Flamengo e Seleção

(Foto: Peter Cziborra / Reuters)

Clássico é clássico e não há amistoso quando existe rivalidade. Este jogo em que a Seleção Brasileira venceu a do Uruguai por 1 a 0 teve recorde de faltas, fartíssima distribuição de cartões amarelos e um gol ilegal da nossa Seleção.

No gol de pênalti, marcado por Neymar, houve claro toque de Richarlison na origem da jogada. Gaciba, comentando no Sportv, foi feliz ao afirmar que, se houvesse o árbitro de vídeo, o gol seria anulado. O placar justo seria o empate.

Neymar, mesmo sem ter sido brilhante, foi o melhor pelo lado brasileiro. Como se esperava, Cavani e Luizito Soares foram os destaques uruguaios.

Vendo o jogo pensei no Flamengo. Enquanto temos um jogador com talento para uma enfiada de bola – refiro-me a Diego – e, em contrapartida, tem faltado um atacante rápido e agudo para aproveitar os lançamentos, na Seleção ocorre o inverso. Não há no meio campo nenhum jogador com estas características, porém, com atacantes velozes e agudos que dependem de um meia talentoso.

Continuando com o Flamengo, este último jogo contra o Santos talvez tenha deixado a mensagem de que a nossa dupla de ataque, ante brutal carência de um – ao menos, razoável – centroavante, e a necessidade de se ter um jogador agudo e rápido, a dupla Berrío e Vitinho bem que poderia ser testada. Claro que não contra o Sport, pois Diego recebeu o terceiro cartão amarelo.

Quem sabe no jogo seguinte…

Diego iria adorar…

Presente de São Judas no dia do aniversário

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

São Judas foi ao Maraca e consertou duas lambanças que poderiam ter jogado água no nosso chopp de aniversário.

A primeira, de Henrique Dourado, que parecendo daltônico, confundiu a camisa vermelha e preta com a preta e branca, entregando a bola para Rodrygo, o garoto bom de bola do Santos, que fez linda jogada e o gol só não aconteceu graças à bela defesa de César.

A segunda lambança, de Léo Duarte, perdendo bola boba e fazendo pênalti em Gabriel. De novo, Cesar salvou.

Há jogos em que os erros grosseiros escrevem a derrota. Hoje, só não foi assim porque São Judas foi a Maraca e entrou em campo vestido de amarelo.

O primeiro tempo foi morno, em que apenas Vitinho jogava acima da média. Como sempre, muita posse de bola e pouquíssima objetividade. O segundo tempo, exatamente o contrário. Menos posse de bola e um time mais objetivo.

Aliás, é bom se registrar a falta que faz um atacante agudo e veloz. Há quem reclame de Diego, afirmando ser ele uma enceradeira, pois fica de lá pra cá, e nada sai de bom. Hoje, saiu e, sabem por que? Estava em campo um jogador tecnicamente limitado, mas agudo e rápido. Quem joga no meio campo e sabe enfiar uma bola depende de um atacante rápido. Berrío transformou a enceradeira de Diego em uma Brastemp. O lançamento, perfeito. O “facão” e passe de Berrío, de cinema, e hoje, o Ceifador ceifou…

César saiu como herói. Sem dúvida, o destaque do jogo. Demos no dia do nosso aniversário um grande passo para ficarmos livres da pré-Libertadores, destruidora de qualquer pré-temporada.

Noite para comemorar os 123 aninhos. Vida eterna para o nosso MENGO, para a nossa paixão maior.

Vitória Santa…

15 de novembro, aniversário do Flamengo. Feriado nacional!!!

Não sei se no ano passado, ou no anterior, mas este foi o título de um post em que, com todo respeito a quem pense em contrário, afirmava que o feriado nacional de 15 de novembro se deve ao fato de ser aniversário da maior paixão popular deste país, e não por ter sido a data da Proclamação da República.

Lembro que em dado momento, como pá de cal na discussão, argumentei que o Brasil seria possível, existiria, sem ser uma república, mas simplesmente impensável o Brasil sem o Flamengo. Portanto, este e, todos os passados, a partir de 1895 e, todos os futuros 15 de novembro, o Brasil parará para reverenciar a maior criação institucional de Papai do Céu.

Como estamos em uma semana comemorativa, nasceu, por obra e graça do grande rubro-negro CATITO PEREZ, o PIETRO, caçula dos grandes restaurantes do Rio. Catito, empreendedor e super criativo, já responde por casas consagradas no Rio, como Fiorentina e Bar Lagoa, além de ser o presidente do Jornal do Brasil.

