Respondendo

Dois dos nossos queridos companheiros cobraram no último post, postura diferente de minha parte, pois na opinião deles, deveríamos concentrar os temas aqui abordados exclusivamente no Flamengo.

n_flamengo_escudo-7318430Queridos Sergio Vital e “Formengo77”,

Embora respeite o ponto de vista de vocês e, em defesa dos próprios interesses do Flamengo, afirmo que se deixarmos de atentar para tudo que ocorre à nossa volta, se nos concentrarmos apenas no “nosso umbigo”, limitaremos qualquer tipo de contribuição que possamos dar à nossa paixão maior que é o Flamengo.

Em síntese, não podemos fechar os olhos para o mundo, até porque, o Flamengo faz parte dele.

Forte abraço.

O futebol está ficando muito chato

(Foto: AFP)

(Foto: AFP)

Acredito que a maioria dos amigos do blog tenha tomado conhecimento do desabafo da goleira americana, Hope Solo, após o jogo pelas quartas de final dos jogos olímpicos, contra a seleção da Suécia. Hope, entrevistada após a partida, afirmou que as suecas foram covardes, jogando o tempo todo na defesa, pedindo a Deus por uma decisão por pênaltis. Pois bem, a Federação de Futebol da terra do Tio Sam acaba de anunciar que a goleira da seleção e do Seattle Reign, está suspensa por seis meses pela “infeliz” declaração.

Caramba, eu como repórter ouvi mais de uma centena de vezes desabafos absolutamente iguais. Como dirigente, outra centena de vezes. A única diferença é que ninguém foi punido por isso. Este tema vem em boa hora, na medida em que há para tudo na vida um limite, inclusive para o tal fair-play, inventado pela Dona FIFA. Meus Deus, será pecado alguém afirmar que a tática utilizada pelo adversário foi uma tática covarde, isto é, que o time que estava do outro lado entrou em campo para não perder? E nisto tudo, onde fica o direito sagrado de expressão?

Hope não fez nenhuma acusação que agredisse a dignidade de qualquer jogadora sueca. Hope, apenas disse que o time adversário entrou em campo pensando única e exclusivamente em se defender. Inconformada e de cabeça quente pelo fato do volume de jogo apresentado pelas americanas não ter sido suficiente para garantir a vitória, encontrou a sua explicação para a eliminação precoce nas olimpíadas do Rio. Aliás, é bom registrar que não está em julgamento se Hope teve ou não razão no conteúdo, isto é, se o que disse fazia sentido. Isto é outro problema. O que estamos debatendo é que a forma, ou seja, o modo como ela se expressou, para quem conhece minimamente o mundo do futebol, não foi ofensivo e não agrediu ninguém.

O resumo da ópera é que o futebol está ficando muito chato. E, chato está, pelos chatos que, com ar professoral, querem fazer do esporte mais popular do mundo um chá das cinco no colégio Sion. O que querem estas malas? Acabar com a espontaneidade tão pertinente a um esporte popular? Quantas vezes tive que ouvir Manga, goleiro do Botafogo, dizer que adorava jogar contra o Flamengo, pois desta forma, poderia fazer a feira de maneira antecipada, já que o bicho era certo… Claro que, como torcedor, ia à loucura em função da paixão, mas jamais me senti ofendido, pois a gozação fazia parte…

Aqui, apenas um comentário. Lá, a estúpida, grosseira, descabida e desproporcional decisão, representou o final de carreira da mais importante goleira do futebol feminino. Inacreditável!!! Que americanos chatos…

 

 

As notas dos jogadores

(Foto: Márcio Cunha / Mafalda Press)

(Foto: Márcio Cunha / Mafalda Press)

Os companheiros de jornal sempre me disseram que o que o leitor mais gosta após um jogo é ver a nota dada aos jogadores.

Hoje, com dois jornais à minha frente, me chamou atenção o desacordo entre eles. Os jornais são O Globo e Lance e, por incrível que pareça, só em dois casos as notas foram as mesmas. De resto, desacordo total nas avaliações dadas aos jogadores do Flamengo que atuaram ontem em Chapecó, contra a Chapecoense.

Antes de algumas observações, para quem não tomou conhecimento, vamos às notas do Globo e do Lance:

tabela notas2

Algumas observações.

. Em 14 notas, incluindo-se aí o treinador Zé Ricardo, só houve coincidência em duas oportunidades. Pará (6,5) e Rever (6,0). Em síntese, a concordância entre os dois veículos foi de apenas 14%. Convenhamos que, em se tratando do mesmo jogo, índice muito baixo…


. Claro que, cada um vê o jogo de uma forma, mas, mesmo assim, algumas notas me pareceram completamente fora de sintonia com a realidade.

