Perguntar não ofende

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Tudo bem que foi um bom jogo. Se tecnicamente, em alguns momentos, foi de lascar, em emoção ninguém pode reclamar. Um jogo em que o Vasco entrou em campo disposto a manter uma longa invencibilidade contra o Flamengo e, do nosso lado, um time disposto a quebrar esta incômoda freguesia.

Neste panorama, não se pode – para ser justo – reclamar de falta de empenho, de entrega, enfim, de comprometimento com a causa…

O que me espanta profundamente e, chamo a atenção de todos para isto, é que os dirigentes do Vasco, com mil problemas e recursos pertinentes a quem vai disputar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, montaram um time que, mais uma vez, joga de igual para igual com o Flamengo, cujo investimento para a montagem do time deve ter custado, no mínimo, dez vezes mais do que o seu tradicional rival.

Das duas, uma. Ou os dirigentes do Vasco são realmente competentes a ponto de, com quase nada, com parcos recursos, operarem o milagre na montagem de um time de respeito, ou, do outro lado, a infelicidade nas contratações foi a tônica.

Ganhar ou perder, no futebol, é relativo. Agora, um jogo em cima do outro, contra um adversário que investiu dez vezes menos e, a igualdade é flagrante, é de doer…

E, a exemplo da Seleção Brasileira, que ultrapassado um terço das eliminatórias está num incômodo sexto lugar e, com isso, momentaneamente fora da próxima Copa do Mundo, o Flamengo, com mais da metade do Campeonato Carioca disputado, também em sexto, está momentaneamente fora da disputa final do campeonato.

A favor da Seleção o fato de que o quinto colocado pode disputar a repescagem. No Campeonato Carioca, o quinto colocado estará eliminado.

Enfim, uma questão para ser avaliada. Como pode o Flamengo com investimento tão maior, sistematicamente fazer jogo duro com quem, com muita dificuldade, montou um time para disputar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro?

Hora de decisão

(Foto: AP Photo / Jorge Saenz)

(Foto: AP Photo / Jorge Saenz)

O empate contra o Paraguai, após estar perdendo por 2 a 0, caiu do céu para a Seleção Brasileira que, neste momento, ocupa o sexto lugar.

Atingimos um terço das eliminatórias e, nesta etapa a participação da Seleção foi muito ruim. Tão ruim que neste momento estamos em sexto lugar, ou seja, posição de quem vai ver a Copa do Mundo pela TV.

Dizem que a relação de Dunga com alguns jogadores azedou pelo fato do treinador insistir em não convocar Thiago Silva e Marcelo. Há quem ache que pela pífia Copa que disputou, Thiago Silva realmente deva ficar de fora. Particularmente, discordo, pois futebol é momento e, hoje, Thiago é melhor do que todos os zagueiros de área convocados por Dunga. Pior ainda é ver um jogador mediano na lateral esquerda, e Marcelo de fora. Ridículo…

Luiz Gustavo e Fernandinho, por favor…

Claro que a necessidade desesperada de empatar o jogo obrigou Dunga a sacar Luiz Gustavo e Fernandinho. A partir daí, tudo mudou e, o empate foi conseguido.

Será que ninguém conversa com o Dunga para falar de coisas óbvias como as aqui citadas?

Com todos os problemas de relacionamento que possam estar acontecendo, convocando e escalando com critério e um mínimo de competência, não há como não disputar a próxima Copa. Dunga está complicando uma guerra ganha.

Quem vai conversar com Dunga?

A diferença

Qual diferença entre um extraordinário jogador e um gênio da bola? A resposta está em dois lances muito parecidos.

O primeiro, no jogo de sexta-feira, entre as seleções de Brasil e Uruguai.
– Protagonista: o extraordinário jogador Luizito Suárez.

O segundo, a decisão da Taça Guanabara de 1995, entre Flamengo e Botafogo.
– Protagonista: o gênio da bola, Romário.

Gênio é gênio. Como muito bem definiu Tostão, maravilhoso tanto jogando como escrevendo, “Romário, foi o Pelé da área”.

