O Flamengo e o ser humano

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo) Blog Kléber Leite

Estou a trabalho em Buenos Aires e, desta forma, como sempre ocorre, Carlos Egon, nosso irmão do blog, vai levantar a bola, cujo tema central é o jogo do Flamengo.

Antes do Egon, já pedindo perdão por saber que vou contrariar alguns amigos, quero deixar clara a minha posição com relação ao novo episódio envolvendo Guerrero, com a extensão de sua pena até o ano que vem.

Aí, deixo de lado a paixão clubística e me apego ao sentimento humano. Será que estes gênios da FIFA, ou seja lá de onde for, responsáveis pelo prolongamento da pena, esqueceram que são seres humanos?

Será que não entendem que já passou do ponto o sofrimento de um atleta, que já pagou com juros e correção monetária, o erro que possa ter cometido.

Sabem o que penso? O ser humano está cada dia pior. Vibra com a desgraça dos outros. Esta ditadura da FIFA, impondo o que bem entende, com um bando de cordeirinhos dizendo amém, é o que há de mais covarde no mundo do futebol.

E o pior é que não mostram a cara. Agem com covardia e, como covardes se escondem. Como toda ditadura, esta chegará ao fim. Só que, até lá, muita maldade será cometida.

Registro aqui, o meu repúdio e inconformismo, ante tamanha agressão a um ser humano.

Agora, o nosso jogo.

Com vocês, levantando a bola com amor e bom humor, o nosso irmão, Carlos Egon

Dá-lhe Egon!!!


“Inquestionável que temos um time acima da média nesse Brasileiro. Mas como não conseguimos traduzir em campo tamanha superioridade?

Vejamos! Temos um elenco de mediano para bom, onde estamos colocados entre os quatro melhores do campeonato.

Como não conseguimos rodar, quando encaramos no Maracanã, uma baba como o Vitória?

A resposta não é difícil. Temos na maioria dos jogos a tal POSSE DE BOLA, que na verdade, nada representa…

Contratamos Vitinho, que chuta muito bem, mas não é suficiente para fazer a diferença. No meio do caminho um travessão… e nada mais…

Muito pouco pelo que custou, muito caro pelo que está demonstrando.

Ahhhh! Temos que levar em conta a tal da “adaptação”…

Uma mentira que serve como desculpa…

Quando nosso goleiro pega apenas uma bola e, o do Vitória deixou passar a única que foi na sua direção, fica difícil dar notas para essas crianças do parquinho de quinta-feira. Mas vamos lá!

Diego Alves – Espectador privilegiado que nos salvou num único chute – 8

Rodinei – Um touro quando parte pro ataque, uma anta quando tem que definir a jogada – 2

Réver – Como zagueiro, embora “usado”, é meu preferido na zaga. Não perde uma única bola pelo alto. Uma segurança – 8

Léo Duarte – Jogando ao lado do Réver, está aprendendo e melhorando a cada dia, mesmo não tendo trabalho hoje – 7,5

Renê – Aquela coisinha sem graça que desarma e não arma nada…. Jamais, em tempo algum, podemos esperar uma jogada de Júnior. A verdadeira água com salsicha – 5

Cuéllar – Eterno leão na marcação, mesmo não tendo um segundo volante para aliviar sua barra. Jogador de altíssimo nível que cobre tudo e todos. Inegociável… – 9

Paquetá – Sem gracinhas e muita dedicação. Não é vertical, muito menos decisivo, mas é muito craque quando deixa de lado as firulas – 7

Diego – Mesmo prendendo a bola em demasia, é diferenciado nesse time. Se esforça e até tenta marcar, mas a idade não permite correria desnecessária – 9

Éverton Ribeiro – Cada partida melhora absurdamente! Jogador fundamental no nosso esquema – 9

Ceifador – Deveria ser candidato pelo MST! De bola não entende picas – 1

Vitinho – Aos poucos vai se adaptando! Se é que isso existe…  Mas, já está partindo pra dentro como fazia no Botafogo – 7

Barbieri – Arrumou 3 pontos e nos aproximou do líder. Çei!!!!!”

Carlos Egon Prates

Bolinha malvada

(Foto: Fernanda Fiuza) Kléber Leite Notícias

E, ao invés de sorteio, azareio

Por todos os motivos do mundo, inclusive em respeito aos números, a torcida era para fazer o segundo jogo, o decisivo, pela Copa do Brasil, em casa.

