Desencontros

Vi e ouvi o desabafo do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, revoltado com o comportamento do presidente da Federação, Rubens Lopes, em que mencionou inclusive ter sido ofendido com palavrões.

O que mais me impressiona é que o tempo passa e nada muda. De 1995 a 1998, vivemos uma convivência infernal com a Federação, a ponto do Flamengo ter abandonado um campeonato, se não me falha a memória o de 1997. O pior é que naquela época a briga não era só com a Federação. A SUDERJ, em medida de força ditatorial, resolveu fechar a geral do Maracanã, fato que, tecnicamente, foi por demais prejudicial ao Flamengo. E assim foi durante quatro anos…

O curioso neste depoimento do presidente Eduardo Bandeira de Mello foi revelar uma faceta inédita com relação ao fato de, até aqui, por longa convivência, ter ficado registrado para mim que Rubens Lopes é uma pessoa educada. Como de uma hora para outra alguém muda radicalmente uma postura de vida? Tudo bem que o futebol é apaixonante e polêmico, e aí, muitas vezes alguém sai do seu normal. Acontece que, em outras oportunidades, com o próprio Rubens Lopes, tive desentendimentos conceituais que jamais fizeram o presidente da Federação se tornar agressivo. Realmente é intrigante. O que teria levado Rubens Lopes, de postura fina, bem educado, a atropelar verbalmente, e com fúria, o presidente do Flamengo? 

Se o primeiro ponto do papo é a curiosidade, o segundo é a decepção. Já disse aqui neste blog que lamento ter tido uma postura agressiva no combate ao ex-presidente Eduardo Vianna. Sem se discutir a causa, o que interessa é que para o Flamengo não foi bom. Dei uma de Don Quixote e não valeu a pena. Fico espantado como os erros de um passado recente possam ser repetidos. Se errei de 1995 a 1998, acertei de 2006 a 2009, onde com o mesmo Rubens Lopes na presidência, conquistamos três, dos quatro campeonatos disputados e, não tenho nenhuma dúvida de que a boa relação entre Flamengo e Federação foi responsável por um pedaço do bolo que saboreamos três vezes consecutivas, em 2007, 2008 e 2009.

Brigar, pra que?

Ainda Romário

Flamengo Romario Lubrax ringer others LONGNo aeroporto em Paris, retornando e ainda impressionado com a receptividade do tema “Aniversário de 20 anos da estreia de Romário no Flamengo”.

Foram tantos os detalhes importantes neste projeto que não há como esquecer de fatos relevantes. Um deles foi a marcante presença, através de um encorajamento diário, do meu querido amigo Gilmar Ferreira, que acompanhou esta vitoriosa jornada desde o primeiro instante e, como excepcional profissional que é, no momento exato detonou a notícia, que foi uma bomba no mundo inteiro.

Muito obrigado a todos que curtiram o tema com aquele gostinho de saudade de uma etapa tão marcante na vida do Flamengo.

Agradeço ainda àqueles que enviaram mensagens e comentários, em especial ao meu querido e fiel parceiro deste Blog, Carlos Egon Prates. Também curti muito contar um pouquinho destes momentos que marcaram tanto. Não contei tudo. Ficou faltando falar sobre a minha curiosa reunião com o vice-presidente do Barcelona, Joan Gaspart. Vale a pena… 

Embarcando… Chegando ao Rio, conto.

O gênio Romário

(Foto: AFP)

Carreata histórica na chegada de Romário (Foto: AFP)

O dia começa por aqui e o primeiro contato com o Brasil foi uma solicitação de entrevista para o Correio Brasiliense. Tema: aniversário de 20 anos da estreia de Romário no Flamengo.

Confesso que foi impactante. Levei um susto! Caramba, como o tempo voa… E, como não poderia ser diferente, para fato tão marcante, viajei no tempo e voltei a saborear, e a curtir, alguns dos momentos mais marcantes da minha vida.

O início de tudo foi, modéstia ao largo, sempre ter tido a noção exata do tamanho do Flamengo, onde tudo é possível em função do seu descomunal tamanho.

Parênteses para dizer que, na Copa de 94, quando não me imaginava menos de seis meses depois ser candidato à presidência, cruzava eu, quase que em todos os jogos do Brasil com um garoto de seus 13, 14 anos, vascaíno convicto. Ficamos amigos, e foi ele o primeiro a saber que depois da Copa Romário jogaria no Flamengo. Disse, claro, para tirar o meu amiguinho do sério, embora ali, o “Anjo da boca mole” tenha adorado a minha ideia e ajudado a transformar uma profecia gozadora em realidade.

