A dor de cada um

(Foto: Divulgação)

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Definitivamente, estamos diante de uma transformação nos hábitos e costumes da humanidade.

A internet virou o mundo de cabeça para baixo, onde, como que num passe de mágica, parte significativa da humanidade – acho que a maioria – ficou dependente, quase que escravo, deste fenômeno.

Confesso que fiquei assustado ao ouvir o excelente apresentador André Rizek criticar os atuais jogadores da Seleção Brasileira, pelo fato de não terem se manifestado publicamente sobre o falecimento de Carlos Alberto Torres. Rizek, fez questão de elogiar a única exceção, que foi o palmeirense Gabriel Jesus.

Tudo bem que não há como se dançar qual não seja no ritmo da música que está tocando. Reconheço ser mesmo complicado, mas há um limite para tudo nesta vida, inclusive para as “obrigações” impostas pela modernidade.

Tostão, em seu livro recente, afirmou que, no caso dele, telefone celular só serve para fazer e receber ligações, pois o restante do “cardápio” oferecido pela engenhoca, ele não domina. Tostão, não tem “Face” e, outras novidades do gênero.

Embora a maioria das pessoas não haja como o tricampeão mundial, uma quantidade razoável de seres humanos age e pensa como ele.

Portanto, não pode ser obrigação de ninguém, inclusive dos jogadores de futebol da Seleção Brasileira, postar pensamentos ou sentimentos.

O fato de Gabriel Jesus ter se manifestado merece uma pergunta. Será que a iniciativa foi realmente dele, ou de sua assessoria de imprensa?

Além do aqui colocado, há ainda o argumento definitivo de que cada um sente a dor de uma forma, inclusive em silêncio. E, há ainda quem prefira se esconder, como se a fuga amenizasse a dor.

Enfim, com todo respeito à modernidade, ninguém é obrigado a se manifestar publicamente, seja por estar feliz, seja por estar infeliz, seja para exaltar, seja para lamentar.

A cobrança soa injusta e impertinente. Rizek, apesar de ser um craque, também perde pênalti. Tem direito, como todo ser humano, falível por natureza ou, por demais influenciado pelo novo mundo da internet.

1 Comentário

    • O Rizek que nós vemos no vídeo hoje é um de modos estudados e polido claramente artificial. O verdadeiro Rizek foi domado pelos diretores da Sport TV, que conseguiram produzir um perfil adequado, um personagem. O verdadeiro Rizek buscava a polêmica como forma de alcançar a genialidade, era um tipo altamente improvável, que volta e meia tomava alguns cascudos do “Didi” e dos membros da bancada do programa…Mas o menino mudou a casca, mas o interior ninguém muda assim.

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  1. Concordo em gênero,numero e grau com o que o senhor postou. No entanto quero levantar uma bola aqui.

    Rizek talvez tenha levantado uma questão de que brasileiro tende a não se manifestar quando dele se espera algo mais profundo. Brasileiros tendem a não valorizar seus ídolos, principalmente em se tratando de esporte.

    Será que demos, damos e um dia seremos capazes de dar o devido valor aos nossos ídolos?

    Pior, quando no dia de hoje temos um único atleta que emite sua opinião e ainda nos soa com a possibilidade de ter sido feita por um assessor.

    Realmente os tempos são outros. Vez ou outra essa tecnologia atual prega mais peças do que nos resolve.

    Pior ainda é que fatalmente o caso do “Capita” não deverá ser o último.

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  2. Gosto muito desse rapaz. Assisto com certa regularidade seu programa. Entendo que sua dor e sentimento pela perda do amigo e colega de trabalho talvez tenha influenciado sua razão e por isso fez essa colocação. Infeliz, por sinal, como bem colocaste, caro Kleber. Diante da circunstância, melhor relevar.
    Capita estava acima de todas nossas diferenças.
    Que descanse em paz!

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  3. Bem editado caberia em um episódio da série espetacular Black Mirror que destaca em alguns episódios mais que outros onde o vício em tecnologia pode levar a sociedade, em sua maioria a lugares cada vez mais sombrios. Não postar o luto nas redes sociais te faz perder pontos. Esse seria com certeza parte no episódio queda livre (primeiro da terceira temporada)!!

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    • Rick, o vício é para os fracos…Seja de tecnologia, drogas, sexo etc. Já dependência da tecnologia é um fato incontestável, irreversível. As novas gerações verão a internet como as gerações anteriores virão o motor a explosão, como a energia elétrica, como a televisão. Como sou da geração da televisão a válvulas, prenúncio da colorida, da geração pré-fax (Telex na época), ainda nos espantamos um pouco com a tecnologia! SRN