No Globo: Mancuello (5,5) e Guerrero (5,5). Mancuello, além de dar um outro ritmo ao time, fez o gol do desafogo, e não foi um gol qualquer. E Guerrero, que realmente não chegou a ser destaque, também contribuiu para a vitória e, em momento algum destoou. A nota (5,5) foi muito baixa. No Lance, foram castigados: Rafael Vaz (5,5); Márcio Araújo (5,0); Arão (5,5); Diego (6,5) e Everton (5,5).

Caramba, o Flamengo ganhou o jogo por 3 a 1!!! A meu conceito todas estas notas estão abaixo do que os jogadores citados realmente produziram.


. Sei perfeitamente o quanto é complicado ser o mais justo possível quando o tempo corre contra e, não é à toa que existe a máxima famosa dando conta de que a pressa é inimiga da perfeição. A correria para o fechamento do jornal, claro que atrapalha. O outro fator negativo é que a nota é dada por apenas um profissional que, como qualquer ser humano, às vezes se equivoca. Se fosse eu escalado para dar as notas, sem dúvida alguma, escalaria dois amigos em quem confiasse para esta missão e, ao final do jogo, bateria uma bolinha com eles e, a média dos três seria o produto final. Fica a dica para os queridos companheiros…


. De qualquer forma, a estratégia realmente é boa. Não há, inclusive eu, quem não leia… Se cria polêmica, é bom…


. Agora, o comentário é com vocês… Aliás, que tal, aqui no blog, após cada jogo cada um sapecar a sua nota para cada jogador do Flamengo?

Não entendi

 

(Fotos: Andrey Menezes / FLA TV)

(Fotos: Andrey Menezes / FLA TV)

O nosso bravo Globo.com traz matéria com chamada forte, em que Zé Ricardo diz que ainda é cedo para afirmar que o Flamengo briga pelo título. Juro que não entendi…

Há duas possibilidades de se analisar se esta afirmativa seria prematura. A primeira se estivéssemos no início do campeonato, o que não é o caso, já que atingimos mais da metade do caminho a ser percorrido. A segunda, seria se na tabela do campeonato os números não fossem tão favoráveis.

Acontece que, os números afirmam que os 40 pontos conquistados credenciam sim o Flamengo como pretendente óbvio ao título. Não bastassem estes argumentos, mais dois: A distância entre o Flamengo e o Palmeiras, atual líder, é de apenas três pontos e, ainda haverá um jogo entre eles. E, como argumento final, o elenco do Flamengo, por si só, assina a lista dos concorrentes ao título.

Talvez Zé Ricardo tenha tido a intenção de evitar um possível oba-oba, calçando as sandálias da humildade. Até concordaria em outra situação, como por exemplo dizer que o Palmeiras é o favorito, mas contrariar os números, aí não dá…

Há hora para tudo na vida e, está mais do que na cara, que a nossa hora é essa!!!

Damião é a surpresa

(Foto: Márcio Cunha / Mafalda Press)

(Foto: Márcio Cunha / Mafalda Press)

Que bom quando a surpresa é positiva. Quando e, de onde menos se espera, vem a solução.

Como o futebol é curioso. Quando contratado, houve muita gente que contestasse Leandro Damião. Não só pelo retrospecto recente, como também pelo momento positivo de Felipe Vizeu. Embora eu tivesse dado força, apoiando a contratação, confesso que não esperava neste início o que Damião vem demonstrado. Melhor para o Flamengo, pois, a partir de amanhã Zé Ricardo não poderá contar com Guerrero, servindo à seleção peruana, e Felipe Vizeu, convocado para a seleção sub-20 do Brasil.

O problema quando se contrata um jogador, é confiar nele. Dificilmente qualquer grande clube brasileiro arranca de outro grande clube um jogador que esteja bem. Se o retrospecto recente de Damião fosse bom, com certeza, não estaria agora no Flamengo. Parabéns, pois, aos dirigentes que tiveram sensibilidade para a contratação.

O jogo foi bom e, o Flamengo poderia ter despachado a Chapecoense ainda no primeiro tempo. Na transmissão da Globo, o nosso Júnior estranhou o comportamento do time catarinense, jogando sem a pegada habitual. Faltou dizer que, o Flamengo não soube aproveitar a sonolência do adversário. Menos ruim que, quando preciso foi, o Flamengo apertou o ritmo e construiu o placar de 3 a 1.

Muralha, muito firme e com personalidade. Pará começou endiabrado e depois caiu um pouquinho. Zaga, firme, e Jorge, pouco ousado. Do meio para frente, ninguém destoando, com destaque para os que entraram. Damião e Mancuello, jogaram o fino.

