Assumindo o risco

(Foto: Jornal Extra)

(Foto: Jornal Extra)

O homicídio doloso também é caracterizado quando alguém, mesmo sem a intenção de matar, assume o risco.

Exemplo: alguém bebe além do limite, pega o carro e, acaba matando alguém. A responsabilidade, mesmo não havendo a má intenção, é de quem assumiu o risco.

Passemos ao futebol. Até agora, Muricy Ramalho tem passado ao largo dos resultados ruins. Há uma série de atenuantes para o treinador, como o pouco tempo de trabalho, as viagens constantes que, sem nenhuma dúvida, interferem na parte física, e algumas contratações solicitadas, não concretizadas pela diretoria.

O problema é que em meio a esta turbulência, alguns pontos vulneráveis foram pra lá de detectados, como por exemplo, a fragilidade da zaga de área. Após o último jogo, verifica-se uma unanimidade rubro- negra no sentido de que, Wallace e Cesar Martins, não têm sido felizes…

Mesmo ante tamanha contundência na análise, por parte de todos, Muricy decide dar força ao “capitão” Wallace. A partir de agora, a responsabilidade passa a ser, única e exclusivamente, do treinador, até porque, ele está assumindo o risco.

Portanto, neste caso, já sabemos de quem é a responsabilidade e, consequentemente, de quem cobrar.

Vasco x Botafogo

(Reprodução da TV)

(Reprodução da TV)

Esta historinha de que em clássico – e, muito mais, clássico em decisão – não há favorito, é conversa fiada.

O pessoal do Botafogo vem operando até aqui um verdadeiro milagre. Com muitíssimos problemas financeiros, foi armado um time digno. Diria mesmo, surpreendente, tamanhas as dificuldades.

Do outro lado, um time que foi se ajeitando ao longo do tempo, mantendo uma invencibilidade invejável e, com um grau de confiança capaz de superar obstáculos gigantescos.

Acontece que o Botafogo, que tem a conta do chá, joga desfalcado da sua zaga de área titular. Aliás, para não deixar passar batido, qualquer zaga de área, quando Juan não joga, é melhor do que a do Flamengo. E, muitíssimo mais barata…

Enfim, o Vasco é o favorito. O Botafogo, neste jogo, vai tentar empurrar a decisão com a barriga para o outro domingo, onde talvez possa ter o time completo.

Perguntar não ofende: Você vai torcer por quem?

Respondendo

Flavio Godinho e Plínio Serpa Pinto.

Flavio Godinho e Plínio Serpa Pinto.

O amável companheiro RODRIGO DI NAPOLI, talvez pelo delicado e sofrido momento que estamos vivendo, me dá um “puxão de orelha”, pois, para ele, como ex-presidente, também tenho demonstrado timidez em momento que requer ação.

Rodrigo, amigo, primeiro obrigado pelo carinho e confiança. Ao contrário do que você imagina, tenho falado com quem de direito nos momentos necessários, como este agora.

Tudo o que penso disse para o vice de futebol, Flávio Godinho e para o meu irmão de vida, Plínio Serpa Pinto.

Entenda que este é o meu limite como ex-presidente do clube. Os dois me atenderam com toda fidalguia possível e, pacientemente, ouviram as minhas ponderações. Ao contrário do que ocorre aqui no blog, onde por responsabilidade, respeito e educação, as palavras devem ser medidas, tive chance de colocar para duas pessoas a quem admiro, e por elas torço, tudo que, na minha opinião, claro, elas precisavam ouvir.

Agora, a bola está com eles. A minha esperança é grande no sentido de que comecem a entender que a responsabilidade de quem comanda o futebol do Flamengo é intransferível.

A “modernidade” defendida por boa parte da mídia, que entende que os “profissionais”, rubro-negros ou não – mas “profissionais” – devem responder por tudo, tem em mim um ferrenho opositor. A história retumbante e vitoriosa, pra lá de centenária do Flamengo, foi construída por rubro-negros de verdade, enlouquecidos por esta paixão que é o Flamengo. Sim, é isto mesmo.