Quem não faz…

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Jogo ruim, público ridículo, resultado esperado. Como esperado? Depois dos gols perdidos por Ederson e Vizeu, quem conhece um pouquinho só de futebol, deve ter colocado as barbas de molho…

E, jogamos contra um adversário acanhado que praticamente se ateve à marcação, e com um contra-ataque muito fraco. Como diz Muricy Ramalho, “a bola não perdoa” e, não perdoou a enorme incompetência ofensiva do Flamengo. Agora, são quatro jogos sem fazer um golzinho…

Quando falo da inoperância ofensiva, junte-se a isso a enorme falta de criatividade dos meias. Convenhamos que, duas chances claras de gol, é muito pouco num jogo contra um time cuja folha salarial é de 120.000 reais.

Agora, é sacudir a poeira e ir para o aeroporto, pois, para variar, o próximo jogo é em Brasília e, contra o Vasco.

Preocupante…

Complicado 2…

(Foto: EFE)

(Foto: EFE)

Se está complicado para o Flamengo, igual ou pior, para a Seleção Brasileira.

No Flamengo, não há campo para jogar na cidade onde o clube foi fundado. Na Seleção, há múltiplas escolhas toda vez que o mando de campo é nosso.

No Flamengo, há uma limitação natural por parte do treinador, que escala e define o esquema de jogo em função do material humano que é colocado à disposição dele.

Na Seleção, ao contrário, o treinador pode até se dar ao luxo de ter o seu esquema de jogo predileto e, em função disso, convocar quem quiser.

Muricy vem tendo problemas. Dunga, como se viu neste jogo contra o Uruguai, também. A diferença entre os dois treinadores é simples. Muricy tem crédito e, ainda, apoio popular. Dunga não.

Sem entrar no mérito da questão – se o treinador é bom, mais ou menos ou ruim – o que importa é onde está ele inserido no contexto do momento e, o momento de Dunga é pra baixo.

Dizem que não há uma sintonia fina entre ele e os jogadores. Que as não convocações de Thiago Silva e Marcelo estabelecem um conflito entre o treinador e alguns jogadores.

Se é verdade, não sei. O que sei, é que é um absurdo, tecnicamente falando, estes dois jogadores não estarem no grupo. Um amigo, influente na CBF, diz ter ouvido de Dunga que não convoca Marcelo por este ter uma cabecinha ruim. Pergunto: Há quanto tempo Marcelo é titular absoluto do Real Madrid? A cabeça dele só é boa lá?

Enfim, na longa escola do futebol, aprendi que há hora para tudo, inclusive para mudar. Antes que seja tarde…

A bola está com o Coronel…

Pingadinhas de Páscoa

. A páscoa de 2016 ficará em nossas mentes, nós que amamos o futebol, pela perda de Cruyff, sem dúvida, um dos maiores jogadores de todos os tempos.

A imagem que não me sai da cabeça é a do jogo Holanda e Brasil, na Copa de 74 (assista à partida completa no vídeo acima), exatamente a minha primeira Copa como repórter da Rádio e TV Tupi. Neste jogo, dois fatores desequilibraram: a genialidade de Cruyff e a torcida holandesa. Show no campo e na arquibancada. Momento amargo e inesquecível…

. Leio que o grupo que está estudando mudanças na CBF projeta a obrigatoriedade de que todo chefe de delegação em viagens da Seleção Brasileira deva, obrigatoriamente, ser um ex-jogador. Será que este pessoal não tem outros temas mais importantes para discutir? Que bobagem é essa? Se a Seleção vai a Paris jogar contra a França, claro que o chefe da delegação pode ser o Ricardo Gomes, pois tem postura, domina o idioma francês e, é do ramo. Da mesma forma, o chefe desta delegação poderia ser o ex-presidente do Flamengo Antônio Augusto Dunshee de Abranches, que também tem postura, domina igual o idioma francês e, é do ramo. Que bobagem…

Ia esquecendo. Este mesmo grupo pretende sugerir que um presidente de Federação não possa ter cargo remunerado na CBF. Ora bolas… e, precisa sugerir o que a física impõe? Como pode uma pessoa estar em dois lugares ao mesmo tempo? Só faz sentido se é para obrigar o atual presidente da CBF, que também é presidente da Federação Paraense, a abrir mão de um dos cargos. Aí, virá a resposta no sentido de que ele não é, e sim, está presidente da CBF, pois o presidente eleito está licenciado. O que quero dizer, é que há tantas coisas importantes para se criar ou modificar no futebol brasileiro e, o pessoal responsável pelas sugestões anda em total falta de sintonia com o pragmatismo.