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  4. Querido Kleber!
    Sou absolutamente suspeito para opinar sobre André Risek.
    Acho esse corintiano enrustido um chato de galocha. Inclusive, parei de ver o REDAÇÃO, justamente por causa do seu comportamento politicamente correto.
    Como disse o Nino, e com razão, Risek se transformou num produto insosso com etiqueta da Globo.
    Quando o REDAÇÃO era apresentado pelo polêmico Cleber Machado, assistia regularmente.
    Nenhuma novidade, querido Kleber! A rapaziada que trabalha no futebol hoje, é sub 17 perto dos profissionais de “ontem”.
    Vejo obrigatoriamente 3 programas por dia: Bom Dia Fox, Fox Rádio e, Expediente Futebol.
    Dos 3, salvo, Sormani (santista), PVC (palmeirense), João Guilherme (tricolor) e, Eugênio Leal (vascaíno), cria do Apolinho…
    Hoje, meu guru, chama-se Mauro Cezar Pereira. Mas, não podemos descartar Juca Kfouri, um Gambá inteligentíssimo, nem o “canalha” que trabalhou comigo na Bloch, João Carlos Albuquerque…
    Os setoristas CONTINUAM alimentando os sites e programas. A diferença de hoje pra ontem, é que não existe nenhuma criatividade quando as notícias chegam nas redações.
    A impressão que temos, é que as notícias não vão ao forno. São expostas sem nenhum compromisso com o impacto.

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    • Mestre Egon, como sempre suas palavras lançam luz ás penumbras…
      Aquele certo “ar blasé” do menino é intragável, como somos obrigados a tragar, obviamente que a digestão não é boa! Corro para tomar um sal de frutas antes que vomite.

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    • PVC é uma piada, ele tem que ler o manualzinho dele para falar qualquer coisa…O áspero Mauro Cezar é de fato um assombro, inteligente ao extremo, e rubro-negro de arquibancada.

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      • Caro Nino! Existem alguns comentaristas que se colocam acima da verdade e, donos dos nossos olhos.
        PVC é bom! Mas, bem menos que se acha. Tem um certo ar de superioridade por ter uma memória realmente abençoada. Mas quando parte pra análise, comete muitos escorregões. SE dividisse o palco com outros, seria melhor.
        O mesmo digo do Mauro Beting! Se fosse menos palmeirense e falasse menos, seria um bom comentarista.
        Mauro é mais descontraído, mais solto… mais áspero, como disse.
        Embora, seja crítico ferrenho das macaquices da nossa diretoria e, do próprio time.
        Na maioria das vezes, com inteira razão…

        * Ontem estava num Pé Sujo com um amigo chamado Robinho.
        Disse a ele que só voltaremos a conversar no domingo. Pra nem me ligar… kkkkkkkkk

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        • Egon, não é possível tirar-lhe a razão, não é mesmo?
          Qto a mim, após assistir os dois últimos jogos em um festivo bar em Bangu, com algumas candidatas a “uma nega chamada Tereza” passeando ao redor, não obstante ao fato de como vc deve saber, “Ser negão no Senegal deve ser legal”, a exemplo do seu amigo, tbm devo me recolher no sábado.

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          • kkkkkkkkk Nino!
            Tenho sonhado quase todos os dias com galo, galinha, Robinho, Fred, Pratto, Cazares etc…
            Ter um amigo chamado Robinho, nessas circunstâncias, é de lascar!
            De castigo até domingo… kkkkkkkkkkk

          • Caro Egon, não é de todo mal o sonhar com “galinhas”, pode ser até divertido, entretanto sonhar com galos e patos, sinceramente deve pedir a Papai do Céu que proteja o seus sonhos!

      • Nino, penso a mesma coisa do PVC.
        Os comentários dele são 80% históricos, 20% sobre o que ocorreu no jogo. Está mais para uma incrível enciclopédia do que comentarista de jogo.
        Se perguntam o que ele achou do jogo entre “Flamengo x Corinthians”, ele responde:
        “O Flamengo, que que desde 1900 e lá vai fumaça não fazia dois gols com atacante estrangeiro vestindo a camisa 9, sendo o último o Fulano de tal, argentino que jogou no Rosário Central, contratado junto ao News Old Boys, que depois jogou a Copa do Mundo de 86…” Aí depois fala do jogo. Kkkkk

        Mas ele parece ser gente boa, e é NOTÓRIO que é um grande estudioso da história do futebol.

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        • Diego, reconheço que em alguns casos ser gente pode conferi-lhe alguns rendimentos, isso é certo! É tbm uma espécie de talento, digamos, construir uma imagem, mesmo que ela não tenha substância. SRN.

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  5. Perfeito.
    A dor de cada um. Algo tão subjetivo, mas que ignorado pelo jornalista.

    Eis um exemplo. Vários amigos quando perdem um ente querido postam homenagens e lindas mensagens nas redes sociais. Porém, quando perdi meu pai em junho deste ano, em meu íntimo não consegui postar, nem mesmo informar. O motivo? Nem eu mesmo sei… Significa que fiz pouco caso? Não, foi e está sendo doloroso!

    A depender da fé, uma oração em silêncio e boas energias são muito mais bem vindas do que uma mecânica manifestação pública.