Os matemáticos, baseados no retrospecto, informam que quem joga a segunda partida em casa tem 60% de chance de sair classificado.

Os torcedores mais ferrenhos, principalmente aqueles que não perdem um jogo no Maraca, querem sempre a decisão em casa. Enfim, por um motivo ou por outro, fazer a segunda partida em casa é preferência nacional.

O problema é que a bolinha não queria nada conosco e se bandeou para o lado do Corinthians. Agora, é fazer do limão uma limonada, até porque outra alternativa não há.

De bom, o fato do gol fora de casa não ser mais dobrado em caso de igualdade nos dois jogos. Acho mais justo e, cria uma possibilidade maior para tudo ser decidido nos pênaltis.

O nosso elenco é melhor do que o do Corinthians. O nosso time é melhor do que o do Corinthians. Desta forma, como disse Éverton Ribeiro na entrevista coletiva, é ter cuidado para não errar, pois segundo ele, vai se classificar para a final quem errar menos.

Prefiro dizer que vai para a final quem acertar mais, começando pela escalação…

Pergunta: O Flamengo é favorito?

Definir o que fazer e, comunicar

Treino do Flamengo – 21/08/2018 (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo) Kléber Leite artigos

O título do post já diz tudo. Na realidade, estamos cometendo dois graves equívocos que estão deixando o torcedor do Flamengo desesperado e sem rumo.

É isso mesmo. Infelizmente, não foi traçada uma estratégia para a convivência com três competições paralelas.

Claro que o torcedor imagina ganhar tudo. E, este é o papel do torcedor. Ao dirigente, em sintonia fina com a comissão técnica, compete definir as prioridades e, comunicar esta decisão, mesmo abrindo brecha para eventual mudança de curso, dependendo de um resultado ou outro.

O que não pode é não se ter na cabeça os objetivos definidos. Aí, acontece o que vimos contra o Atlético Paranaense, quando na hora do jogo, a escalação aparece com jogadores importantes, inclusive o goleiro, sendo poupados.

Indago: Qual o jogo mais difícil, contra o Atlético Paranaense, em Curitiba ou, contra o Vitória, no Maracanã? Entre poupar em um jogo ou em outro, em qual jogo você pouparia?

Duvido que todos não respondam que o jogo mais complicado, por todos os motivos do mundo, seria contra o Atlético Paranaense. Apesar disso, poupamos exatamente neste jogo. Será que as pessoas não conversam?

Como sempre acredito que haja solução, fica a sugestão para que se defina o que se quer e, que isto seja comunicado.

Tão simples…

Tristeza e alegria

(Foto: Staff Images/Flamengo) Kléber Leite Blogs

Os comentários do blog deveriam ser lidos e levados em conta por quem responde pelo futebol do Flamengo. Todos são apaixonados e, embora comprometidos pelo amor maior, são em sua maioria, não só lúcidos, como verdadeiros guias.

Triste ver uma possibilidade enorme de uma grande conquista ser comprometida por tanta falta de sensibilidade.

Que o presidente e seus colaboradores no futebol não levem em conta o que penso e escrevo. Passem batidos e, procurem os comentários. Vocês vão começar a entender que ainda há com que sonhar. É só saber fazer…


Desculpem, mas não resisto. Acho que vocês vão gostar. Tenho um neto, Bernardo, popular Bê, canhoto que, aos seis aninhos, joga no sub-sete do nosso Mengo.

Ontem, tristeza e alegria. Tudo em vermelho e preto.

Com vocês… Bê!

Zaga perfeita

(Foto: Thiago Ribeiro/AGIF) Klefer

O pessoal do Grêmio saiu reclamando da sorte, achando o placar injusto. Como sempre dizia meu amigo João Saldanha, ”justiça no futebol, é bola na rede”!!!

Jogo emocionante, muitíssimo bem disputado, com o Grêmio com maior posse de bola, porém, sem criar grandes chances.

Claro que sorte no futebol, faz parte. Demos sorte no gol, na falha de Cortês e, a sorte soprou rubro-negra mais uma vez, pois a bola caiu no pé direito de Éverton Ribeiro, que não desafinou.

No domínio do Grêmio, o comportamento da zaga do Flamengo foi acima da média. Réver e Léo Duarte não erraram. Jogaram muito!!!