Quando assumi, estava claro que o Flamengo precisava de um tratamento de choque. Dignidade e resultados na sola do sapato. Quatro meses sem que funcionários e profissionais recebessem, e o ano terminando com duas derrotas para o América.

Da criação de um Pool de empresas até a chegada triunfal do baixinho ao Galeão, foi tudo rápido e eletrizante. Primeiro, “vender o peixe” para os anunciantes. Convencer a cada um deles da importância de se repatriar o melhor jogador do mundo. Depois, montar para eles uma estratégia que garantisse um belo retorno de mídia. Banco Real, Cia Cervejaria Brahma, Grupo Multiplan, Pinto de Almeida, Grupo Bozano e Rede Bandeirantes foram os parceiros.

Na hora H, já em Barcelona, houve um “furo” de um milhão de dólares de dois outros “parceiros” que disseram sim e, aos 48 do segundo tempo, roeram a corda. Em 24 horas, tudo foi recomposto, readequado, e a proposta feita ao Barcelona. Este fato merece um capítulo à parte, até porque, acabou sendo um dos mais interessantes momentos que tive negociando algo importante. Só para dar uma palhinha, os espanhóis achavam que eu estava blefando, que queria aparecer. E estas informações partiram de dirigentes de um clube co-irmão, preocupadíssimos com a imagem deles e do clube, caso houvesse sucesso na nossa investida. Deu tudo certo, depois de longas negociações em que até o último momento o Barcelona tentou desfazer tudo. Por que deu certo? Pelo fato de Romário ser firme. Não fossem a vontade e firmeza deste baixinho fantástico, nada seria possível. Da sede do Barça, direto para o aeroporto. Aqui, tudo preparado pelos companheiros de diretoria. Carreata que ficou na história… Na Gávea, na apresentação, carnaval de sonho…

E a estreia? Precisávamos aproveitar o momento e reforçar o caixa. Concluímos que o ideal era criar duas situações. Uma estreia nacional, fora do Rio, aproveitando todas as possibilidades de faturamento, e idem no primeiro jogo no Maracanã. O adversário escolhido foi a seleção do Uruguai. O local, Estádio Serra Dourada, em Goiânia, onde o meu querido amigo Governador Maguito Vilela abriu as portas, criando todas as facilidades possíveis. O jogo em si pouco importa. O que valeu foi a alegria, o prazer inenarrável de ver o melhor do mundo com a camisa 11 do Flamengo. Como detalhe, 20 anos atrás, o Flamengo faturou neste único jogo um milhão e meio de dólares, líquidos. E ainda tive que ir a São Paulo, ao jornal Folha de São Paulo, levando os documentos necessários para provar que todo o faturamento foi feito direto do Flamengo para os anunciantes. Na matéria, um irresponsável afirmou que a estratégia do jogo fora montada para minha empresa ser beneficiada, e o que na realidade aconteceu, foi todo este trabalho ser feito com custo zero para o Flamengo. A conta das despesas, a Klefer pagou.

Este dia, há 20 anos, foi um marco na minha vida. Com certeza absoluta, na de Romário também, que virou, e é rubro-negro. Que noite!!! E parece que foi ontem…

Valeu Baixinho!!!

Você é um pedaço, o pedaço maior, e mais genial, da minha história rubro- negra.

Amigos

Há uma máxima que afirma que “Em clube, embora você entre para fazer amigos, acaba ganhando um monte de inimigos”. Um dia, cheguei a concordar. Um outro tempo, uma outra forma de encarar a vida, vaidade que poderia ser mais comedida, projetos, sonhos… Enfim, o mundo era outro…

Hoje, estou muito mais preocupado com as coisas boas, com o lado positivo das coisas e, ficar e guardar, o que há de melhor em cada uma das pessoas que fizeram parte da minha vida no Flamengo. Não posso deixar de apresentar dois depoimentos, através de dois email recebidos. O primeiro, do grande rubro-negro Mario Cruz, a mim endereçado e o segundo, encaminhado também ao Mario Cruz, pelo ex-presidente Hélio Paulo Ferraz.

O que me impressionou foi o volume de amor contido nestes depoimentos. Muito de acordo da forma como vejo a vida hoje.

No depoimento do Mario, dêem um desconto ao amor e carinho de um querido amigo. Se julgarem exagerado, relevem. Amor é assim mesmo e, ainda bem que ele existe.