Recentemente inaugurou o OLIVETTO, irmão gêmeo do PIETRO. As duas casas funcionam na praça Nossa Senhora da Paz, no mesmo prédio onde era o Hipopótamus. Na inauguração, meu presente para a casa foi o “Manto Sagrado”, personalizado… e, pronto para muitas comemorações rubro-negras em 2019. Amém!!!

Agora, vem cá… e a multa de 20 mil reais que o Flamengo foi penalizado pelo STJD pelo apagão que ocorreu no Maracanã, hein? Que coisa maluca, absurda!!! Comenta-se que se chover no jogo contra o Santos, o Flamengo corre o risco de ser multado em 100 mil reais….

E, que seja o que Deus quiser, com Rodinei na direita, Pará na lateral esquerda e, Rômulo na meiuca…

Que São Judas esteja de plantão, mesmo sendo feriado nacional, dia do mais querido do Brasil.

A decisão continua e candidato se revela no Aterro do Flamengo

O lateral Dodô (Foto: reprodução da internet)

Embora por meta distinta, cada jogo do Flamengo daqui para frente continua tendo um caráter decisivo. Mesmo distante da possibilidade de ser Campeão Brasileiro, é bom que os jogadores tenham em mente que, para uma boa temporada em 2019, o dever de casa deve ser feito ainda este ano, em que a única meta passa a ser a classificação até o quarto lugar, pois quem ficar abaixo disso terá que enfrentar uma pré-Libertadores e, em consequência, jogar para o alto uma preparação minimamente decente.

Por isso, este jogo contra o Santos – que vem de derrota estranha para a Chapecoense – deve ser encarado com total seriedade, até porque, mesmo vindo de derrota, o time santista briga para ficar até a sexta colocação, o que garantiria vaga na pré-Libertadores. Nosso time bem desfalcado e com o pneu arriado…

Li que Dorival Júnior está animado com o que tem visto de Rômulo nos treinamentos e, lendo isso, desanimado fico eu pelo que vi de Rômulo nas partidas em que jogou. As outras duas opções, Pires da Mota e Jean Lucas, embora nada demais, me parecem melhores. E, pelo jeito, teremos Rodinei na lateral direita, e Pará, na esquerda. Fortes emoções…


E, já que falamos na lateral esquerda, quem sabe o torcedor do Flamengo possa ver com outra camisa o seu lateral esquerdo para o ano que vem. O pessoal do Santos, que tenta manter o jogador, sabe que o Flamengo entrou no páreo e que já está em tratativas com o clube italiano detentor dos direitos econômicos de Dodô. Como disse no post anterior, Dodô tem 26 anos e já acumula uma boa experiência, inclusive, internacional. Como não mais pretende deixar o futebol brasileiro, estrategicamente passa a ser um jogador valioso para o clube que vier a contratá-lo. Dodô, pelo bom futebol e pela idade, é um jogador para resolver o problema da lateral esquerda por uns quatro, cinco anos.

Ainda bem que a política do esquema de ingressos nos jogos do Flamengo vem sendo desenvolvida com competência pelo nosso pessoal. O Flamengo, que é líder absoluto em presença de público neste campeonato, mais uma vez, mesmo com o time não correspondendo em campo, terá no Maraca um publico respeitável.


Para terminar, um fato curioso. Um dos candidatos nas próximas eleições rubro-negras, dirigindo pelo aterro do Flamengo, deu uma cacetada na traseira de outro carro. Os dois motoristas saltaram de seus veículos, e fácil foi se concluir pelas leis do trânsito que o candidato era o culpado. Trocaram cartões, com a promessa por parte do candidato de pagar o prejuízo causado. O problema é que a vitima penou para ser atendido e o tema só foi resolvido quando quem tinha razão jogou pesado, rodando a baiana. O candidato bem que tentou escapulir, mas às duras penas, finalmente pagou o prejuízo. Além do prejuízo, perdeu alguns votos, pois a vitima é sócio proprietário do Flamengo que, a um amigo desabafou: “Como posso votar em alguém que para cumprir sua obrigação, precisa ser ameaçado?”

A filosofia de Doalcei Bueno de Camargo, contundente com respeito ao comportamento do ser humano, também pode ser aplicada no nosso mundo rubro-negro. Moral da história: Também em clube, é muito importante saber em quem se está votando.