Quem sabe da vida do Flamengo, o que é melhor para o Flamengo e sua torcida, é quem tem sangue rubro-negro, é o tão combatido “dirigente amador”. E sabe por que, amador? Pelo simples fato de não ser remunerado. Um monte de dirigentes amadores que conheci, no Flamengo e em outros clubes, colocam no chinelo os “profissionais” de hoje em, criatividade, talento, conhecimento e entrega total.

Quem comanda o futebol do Flamengo tem que ter o domínio de tudo, ser informado de tudo e entender que – ali – a responsabilidade é dele.

Quando a coisa vai mal, o treinador se arranca para outro clube, os “profissionais” idem, e por aí vai… Quem não muda, de casa e de paixão, é o dirigente amador que, em sua grande maioria, está ali única e exclusivamente por amor à causa.

Portanto, sem essa de se contratar, negociar, escalar e, tudo que termine em “ar”, sem que quem comanda respire o ar puro do conhecimento e, nos seus mínimos detalhes.

Ia contar um caso que serviria perfeitamente como exemplo, mas desisto, pois, pode soar cabotino. Aliás, vou contar um caso ameno que serve como exemplo. Tinha acabado de acertar com um treinador, aí perguntei como gostava de trabalhar, se havia algo importante que eu precisasse saber. Disse o treinador que nas preleções antes dos jogos deveriam estar, somente, ele e os jogadores. Disse que não havia entendido bem e pedi que repetisse a colocação, o que foi feito. Olhei pra ele e disse: “você, os jogadores e, EU! …  Até porque, como vou avaliar o seu trabalho sem estar presente?” Ali ele entendeu que havia comando, que haveria cobrança…  Topou, e não deve ter se arrependido, pois juntos, ganhamos muito.

Enfim, quem comanda o futebol não pode ter timidez, nem vergonha de nada, e todos no departamento, do “diretor profissional” ao treinador, passando claro pelos jogadores, têm que saber que ali há alguém que comanda, que manda, que estabelece a filosofia e, que exige RESULTADO.

É isso aí…

O Dia da Polêmica

438352Conforme havíamos combinado, hoje é terça-feira e, como tal, dia de discutir os temas palpitantes e, consequentemente, polêmicos. O problema é que são muitos os assuntos.  Vamos lá…

  1. O presidente Eduardo Bandeira de Mello, em entrevista coletiva, afirmou que o trabalho da turma do futebol vem sendo bem feito, e que a solução é dar seguimento a este trabalho. Você concorda?
  2. Há uma unanimidade com relação à vulnerabilidade da nossa zaga, onde até agora só o veterano Juan não desafinou. Você dispensaria, agora, Cesar Martins e Wallace, promovendo os meninos da base, ou só dispensaria os dois jogadores quando dois outros forem contratados?
  3. Pela reação dos companheiros deste blog, o jovem lateral esquerdo Jorge vem sendo muito criticado. Jorge pode evoluir ou você já desistiu dele?
  4. Com o material humano disponível, 4-3-3 ou 4-4-2?
  5. Guerrero é acima da média mesmo?
  6. Você continua confiando em Muricy?
  7. Nestas três semanas que faltam para o início do Brasileiro, qual seria o seu plano de voo Rubro-Negro se presidente fosse?

Acho que já está de bom tamanho para uma única terça-feira. Como o momento pede, não há outra solução. Vamos lá?


Lá vou eu:

(Reprodução da TV)

(Reprodução da TV)

1 – Trabalho bem intencionado e sério, não necessariamente é um trabalho bem feito que, na realidade, é medido pelos objetivos alcançados. Pelo contrário, acho que a programação original deve ser revista de maneira imediata.


(Foto: Gazeta Press)

(Foto: Gazeta Press)

2 – Já disse e, repito. Não há mais clima para Wallace e Cesar Martins continuarem. Fatos novos na zaga, já! Mesmo que sejam os garotos dos juniores.


(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo )

(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo )

3 – Gosto do futebol do jovem Jorge. Gosto de quem tem talento e, é abusado. Vale a pena insistir com ele.


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4 – Esta é fácil. Com o material humano que temos, sem dúvida, o 4-4-2 e, quem sabe, 4-5-1.