O Fluminense não colaborou. Paciência…

Muito bom o empate entre Atlético e Grêmio…

O Flamengo vai chegar lá por sua própria conta. Agora, o importante é concentração total, e não errar, dentro e fora das quatro linhas.

Desculpem o otimismo. Há ótimos motivos para isso. Só não vê, quem não quer.

Domingo de alegria…

Bola pra frente

Treino da equipe, hoje, em Chapecó (Foto: Andrey Menezes / FLA TV).

Treino da equipe, hoje, em Chapecó (Foto: Andrey Menezes / FLA TV).

Pelos comentários que li, alguns companheiros não entenderam o que coloquei. De minha parte, nada contra ninguém. Apenas, tendo como base uma razoável experiência de vida, “o toque” no sentido de que todos no futebol do Flamengo entendam que discutir um tema não é pecado, não é demérito, para quem quer que seja. Aliás, muito pelo contrário. Aceitar ou promover o diálogo é demonstração clara de inteligência, sabedoria e humildade.

Portanto, o que tinha que ser dito aí está. Sem firulas e sem frescura. Direto e, sincero, como deve ser.

Leio que Zé Ricardo pretende escalar o que tem de melhor para o jogo de domingo contra a Chapecoense. Maravilha!!!

Bom que ele aproveite bem este final de semana, pois depois desta, Vizeu – servindo à seleção sub-20 – e Guerrero – convocado para jogar as eliminatórias – não mais estarão à disposição. Portanto, a hora de botar para jogar é essa…

Que a lição tenha sido aprendida. Nada de ficar remoendo o passado recente. Passou…

Bola pra frente…

O cheirinho de título está muito forte…

Convite para uma análise mais profunda

(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo)

(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo)

Como sempre, também ontem e hoje, li todos os comentários. Talvez por ser algo cultural ou, reação natural diante de um resultado inesperado, na média, sobrou para o treinador. Todos aqui sabem que, após vivenciar inúmeras situações, concluí que dirigir o time principal do Flamengo, é missão para profissional qualificado como sendo de linha de frente, ou seja, experiente e, vencedor.

Também, aqui mesmo neste blog, reconheci que ante às circunstâncias, a diretoria do Flamengo não tinha outra opção qual não fosse, de forma interina, utilizar os serviços profissionais do técnico Zé Ricardo. A partir daí, houve um longo período em que Zé Ricardo dirigiu o time mesmo na condição de interino, até que foi efetivado. O meu convite para uma análise mais profunda começa exatamente no sentido de que esqueçamos tudo que acabei de colocar, seja como opinião pessoal ou, rememorando os fatos.

Amigos, seja no futebol, na quitanda, na padaria, na instituição bancária ou, em qualquer lugar, conversar para decidir, é preciso. O que ocorreu ontem, quando o time foi escalado de forma equivocada, colocando em risco uma possível e importante conquista, foi o resultado, possivelmente, de falta de conversa, de se debater um tema importante, não deixando a decisão para uma só cabeça.

Há por parte de alguns companheiros de imprensa o pensamento definitivo de que o dirigente não deve interferir na decisão do treinador. Diria que, depende do que se trata. Se for uma opção técnica entre esse ou aquele jogador, claro que a decisão é exclusivamente do treinador. Escalação é com o treinador, competindo ao dirigente a filosofia, o que ontem foi o caso. Escalar um time titular ou um time reserva, é decisão para ser tomada em conjunto e, que o dirigente não tem o direito de se omitir, goste ou não o treinador. Já passei por esta experiência e, aqui já contei o ocorrido. O treinador, à época, havia decidido colocar um time reserva em um jogo pra lá de importante. Houve a conversa e ele entendeu que havia extrapolado o limite da sua função. Ainda bem, pois se não tivesse entendido, o preparador físico iria dirigir o time.

O Flamengo tem um presidente que gosta de futebol e está sempre presente. Tem um vice-presidente de futebol atuante. Tem um ministro sem pasta, meu amigo Plínio, com grande experiência. Entre os remunerados, há o diretor geral Rodrigo Caetano, além do nosso Mozer. Será que ninguém quis saber do treinador o que ele pretendia fazer? Que time ia colocar em campo? Abro parênteses para garantir que alguns dirigentes se sentem inibidos, achando que podem constranger o treinador. Só que, mesmo que isto aconteça, é muito melhor constranger circunstancialmente o profissional, do que ficar envergonhado após tomar de 4 a 2 e, quem sabe, com o sentimento de culpa de não ter ceifado a ideia pouco feliz que testemunhamos ontem.

