O clube na Copa

O ataque quase totalmente rubro-negro da Seleção, no amistoso contra a Bulgária em 1958: Joel, Moacir, o palmeirense Mazzola, Dida e Zagalo.

Algumas imagens da minha infância, e da minha adolescência, permanecem vivas. Entre elas, a primeira, ainda com seis anos de idade, o nosso tricampeonato de 55. A segunda, em 66, em Caxambu, ao lado de meu pai, vendo o treinamento da Seleção Brasileira, onde mais de 40 jogadores estavam convocados e, em função destes treinamentos, seriam definidos os 22 para a Copa da Inglaterra.

O que fomos fazer lá? Ver os jogadores do Flamengo convocados e, por eles torcer para que arrebentassem e garantissem vaga na relação final.

Em síntese, a paixão clubística era o que empurrava o torcedor de encontro à Seleção.

Lembro que, a cada convocação, era uma enorme expectativa, em que se torcia em função das camisas que os jogadores vestiam. Meu Deus, como era importante ter um jogador do seu clube na Seleção Brasileira e, como era frustrante quando isto não ocorria.

No nosso primeiro mundial, em 58, o Flamengo teve quatro jogadores convocados, ou seja, o Flamengo era quase 20% do nosso “escrete”. Joel, Moacir, Dida e Zagalo representavam o nosso mundo, a nossa paixão, na Copa do Mundo. Em 62, como foi importante a contratação de Zózimo, pois, graças a esta ação, lá estávamos representados. Da mesma forma em 70, em que a contratação de Brito garantiu o Flamengo em uma Copa do Mundo inesquecível.

Pode ser saudosismo, podem me chamar de retrógrado, mas sinto enorme frustração quando uma Seleção Brasileira vai para uma Copa do Mundo sem um único jogador do Flamengo. Acho isto tão importante que deveria fazer parte, como se marketing obrigatório fosse, estar atento ao mercado no sentido de que, jamais, em tempo algum, pudesse uma Copa do Mundo ser disputada sem que, na Seleção Brasileira, não houvesse ao menos um jogador vinculado ao Flamengo.

Alguém pode argumentar que Renato Augusto foi formado no clube. Tudo bem, como argumento de defesa. Mas o que vale mesmo é na hora da escalação oficial, ao lado do nome do jogador, estar o nome do clube. E, neste caso, haverá o nome de um clube chinês.

O que estou querendo dizer com tudo que até aqui coloquei?  Que deveria ser estatutária, a obrigação de toda diretoria em se empenhar ao máximo, no sentido de que proibido fosse não haver um jogador do Flamengo, disputando pelo Brasil, uma Copa do Mundo.

Que me desculpem os que pensam em contrário, os que acham que no mundo moderno não cabe este tipo de pensamento. Respeito, mas não abro mão de dizer que não ter um jogador carregando o Manto Sagrado embaixo da Amarelinha, em uma Copa do Mundo, é uma tremenda derrota. É absolutamente frustrante.

1 Comentário

  1. Concordo, Kleber!
    Mas penso que o pior é que em breve estaremos torcendo para que a seleção brasileira tenha algum jogador jogando no Brasil. Acho lamentável torcer para uma seleção de estrangeiros.

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  2. Uma coisa que chamou a minha atenção, o Flamengo tem apenas um jogador revelado na sua base entre os convocados. Um jogador de 30 anos. Sinal que nossa base viveu um hiato por vários anos. Agora, pelo visto, nossa base começa a melhorar tanto que surgiram Vinícius Jr, Paquetá, Jorge, etc.

    Sobre jogadores atuando no Brasil, teremos Trauco e Cuellar na Copa. Teríamos o Guerrero também. Tirando o Geromel, o Fagner e o Cassio vão pra Copa porque trabalharam com o Tite. O Cássio eu até entendo porque é um monstro, mas o Fagner não.

