Fla gangorra

E a gangorra voltou a parar na parte de baixo e com isso, um domingo triste para a torcida do Flamengo.

Foto: Heuler Andrey/Getty Images

Foto: Heuler Andrey/Getty Images

Um jogo de lances e atitudes pouco comuns. O gol do Flamengo foi de autoria de quem jamais imaginou fazer o gol. Neste caso, a regra é clara, mas, com todo respeito, não é justa. Èverton foi quem teve a intenção de chutar a gol e a bola entraria de qualquer forma, mesmo que não resvalasse em Eduardo da Silva, que acabou ganhando um gol de presente.

Este zagueiro Marcelo, que na sua estreia no Maracanã demonstrou muita afobação, com a sequência dos jogos foi melhorando. Dependendo de uma série de fatores pode até se tornar um bom zagueiro, desde que, para começar, entenda que o futebol exige que a cabeça funcione e, bem. No lance do pênalti, foi afobado e não usou a cabeça. Bastava acompanhar o atacante do Atlético Paranaense e, na pior das hipóteses, aconteceria um escanteio. O carrinho foi muito pouco inteligente. Quando a cabeça não pensa… o Flamengo, dança…

Aos 13 minutos do segundo tempo, também de forma afobada, Vanderlei tirou três jogadores, colocando outros três. Perigoso, pois se houvesse algum caso de contusão o time ficaria inferiorizado numericamente. Se as alterações fossem feitas depois dos trinta minutos do segundo tempo, tudo bem. Jogar quase metade de uma partida sem poder mais fazer nenhuma alteração foi um risco sem a menor necessidade. Por falar nisso, nenhuma das três substituições contribuiu em nada para que o panorama do jogo fosse modificado.

Infelizmente, alguns jogadores que às vezes brilham quando entram no decorrer do jogo, quando começam, não conseguem convencer. Quando muito se esperava do Gabriel, o taco espirrou… e, pelo jeito, Alecsandro, sem ser nenhuma sumidade, vai fazer uma falta enorme. Neste jogo, deu para reparar que Anderson Pico, que parece ser bom jogador, está realmente meio rechonchudo.

Na quarta, já tem o Internacional que hoje escorregou para o Corinthians em Porto Alegre. Curioso este time do Inter. Bom no papel, mas não dá pra confiar. Pelo jeito, restou o São Paulo para tentar chegar no Cruzeiro e, se isto não acontecer, este Campeonato Brasileiro vai virar aquela procissão que conhecemos. Com todo respeito aos que gostam dos pontos corridos, não há comparação entre a Copa do Brasil e o Brasileirão. A Copa do Brasil dá de 10 x 0 em emoção.

Quem foi rei…

Maravilhosa a entrevista de Francisco Horta ao “Redação SPORTV” de ontem e reproduzido, em parte, pelo Globo.com.

Os dois itens mais marcantes foram as sacadas sobre a sapecada que o Brasil tomou da Alemanha por 7 x 1 e a parceria Fluminense/Unimed.

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Foto: Staff Images

Para Francisco Horta, só há uma maneira do brasileiro apagar definitivamente o mico histórico nesta copa do mundo. A solução única é devolver os mesmos 7 x 1, ou placar maior, também em uma copa do mundo. Penso rigorosamente igual e, aqui mesmo neste blog, já falei sobre o tema.

Os 6 x 0 que atormentaram durante anos a torcida do Flamengo, só foi possível ser apagado quando o Flamengo devolveu ao Botafogo o mesmo placar. Naquele momento o pesadelo passou. Com a Seleção Brasileira vai ocorrer o mesmo. A vergonha estará estampada em nossos rostos até que um milagre aconteça. Muito mais fácil foi para o Flamengo, pois jogava contra o Botafogo ao menos quatro partidas todo santo ano. Copa do mundo, é só de quatro em quatro anos… Este mico, tem cara de tatuagem…

O segundo assunto polêmico na entrevista de Francisco Horta foi a parceria entre o Fluminense e a Unimed. Horta, como eu, acha que foi um grande achado para o tricolor. Parceria esta que começou com o Fluminense na série C, o que deixa a parceira Unimed numa posição tranquila ao longo do tempo, pois deu a mão ao Fluminense no pior momento da história tricolor.

Horta acrescenta que, embora favorável à parceria, entende que muitas vezes há um conflito entre o presidente da Unimed, Celso Barros, e o presidente do Fluminense, seja ele quem for. Isto é verdade, mas é um preço muito barato a se pagar, diante do tamanho da importância desta parceria. É aquele tal negócio: não há na vida, seja o que for, por melhor que seja que, não tenha o seu lado negativo. E, a recíproca, é verdadeira…

2015 está chegando

424569_1Acredito que alguns clubes que tenham boas cabeças, já estejam planejando o ano de 2015. Diria até que, quem vai começar agora já está bem atrasado. Localizar as boas oportunidades e “correr atrás” o mais rápido possível, pois alguém pode ter a mesma ideia, é o dever de casa permanente dos dirigentes.