Em síntese, muito mais importante do que discutir se Zé Ricardo, é bom, ruim ou mais ou menos, é que o time que joga fora das quatro linhas – composto pelos dirigentes não remunerados e pelos dirigentes remunerados – entenda que, por mais competente que seja um profissional, quando há em jogo o indiscutível interesse do clube, não é pecado exigir participar de uma decisão. O pecado é a timidez, que é parente da omissão. Conversar, quando necessário, é fundamental.

Faltou bom senso

(Foto: Nelson Almeida / AFP)

(Foto: Nelson Almeida / AFP)

Para começar, falar da importância desta Copa Sul-Americana para o Flamengo. Na realidade, uma importância dupla. Para quem passou em branco durante todo o ano, sem conquistar nenhum título, convenhamos que esta Copa Sul-Americana, com concorrentes fracos, caiu do céu.

Além de abrir a perspectiva para conquistar um título, o prêmio é espetacular, pois quem levantar o caneco estará garantido na próxima Libertadores. Portanto, o que não falta é motivo para que todos no Flamengo encarem esta competição com seriedade e bom senso.

Não duvido da seriedade, mas, com certeza, houve uma enorme infelicidade na escalação do time. Poupar um ou outro jogador, tudo bem. Agora, trocar todo um sistema defensivo, com jogadores que estavam parados e que poucas vezes jogaram juntos, é dar muita sopa para o azar. Será que não dava para poupar só um dos laterais? Será que não dava para poupar um só dos zagueiros? E, por que voltar com um goleiro parado desde o século passado, num jogo tão importante?

Do meio para a frente, o samba do criolo doido…ninguém se entendendo, até por uma questão de entrosamento…

Será que as pessoas não conversam? Será que, dirigentes amadores, dirigentes remunerados e comissão técnica, pensaram da mesma forma? Será que houve uma pane mental?

Todos aqui sabem o que penso. Ao treinador compete a escalação. Ao dirigente, a filosofia. O treinador pode até ter tido a ideia de colocar um time reserva. Competia ao dirigente dizer não. Escalação é uma coisa. Filosofia, é outra coisa. Erramos…

O curioso é que o treinador do Figueirense foi demitido exatamente por bater pé, querendo escalar um time reserva neste jogo, poupando os titulares para o Campeonato Brasileiro, onde o clube catarinense namora o rebaixamento.

O placar de 4 a 2, de forma isolada,  convenhamos, ridículo. O placar de 4 a 2, com o regulamento na mão, não é o fim do mundo, pois uma vitória por 2 a 0 no jogo da volta, classifica o Flamengo.

Resumo da ópera: Sofrimento sem necessidade. Faltou bom senso. Faltou experiência.

Mensagem para o genial Bernardinho

(Foto: Severino Silva)

(Foto: Severino Silva)

Bernardinho, querido,

Adoraria terminar esta mensagem parabenizando você pela medalha de ouro e, como brasileiro e apaixonado pelo vôlei, agradecer a Papai do Céu por você existir. Incrível como alguém pode aliar com tanta clareza e simplicidade, competência, determinação, comunicação e carisma. Tudo isto e, não é fácil, aliado a uma alma linda, do bem e vencedora.

Infelizmente, em meio a tantos momentos emocionantes após a conquista do ouro, via você, responsável direto pela conquista, assistindo como qualquer mortal à entrega das medalhas.

Aquele pódio ficou pobre sem a sua presença. Ficou vazio. Ficou injusto…

Não sei de quem surgiu a ideia de não consagrar o treinador nas olimpíadas e, confesso, também não estar interessado. O que importa é corrigir este erro, esta grosseria. Claro que há treinadores que têm importância relativa e, o mesmo se aplica a vários atletas num esporte coletivo. Só que também há treinadores decisivos, geniais. Comandantes na acepção da palavra. E, este é o seu caso.

Como brasileiro, esportista, e principalmente como ser humano, me senti agredido vendo você como espectador de um momento único, que só foi possível graças à sua genialidade e ao seu trabalho.

O seu lugar era no pódio, recebendo a sua medalha de ouro. A consagração popular você já tem e faz tempo.

Que espírito olímpico é esse que não valoriza e reconhece quem mais merece? Isto precisa ser corrigido.

Você é motivo de orgulho para qualquer brasileiro.

Amamos você!!!

Parabéns!!!

Kleber Leite

Um enterro de luxo para o vira-latismo brasileiro

(Foto: Johannes Eisele / AFP)

(Foto: Johannes Eisele / AFP)

Amigos queridos,

Estava me preparando, após nova avalanche de emoções proporcionada pelos meninos do vôlei, quando me deparei com este lindo e profundo depoimento do nosso querido Eduardo Bisotto.