    Como diz um jornalista aqui de Florianópolis (aliás, o Figueirense tem dois jogadores revelados aqui na Copa: Firmino e Filipe Luís), mais valia ter levado o Vinícius Jr aos 17 para ganhar experiência para a próxima Copa do que o Taison com 30.

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  3. Caro kleber
    Realmente vc é saudosista. Se nem os jogadores querem mais representar a amarelinha, quiça os torcedores. Num país em que a coja da CBF só tem ladrão ( um tá preso, outro não pode sair do pais e o pai de todos tem uns 5000 processos) querem que o povo faça o quê. Enquanto, o país mergulha no desemprego graça a classe politica corrupta, jogadores fretam vôos para ir a festas para esnobar riqueza, sem comprometimento algum com os torcedores.
    Logo, hoje em dia jogador só em dinheiro, bajulação, luxo, etc. Comprometimento com o clube? Zero, zero e zero.

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  4. Em 1962 0 zagueiro Zózimo era do Bangu, veio pro Flamengo depois. Mas como eu torcia para que jogadores do Flamengo fossem convocados, como foi frustrante depois da Copa de 70, não ver o zagueiro Brito envergar o manto Rubro-negro, pois o nosso treinador na ocasião Yustrich, preferiu o obscuro zagueiro Washington irmão do Geraldo Assoviador. O chamado homão, não gostava de estrelas, preferia trabalhar com jogadores operários. Nessa copa de 62, quem quase foi convocado foi o Carlinhos violino, que se contundiu as vésperas da convocação final, seu substituto foi o Zequinha do Palmeiras. Hoje nossos convocados estão no Barça, no Real, no Liverpool, no Roma e por aí vai. Apesar do esforço hercúleo da mídia, hoje a copa não mexe tanto com o nosso torcedor. Essa é a verdade…..

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  5. Tempos em que os melhores jogavam no Brasil.

    Esse é um processo que passa o futebol brasileiro e não somente o FLAMENGO.
    Viramos BERÇARIO e as vezes clinica de recuperação.
    Diziamos que os europeus não tinham técnica, mas HOJE usamos a tecnica que eles nos ensinam.
    Viramos TERCEIRO MUNOO TAMBEM NO FUTEBOL.

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  6. Não temos mais nem sequer a seleção jogando NO Brasil.

    Essa seleção poderia disputar a copa com a bandeira da ONU. É uma verdadeira legião estrangeira.

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  7. Não sei se é pior ver uma seleção repleta de jogadores de clubes europeus ou se seria pior ter uma seleção onde TODOS os jogadores jogassem aqui por NENHUM grande clube do exterior quere-los.

    Digamos que poderia ser pior.

    Vejam o Coqueirinho paulista gastou uma fortuna para formar o elenco mais badalado do Brasil e teve quantos convocados ?

    A luta e o objetivo dos clubes brasileiros é TENTAR manter os torcedores indo ao estadio.

    O mais grave é que está ocorrendo o processo de ESTRANGEIRIZAÇÃO dos torcedores brasileiros e não somente da seleção.

    Estão colonizando nossas torcidas.

    HOJE a grande batalha dos clubes é para segurar suas torcidas e publicos.

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  8. Kleber, minha emoção com a seleção vem diminuindo a cada copa. Por outro lado, vem ai a Copa do Mundo Interclubes que certamente, com a participação do Flamengo, vai compensar o que perdi em emoção com a seleção. Acho que a Seleção do Tite não será campeã, talvez sequer fique entre as quatro primeiras. Considero o Tite um blablazeiro de sucesso, um exemplo de que blablazeirice não é obstáculo para o sucesso. Para mim o Tite é uma versão revista e ampliada, não sei se melhorada, do Sebastião Lazaroni. Na hora que a bola rolar pode ser , quem sabe, o restinho de emoção que eu ainda sinto pela seleção traga de volta o torcer por ela.