Desfrutem…


De: Mario Cruz
Data: 23/01/2015 23:13
Para: Kleber Leite; Flassociados

Caros,

Dirijo-me a vocês por ter certeza que ambos concordam que KL é um grande rubro-negro. Na minha opinião, um dos mais apaixonados e competentes que conheci. Poucas pessoas no Brasil tem o conhecimento de futebol que tem o KL.

Com relação ao eterno “imbroglio” Consórcio Plaza, certa feita, em seu Blog, KL colocou a disposição de todos a documentação envolvendo o assunto (leiam aqui: Consórcio Plaza, Banco Central). Estive presente em todas as reuniões do Conselho Deliberativo que tratou do assunto e o que lá está é a mais pura verdade. O Code votou por maioria que o pessoal do Consórcio não teria condições de vencer nos tribunais. Leiam, releiam com calma o que lhes envio para que passem a dominar o assunto. Verão que KL não é o culpado.

KL só peca pelos rompantes que tem quando o assunto é Flamengo. Como ele me disse várias vezes: “Mario, posso pecar por excesso, jamais por falta de ação”. Sempre quer o melhor. Lembram-se quando quase conseguiu reverter a venda de Bebeto, oferecendo ao mesmo US$ 200,000.00 para que voltasse atrás? Sabe quantas vezes KL já botou grana do próprio bolso para tirar o Flamengo de verdadeiros rabos de foguete? Mesmo assim, hoje o vemos muito mais comedido, mais doce, menos aguerrido.

Amigos, até a falsa lenda dele ser pé-frio, criada pelo mau-caráter do RMP, subsiste.

KL nos livrou do rebaixamento em 2005, nos sagrou campeões da Copa do Brasil em 2006, nos deu o Tri Carioca 2007/2009, deixando pronto o time do Hexa. De 2005 a 2009, exatamente quando lá estive como VP Planejamento, diariamente KL estava na VP de Futebol, sou testemunha disso.

Creiam no que lhes digo, KL não merece a fama que lhe dão. Kleber Leite é um grande rubro-negro.

Forte abraço

SRN

Mario Cruz


De: Helio P Ferraz
Data: 26/01/2015 10:47:51
Para: flassociados@xxxxx.com
Assunto: Re: RES: [flassociados] HOMENAGEM AOS NOVOS CONSELHEIROS

 Amigo Mario,

Uma linda história de amor!!!!

A história de amor, entre os diversos gêneros literários é o que mais encanta, e encanta mais quando relata sobre um amor compartilhado, pois que a empatia (resposta afetiva à situação de outra pessoa) se intensifica, na medida em que o sentimento narrado corresponde a algo que o leitor reconhece, também experimenta.

Assim, muito me recordou dos craques dos anos 50, durante a leitura do seu texto, me identifiquei com você, lembrando ouvir a final de 55, pelo rádio de pilha, em baixo do travesseiro, pois acordava às 5,30 para a escola, meus pais me queriam dormindo.

Lembrou-me dos craques de então, como Dida que fez, acho que 4 gols, e se consolidou como craque, ao lado de Moacir, Babá, que se alternavam com consagrados Evaristo, Rubens, Jordan, Garcia, Tomires, Pavão e tais.

Com a emoção que tive quando meu avô, tricolor, me levou para me associar como aspirante em 1954, carteirinha cujo original doei quando saí da Presidência, às relíquias do Clube.

Recordei-me do meu maior maior ídolo à época, Gilberto Cardoso, nosso Grande Presidente que morreu deste amor que você narra e compartilhamos todos, e que me fazia, então, pensar em quando crescer ser, não o Dida, ou um Evaristo, mas o Gilberto Cardoso.

Imagina com que sentimento de honrosa missão ocupei o mesmo assento que fora deste ícone Rubro Negro, fora das quatro linhas.

Zico, Junior, Andrade, Silva que me fez vibrar com a contusão de Pelé, na Copa de 66, porque seria o titular, Doval, quantos ídolos.

Marcio Braga, de tantas conquistas, Antonio Augusto, Campeão do Mundo, Kleber Leite que nos trouxe o melhor do mundo, da época, 1994, Romário. Seria como trazer Messi, ou CR7, hoje.

Patricia Amorim que nos trouxe Ronaldinho, com Luxemburgo e Wagner Love, na era Engenhão.