Outro que se destacou, principalmente no primeiro tempo, foi Éverton Ribeiro. Combativo e criativo, foi o destaque do Flamengo, quase se igualando à nossa zaga.

E quem diria, hein? Léo Moura, que para muitos, antes do jogo, seria o mapa da mina para o Flamengo chegar à vitória, acabou sendo o mais lúcido jogador do Grêmio. Errou apenas uma jogada. Errou a jogada e saiu. Jogou muito, também.

Flamengo e Grêmio tiveram o mesmo problema. No Flamengo, Ceifador não ceifou… No Grêmio, André e Jael, à altura do Ceifador…

O comando de ataque é o calcanhar de Aquiles de Flamengo e Grêmio.

E, que venha o Corinthians…

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Salada Rubro-Negra

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo) blog Kleber Leite

Política

Hoje, recebi o destemido rubro-negro Diogo, responsável por um dos bons canais de comunicação do nosso clube. No papo, indagou ele o que eu achava da tentativa de alguns sócios do clube, para punir o presidente Eduardo Bandeira de Mello, pelo fato de estar usando o Flamengo na sua campanha para deputado federal.

Respondi que a única pessoa que pode se julgar impedido ou não, é o próprio presidente, caso entenda ele que uma coisa possa interferir na outra.

Jamais notei o nosso presidente usando o clube por interesse político partidário. Aliás, acho que Eduardo tem todo o direito, como cidadão, de ter este novo projeto de vida. E, vou além. Folgo em saber que uma pessoa de bem tem como objetivo se eleger deputado federal.

Incrível como no Flamengo as perseguições estejam fazendo parte da rotina do clube. Isto nunca foi assim. Até quando os bigodes não cruzavam, havia um mínimo de respeito. Hoje, o ódio, infelizmente, impera.


Valdívia atuando pelo Colo Colo (Reprodução da internet)

Valdívia

Deu na internet, no rádio e até nos jornais chilenos, que o Flamengo está atrás do meia Valdivia.

Recebi e achei interessante as mensagens sobre este tema, do grande rubro-negro Fernando Versiani, que está cuspindo marimbondo…

Diz aí Versi…

“Valdivia, diz o jornal, o Flamengo vai oferecer um salário altíssimo, já que conta com dinheiro em caixa depois da saída de Paolo Guerrero, que recebia US$ 3 milhões por temporada.

Valdivia está com 34 anos e, nesta temporada, fez 20 jogos com a camisa do Colo-Colo e marcou um gol. O contrato dele com o clube chileno vai até 31 de dezembro de 2018. No Brasil, ele já defendeu o Palmeiras.

Deve ser piada… jogador podre, vive machucado, igual ao nosso zagueiro Rhodolfo. Será que esses caras não estudam o histórico do atleta?”


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Ceifador

O nosso treinador, depois do gol do Ceifador contra o Cruzeiro, além de não poder contar com Uribe, contundido, e Guerrero, que foi para o Inter, afirmou que jamais Ceifador foi a quarta opção para o comando de ataque.

Há momentos na vida em que é melhor ficar calado. E, este é o caso. Claro que o ex-atacante tricolor chegou a ser a quarta opção. Tanto foi que, inclusive, chegou a ser sacado até do banco de reservas. Até pouquíssimo tempo atrás, pela ordem, as opções de Barbieri eram: Guerrero, Uribe, Lincoln e, por último, o Ceifador…

Todos nós entendemos que o mundo dá voltas e, diante deste fato, nenhum problema em escalar o personagem deste post. Só não vale tapar o sol com peneira…

Página Inicial Kléber Leite

O prazer da polêmica

(Foto: Clever Felix/Agência O Dia) Kleber Leite Blog

O nosso Globo.com (via Extra), que conta com uma garotada extremamente competente, largou na frente com uma bela sacada, colocando ao mesmo tempo a defesa de Gordon Banks, na Copa de 70, na famosa cabeçada de Pelé, e a defesa De Diego Alves, no jogo de ontem, contra o Cruzeiro (ver aqui).

Esta turma sabe das coisas. Eles sentem o cheirinho no ar de uma bela polêmica e, há algo no futebol mais importante do que a discussão? Chamo isto de jornalismo de oportunidade, claro que, com talento e criatividade.