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    • Somos dois! De 2002 pra cá tenho cada vez menos apreço pela seleção! Não sei se pelas mazelas da cbf ou pela falta de identidade dos jogadores que lá estão.

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    • Paulo e William,
      Eu também não tenho tido motivação para acompanhar a Seleção brasileira, só assisti 01 (um) jogo das Eliminatórias. Dependendo do horário dos jogos vou acompanhar, mas se for de madrugada ou muito cedo eu vejo o resultado quando acordar…

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  9. Kleber, algum tempo aki mesmo nesse blog eu comentei,que o Flamengo não tinha um elenco forte, pois não tinha nenhum jogador convocado pra seleção Brasileira….isso pro Flamengo é muito ruim.

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  10. Eu não to tão frustrado porque sei que temos jogadores com potencial pra estar na seleção, mas por variadas circunstâncias não Estão, Diego, Diego Alves, E.Ribeiro, Rever e amanhã Paquetá, Jorge e Vini Jr
    Mas estaremos representados por Cuellar , Trauco e seríamos pelo Guerrero, que convenhamos deve ter tido um.suporte jurídico insuficiente, se Fosse os Assef , Marcos Motta , ele estaria com certeza na Rússia…

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  11. Pedido para quem for ao estádio: FAÇAM O POSSÍVEL PARA EVITAR VAIAS DURANTE O JOGO! O time precisa de apoio. Como já mencionado inteligentemente aqui no blog a punição ao Guerrero e a não convocação de Diego pode ter afetado o emocional do time. E como todos sabemos o emocional conta muito num jogo de futebol. RUMO A VITÓRIA!

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  12. Pessoal, vou falar de um assunto diverso ao abordado no post mas de grande valia para uma análise dessa diretoria.
    Leio que o Flamengo vai “sentar no divã” para cuidar do futuro do basquete e que a comissão técnica não terá o contrato renovado. Talvez por conta dos últimos resultados, fora das duas últimas finais do NBB e desclassificado da Liga das Américas na primeira fase.
    Então eu pergunto, qual o critério que estes nobres administradores de empresa tem em mente? No basquete eles enfraquecem o elenco e cobram desempenho acima do anterior e no futebol teoricamente reforçam o elenco e exaltam os fracassos? Será que estes distintos homens de negócios sabem que ultimamente, além do balanço, apenas o basquete pode ser orgulho da nação?
    Será que algum amigo aqui desse especial espaço pode me ajudar a entender o que julgo ser de uma insanidade sem precedentes? Aliás, isto até me ajuda a entender a posição da diretoria na escalação do domingo passado…
    SRN

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  13. Marcio,ficou evidente para quem acompanhou o Flabasquete,nos 2 ultimos anos,a situação de desgaste.Ela é inevitável.Imagine num carro,uma peça de qualidade do motor,mas com o uso constante vem a perda de qualidade e no caso,a troca é necessária.A dúvida é como estas mudanças vão se processar ? A qualidade vai ser mantida e aprimorada ? Vão contratar quem ? Com contratos em vigor apenas Varejão e JVítor ?Na NBB estas rotações são comuns.Tem muito jogador bom que ficará,ou já está disponível.2 patrocinadores continuam.Pode pesar que a temporada já começa em outubro,perto das eleições.As ações para montar uma nova equipe,a começar por outro tecnico têm ser já…
    Realmente foi decepcionante a atuação do FLA no “play-off”…
    Abs.

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    • Amigo Carlos Alberto.
      Entendo perfeitamente que há desgaste e que APENAS ajustes se fazem necessários; o que realmente questiono é o critério utilizado não ser condizente com o aplicado no futebol, onde os vexames são recorrentes.
      Ademais, não se esqueça que o time foi o primeiro da temporada regular e se classificou nas oitavas com um 3 x 0. Isto posto, não cabe caça as bruxas. A rotatividade no NBB é grande, em menor escala no Flamengo é fato, eu particularmente acho que hajam equívocos na contratação dos gringos (“Nossos japoneses não são melhores que os deles…”).
      Espero, de verdade, que eles não nos tire o único motivo de orgulho que temos tido ultimamente…
      Um forte abraço e bom jogo!!!
      SRN

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  14. Kleber: de forma alguma enxergo saudosismo ou uma visão ultrpassada em seu raciocínio. Muito pelo contrário.