(Foto: Staff Images)

(Foto: Staff Images)

5 – Quando o Renato Augusto, que com ele jogou no Corinthians me disse isto, acreditei. Continuo até acreditando, porém sem o mesmo entusiasmo.


(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo)

6 – Esta pergunta, para ser 100% honesto, eu só poderia responder depois de conversar muito com ele. Diria, para não deixar sem resposta, que torço muito por ele.


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7 – Juntaria a turma do futebol para uma profunda avaliação e introduziria imediatamente tudo que fosse entendido como necessário para se sair deste marasmo e, determinaria uma participação mais efetiva dos dirigentes amadores, a saber, vice-presidente e diretor de futebol que, a meu ver são competentes, porém, têm demonstrado timidez. A filosofia institucional cabe aos dirigentes. Ponto!


Acho que já está de bom tamanho para uma única terça-feira. Como o momento pede, não há outra solução. Vamos lá?

A pergunta do Helder

O décimo quinto comentário do último post, feito pelo companheiro HELDER, na realidade, é uma indagação e, se não estou equivocado, feita com tom de perplexidade e, de uma profundidade do tamanho e importância da floresta amazônica…


Alguém saberia explicar por que o Flamengo não entrou junto com o Vasco no Domingo? Por que aquela atitude dos jogadores do Flamengo? Qual o motivo da falta do fair play?
– Helder


HELDER, amigo, acho que posso não só responder, como me aprofundar no tema, que muito tem a ver com o post anterior, cujo título foi MALHAR EM FERRO FRIO.

Hoje, pude em meio a tantos telefonemas, pois estava em casa atacado impiedosamente por uma virose, apurar que a iniciativa foi dos jogadores. Não sei exatamente se de todos, de muitos, ou se de uma liderança que vendeu bem para os companheiros a sua ideia de “marcar o território”, de deixar claro que “aqui mandamos nós.”

Resumo da ópera: cada um, no seu cada um. Compete aos jogadores, jogar. Compete à diretoria, pensar e decidir filosofias, inclusive, e principalmente, as institucionais.

O time do Vasco demonstrou em campo que pode haver enorme determinação, entrega e espírito de vitória, sem grosseria e sem frustrar crianças que aguardaram com tanta ansiedade o momento mágico de entrar em campo de mãos dadas com seus ídolos.

Está mesmo na hora dos dirigentes rubro-negros terem uma conversa franca e objetiva com o treinador Murici, e com os jogadores. Treinador, treina, escala e dirige o time. Jogador, treina e joga. Diretoria, pensa e DECIDE.

Cada um, no seu cada um… Se não for assim, triste será o fim.

(Foto: Edmar Barros / Agência Estado)

(Foto: Edmar Barros / Agência Estado)

Malhar em ferro frio

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Com certeza, você já ouviu isso alguma vez na vida. O que quer dizer? Simples. Não adianta insistir quando solução não há. Perda de tempo…  Enfim, é exatamente o que está acontecendo no Flamengo. Situações mais do que claras de que jamais terminarão bem e, apesar de todos saberem, não se assume a necessidade de mudança.

Há quanto tempo todos aqui neste blog já concluíram que a zaga que jogou ontem não tem a mínima afinidade com o Manto Sagrado? Isto, é MALHAR EM FERRO FRIO. Insistir no que todos já viram que não dá.

Já comentei aqui, e repito, que esta diretoria, do presidente ao diretor da bocha, é composta por pessoas corretíssimas, bem-intencionadas e, em sua brutal maioria, muito competentes. No futebol, nenhum reparo aos que lá estão, não só com relação ao que obrigatório seja, no caso a correção extrema de propósitos, embora nos dias de hoje, isto possa ser encarado como virtude e, também, com respeito ao conhecimento de causa. O presidente Eduardo já está no seu quarto ano, Plínio tem experiência de causar inveja, e Godinho sempre demonstrou intimidade com a matéria. Esta diretoria – amadora por estatuto – é, em síntese, a responsável pelo futebol. A caneta está com ela, portanto, cabe a ela tocar o barco.

