se não a de convocar, em caráter de urgência, o seu tribunal, julgar o River e, em função do resultado, tomar as providências cabíveis, até porque, não sendo punido, por que motivo o River aceitaria jogar em qualquer estádio que não fosse o seu?

Não julgar o River e acenar com a possibilidade da decisão da Libertadores, entre dois clubes argentinos, ser realizada em Miami, Doha ou Assunção, é coisa de maluco. Enfim, o futebol está entregue a quem com ele não tem nenhuma sintonia. Pena que os clubes sejam tão desunidos e que, tenham como limite de visão os seus próprios umbigos. A inconsequência está passando do ponto. O futebol precisa reagir.

Vergonha, genialidade e deca(?)campeonato

(Reprodução da internet)

O maior mico de toda história do futebol Sul-Americano, em todos os tempos, vai para… CONMEBOL!!!

Que vergonha a pantomima que o mundo assistiu. Sim, o mundo! A própria CONMEBOL batizou a decisão da Libertadores como a mais importante do planeta e, como todos sabem, quanto maior o peso, pior a queda…

Que coisa ridícula, desumana, incompetente, inconsequente, fazer aquele público superior a 60.000 pessoas, ficar quase cinco horas no estádio, como se cordeirinhos fossem, ouvindo pelo sistema de som do estádio mentiras sucessivas. Quanta falta de bom senso, quanta falta de liderança, quanta irresponsabilidade…

E para fechar com chave de ouro o maior festival de lambanças do futebol, o jogo confirmado parado domingo foi substituído por uma reunião, na terça, no Paraguai… Cada dia que passa, chego à conclusão de que o futebol está sendo dirigido por quem nada tem a ver com ele. QUE VERGONHA!!!


(Foto: Staff Images / Flamengo)

GENIALIDADE do final de semana ficou por conta de Éverton Ribeiro. Dois golaços que merecem, não um pedido musical, e sim, um LP inteirinho…

Sempre achei Éverton Ribeiro muito bom jogador. Chegou fora de sintonia e quando se aprumou, foi melhorando jogo a jogo. Este é o tipo de jogador precioso para o futuro, pois ainda está com uma boa idade e quer ficar por aqui.

O time foi bem, onde – tirando Uribe, que novamente inexistiu – não há como dizer que todos não tenham jogado uma boa partida.

César, muitíssimo bem. Que jogo!!! Sistema defensivo, desfalcado de Réver, dando conta do recado. Destaque para Pará. É isso mesmo, por incrível que pareça. Daí para frente, todos acima da média, menos Uribe e, um em dia de gênio, no caso Éverton Ribeiro.

Paquetá, pelo jeito, está com o corpo aqui e a cabeça na Itália. A primeira alteração deveria ter sido a entrada de Berrío, no lugar de Uribe. Enfim, terminamos em segundo neste Campeonato Brasileiro.

Resultado bom, levando-se em conta, matemática e retrospecto. Resultado ruim, para o tamanho do investimento e da expectativa criada.


Vi as faixas palmeirenses de DECACAMPEÃO BRASILEIRO. DECA não são dez campeonatos? Pois é. Só consigo contar seis títulos do Palmeiras.

Este é um bom tema. Estão confundindo Campeonato Brasileiro, com título regional e nacional. Campeonato Brasileiro só há um e, começou em 1971. Para saber quantos títulos foram conquistados por um clube, é só começar a contar a partir deste ano. Simples assim…

Campeonato, se ganha com a bola nos pés e não com uma caneta na mão.  Neste ano, como contestar um título de uma equipe que somou o maior número de pontos, mais vitórias teve, maior número de gols marcados e menor de gols sofridos?

Parabéns a todos os Palmeirenses. Pra lá de merecido. O “velhinho” de 72 aninhos papou todos os “professores jovenzinhos”…e, pelo jeito, após bater recorde de jogos invictos, Felipão deve terminar este Campeonato Brasileiro como o único treinador que não perdeu. Para isto, basta vencer ou empatar contra o Vitória, no último jogo.