    Enxergo o pensamento de visionário de quem trouxe o melhor do mundo para o Flamengo em 1994. Enxergo um dirigente que sempre pensou com grandeza. Talvez justo o que falte nos clubes brasileiros atualmente.

    Pensar grande custa o mesmo que pensar pequeno. Infelizmente os neodirigentes tem preferido o caminho do apequenamento.

    Forte abraço a todos.

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  15. Quem de nós, caro Presidente, não gostaria de ver jogadores de seu clube na seleção? Se isso ocorre, é porque temos o que há de melhor no nosso time. Pergunto: Que clube no Brasil não gostaria de ter em seu elenco jogadores como Neymar, Alison, Coutinho, Gabriel Jesus, Marcelo, Miranda, e por aí vai…?
    Se ser saudosista é querer ter o melhor dos melhores em seu clube, saudosista sempre serei.

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  16. O TAS cometeu um dos maiores atentados ao esporte mundial quando aumentou a pena do Guerrero. Privou nosso clube e a seleção do Peru de contar com seus serviços para o bem do futebol. Embora ele não seja uma unanimidade no elenco, é indiscutível que com ele nosso time melhora muito mais seu poder ofensivo do que com o tal ceifador. E fica evidente a revolta dessa pena quando observamos a formna carinhosa e púlica pela qual Guerrero foi recebido em seu país. Até o presidente nacional de seu país lhe prestou apoio.
    De fato, uma grande ofensa ao esporte!!!

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  17. Caro Kleber, neste caso não concordo contigo. Não porque não ache gratificante ver um jogador de nosso clube do coração jogando uma Copa pelo Brasil, pelo contrário. Certamente os torcedores do Grêmio ficaram orgulhosos com a convocação de Geromel (e revoltados por Grohe, Arthur e Luan não terem sido chamados), e os do Corinthians ainda mais por saberem que dois de seus atletas estarão na Rússia no próximo mês. Em 2010, eu mesmo fiquei triste quando Adriano Imperador ficou de fora da lista final (ainda que, devido às questões extracampo, ele não tenha feito por merecer ir a África), mas feliz por ver o nome de Kleberson nela (ainda que não gostasse dele, era jogador do Flamengo na época).

    No entanto, temos que ser realistas: nenhum clube brasileiro tem condições de contratar qualquer um dos jogadores que Tite selecionou, pois são todos caros demais pro orçamento de nossas equipes. Além disso, o nível do futebol praticado em nossos gramados não está sequer próximo do que é visto nas principais ligas européias, então mesmo que um clube brasileiro tivesse condições de contratar um atleta desses (incluindo o valor da compra junto à equipe estrangeira mais os salários do jogador), por que um atleta arrebentando na Europa às vésperas de uma Copa iria querer vir pra cá? É simplesmente inviável…

    De todo modo, para os que continuam pensando o contrário de mim, é justo destacar que a diretoria não deixou de atuar nesse sentido (ainda que não com essa intenção). Trouxeram Diego (que até poucos meses era nome recorrente nas convocações), Everton Ribeiro (que voltou da Arábia exatamente para ficar em evidência para o técnico da seleção) e Diego Alves (justamente no momento em que o goleiro havia acabado de ser convocado para amistosos contra Argentina e Austrália). Isso sem falar no ótimo trabalho que vem sendo desempenhado nas categorias de base, de forma que há até quem tenha sugerido os nomes de Paquetá e Jorge na lista final. Portanto, para quem se importa com isso, não é justo reclamar da diretoria nesse quesito (e olha que sou um crítico fervoroso de EBM e cia).

    SRN

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