As mudanças do judô

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

ANOS 60, fui apresentado a este esporte espetacular, capaz, pela sua nobreza, a colocar no prumo da vida até mesmo jovens que para muitos seriam irrecuperáveis para a sociedade.

Na minha viagem neste esporte, durante quase 10 anos, na Praia do Flamengo 66, com o manto sagrado no quimono, fui testemunha do milagre proporcionado pelo judô, colocando nos trilhos alguns “trens” com seríssimas tendências a descarrilamento…

Além do lado educativo, onde a disciplina é tudo, o Judô era acima de tudo um esporte com aprendizado e regras bem simples. A base do aprendizado, primeiro era aprender a cair, onde os rolamentos preparavam o judoca para as quedas inevitáveis. Depois, as quatro quedas básicas: Osoto-gari, Tai otoshi, Uki goshi e Seoi nage e, paralelo a isso, o judoca aprendia a lutar no chão, onde era apresentado às imobilizações e às possibilidades de estrangulamentos.

Nas competições, onde os dois judocas jogavam de branco, uma faixa era colocada em um deles. Havia o juiz central e dois laterais, que ficavam sentados portando duas bandeiras. Uma branca e outra da cor da faixa colocada em um dos judocas. A disputa era definida sem a necessidade da atuação dos bandeiras, se houvesse um wasari, que é a queda de lado, ou um ippon, quando ocorre a queda perfeita, com às costas no chão e, aí, fim do jogo.

Claro que a definição poderia ser no chão, através de uma imobilização ou de um estrangulamento. Se nada disso ocorresse, o árbitro central apelava aos bandeiras. Se houvesse unanimidade, decidido estava. Se um bandeira optasse por um judoca, e o segundo bandeira pelo outro judoca, o árbitro central desempatava e, fim de papo. Simples assim…

Hoje, muita coisa mudou e, entre tantas mudanças, a mais radical foi na arbitragem, onde os bandeiras foram abolidos, a punição com peso de decidir o jogo foi criada e, todo poder ficou concentrado no árbitro.

O judô, se ficou mais ágil, onde as punições inibiram o antijogo, também abriu a possibilidade para grandes injustiças, quando o todo poderoso árbitro central se equivoca. Isto ocorreu ontem, em duas oportunidades, prejudicando na parte da manhã um brasileiro, e na parte da tarde uma brasileira.

O equívoco da manhã vi pela TV e, todos os comentaristas apontaram o erro da arbitragem que liquidou o brasileiro. À tarde, fui testemunha de novo absurdo, já na Arena Carioca 2 que, diga-se de passagem, é um espetáculo. Mayra Aguiar, nossa simpática e competente judoca, foi vítima do equívoco do árbitro da Geórgia e, em função deste erro de arbitragem, perdeu a chance de disputar a medalha de ouro. Nunca vi, nem no futebol, um árbitro ser tão vaiado e hostilizado. Mayra, disputou a medalha de bronze e venceu.

Tudo muito bem organizado. Um mundo de gente se locomovendo sem nenhum tipo de problema. Nota 10 para a organização deste maravilhoso evento.

Voltando ao nosso tema inicial, o Judô evoluiu, plasticamente falando, mas ficou menos democrático, onde o árbitro é o ditador.

1 Comentário

  1. Ter apenas uma pessoa DECIDINDO é um erro para qualquer esporte, as últimas rodadas do Brasileirão demonstram isso.Ter VáRIAS já é complicado, uma só JULGANDO CARREIRAS em SEGUNDO é ABSURDO. A ele é dado o PODER de INFLUIR no RESULTADO de uma vida de SACRIFíCIOS e BUSCA.

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  2. Por falar em mudanças e falando em futebol, já que a FIFA ñ tem coragem de por dois arbitros em campo ou por um APITO na boca do BANDEIRINHA.

    Por que ñ MOTORIZAR OS ARBITRROS ?

    Dar literalmente um motorzinho aos assopradores de apito.

    https://m.youtube.com/watch?v=qXinEsbZnFA

    ou

    https://m.youtube.com/watch?v=YHA2oHCim-s&itct=CAsQpDAYAyITCMCv_a75vM4CFcSkvgodzM8L3DIHcmVsYXRlZEi12e3h7ISS0ccB&gl=BR&client=mv-google&hl=en

    Um MONOCICLO ou BICICLO seria bom não ?

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