E o nosso Muricy continua afirmando que, em função das viagens permanentes e desgastantes, vai continuar promovendo o rodízio. Em churrascaria, o rodízio só funciona se as carnes forem boas. No futebol, é igual…

Feliz Páscoa, queridos amigos…

FORÇA, PEZÃO!!!

(Foto:  Severino Silva / Agência O Dia)

(Foto: Severino Silva / Agência O Dia)

Meu querido amigo,

Seja bem-vindo ao “clube”. Com a experiência de 14 anos, entre a notícia, a operação e o tratamento, posso garantir que o estado de espírito positivo é a maior arma contra o câncer. Curioso que o nosso contra veneno esteja na alma, e não no nosso corpo. Fé, otimismo e bom humor são fundamentais.

No meu caso, após receber a notícia, fiz um exercício simples. Primeiro, entendi e aceitei que isto pode acontecer com qualquer pessoa, portanto, absolutamente normal.

A segunda etapa foi ter a consciência tranquila, de ter sido até aqui um ser humano legal. Isto dá paz…

A terceira e última é ter, como tenho, espírito competitivo. Não me entrego. Brigo até onde for preciso. Quanto mais quando o que está em jogo é a sua vida.

Pelo ser humano adorável que você é, pela pessoa de bem e pelo guerreiro que aprendi a admirar, nada tema. Encare tudo com fé, otimismo e bom humor.

Você vai vencer!!!

Com carinho e profunda admiração, as minhas saudações rubro-negras,

Kleber Leite

Complicado

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

O jogo, quase em casa, até porque a distância do Rio era mínima e, como sempre, a torcida em Juiz de Fora toda rubro-negra (a original). Curioso que dava para contar o número de torcedores do adversário. Cinco testemunhas…

Não bastasse o já colocado, o adversário vindo de derrota contundente para o Coritiba e, com ambiente tumultuado, com a confiança lá embaixo. Enfim, antes do jogo, tudo remava a favor.

Aí, veio o jogo e, novamente os erros de sempre, em que a falta de criatividade foi, mais uma vez, flagrante. Aliás, entrevistado ao final do jogo, Paulo Vitor disse exatamente isso respondendo ao repórter que perguntou o que faltou ao time. A resposta, em uma única palavra: criatividade.

No fundo, estamos diante daquela situação: Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

O que quero dizer? Simples. Muricy, e com razão, em função das inúmeras viagens – que realmente desgastam – é obrigado a mexer no time poupando alguns jogadores. Com isso, num elenco limitado, abre mão de ter um coletivo melhor, que poderia de alguma forma compensar a falta de talento.

Perdemos a oportunidade de chegar à mais fácil final entre todas as competições programadas para este ano.

Panorama sombrio. Complicado…

Fla-Flu da preguiça e da falta de talento

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Este é o tipo do post em que a manchete já diz tudo. Pena, até porque, pelo inusitado, com o charmoso clássico carioca sendo disputado em São Paulo, e com mais de 30 mil torcedores, o “espetáculo” poderia ter sido bem melhor.

As chances de gol foram raríssimas, na medida em que faltou inspiração do meio para a frente nos dois times. Acho até que, neste jogo, o Flamengo deu sorte. Num dia nebuloso, o árbitro poderia ter marcado um dos dois pênaltis cometidos por Juan. Um, segurando Fred pela camisa, e o outro, abrindo os braços e desviando a trajetória da bola com a mão.

Sem querer ser chato, mas não há outro jeito, repetir que sem criatividade não há time vencedor. Vários jogadores foram contratados e, no Oscar do futebol, na melhor das hipóteses, só poderiam concorrer ao prêmio de melhor coadjuvante. O Flamengo, infelizmente, não tem ninguém para concorrer ao Oscar de melhor jogador. E, sem um protagonista, sem um talento, sem um ídolo, fica difícil…

Neste Campeonato Carioca, onde todos os times são quase iguais, dá até para acreditar ser possível a conquista. Agora, quando o “pau comer” no Campeonato Brasileiro, as deficiências ficarão flagrantes e, o grande talento fará uma enorme falta.

E, nunca é bom esquecer que não temos casa e, viajando como visitante – e também como mandante – a parte física vai muito cedo para o vinagre…

Ano complicado…