Leio que Paulinho, ex-Corinthians e ex-seleção, não está sequer sendo relacionado para concentrar. Definitivamente, pelo que li, é carta fora do baralho para o treinador do Tottenham.

Jogador deste nível, só é possível se conseguir quando ele está mal lá fora. Portanto, a hora é essa…

Sorteio ou azareio

lottery-174132_1280No mundo da bola, toda vez que há um sorteio, quando se perde, o costume é dizer que não foi sorteio e sim, um azareio. Cada um tem a sua opinião e, na minha, foi sorteio para o Atlético Mineiro e azareio, para o Flamengo.

Pelas circunstâncias do jogo, imaginava como ideal para o Flamengo jogar a primeira partida em Belo Horizonte, hiper fechadinho, jogando no contra-ataque e soprando a decisão para o Maraca, onde a torcida do Flamengo opera o milagre de igualar este time mediano a qualquer timaço de primeiro mundo. Deu tudo errado. O primeiro jogo será no Rio e o da decisão, em Belo Horizonte. Resta agora a esperança na máxima popular: “Deus escreve certo por linhas tortas”…

Jefferson

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

O negócio no Botafogo realmente anda muito estranho. Agora, Jefferson culpa o diretor Wilson Gotardo, afirmando que o combinado era a viagem de volta da seleção ser direta para o Rio. Como o jogo era em São Paulo, concluiu Jefferson que estava dispensado do jogo contra o Santos. A diretoria afirma que enviou e-mail para Jefferson, refazendo o roteiro de viagem, e-mail este que Jefferson afirma só ter lido quando da sua chegada ao Rio. Tudo bem que seja verdade. Pergunta: e não daria tempo de ter ido para São Paulo, que é ali do lado?

Bom não esquecer que Diego Tardelli saiu do aeroporto direto para o Mineirão. Este, definitivamente, não é um problema de programação ou de comunicação. O problema é só falta de comprometimento. Para Jefferson, o Botafogo, que o colocou na seleção e fez dele o melhor goleiro brasileiro, já era…

A preleção de Joel Santana

Reprodução do vídeo da internet

Reprodução do vídeo da preleção

Achei interessante, porém muito curto, o vídeo que vazou na internet em que Joel Santana fazia sua preleção para os jogadores do Vasco. O menos importante é saber o autor do vazamento, até porque, isto poderia causar algum transtorno e prejudicar o bom ambiente que toma conta do futebol do clube. Como em preleção com Joel não é admitido “peru de fora”, (beirinha, qualquer um que não seja do grupo restrito do futebol profissional) tudo leva a crer que o vídeo seja obra de algum jogador. Mas, como dizia antes, isto é o menos importante. O que vale mesmo é a oportunidade que, quem viu teve, de entender a facilidade com que Joel se comunica com o grupo. Não tenho nenhum receio em afirmar que, entre todos os treinadores com quem convivi, Joel foi o melhor comunicador. De certa forma, algumas vezes a nossa imprensa é um tanto quanto elitista, confundindo cultura com eficiência. Joel efetivamente não é um homem culto, porém, compensa e, com sobras, com inteligência, sabedoria, liderança e um extraordinário poder de comunicação. Embora a preleção seja um momento de tensão, pois sempre é realizada momentos antes do jogo, Joel consegue passar tudo que deseja numa mistura de emoção e descontração. Os jogadores, que normalmente acham a preleção uma “mala” (coisa chata), com Joel, a “mala” vira mel…

Pegou mal, Jefferson

Foto: Wander Roberto/VIPCOMM

Foto: Wander Roberto/VIPCOMM

Quartas de final da Copa do Brasil. Caminho mais curto para a Libertadores. Competição que pode salvar o ano de qualquer clube. Competição onde a surpresa é rotina, como se viu no jogo entre Atlético Mineiro e Corinthians.

Ontem, quando apareceu a primeira imagem do jogo em Belo Horizonte, a primeira coisa que vi foi a careca reluzente do Diego Tardelli. Imediatamente me dei conta de que, numa demonstração de profissionalismo e compromisso com uma meta a ser alcançada, os jogadores de Corinthians e Atlético que jogaram pela Seleção Brasileira, mesmo após uma viagem prá lá de desgastante, estavam em campo defendendo seus clubes.

Hoje, leio que, em função da longa viagem, Jefferson, GOLEIRO, que num jogo tem um milhão de vezes menos desgaste do que um atacante como Tardelli, e dois milhões de vezes menos desgaste que um meio-campo como Elias, não vai jogar uma partida que é decisiva para o Botafogo. O jogo é difícil? Claro que é.  O Santos é favorito? Óbvio que é. Só que nesta Copa do Brasil, como diria o saudoso e querido companheiro Afonso Soares, “muita noiva volta do altar”. Em síntese, nesta competição tudo é possível, desde que os jogadores tenham vontade de jogar. Parece que não é o caso de Jefferson. Papelão!!!