Houve um comentário, em que, quem escreveu, fez questão de frisar que: “sem clubismo” …. e, em seguida afirmou que a defesa de Diego Alves havia sido melhor e mais difícil, pelo fato de não ter proporcionado o corner ao time adversário…  Genial!!! Claro que a opinião foi escrita pela alma rubro-negra, mas a explicação, de gênio…

O que posso dizer, é que vendo o jogo no Maraca, ao lado do meu querido amigo Michel Assef, quando a cabeçada saiu, para baixo e, com força, soltamos um palavrão, o mesmo e, ao mesmo tempo. Vi a bola lá dentro e, em seguida, em fração de segundos, o milagre da defesa de Diego Alves. Claro que, lá mesmo no estádio, tive a razoável noção da dificuldade que teve o nosso goleiro. Mais tarde, vendo o lance na TV, percebi que a defesa havia sido muito mais difícil do que imaginava.

O fato é que temos um goleiro, simplesmente, ESPETACULAR!!! Talvez tenha sido este o gol mais bonito feito pelo nosso “centro de inteligência” …

Retornar para Kléber Leite

Continuamos correndo atrás

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo) Blog Kléber Leite

O título poderia ser, inspirado nos mais antigos, “Tudo como dantes no quartel de Abrantes…”. No fundo, continuamos um ponto atrás do São Paulo que, meteu 3 a 1 no Sport, em Recife. Nas escalações, Ceifador foi a surpresa no Flamengo, enquanto que Mano Menezes confirmou o time 100% reserva.

O primeiro tempo, com o Flamengo tendo muito maior posse de bola, definiu o placar do jogo. Bela jogada de Éverton Ribeiro, com gol de bico do Ceifador.

No mais, só mais uma bela jogada de Éverton Ribeiro, que o goleiro defendeu. Trauco foi decisivo, pois salvou um gol, rigorosamente, em cima da linha, com Diego Alves já batido.

No segundo tempo, só corremos risco quando Mano Menezes colocou em campo Arrascaeta e Thiago Neves.

Destaque absoluto para a defesa ESPETACULAR deste goleiraço que é Diego Alves. No nosso time, Diego Alves, salvou a lavoura.

Rodinei, muito ativo. Zaga, sem erros. Trauco, salvador. Piris, começou atabalhoado. No segundo tempo, cansou. Não vou analisar por um jogo, mas custo a crer que na nossa base não haja um jogador para a função, no mínimo, com a mesma qualidade técnica do jogador paraguaio.

Éverton Ribeiro foi o mais lúcido e criativo jogador do Flamengo. Diego, muita luta e pouca criatividade. Paquetá, prendendo a bola além da conta. Volto a colocar que acho um crime escalar Paquetá como volante.

Vitinho, mais ou menos. Pelo que custou, ficou devendo. E, o Ceifador, hoje, Ceifou…  Dos que entraram, gostei da disposição de William Arão.

Alguma providência precisa ser tomada. Na mais importante competição nacional, que é o Campeonato Brasileiro, times reservas continuam sendo escalados. Isto é puxar o tapete do torcedor e dos patrocinadores da competição.

Agora, de volta à Copa do Brasil, onde Flamengo e Grêmio, jogarão completos, com seus principais jogadores. Ainda bem…

Kléber Leite Twitter

PaiMengo

(Reprodução da internet) Kleber Leite

Amigos queridos, pais ou ainda não pais: Neste dia tão especial, reproduzo aqui no nosso blog o lindo texto de Renato Mauricio Prado, no JB, de hoje.


Dia dos Pais no Ministério do Tempo

Influência do “Ministério del Tiempo”, divertida série espanhola que comecei a acompanhar no Netflix, sonhei ontem, véspera do Dia dos Pais, que voltava ao passado, cruzando portas que me transportavam, como num passe de mágica, a tempos já vividos. Não podia, porém, interagir com ninguém, nem mexer em nada. Apenas observar. E isso já era o bastante.

Foi assim que revi, em 1963, o Fla-Flu que decidiu o Estadual daquele ano, num Maracanã explodindo de tanta gente. O rubro-negro se sagraria campeão, com um 0 a 0, mas no sonho não era o jogo que me chamava a atenção, mas um menino que, feliz da vida, no colo do pai, nas superlotadas cadeiras azuis (aquelas que ficavam embaixo das arquibancadas), se maravilhava com aquele mundo novo à sua frente. Mal sabia que, no futuro, tal universo lhe seria tão próximo. E que o Flamengo, time de coração do “velho”, se tornaria uma de suas grandes paixões. Que tarde!