Felipão deu a volta por cima. Adeus, 7 a 1. Ficou no passado…

 As interrogações Rubro-Negras

(Reprodução da internet)

1 – Renato Gaúcho ou Abel?

Talvez resida nesta interrogação a maior demonstração do quanto o clube está desunido, o quanto o aspecto político e a vaidade conseguem superar o real interesse do Flamengo.

No post anterior, respondendo ao companheiro de blog e ferrenho rubro negro, Nino, afirmei e, aqui reitero, achar um absurdo, sendo Renato Gaúcho a meta das duas chapas, que não tenha havido um entendimento entre elas para uma negociação imediata com o representante do treinador. Partindo-se da premissa de que qualquer planejamento para 2019 passa obrigatoriamente por quem vai dirigir o elenco, nesta indefinição estamos perdendo um tempo precioso.

Observação feita, vou chutar a bola que acabo de levantar. Esta é uma bela dúvida, pois são dois treinadores compatíveis com o tamanho do Flamengo, o que torna qualquer opinião, seja qual for, defensável. À primeira vista, até pelo fato de estar mais em evidência, o nome de Renato Gaúcho parece mais atraente, pois Renato poderia produzir um duplo resultado. No campo de jogo e no marketing.

Ao contrário do que muitos companheiros aqui afirmaram, no sentido de que o valor que Renato pediria para dirigir o Flamengo poderia inviabilizar a negociação, acho que as pedidas de um e de outro serão muito próximas. Que ninguém se engane quanto a isso…

Em síntese, vai valer a convicção de quem vai comandar o clube e, em hipótese alguma, seja quem for o eleito, deve abrir mão de sua convicção.


(Foto: Gilvan de Souza)

2 – Diego Ribas?

A criação é a maior carência do futebol mundial. Encontrar um jogador habilidoso, criativo e decisivo, é como fazer seis pontos na loteria. Como o Flamengo já perdeu Paquetá e, não há nenhum anúncio de reposição ao menos de nível parecido, não procurar Diego propondo uma renovação de contrato, por pelo menos mais uma temporada, considero uma baita falta de sensibilidade. E que seja rápido, pois a fila anda…


(Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)

3 – Diego Alves?

Sem essa de se argumentar que há um problema de grupo. A partir da apresentação em 2019, será vida nova, com novo presidente, nova diretoria e novo treinador. Portanto, vida nova, onde o que passou, passou…

Com todo respeito às últimas atuações de César, jamais abriria mão de Diego Alves, pois o considero muitíssimo acima da média dos goleiros em atividade no Brasil. E, sempre é bom lembrar que, como dizia minha avó Corina, “quem tem um, não tem nenhum”.


Lomba e Landim durante debate realizado no Flamengo (reprodução da internet).

4 – Landim ou Lomba?

Esta é uma indagação que me incomoda. A proposta da Chapa Azul era transformar o conceito, saindo a figura centralizadora do presidente, entrando pra valer uma equipe de altíssimo nível. E, deu certo! E é bom lembrar que o somatório das chapas, roxa e rosa, de hoje, nada mais é do que a chapa azul, de ontem. Gente séria, criativa e competente, cada um no seu cada um, encontrando as soluções para os vários Flamengos.

Na chapa rosa, vejo como aspecto negativo o radicalismo do Só Fla. Falo de cadeira, pois fui vítima de um grupo que sequer sabe quem eu sou e que jamais teve sequer o interesse em se aprofundar no tema para que tivesse uma opinião abalizada.

As formações de grupos que, na realidade, ocorrem em função das afinidades pessoais ou clubísticas, são absolutamente normais. Complicado é se criar um clube, dentro do próprio Flamengo. Por melhor que sejam as intenções, isto é inaceitável. Como esta turma é composta por gente jovem e, claro, um dia muitos deles responderão pelo clube, a esperança é que amadureçam e entendam que o Flamengo não é deles, como nunca foi de ninguém. E que sejam, ao menos, menos radicais e um pouquinho mais sensíveis, amistosos e justos.