Como o blog é nosso, divido com vocês este texto medalha de ouro, em amor e otimismo.


3511No ano 1915 da Graça de Nosso Senhor, um dos maiores literatos brasileiros, Lima Barreto, publicava o clássico “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Sem querer resenhar a brilhante obra, ouso resumi-la em uma única definição: Lima Barreto estava profetizando a morte do nacionalismo brasileiro. Obra profética, resumiu o quanto o brasileiro tem se sentido desde a proclamação da República: um vira-latas buscando do mundo um amor que não ousa dar a si próprio. 

Os anos passaram, Nelson Rodrigues, médico da alma brasileira, diagnosticou com brilhantismo a doença asquerosa que corroía o tecido pátrio. Éramos vira-latas convictos, não ousávamos nos respeitar e sonhávamos com o estrangeiro nos jogando um ossinho que nos fizesse sentir melhor. O mesmo Nelson, apesar de pessimista professo um otimista na prática, ousou acreditar que tínhamos nos curado quando um negrinho de 17 anos, de nome Edson e de apelido Pelé, lavou nossa alma na Suécia.

Passaram-se quatro anos e ganhamos de novo. Desta feita com um anjo de pernas tortas e cabeça cheia de pinga. Perdemos em 1966, mas tornamos a encantar o mundo em 1970. Parecia que Nelson Rodrigues tinha razão: a Pátria de Chuteiras havia sepultado o vira-latismo.

Ledo engano.

Os vira-latas, que nas nossas vitórias, tais como os ratos buscam  esconder-se em catacumbas sombrias, destilando para si mesmo seu veneno pessimista sombrio, tornaram a instilar na alma Pátria o veneno da falta de respeito, da falta de amor próprio, da baixa-estima generalizada.

Alemães são organizados. Americanos são maravilhosos. Italianos tem paixão. Argentinos são fantásticos. E nós, pobres diabos, devíamos nos contentar com o limbo, com a eterna síndrome do perdedor. Éramos amarelões, incompetentes, tremíamos.

O 7 a 1 em casa, em plena semi-final de Copa do Mundo, pareceu dar razão a estes abutres da nacionalidade. A estes urubus do Brasil. A estas hienas de nosso país. Nossa desgraça suprema foi o combustível de sua suprema felicidade. Estava comprovado: éramos um amontado de lixo, indigno de respeito.

Vieram as Olimpíadas. Os mesmos abutres, as mesmas víboras, os mesmos parasitas da seiva nacional se apresentaram. Torceram contra o Brasil da primeira à última modalidade. Viram defeitos onde o mundo inteiro só via virtudes. E torceram por uma desgraça ainda maior do que o 7 a 1, que comprovasse suas profecias catastróficas.

Mas os deuses que regem o Esporte e a Vida não gostam de gente má, de gente amarga, de gente que não respeita a Terra que os acolheu e que lhes garante a subsistência diária.

Ganhamos o ouro inédito no futebol. Não tivemos atentados terroristas, que confesso, eu mesmo temi que poderiam ocorrer. A organização foi impecável. E os americanos que acreditaram poder levar vantagem na nossa fama espalhada pelos abutres tiveram de desculpar-se por sua atitude torpe. 

O legado Olímpico é gigantesco para o Brasil. Desenvolvemos uma cultura esportiva, ainda que incipiente, que nunca tivemos.

E fechamos neste exato instante, com chave e medalha de ouro no vôlei. Bernardinho, José Roberto Guimarães, Rogério Micale e as dezenas de heróis destes esportes, além das tantas outras medalhas que ganhamos nas mais várias modalidades, são o Brasil que presta, o Brasil que honra a Terra que lhe acolhe e que podem ser chamados de BRASILEIROS na mais perfeita acepção do termo.

Este Sul Connection, representado na cobertura oficial das Olimpíadas pelo companheiro Lauro Tentardini, tem orgulho de ter feito parte de forma direta deste momento histórico para o Brasil.

Se as hienas, abutres, urubus e vermes parasitas da nacionalidade jamais serão exterminados de todo, ao menos o vira-latismo como cultura depressiva e parasita do Brasil teve seu enterro de luxo com os dois ouros no futebol ontem e no vôlei hoje.

Permito-me encerrar com o canto que tão bem simboliza nossa torcida há tantos anos:

EU, SOU BRASILEIRO, COM MUITO ORGULHO, COM MUITO AMOR!

VIVA O BRASIL!

Eduardo Bisotto