O que quero dizer? Que até o respeito profissional tem limite. Se Muricy recomenda a renovação de contrato de algum jogador que sabemos todos que não dá, basta não renovar. Sem alarde, sem tumulto, sem briga. Com sutileza…

Treinador também erra. Aí é que entra a sintonia fina entre diretoria e comando técnico. Quando há esta sintonia, tudo se resolve. Quando não há, tragédia anunciada.

Compete ao treinador desenvolver o seu trabalho em função do material humano que a diretoria do clube coloca à disposição dele. O comando técnico é do treinador. A filosofia, da diretoria. Se a direção do clube entender que a convivência profissional de determinado jogador não casa de forma esmagadora com a torcida, é só dizer ao treinador que não conte mais com este jogador. Ponto! Se o treinador não concordar, tentar explicar a ele a cultura do clube. Se mesmo assim ele não concordar, que siga a vida em outro lugar…

Muitos dirigentes pecam pelo pudor em não interferir. Ficam sem jeito de dizer ao treinador o que ele precisa ouvir. Agora, a interferência é necessária em função de tudo que temos visto.

Já dizia Domingos Bosco que jogador ruim tem que ir embora, pois se fica, acaba jogando. Se a “limpa” tivesse sido feita, a escalação do Flamengo no jogo de ontem teria sido completamente diferente, com um time muito melhor, e não passaríamos o ridículo que passamos.

O momento requer ação, doa a quem doer. Vou mais longe. Se uma reciclagem no elenco for feita imediatamente, mesmo que ninguém seja contratado, já haverá uma melhora super acentuada.

As pessoas que lá estão no comando do futebol são confiáveis. Só precisam deixar a timidez em casa. Timidez não casa com o Flamengo.

Vamos agir?

E agora?

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Aprendi com João Saldanha que, quando se comenta um jogo, ser sincero é obrigação, porém, com todo cuidado possível para não desmoralizar o profissional.

Dentro destas duas premissas, tenho a obrigação de dizer que não há clima para Cesar Martins e Wallace continuarem no Flamengo. Ao mesmo tempo, estimo de coração que os dois possam ter sucesso em outros clubes.

Hoje, vendo o jogo na TV, ouvi o ex-grande jogador Juninho Pernambucano afirmar que Cesar Martins não mereceria ser crucificado, pois, apesar de ser driblado no primeiro gol, havia jogado bem. Pera aí. Tudo bem em não se crucificar um profissional, agora não dá para quem foi decisivo em uma derrota, ser elogiado pelo que ficou devendo. Os dribles que tomou do Riascos foram infantis, beirando o ridículo. Também ridículo foi o gol perdido por ele, completamente só, se enrolando nas próprias pernas, desperdiçando chance incrível, pois nem mais goleiro havia.

Wallace, já é uma falta de afinidade antiga com o torcedor. No Flamengo, dá tudo errado pra ele, como o gol contra de hoje. Acho que este deve ser o primeiro dever de casa da diretoria. Limpar a área, goste Muricy ou não, e encontrar no mercado um ou dois zagueiros de área. Aqui pra nós, esta missão não é das mais complicadas…

O time fez um jogo nervoso, e como o emocional influencia a parte física, ficou para todos a sensação de que o time do Vasco correu mais.

Meio de campo confuso e de criatividade zero. Ataque, obviamente prejudicado, em tarde também de pouca inspiração de Cirino e Guerrero.

Enfim, temos duas semanas para arrumar a casa. O momento requer coragem, sensibilidade, com pitadas de ousadia e, fazer o que tem que ser feito. Doa a quem doer…

Simples, assim…

Tragédia Carioca

Niemeyer-3

Todos nós fomos impactados pela tragédia de hoje em São Conrado.

O mundo, espantado ante este drama, faz com que cada um de nós conclua que a vida nada mais é do que um fiapo.

O futebol já teve a sua tragédia escrita no mesmo lugar. Ali, pescando, sugado pelas ondas, morreu o zagueiro gaúcho Ari Ercílio, que jogava no Fluminense.

Deixo com vocês, sobre o triste tema, o texto do genial Nelson Rodrigues.