Nosso grande Paulo Dantas, de tantas glórias, nosso Joca, grande Vice de futebol, poeta nas finanças, mas com realismo, de grandes histórias, Marcio/Delair e Marquinho, de 2009.

O grande Pet! 

Lembro que na final com Vasco, SRN ao então Presidente, meu filho com 9 anos desesperado, precisávamos do terceiro gol. Eu disse fica tranquilo meu filho que o PET vai fazer, agora. 

Fez!!!! 

Depois ele perguntou papai como você sabia?

São essas certezas da paixão, que não se explicam, ligação direta entre o divino e o coração, é o amor….. pois que não foi feito para ser explicado, apenas, vivenciado com intensidade, ou versificado, como fazem os poetas, pois uma dádiva Divina.

Parabéns Mario, Amigo, lindo e inspirado texto. 

parabéns novos companheiros, ungidos pela legitimidade e pela letra do estatuto, o resto é letra de samba.

Bem vindos à esta nova condição de co-autoria, dos insucessos e das grandes conquistas, que nos levam do céu ao inferno e vice versa.

Bem vindos à condição de protagonistas, agora no palco, não mais na platéia, desta viva e real história de amor que comungamos, 

Helio Paulo Ferraz

2015 começou bem

(Foto: Edmar Barros/Futura Press)

(Foto: Edmar Barros/Futura Press)

Tão distante da primeira competição do ano, fui sendo informado, a cada cinco minutos e, depois tendo direito aos melhores momentos, via internet. E que delícia… como é bom ganhar…

Os mais pessimistas vão dizer que foi uma competição não oficial. E daí, se oficial, meio oficial ou amistoso? Passou na Globo? Todo mundo viu? Então, pouco importa. O que vale é que para quem não tem muita intimidade com o tema, em futebol, confiança é tudo.

ESPETACULAR o Flamengo começar o ano levantando uma taça. Não importa o tamanho ou o peso que tenha. Importante começar o ano como vencedor. Ganhando duas vezes. A primeira de um rival histórico, e a segunda de um time muito bem montado, aspirante aos principais títulos de 2015. Portanto, é para comemorar sim!!!!!!!!!!!!

MEEEEEENNNNNNGGGOOOOOOO!!!!!!!!!

Queda de braço

Foto: Vicente Seda

Rubens Lopes, presidente da FERJ (Foto: Vicente Seda)

Recebi hoje um amável telefonema do meu querido amigo Michel Assef, em que lá pelas tantas, coerente com a sua personalidade guerreira, demonstrava todo seu inconformismo pela aliança do presidente da Federação, Rubens Lopes, com Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama. Michel, soltando marimbondos pela narina, dizia que a turma que administra o Maracanã não iria aceitar os preços impostos pela dupla Rubens Lopes/Eurico e, admitia a possibilidade do Flamengo não jogar no Maracanã neste Campeonato Carioca.

Ouvi tudo e repito aqui o que disse ao Michel, pelo telefone. Este filme não é novo. Só que agora, depois da certeza de erros cometidos, posso afirmar, garantir, que esta briga não é inteligente. A causa é justa, mas pensar nas consequências é preciso!!!

Qualquer que seja o prejuízo, será insignificante ante a importância do Flamengo jogar em sua casa, que é o Maracanã. Com certeza, pelo elenco e time, dá para apostar em conquista e, ganhando o campeonato, a premiação corrige, com juros e correção, um imaginário prejuízo.

Por favor amigos, que os equívocos do passado não sejam repetidos. Errei lá atrás, dando uma de Dom Quixote, e me arrependo. Errar de novo?

O brasileiro que ganhou do príncipe árabe

bangu-atltico-clubeAno, 1971. A Liga Americana de futebol contratou o Bangu, que tinha um bom time, para um giro de quase três meses. Naquela época, era lei, qualquer delegação brasileira que viajasse para o exterior ter entre os membros da delegação um jornalista. O convidado para este autêntico “filet mignon” foi o saudoso Afonso Soares que, em cima da hora, por um problema de saúde, comunicou que não poderia viajar. Numa atitude de extrema delicadeza, os dirigentes do Bangu solicitaram que o convidado indicasse um substituto. E Afonso me indicou. Curioso, como as almas se encontram. Ele, tricolor. Eu rubro-negro. Ele, portelense. Eu, Estação Primeira de Mangueira. Ele, consagrado, talento raro. Eu, nada. Começando… Enfim, por estes inexplicáveis encontros de alma, Afonso Soares proporcionou a minha primeira viagem internacional. E, na primeira, logo para os Estados Unidos…