Já na chapa roxa, vejo como problema o nome do vice-presidente. E, se Landim não puder, por qualquer motivo que seja, terminar o mandato?

Como sou fissurado pelo talento, leva a chapa roxa, neste item, uma grande vantagem, pois contará com a genialidade de Luiz Eduardo Batista, o BAP. Polêmico, é verdade, mas que liderança, tão flagrantemente brilhante, foi unanimidade? O talento, a alguns, incomoda…

Como a eleição será no dia oito de dezembro, há tempo para pensar e definir o voto.

Para refletir

O Flamengo é finalista da Copa do Brasil sub 17. O primeiro jogo, em Santos, 1 a 1. Em Nova Iguaçu, com um gramado perfeito, novo empate e, pelo mesmo placar. Nos pênaltis, o Flamengo eliminou o Santos e a final será contra o Fluminense, que superou o Palmeiras (veja o último pênalti e a comemoração da garotada no vídeo acima, publicado na conta oficial do Flamengo no Twitter).

Claro que torci e fiquei feliz com a classificação para a final, porém, um detalhe muito me chamou atenção. Estou impressionado como hoje em dia, até a garotada demonstra um egoísmo preocupante. O Flamengo, mesmo com dez jogadores no segundo tempo, poderia ter vencido e, isto só não ocorreu em função de, em três oportunidades, o “farinha pouca meu pirão primeiro” dominar as cabecinhas dos nossos jogadores.

No desespero de aparecer a qualquer custo, os meninos abriram mão do jogo coletivo e, por pouco, em função disso, não perderam a vaga para a final. Em três oportunidades no segundo tempo, tendo um companheiro completamente livre para fazer o gol, o egoísmo falou mais alto, quase comprometendo o objetivo que era a vitória.

Acho que estas atitudes têm muito a ver com as influências ruins. Não deve faltar quem fique buzinando no ouvido dos meninos que o jogo, o clube, o objetivo, enfim, tudo é segundo plano. O negócio é meter gol, pois este é o caminho mais rápido e eficaz para aparecer.

Que as influências do mal existem, não tenho nenhuma dúvida. O que me preocupa, pelo que vi neste jogo, é que não haja um trabalho no sentido de conscientizar a garotada que o futebol é um esporte coletivo, onde o egoísmo não cabe, pois pode contaminar e comprometer o resultado. Tomara que os dirigentes e comissão técnica tenham notado esta aberração e que hajam rápido.

Neste jogo, um lance curioso que eu estava doido para ver. Na cobrança de pênaltis, o jogador do Santos fez a cavadinha e, bem-feita. Só que o goleiro do Flamengo não escolheu nenhum canto para pular. Parado ficou e, com extrema facilidade, fez a defesa. O santista ficou com cara de bobo. Certamente para ele, cavadinha, nunca mais…

Em noite de Diego, vitória pra lá de merecida

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Diego Ribas, tão criticado – e muitas vezes de forma injusta – foi o nome do jogo, em que o Flamengo meteu 2 a 0 no Grêmio. Pra começar, a vitória foi justa, pois até no seu pior momento na partida o Flamengo teve as melhores chances para marcar.

Um primeiro tempo bem superior ao Grêmio, com total domínio do meio campo, onde no ataque apenas Vitinho representava perigo para a defesa do Grêmio. Uribe teve a chance de fazer o primeiro gol e, só não fez por não ter a mínima velocidade necessária para um atacante que veste a camisa de um clube que tem como meta ser mundial.

Se faltou competência a Uribe, sobrou sorte ao colombiano. Imaginei que o time voltaria para o segundo tempo com Berrío no lugar de Uribe, porém, Dorival preferiu não mexer e, quis o destino que, em lance irregular – e em claro jogo perigoso – Uribe abrisse o placar.

Estranhamente, o Flamengo recuou e só voltou a reequilibrar o jogo com a entrada de Berrío, que, com sua velocidade, passou a infernizar a defesa do Grêmio, tendo sido decisivo para o gol de Diego.