Ari Ercílio

Ari Ercílio

1 – Amigos, só conhecia Ari Ercílio de “Mário Filho”. No passado, o campo pequeno criava uma intimidade entre o torcedor e o espetáculo. Era uma relação muito mais intensa, uma convivência muito mais dramática. O torcedor sentia-se como um jogador a mais, dando botinadas em todas as direções. Mas o ex-Maracanã inaugurou uma nova distância entre o público e o espetáculo.

2 – E havia entre mim e Ari Ercílio, a separar-nos, essa distância imensa. Nunca lhe apertei a mão, nunca um “oba” nos ligou e ele seria para mim quase um desconhecido. Mas aí é que está: – o sentimento pode contrariar todas as leis da óptica. Eu gostava do gaúcho e, por ser gaúcho, dei-lhe o nome de “Domingos dos Pampas”. Várias vezes, o Marcelo Soares de Moura, em pleno fogo das batalhas, dizia: – Boa do “Domingos dos Pampas”. E o Miguel Lins era outro. Várias vezes, disse-me: – “Bacana essa do Domingos dos Pampas”. E esse “Domingos dos Pampas” criou, entre mim e ele, uma boa, nobilíssima amizade. Apesar da distância do “M ário Filho”, e da miopia que me persegue, tínhamos uma proximidade amiga.

3 – Até que, anteontem, ouço na televisão: – “Morreu Ari Ercílio”. A chamada morte natural não agride com essa violência. Há a doença, a história da doença, vai preparando não só o próprio doente, mas os outros. Há uma progressão compassiva. O pior é quando tudo acontece de repente. A pessoa está viva, tem um vasto futuro, criará seus filhos e, depois, os filhos dos seus filhos. E, de repente, a queda.

4 – Ari estava mais vivo do que nunca. Já voltava. Mas resolveu dar mais dois ou três passos. E veio a queda. Seu corpo desliza, rola, mergulha. Por que pescar ali, onde o pescador está a um milímetro da vertigem, olhando cara a cara o precipício? Outros já morreram naquele local ou nas proximidades. Lembro-me de Jackson Figueredo, que pescava também, caiu e cujo corpo foi aparecer a milhas e milhas de distância.

5 – Vejam vocês: – eu não ia escrever sobre Ari Ercílio. E explico: – não há nada mais antiliterário do que o verdadeiro sentimento. Sim, o verdadeiro sentimento escreve mal, muito mal. Quando uma crônica de saudade sai perfeita, desconfiemos da saudade: Ia dedicar a Ari Ercílio duas linhas, de passagem. E já estou chegando ao fim do meu espaço.

6 – Eis o que eu queria dizer: – a morte é anterior a si mesma. Começa antes, muito antes. Vocês imaginem que Ari Ercílio tinha feito um seguro de vida de não sei quantos milhões. Segundo me informa o Denis Menezes, a senhora do grande zagueiro ouvira do seu marido este vaticínio: – “Eu não emplaco 73”. Era já o processo da morte.

7 – Outra coisa impressionante: – Ari Ercílio estava pescando num lugar sem problemas: Nisto passa alguém e diz-lhe: – “Não adianta, companheiro. Ai não dá nada. Peixe é ali. Olha: – ali”. Era a morte que o chamava. E, segundo Denis Menezes, o grande jogador chamou a esposa para descer. Ela não quis.

8 – Ele queria terminar sua carreira no Fluminense. Terminou a carreira e a vida. Há entre Ari Ercílio e o Fluminense um vínculo mais forte que a vida e do que a morte. Amém.

Nelson Rodrigues, jornal O Globo, 22 de novembro de 1972.

Aos familiares das vítimas, os nossos sentimentos. Infelizmente, quem projetou a ciclovia não conhecia sequer o histórico do local. Ignorância fatal.

Marcelo Cirino

(Foto: Staff Images)

(Foto: Staff Images)

Nada mais justo do que homenagear o jogador mais agudo e decisivo do jogo.

Marcelo Cirino vem se destacando, sendo o artilheiro do time desde que começou a acreditar que era um jogador diferente. Méritos do treinador que, quando dúvidas surgiram com respeito à competência do atacante, Muricy bancou e, se deu bem.