    Creio que há um excesso de cobrança nos atletas fora do campo…

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  6. “O jogo de domingo último”
    Como somos homens de asseio, peço licença aos amigos para sair do tema do nosso mestre KL.
    Quero me referir a duas curiosidades do jogo de domingo. Uma pitoresca, outra nem tanto assim.
    1o. ponto o pitoresco, observar a volta da armação da rede do gol do Maracanã a moda européia (é bom que se diga que a belíssima armação “véu de noiva” perde espaço no futebol atual), aquele formato quadrado que vimos na Copa do Mundo e Olimpíadas. Somente sinto saudades do impacto visual, vendo das arquibancadas a bola estufando o “Véu de Noiva”, era mágico, assim como o antigo Maracanã, passado eu creio.
    2o. fato, esse em minha opinião nada pitoresco foi a presença do técnico da seleção Tite no jogo de domingo. Que em minha opinião estava mais lá na função de torcedor do que de técnico da seleção, sem obviamente transparecer isso! Afinal esse time do Corinthians ainda tem muito do trabalho dele…Será que ele deu uma passada no hotel ou no vestiário do Corinthians? Não saberemos…O fato é que o Tite é um baita pé frio nos jogos do Flamengo, sua última aparição foi lá no Estádio Luso Brasileiro, que o Botafogo travestiu de Arena Botafogo. KL gosta desse cara, eu tbm gosto dele na seleção, estou gostando, mas é assumidamente uma antítese da nossa cultura rubro-negra. SRN.

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  7. Correto Mestre Kleber.
    Rizek está cada vez mais chato, reclamando de tudo, acho que inclusive vai rodar do redação.
    Quem fez aquela “homenagem” foi a assessoria de imprensa do Gabriel Jesus. Será que ele foi buscar uma foto de 1970 no google imagens para postar no instagram…
    Hoje vivemos em outro mudo, realmente os grandes craques aposentados são esquecidos pela mídia em geral.
    Nosso eterno capitão só teve uma ampla divulgação porque era comentarista do Sportv. Duvido muito se não fosse, teria essa seria de homenagens. Merecidas por sinal.

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  8. Kleber e amigos , colocaria outro ponto na deliciosa discussão ….essa nova geração parece que vive no seu próprio mundo , não estou falando de egoísmo , mas sim de garotos com “flerte”no autismo . Boa conversas , relacionamentos com real troca de sentimentos e cumplicidade hoje são raros . Tenho 36 anos e fui ter um celular depois que me formei e confesso que a antítese entre isolamento humano e a falta de privacidade que a internet , principalmente com as redes sociais propicia são intrigantes mesmo. Mas concordo com o Rizeck no seu “puxão de orelha”, Capita é um ícone do nosso futebol , inclusive deveria ser um modelo para os mais jovens . Não vi o programa mas tá valendo….. pena que ele esqueceu que com a internet provavelmente não veremos mais esse tipo de saudosismo , mesmo porque muitos destes garotos nunca se interessarão pela história , pra eles o que vale é o que virá !!!!

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  9. Querido Kleber,
    Ao tomar conhecimento das colocações feitas pelo empoado Andre Risek, pretendia desanca-lo em função da inépcia de suas alegações envolvendo o falecimento de Carlos Alberto Torres.
    Como sempre, antes de escrever qualquer coisa envolvendo futebol, vim consultar sua coluna com objetivo de “pescar” uma de suas pertinentes colocações. Para minha alegria constatei que não apenas eu estava revoltado com os ditos do empoadinho, inclusive, senti-me desobrigado de qualquer comentário. Nino e Carlos Egon dissecaram de tal maneira a personalidade e postura do Risek que qualquer comentário meu se tornaria redundante.
    Assim, parabenizo os acima citados pelas colocações, reiterando que esse Risek é uma tremenda mala sem alça.
    Forte abraço

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  10. “reiterando que esse Risek é uma tremenda mala sem alça.”

    Se fizer uma forcinha, amigo Mario, vira um container da melhor qualidade….

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  11. Realmente não sei o que pensa (?) o Comando da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro… mesmo, com toda boa vontade do Major Silvio Luis.
    Marcar o 2º jogo da decisão de basquete entre Vasco x Flamengo, para São Januário, mesmo com torcida única, é incorrer num erro imperdoável.
    Será que 25 soldados do GEPE vão garantir a integridade física dos atletas e membros da comissão técnica do Flamengo, caso conquiste o Carioca????
    Caso insistam, é jogo pra BOPE, ROTA… ou, Marines Corps…

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    • O que polícia militar pensa?
      – Dinheiro
      – Viatura
      – Arma
      – Hora de sair do plantão
      – Mulher
      – Bandido
      – Quartel
      Não necessariamente nessa ordem. Ajudou?

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  12. Caro Kléber! Faz muito sentido suas palavras, porém, imagino que o último programa do Capita foi com o Resek. Emoções a parte, foi oportuno ler o bate papo Egon x Nino. E como valeu. SRN

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