César fez uma defesa de cinema, em cabeçada de Geromel. Todo sistema defensivo, muito bem. Meio campo pegador, com Cuellar combativo. Dinâmico com Arão e Éverton Ribeiro e, muito criativo com Diego. Vitinho, bem no primeiro tempo, sumido no segundo. Uribe, em noite de sorte, acarinhado pela arbitragem. Berrío, pela velocidade, sempre útil. Marlos Moreno, que entrou bem, perdeu um gol cara a cara com Paulo Vítor.

Os cinco pontos de diferença continuam. Na próxima rodada, pegamos o Cruzeiro em Belo Horizonte, enquanto o Palmeiras joga contra o Vasco, em São Januário. Pelas circunstâncias, acho a missão do Palmeiras mais complicada.

Na última rodada, pegamos o Atlético Paranaense em casa e, o Palmeiras recebe o Vitória, da Bahia…

Claro que é improvável o Palmeiras deixar escapar o campeonato. A única esperança é que o improvável adora o Futebol.

Segue abaixo a avaliação do nosso querido amigo Carlos Egon Prates ao desempenho do nosso time. Como sempre, com ótimas tiradas:


Exibição de gala! Sem dúvida alguma o melhor jogo do Flamengo neste Brasileiro…
Imagina a cabeça do Renatão, vendo Dorival Júnior armar um time impecável, como aconteceu hoje.

Durante 90 minutos mais descontos, apenas uma cabeçada do Geromel e uma defesa espetacular do César.

Não resisto! NOTAS PARA OS GAROTOS…

CÉSAR – Mesmo com o peso de substituir Diego Alves, vem garantindo nossas vitórias como a defesa a queima-roupa do Geromel. Irretocável – 9

PARÁ – Descascou cebolinha e comeu sem tempero. Sabendo das virtudes do pontinha, deu uma de Renê. Defendeu mais que atacou – 7

RODOLFO – Faz parte da minha zaga titular. Com ele e Réver na defesa, difícil tomar gols pelo alto – 8

RÉVER – Apesar da idade continua espanando tudo pelo alto. Tem deficiências por baixo, mas por cima é absoluto – 8

RENÊ – O melhor entre os zagueiros. Apesar de ter perdido um gol na cara do goleiro, tudo que caiu pela direita ele engoliu – 8,5

CUELLAR – Aquilo de sempre e sempre bom. Regularidade absurda durante o Brasileiro inteiro. Baita volante de marcação – 8

ARÃO – Sem dúvida alguma o nome do jogo. Achou uma brecha pela direita e mesmo sendo 2º volante, foi um belíssimo segundo atacante – 9,5

DIEGO – Hoje só perdeu para Arão! O velhinho matou a pau e foi premiado com um gol de oportunismo, que fechou o caixão do Renatão – 9,4

EVERTON RIBEIRO – Após algumas partidas em baixa, foi importantíssimo hoje. Muitas vezes puxou nosso contra-ataque além de voltar na marcação – 8

URIBE – O gol e mais nada! A dificuldade desse carinha em acertar passes de 1 metro, é impressionante – 6

VITINHO – Depois que afirmei que era um dos poucos que chutava bem, estou torrando minha língua. A impressão que tenho é que ele não sabe que está jogando pelo Flamengo. O Vitinho que vimos no Botafogo não tem nada a ver com o que está jogando no Flamengo. Dispersivo ao extremo – 4

BERRIO – Entrou cheirando a tinta e numa arrancada deixou Diego na cara do gol. É fundamental puxando um contra-ataque – 8

DORIVAL JÚNIOR – Com certeza não deve ter lamentado a falta do Paquetá.
Armou um belíssimo esquema e não deu a menor chance do Grêmio tocar a bola – 9

Com a vitória do Palmeiras, ficou ainda mais difícil. Mas o prazer de ver o Flamengo jogando como hoje, de certa forma, compensa nossas tristezas durante o ano. Continuo sonhando com os gols perdidos do Paquetá e Vitinho…”

Carlos Egon Prates