Através de outra passagem no tempo, o sonho me levou, em seguida, a mais um jogo épico, no mesmo Maracanã, novamente superlotado. O ano era o de 1969 e Brasil x Paraguai faziam um duelo dramático, pelas eliminatórias da Copa de 70. Uma vez mais nas cadeiras azuis, com o velho, um então já adolescente sofreria durante 68 minutos até que Pelé  estufasse as redes, garantindo a vitória por 1 a 0 e a vaga para o Mundial. Que jornada inesquecível! E quanta alegria no abraço emocionado de pai e filho, comemorando, eufóricos, o triunfo das “feras do Saldanha”.

Passando mais transversais do tempo, acabei no Maracanãzinho, onde os “Harlem Globetrotters” se exibiam, em meados dos anos 60. E lá estavam eles, juntos como sempre, o jovem e o pai, fãs do basquete, que já dera dois títulos mundiais ao Brasil, mas não podia se comparar ao nível do jogo que praticavam os americanos nesse esporte. Mágico. Inesquecível!

Nem todas as épocas visitadas, porém, reservavam somente alegrias. Eis que, de repente, me vi num fusca, em 1970, acompanhando, divertido, a conversa de pai e filho, enquanto, no Motorola do carro, o comentarista Ruy Porto analisava mais uma derrota do Flamengo. E o pai praguejava: “Time de cegos, meu filho. Se tirar o guizo da bola, ninguém joga. Só o argentino Doval é craque. Ah, nos meus tempos, o Flamengo tinha onze dovais em campo! E o moleque, no banco do carona, se pegava, matutando: “Onze dovais, pai? Cacilda”!

Mal sabia ele que, em pouco mais de dez anos, acompanharia, de pertinho, uma equipe rubro-negra que conquistaria o mundo, bem na sua frente, no Japão, permitindo-lhe a imensa alegria de ligar para o “velho”, do outro lado do planeta, só pra dizer, com a voz embargada: “Esse time aqui é o melhor Flamengo de todos os tempos. Tem mais que onze dovais, pai”! Que era maravilhosa, dava vontade de não acordar, nem sair mais dela.

Mas, sonho é sonho, e outras portas se abriam. E foi assim que reencontrei a praia de Ipanema das décadas de 70 e 80, onde pai e filho tinham uma rede de vôlei, sempre cheia de amigos e na qual as partidas de duplas se sucediam, disputadas com empenho, entusiasmo e alegria. O jovem até que jogava direitinho, chegou a ser federado pelo Botafogo, no infantil, e pelo Flamengo, no juvenil. Mas o coroa dava banho nele e em todos os da sua turma! Era craque, mesmo. Que toque! E que agilidade! Parecia um gato! E levava jeito para todos os esportes. Um baita atleta.

Foi ainda nas areias de Ipanema que pude rever, no sonho, pai e filho em longas caminhadas diárias. O mais jovem recuperando-se de uma grave contusão no tornozelo (sofrida justamente num jogo de vôlei) e o mais velho a lhe fazer companhia, do Castelinho ao Jardim de Alah. Quanta conversa boa e franca, naquele trajeto pela areia fofa – exigência da fisioterapia. Quanto companheirismo e solidariedade.

Portas, portas e mais portas. Que me levaram até à Copa de 78, na Argentina, onde o jovem, já jornalista, cobriu o seu primeiro Mundial, como enviado especial do Jornal do Brasil. Boas lembranças de lá? Com certeza. Mas as melhores vinham mesmo dos papos na volta, com o pai e a família, quando todos se deliciavam com as histórias que não podiam sair no jornal, como a do “perro caliente”, a do “Veni, veni, que yo voy pelear” e tantas outras peripécias vividas pelo caçula, na terra dos Hermanos.

No sonho, foi possível ainda me transportar até o ano de 1987, onde pude presenciar o filho, como correspondente internacional, então do Globo, levar o pai para conhecer os bastidores de um GP de Fórmula-1, no Estoril. Os olhos do velho brilhavam, vendo de pertinho os bólidos, nos boxes, e pilotos como Piquet, Senna e Prost preparando-se para a corrida. Já o olhar do filho se iluminava pela alegria de estar permitindo a ele tal prazer.