O Bangu tinha um belo time. Ney, que até um tempo atrás estava no Santos como treinador de goleiros, era o número 1 do time. Goleiraço!!! Cabrita, o lateral direito. No meio, Fernando, o camisa 5, que parecia meu irmão gêmeo e, sobre isto ainda tenho algo curioso para contar. Alves, era um meio campista super criativo. Jorginho carvoeiro, logo depois campeão brasileiro pelo Vasco, era o ponta-direita.  Edson Trombada, um tanque, que depois foi para o Flamengo, era o centroavante. Samuel, talentosíssimo, era o camisa 10. O treinador era o famoso Esquerdinha.

Em Chicago, após uma exibição de gala, o chefe da delegação, Heider José de Souza, foi procurado pelo presidente da comunidade brasileira local, que convidava a delegação para jantar e comemorar a vitória na boate, que era a sensação do momento. Convite feito, convite aceito pela maioria da delegação. E lá fomos nós saborear a vitória e conhecer o point de Chicago. Na chegada uma desagradável surpresa. Lá, já estava o presidente da nossa comunidade verde e amarela, comunicando que, infelizmente, a boate fora fechada para uma festa prive por um príncipe árabe. Após inúmeras tentativas por parte do nosso pessoal local, quando estávamos indo embora, surge um esbaforido enviado do príncipe árabe, dizendo que o mesmo havia assistido ao jogo e se encantara com o time do Bangu, convidando toda a turma para comemorar com ele a grande vitória. Entramos animadíssimos, e nos deparamos com uma disposição de mesas um tanto quanto estranha. Era uma fileira única de cadeiras em frente ao palco, onde o príncipe estava bem no meio e, óbvio, sobrou para nós a ponta-esquerda.

Começa o show e aparece uma contorcionista/dançarina, fenômeno de beleza, que deixou todos loucos. Ao meu lado um dos jogadores do Bangu foi literalmente à loucura. Saiu do sério. Ficou de joelhos, rezou para ela, enfim, fez o diabo para ser notado pela musa. E foi!!! Final do show. Quando o nosso personagem imaginava invadir o palco e se declarar para aquela loucura de mulher, um som de palmas… Era o príncipe convocando a deusa para ficar com ele. Na passagem até o príncipe o nosso craque se ajoelhou diante dela e, em português, rogou que voltasse para ele. A deusa, que nada falava de português, foi para o príncipe e, como num passe de mágica, terminou nos braços do brasileiro jogador. Sumiram…O príncipe irado. Ambiente horroroso. E nos restou ir embora.

Dia seguinte. Nova viagem. Saída marcada para o aeroporto para às 08:00h. Uma hora e meia antes, fui procurado pela nossa turminha preocupada com o louco desaparecimento do nosso craque. Depois de algumas providências, como arrumar sua mala e esperar por um milagre do aparecimento, eis que avisto no estacionamento do hotel, no carro conversível dela, o casal, apaixonado, abufelado e, em prantos, se despedindo. Com delicadeza, lá fui e disse da importância de seguirmos viagem. Já havia gente querendo punir o nosso craque por indisciplina, inclusive, já programando uma volta desgarrada…solitária… Felizmente, houve tempo para tudo. Para a despedida, para pegar o ônibus que nos conduziria ao aeroporto, e para todo o restante da excursão. Na volta, lado a lado, com ele no avião, vi por uma dezena de vezes a foto daquela linda mulher, mostrada por ele, com certeza, sua alma gêmea. Mostrava e chorava, afirmando que aquela era a mulher da vida dele. E foi!!! Embora nunca mais tivessem se encontrado…. E que mulher!!! Reverenciou o amor, felizmente, muito mais importante do que um príncipe árabe. Este depoimento é uma homenagem à mulher, como ser sublime, capaz de tudo pelo amor. E ao meu querido amigo que, com amor e talento, mandou um príncipe árabe para o espaço.

Com todo respeito…

A diferença

Foto: Gilvan de Souza

Entrada dos times ontem, em Manaus. (Foto: Gilvan de Souza)

Pode ser que alguém não concorde, mas no futebol, muitas vezes, um único jogador pode representar a mudança da água para o vinho. Este elenco do Flamengo me parece de razoável para bom, e o time, bom. Claro que se o elenco fosse mais robusto, melhor. Na necessidade de substituir uma peça ou outra, não haveria tanta perda técnica. Enfim, o que temos de elenco está aí. Não é uma maravilha, mas pelo que os outros clubes brasileiros apresentam, também não é de causar vergonha.