Vocação para o erro

Vitor Gabriel (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Li, como sempre faço, os comentários do blog e me deparei com uma observação atual e pertinente, feita pelo companheiro DIEGO S. OLIVEIRA. Não resisti e entrei na dança, respondendo ao comentário dele. Como achei que tem tudo a ver com o nosso momento, reproduzo aqui.


“Kleber, olha a notícia:

O Flamengo se classificou neste sábado para a final do Torneio OPG de Juniores ao vencer o America por 4 a 0, na Gávea. O destaque foi o atacante Vitor Gabriel, que marcou três gols e chegou a 25 na temporada – ele é o artilheiro da competição, com nove.”

Péssima leitura de contratações e de promoções dos juniores… Enquanto Vitor Gabriel cansa de fazer gols, o jovem promovido foi o fraquíssimo Lincoln (puxado pela fama do Vinicius Jr.)
Que em 2019 o Flamengo faça uma reformulação total neste elenco frouxo e perdedor.”

Diego S. Oliveira


Diego, amigo,

Será que é tão difícil identificar, quem é quem no futebol?

Hoje, o Renato Maurício Prado, em sua coluna no JB, afirmou que Leo Moura, de muletas, é melhor do que, Pará e Rodnei, juntos!

Com relação ao seu comentário sobre a posição de centroavante, infelizmente, de Uribe Ceifador e Lincoln, não dá para fazer um.

Enquanto isso, desde a Copinha, Vitor Gabriel vem demonstrando ser o melhor de todos. Por incrível que pareça, foi exatamente o único a não ser escalado no time principal uma única vez sequer.

Claro que ninguém pode garantir que vai dar certo, que vai arrebentar, mas é um absurdo não ter tido uma única chance, mesmo com uma concorrência de baixíssimo nível.

Isto é o que chamo de ”vocação para o erro”. O que eles entendem de futebol é o mesmo que entendemos de botânica.

Forte abraço.

Domingo de jogão e de dor de cotovelo

(Foto: José Ignacio / EFE)

O jogão, claro, foi Boca e River – pela Libertadores.

Desde o primeiro minuto uma intensidade incomum, com o River apresentando um time tecnicamente melhor, enquanto que, dentro de suas características, o Boca jogava com o coração na ponta chuteira. Justíssimo o placar de 2 a 2. Quem não viu perdeu um jogaço.

Em tese, por ter um time tecnicamente melhor – e pelo fato do próximo jogo ser no Monumental de Núñez – o River tem um leve favoritismo. Leve, pois do outro lado haverá um time com camisa pesadíssima, com jogadores que se entregam de corpo e alma.


A dor de cotovelo, por tudo que aconteceu nesta rodada do Campeonato Brasileiro.

Tomara que a maioria dos jogadores do Flamengo tenha visto Boca x River. Quem sabe não se inspirem para jornadas futuras. Quem sabe não tenham aprendido o que significa entrar em campo com responsabilidade, entrega, inteligência e talento, quando a causa é corresponder minimamente à paixão de 40 milhões de alucinados torcedores.


Por fim, quero dividir com meus amigos e companheiros do blog a gentil homenagem que recebi de Itair Machado, vice-presidente de futebol do Cruzeiro, a quem já tive a oportunidade de agradecer esta demonstração de amor e carinho, fato, infelizmente, pouco comum no nosso mundo da bola.

Para mim, este depoimento vale muito, pois partiu de um ser humano especial e, dirigente carismático, sensível, competente, e que nasceu para ganhar.

Desanimador

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Aos dez minutos de jogo, meu amigo Luiz Guilherme sapecou: “que pelada!!!”. Pensei cá com os meus botões: “caramba, como pode um time que luta por um título brasileiro, em um momento decisivo, errar tanto e jogar como se fosse um jogo amistoso?”.

Infelizmente, salvo um pequeno período do segundo tempo, exatamente quando Vitinho fez o gol, o time foi triste, muito abaixo da crítica.

Paquetá, desde que foi vendido, não está jogando nada. Éverton Ribeiro, hoje, irreconhecível. César falhou clamorosamente no gol de falta. Falha que ele mesmo reconheceu. A ausência de Diego Alves foi sentida.

Nossa zaga, lenta. O primeiro gol do Botafogo foi a prova do que falo. Pará, horrível. Rodnei, igual. E Uribe? Jogou? Que coisa medonha…

Vitinho pode ter sido a exceção. Vaiado o tempo todo pela torcida do Botafogo, teve personalidade e foi o único jogador do Flamengo a jogar em um nível razoável.