Até por Roma, passeei, no melhor estilo “El Ministério del Tiempo”, quando pai e filho (então acompanhados pela mãe) assistiram a um Mundial de Atletismo, no qual Zequinha Barbosa conquistou uma medalha de bronze, nos 800 metros. Que viagem deliciosa! Bem como a temporada que passaram juntos na Espanha, onde o rebento morava.

Tempo, tempo, tempo. Uma porta sombria de fevereiro de 1992, no entanto, tive o cuidado de evitar, para que o sonho, até ali tão bom, não se transformasse em pesadelo, ao reviver aquela despedida tão inesperada, tão prematura, tão absurda e eternamente doída.

Saudade, saudade, saudade. Como disse certa vez um amigo, ela não tem braços. Mas como aperta. Ainda que em sonhos, como é bom te rever, velho! Feliz Dia dos Pais para todos!

Renato Maurício Prado – Jornal do Brasil – 12 de agosto de 2018


Ali me vi ante situações tão parecidas que, também, voltei no tempo e me vi de mãos dadas com meu pai e minha mãe, entrando pela primeira vez, aos seis anos, no Maracanã, para ver o Flamengo tri-campeão.

A lembrança seguinte não foi boa. O ano, 62, meu pai e eu, no setor 4 do Maracanã, reservado para os sócios dos clubes, e ver Garrincha, sozinho, ganhar o campeonato. Tristeza, amenizada pelo fato de termos sido derrotados por um gênio.

No ano seguinte, 63, de novo no setor 4, um FLA-Flu de arrepiar, com Marcial fechando o gol e 0 a 0, dando o título ao Flamengo. Importante dizer que esta jornada ao lado do velho começou na Igreja de São Judas Tadeu.  Rezamos e velas acendemos. À tarde, Mengão campeão.

O amor pelo Flamengo me empurrou para o jornalismo. A venda de Gérson para o Botafogo despertou em mim a necessidade de dizer o que pensava. Mais uma vez, meu pai. Foi ele quem abriu as portas do Rádio para mim, por meio de um amigo que era diretor da Rádio Vera Cruz. Ali comecei. Graças ao empurrão dele.

Juntos saboreamos a era Zico. Eu viajando com o Flamengo para tudo que é lugar, e ele, meu maior ouvinte, saboreando as glórias da sua paixão maior, contadas pelo filho.

Fernando de Souza Leite, comandante da Marinha, rubro-negro de corpo e alma, apaixonado pelos animais, em especial pelos cachorros, marcou a minha vida com estas duas paixões, com as quais convivo, e sem as quais não teria valido a pena ter vivido.

(Reprodução da internet) Kleber Leite

Ano eleitoral…

(Reprodução de rede social) Kléber Leite Twitter

Infelizmente, no Flamengo, todo ano eleitoral é difícil. E, desta vez, duplamente, pois além de uma eleição para eleger um novo presidente, o atual presidente é candidato a deputado federal.

No meio de tudo isso, o interesse do torcedor que, na realidade, tem como única preocupação o sucesso do time.

Poderia haver uma solução, “blindando” o futebol, só que isto deveria ser feito pelo vice-presidente de futebol, que também está envolvido no processo eleitoral, como um dos candidatos ao cargo de presidente.

Algumas manchetes me deixam com a pulga atrás da orelha, como essa de hoje, em que Vizeu aparece magrinho em foto recente (que ilustra o post) na Udinese, da Itália, com o comentário de que no Flamengo vivia ele uma colônia de férias, pois vivia fora do peso.

Em síntese, a nota afirma que o Flamengo é uma bagunça, onde cada um faz o que quer e pesa quanto quiser. Li isto e me veio a memória o nosso jogo contra o Grêmio, onde o time demonstrou uma forma física invejável. Muito estranho. Cheiro de “produto” eleitoral…

Estamos em uma sinuca de bico. O ideal seria o presidente renunciar e ir cuidar da vida, na tentativa de se eleger deputado. E, que o vice-de-futebol fizesse o mesmo, indo cuidar da sua campanha para a presidência do clube.

Com dois não candidatos a nada, um na presidência e outro no futebol, quem sabe as coisas não caminhassem dentro da normalidade, sem rancor e algumas maldades, tão comuns em ano eleitoral no Flamengo. Fica a sugestão.

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