O panorama fica melhor quando analisamos somente o time principal. Ainda não é para o torcedor apostar que dá para brigar por um Campeonato Brasileiro, mas comparando-se ao que se vê por aí, é até animador.

Tomara que os dirigentes do Flamengo acreditem no que foi transmitido por Vanderlei Luxemburgo com relação à contratação de um baita meia armador. Não tenho nenhuma dúvida de que um time que hoje é nota seis, como que num passe de mágica, com a presença de um único jogador, pode virar nota nove.

Em síntese, qualquer sacrifício é válido para contratar um Montillo ou um Conca. O custo/benefício, por mais cara que seja esta contratação, será espetacular. O Flamengo vai mudar de turma, e isto não tem preço…

Será que é tão difícil ver isso?

Boas notícias

Montillo em ação pela Seleção Argentina.

Montillo em ação pela Seleção Argentina.

Mesmo em Paris, as novidades acabam pintando, até porque, não há distância que resista ao poder de comunicação deste novo mundo. Duas fontes, três ótimas notícias. A primeira é a de que Cuca, ao contrário do que se tem comentado, adotará posição de neutralidade com relação a intenção do Flamengo em contratar Montillo (Cuca é o treinador do clube chinês onde joga atualmente o meia argentino). O melhor, e a fonte é campeã do mundo, é que o argentino quer vir jogar no Flamengo de qualquer maneira. Aprendi que, no mundo do futebol, quando o jogador quer, não há santo que dê jeito…

A segunda fonte, pega pesado (sem gozação, até porque sou favorável) e ataca em duas frentes. O empenho para ter Robinho continua forte, e o gordinho e talentoso Walter também está na alça de mira. Se isto aí em cima virar verdade, aposto todas as minhas fichas que 2015 será um ano rubro-negro.

Dando o que falar

Palavra que, apesar de apologista dos assuntos polêmicos como receita perfeita para o sucesso no rádio ou TV, não imaginava que o tema levantado ontem – a discussão entre Renato Maurício Prado e Sormani – pudesse render tanto.

Pela ordem, vou colocar aqui, o e-mail que recebi do meu querido amigo Mário Cruz que, com talento, elegância e independência, divulga o mundo rubro-negro e, em seguida a minha resposta para ele. Sugiro ainda que leiam os comentários que recebemos sobre o tema, logo abaixo do post, clicando aqui.

Espero que vocês gostem.


De: Mario Cruz
Data: 21 de janeiro de 2015 15:37:16 GMT+1
Para: Kleber Leite
Assunto: DISCUSSÕES NA TV

Querido e saudoso amigo.

Mesmo discordando parcialmente de seu Post de ontem – entendo, mas não considero normal que tais baixarias sejam impostas ao telespectador, sem seu aceite -, como subsídio ao seu texto, encaminho este Link, no qual estão configuradas sete grandes discussões na TV. Após a briga com Kajuru, desça e verá as sete discussões.

Ainda sobre o mesmo tema, lembro ao amigo que RMP é uma pessoa altamente melindrada. Durante sua gestão, foi quem lhe colou a alcunha de pé-frio, fez-lhe altas e injustas criticas; na gestão do Marcio, praticamente foram às vias de fatos e processos aconteceram de ambos os lados. Com a atual diretoria, ameaçou críticas pesadas caso não recebesse “furos” e exclusividade. Enfim, por mais que tentemos contemporizar , a idade nos torna menos aguerridos, trata-se de uma pessoa na qual não podemos confiar. Na minha humilde opinião, está cavando sua própria sepultura jornalística. Saiu da Globo, perdendo muita audiência, foi para a Fox, arrumou outra briga, será que com a chegada do PVC ele não será posto meio de lado? Aguardemos.

Forte abraço

Mario Cruz


Querido amigo,

Nunca comprei um LP, CD, DVD, ou algo parecido de Roberto Carlos. Nem por isso deixo de reconhecer nele o nosso Rei. Você tem razão quando afirma que o Renato não foi feliz comigo. É verdade, embora também pudesse eu, sendo mais humilde, ter amenizado este desencontro. Como diria Paulo Cesar Ferreira: “Uma coisa é uma coisa. Outra coisa, é outra coisa.” Apesar do meu desencontro pessoal com o Renato, não há como ignorar o talento dele. E talento, gera respeito.

Forte abraço,

Kleber leite.