Agora, é torcer para o Atlético Mineiro. Aprendi que quando se transfere a esperança nos pés dos outros, a vaca já foi pro brejo…

Sábado triste. Flamengo que não foi Flamengo.

Hora de recomeçar. E, sem repetir os inúmeros equívocos cometidos este ano. E sem esquecer que dinheiro não faltou…

Ano pra esquecer…

Adeus ao vermelho e preto?

Mário Celso Petraglia (Foto: Divulgação/Atlético-PR)

Mário Celso Petraglia talvez tenha sido o mais dinâmico e realizador dirigente com que tenha convivido neste nosso mundo da bola. O salto qualitativo que, graças a ele, deu o Atlético Paranaense, é realmente impressionante. Hoje, o rubro-negro do Paraná tem estrutura invejável para as divisões de base, e algo de cinema para os profissionais. Isto sem falar no verdadeiro bibelô que é a Arena Atleticana. Todo este pacotão, obra e graça de Mário Celso Petraglia.

Há quem possa torcer o nariz para o que aqui coloco, dizendo ser ele polêmico. Para quem por aí vai, respondo, perguntando: Que dirigente criativo e realizador, seja em que atividade for, não é polêmico?

Fiquei impressionado com o noticiário dando conta de que o Atlético Paranaense, por iniciativa de Mário Celso, sofreria uma transformação radical no seu visual, inclusive deixando de ser rubro-negro, para não ser confundido com o Flamengo, passando a ter identidade própria.

Não resisti e liguei para meu amigo Mário Celso e, de cara, sapequei a pergunta: “É aí Mário Celso, o Atlético vai deixar de ser rubro-negro?”. Mário Celso riu e disse que a notícia, vazada, de que o vermelho e preto seria abandonado, foi apenas “o bode colocado na sala”…

As mudanças ocorrerão, mas em vermelho e preto, até porque, é estatutário, na medida em que o Atlético nasceu da junção de dois clubes. Um era vermelho e o outro, preto.

Para finalizar, fiquei feliz em saber que o realizador, criativo e polêmico dirigente Paranaense, pensa como eu. Mário Celso também acha que é impossível qualquer clube se tornar mundial sem que tenha, ao menos, um ídolo, um jogador mundial. E, também como eu, Mário Celso acha que o caminho é dar a este ídolo situação financeira diferenciada que não o anime a deixar o Brasil.

E, acrescentou que isto ocorrerá em uma próxima geração. Como sou apressado, havendo coragem e competência, quem sabe muito mais rápido do que se imagina?

Uma coisa é certa. Nenhum clube será mundial, sem ter jogador mundial.

O perigo do retrocesso

Lendo os comentários sobre o último post tive a clara sensação de que corremos o risco de abrir mão daquilo que foi conquistado. Como temos a memória fraca, é prudente que recapitulemos que o movimento que nasceu no Copacabana Palace, onde três pessoas (Goni Arruda, Flávio Godinho e o “locutor que vos fala”) se reuniram imaginando um Flamengo novo, com a criação de uma equipe de trabalho preparada, competente, para encarar os desafios de um mundo novo que batia à porta dos clubes de futebol.

A evolução daquela reunião, com a inclusão de muitos outros nomes, redundou na criação da Chapa Azul, onde o propósito maior era estabelecer um novo formato de administração, totalmente descentralizado, com gente competente, profissionais ou amadores apaixonados, cuidando das mais distintas áreas.

A figura única do presidente daria lugar a uma equipe de altíssimo nível. Tanto isto é verdade que, com a impugnação de Wallim Vasconcellos, ante a urgência em definir o novo candidato, surgiu, por sugestão do próprio Wallim, o nome de Eduardo Bandeira de Mello.

Como foi Eduardo, poderia ter sido qualquer outro que admitisse não ser “o todo e único poderoso”, entendendo que o clube seria tocado por uma equipe séria e competente, com cada grupo se responsabilizando pela sua área. O curioso, é que este timaço de dirigentes está hoje dividido entre as Chapas Roxa e Rosa, em verdadeiro atentado à saúde rubro-negra.

Apenas como exemplo, como negar méritos a Luiz Eduardo Batista, o BAP,  polêmico, é verdade, mas genial na construção deste novo Flamengo?  Não estou aqui querendo desmerecer o presidente Eduardo. Apenas quero deixar bem claro que, o principal mérito do atual presidente foi dar continuidade a ideia original, e que quem ganha este difícil campeonato é o time e não uma única pessoa.