O futebol também dá voltas

Foto: Agência Estado

Foto: Agência Estado

Há algum tempo, todos os analistas criticaram a contratação de Alecsandro pelo Flamengo. No embalo, a própria torcida rubro-negra fez o mesmo, insatisfeita e, com razão, com as atuações nada convincentes do atacante.

Com a chegada de Vanderlei, o panorama começou a mudar para o Flamengo e, no embalo, também para Alecsandro. Não é que tenha ele se transformado em um novo Ronaldo Fenômeno, mas toda vez que, por um motivo ou por outro, não jogava, taticamente o time sofria as consequências. Com Vanderlei, passou ele a ser o primeiro “bote” ao adversário que, em função da combatividade do centroavante rubro-negro, tinha dificuldade na saída de bola. Não há como negar que, apesar de não ser o atacante dos sonhos da torcida do Flamengo, Alecsandro, ao seu modo, estava ajudando, e ajudando muito, com seu espírito combativo e guerreiro.

Faço questão de abordar o tema desta forma para dizer que, quando um jogador não me agrada no Flamengo, o meu primeiro sentimento é de torcer para que esteja eu errado. Infelizmente, tenho acertado muito mais do que errado, mas desta vez, com muita alegria afirmo que errei. Alecsandro não é o perna de pau que um dia julguei. Vai fazer falta. Muita falta.

Copa do Brasil

Foto: Staff Images

Foto: Staff Images

FLAMENGO x AMÉRICA DE NATAL
Jogo difícil, como será sempre para o time de Vanderlei quando o adversário jogar trancadinho sem arriscar muito e, consequentemente, anular a maior, ou única, arma eficiente do Flamengo, que é o contra-ataque. O árbitro foi extremamente severo na expulsão de Marcelo e, mesmo não sendo uma Brastemp, Alecgol, se ficar de fora no próximo jogo, vai fazer falta. Quem entrou muito bem no jogo foi Gabriel, o único a arriscar o drible. Criou a jogada e fez o gol da vitória.

ATLÉTICO x CORINTHIANS
Há determinados jogos em que o fator sorte é decisivo e, este jogo entre Atlético e Corinthians foi um deles. Melhor para o Atlético que foi quem a dona sorte escolheu. Em dois, dos quatro gols do Atlético, a bola desviou em alguém para entrar. Este jogo me fez lembrar Flamengo x América do México, no Maracanã. Nos três gols dos mexicanos a bola desviou em alguém para enganar o goleiro e entrar. Futebol é isso aí… Tudo pode acontecer.

FLAMENGO x ATLÉTICO
O bicho vai pegar. Tomara que no sorteio o Flamengo faça o segundo jogo no Maraca. Acho que a cota de sorte do Atlético esgotou hoje.

Neymar e Zico

Foto: Gazeta Press

Foto: Gazeta Press

Em qualquer jogo, seja contra quem for, um mesmo jogador fazer quatro gols é de se tirar o chapéu, quanto mais jogando pela Seleção Brasileira. Realmente, este Neymar é um privilegiado e seu futebol é tão simples, como competente e plástico. Dos jogadores que pela seleção fizeram quatro gols, ele foi quem atingiu a marca com a menor idade. Neymar tem 22 anos. Para que se tenha uma idéia de como não é simples tal feito, neste item, Pelé, o rei do futebol, ficou devendo. As duas maiores proezas, foram de dois rubro-negros. Evaristo de Macedo, que marcou cinco gols em uma única partida e o nosso Zicão, que marcou quatro gols num mesmo jogo, em duas oportunidades. Contra a Bolívia, em 77, e em 81, contra o Eire. Vi estas duas façanhas ao vivo e a cores…

Falo nisso e volto no tempo. Nunca em toda a minha vida torci tanto por alguém. Era tão apaixonado pelo talento do Galo que, se o Flamengo vencesse e não houvesse ao menos um golzinho dele, a vitória não tinha o mesmo sabor. Por isso, por experiência própria e, por me julgar minimamente conhecedor do espírito rubro-negro, afirmo que é um crime contra o patrimônio não se tentar trabalhar no sentido de se encontrar um ídolo para o clube mais popular do país. Se for prata da casa como Zico, melhor. Se não, que se procure. Há clubes com outras características, onde a presença do ídolo é relativa. Não para o Flamengo, que necessita de alguém que seja o elo entre a instituição e a Nação. Que seja o porta-bandeira, conduzindo o Manto sagrado e arrastando a multidão. O ídolo, num clube popular, é o clube em carne e osso.