Cirino não foi o destaque do jogo. Cirino decidiu o jogo. Como a flecha depende do arco, não há como não se destacar a inspiração de William Arão. Hoje, um garçom de causar inveja a todos os talentos que vibram com um passe decisivo como se gol fosse…

A superioridade do Flamengo pode ser medida pelos escanteios. 16 a 0. Guerrero, apesar de não ter marcado, fez uma boa partida. Ao contrário dos últimos jogos, Guerrero deixou uma boa impressão.

Etapa vencida. Agora, ônibus voltando ao Rio, time descansando na medida do possível e, tome avião…

Que venha o Vasco e… SALVE MANAUS!!!

O “Dia da Polêmica”

A ideia foi do companheiro ANDERSON SANTOS, que inclusive elencou uma série de assuntos que podem dar uma boa discussão e, quem sabe, colaborar de alguma forma para decisões acertadas por quem dirige o Flamengo. O pessoal gostou de aqui se colocar alguns temas para debate e, desta forma, selecionei três.

POLÊMICA 1 – PAULO VICTOR ou MURALHA?
(Sugestão do companheiro ANDRE TAVARES).

POLÊMICA 2 – NO FLAMENGO, DEVERIA SER LEI, TODO DINHEIRO ARRECADADO NA CAMPANHA SÓCIO TORCEDOR SER APLICADO EXCLUSIVAMENTE NO FUTEBOL?
(Sugestão do companheiro, criador do dia da polêmica, ANDERSON SANTOS).

POLÊMICA 3 – O VASCO NÃO JOGA NO MEIO DE SEMANA.  O FLAMENGO JOGA E, FORA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, PORTANTO, VIAJA.
O VASCO, NO DOMINGO, JOGA CONTRA O FLAMENGO TENDO A VANTAGEM DO EMPATE.
PERGUNTA: HÁ UM FAVORITO PARA SER FINALISTA NO CAMPEONATO CARIOCA?
(Sugestão do BLOG).

Bem, vou dar a largada.


PV x Muralha

PAULO VICTOR ou MURALHA ?

Paulo Victor!

Por que? Primeiro, não acho que exista no Brasil nenhum goleiro fora de série. Há, sim, bons goleiros, onde os dois se enquadram. A vantagem de Paulo Victor é o hábito de vestir o “Manto”. Não vejo erros contundentes que obriguem o treinador a barrar Paulo Victor.


cartaob

DEVERIA VIRAR LEI, DINHEIRO VIA SÓCIO TORCEDOR, EXCLUSIVO PARA O FUTEBOL?

Claro e, ontem!!! A colocação do companheiro Anderson Santos é pertinentíssima e pra lá de oportuna. Deveria fazer parte do estatuto do Flamengo, e ser crime de responsabilidade, com punição de afastamento, o presidente que descumprir esta “Lei Santa”. Espero que os meus queridos companheiros dirigentes do Flamengo gostem da ideia, e que esta proposta possa ser encaminhada na próxima reunião do Conselho Deliberativo. O fato é que, embora 99% do que o clube arrecada tenha como motivação o futebol, parte significativa desta arrecadação, até como obrigação estatutária, acaba tendo outros destinos. Acontece que, no caso do “Sócio Torcedor”, os recursos arrecadados estão umbilicalmente ligados ao futebol. Ou seja, o “Sócio Torcedor” é filho do futebol. A ideia é ESPETACULAR!!!


(Foto Gilvan de Souza / Flamengo)

(Foto Gilvan de Souza / Flamengo)

QUEM É O FAVORITO?

Sem essa de dizer que em clássico não há favorito. O que se pode admitir é que em clássico, pela tradição, o favoritismo pode ser minimizado. Domingo, pela quantidade de jogos sem perder e, acima de tudo, pelo aspecto físico, o Vasco é o favorito. Espero que os nossos jogadores vejam desta forma e, até por isso, entendam que a doação deve ser bem maior do que a normal. E, bom não esquecer que a pergunta não é para se apontar o favorito para ganhar o jogo, e sim, para ser o finalista do Campeonato Carioca.

Agora, a bola está com vocês…