A estratégia de formar um grupo competente e independente, a meu conceito, foi responsável direta pelo salto qualitativo do Flamengo, que soube aproveitar – pela competência do grupo – o mundo novo e endinheirado com que os clubes de futebol se depararam. Quem teve competência, como o Flamengo, se deu bem. Quem não teve – e não foram poucos – perdeu uma oportunidade incrível.

Coloquei tudo isso para que os meus companheiros do blog tentem perceber que é um enorme erro querer levantar qualquer bandeira, em que nela caiba apenas um nome, até porque, qualquer que seja este nome, seria um enorme retrocesso, pois a modernidade pede independência de setores, principalmente os vitais, como finanças, marketing e, claro, futebol.  Hoje, o papel do presidente é muito mais institucional, além de ter a obrigação de ser um bom maestro, fazendo com que a orquestra esteja sempre afinada.

Portanto amigos, seja a Roxa ou a Rosa a chapa vencedora, que jamais se perca o caminho conquistado. O super-herói, já era. Hoje, em clube de futebol, a coisa caminha bem com um bom time, composto por craques em cada uma das funções vitais.

Em síntese, o sucesso do Flamengo não se deve a um EBM, e sim, a alguns – roxos e rosas – “EBM’s”…

O Flamengo fora das quatro linhas

Dimba (Reprodução da internet).

Meu amigo Michel Assef sempre disse que clube de futebol é uma utopia, em que a pessoa entra para fazer amigos e, em fração de segundos ganha um montão de inimigos.

Isto vai de encontro à filosofia de vida do meu inesquecível pai no rádio, Doalcei Bueno de Camargo que, sem medir as palavras, dizia: “o ser humano é um grande filho da puta. Há exceções”.

Juntando-se um e outro, Michel e Doalcei, talvez tenhamos o retrato do Flamengo de hoje fora das quatro linhas. Não vou aqui advogar em causa própria e cansar os meus amigos e companheiros do blog com a sórdida artimanha de que fui vítima, corrigida em primeira instância pelo judiciário.

Neste exato momento, há dois movimentos que chamam a atenção de todos. No primeiro – e que será apreciado hoje em reunião do Conselho de Administração – há a tentativa de impugnação da candidatura de Ricardo Lomba, sob a alegação de que, como Auditor da Receita Federal, estaria impedido de exercer o cargo de presidente do Flamengo.

Na verdade, sem qualquer envolvimento político de minha parte, um argumento absurdo, pois no estatuto do Flamengo não há qualquer menção à possibilidade de impedimento pelo motivo alegado. Na realidade, se fosse o caso, quem teria que se manifestar era a Receita Federal que, até agora, sabedora da intenção de Ricardo Lomba em ser presidente do Flamengo, simplesmente não se manifestou e, por conseguinte, como quem cala consente, está de acordo. Aliás, já há um caso rigorosamente igual, pois, o Fluminense elegeu seu presidente em idêntica situação.

Pior ainda, a iniciativa do candidato de oposição ao cargo de vice-presidente nas próximas eleições, aproveitando-se da posição que ocupa atualmente, de presidente do Conselho Deliberativo, para formar uma comissão a fim de analisar a venda de Lucas Paquetá para o Milan. Na comissão formada, há a figura de Arthur Rocha, responsável pela contratação de Dimba, a mais estranha transação – compra e venda – nos 123 anos de vida do mais querido clube do Brasil.

Incrível como alguém que é candidato da oposição – e atua como presidente do Conselho Deliberativo, com óbvios objetivos políticos – tem a coragem, a ousadia e a cara de pau de colocar em dúvida a dignidade de quem dirige o clube com transparência e absoluta correção.

E, que ninguém venha aqui dizer que é apenas uma comissão para avaliar um fato. Conversa fiada. A atitude foi tomada e a comissão criada, com o propósito de levantar suspeita com relação a negociação envolvendo Lucas Paquetá.

Em síntese, poderíamos ter tido um ano, esportivamente falando, bem melhor, ficando a sensação clara de que, apesar de certa frustração pela perda de alguns títulos que tínhamos condições de conquistar, que, pelo  menos dentro das quatro linhas o Flamengo é bem mais próximo de quem o ama, do que fora delas, onde a vaidade e os interesses pessoais falam muitíssimo mais alto.