Maracanã, que tristeza…

(Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)

Hoje, na sua primeira entrevista coletiva, o presidente eleito do Corinthians, Andrés Sanchez, foi de uma enorme felicidade ao falar sobre a Arena Corinthians.

Indagado como faria para pagar a dívida ainda pendente, Andrés foi categórico ao afirma que: “Vamos encontrar as soluções, porém sem sacrificar o estádio”. O repórter quis saber o que significava “sacrificar o estádio”, ao que Andrés respondeu: “Sacrificar o estádio é cometer o crime de autorizar shows que, liquidam o gramado, comprometendo a qualidade na hora da bola rolar”.

Perfeito!!! Nunca vi, em nenhum estádio do mundo, por mais atual que seja a tecnologia, algo que impeça o sacrifício do gramado. Tudo tem a sua hora. A do show em estádio de futebol, só no recesso da bola. E, ponto!

E imaginar que a bola não vai rolar no Maracanã para shows de Wesley Safadão e de Sertanejos. Francamente…

É o fim do mundo!!! Que vergonha!!!

Terça-feira, com novidades…

(Foto: Alex Silva / Estadão Conteúdo)

Na Copinha, nos pênaltis, aliás, muito bem cobrados, o São Paulo eliminou o Inter e se classificou para a final contra o Flamengo. O meio jogo de hoje – menos de meia hora –, complementando o de ontem, suspenso em função do temporal, mostrou o time do São Paulo atacando mais, porém, deixando muitas brechas atrás. Tanto é verdade que as chances de gol foram em igual número e, na decisão por pênaltis, o time paulista deu show.

Deste time do São Paulo na Copinha, foi o que vi e, claro que, por tão pouco tempo, fica impossível se fazer uma avaliação correta. Nem mesmo o tempo curto jogado hoje dá para se avaliar alguma coisa, já que o São Paulo partiu pra cima, pois não queria ir para os pênaltis, ao contrario do Inter, que entrou em campo para não perder e forçar a decisão nas penalidades máximas.

Claro que torci para o Inter, pois seria melhor jogar com a presença de público favorável, pois se fosse a equipe colorada, haveria muito mais torcedores do Flamengo do que do clube gaúcho. Como confiança é quase tudo no futebol – e a nossa garotada está “voando baixo” – estou levando muita fé, embora tenha a absoluta convicção de que Vitor Gabriel, o nosso centroavante, vai fazer uma baita falta.

A esperança no ataque fica por conta de Bill, que pode desequilibrar o jogo. Importante não esquecer, dia e hora da decisão. Depois de amanhã, quinta-feira, às 10 HORAS DA MANHÃ!!!

A gozação do dia foi a de que, se desse Fla x Inter na final, o vencedor teria que jogar contra o Sport…


(Foto: Gilvan de Souza)

O pessoal do futebol, ao que tudo indica, em parceria com o procurador de Muralha, “deu tratos à bola” e para o bem de todos e felicidade geral da nação, Muralha foi emprestado a um clube japonês pelo período de onze meses. Melhor para todos, pois não havia mais clima para o goleiro jogar no Flamengo e, esta situação era ruim para os dois lados. Muralha não jogando, e o Flamengo pagando. Tomara que tudo dê certo por lá e, que os onze meses se transformem em vários anos…


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

A outra notícia que circula com insistência é a de que o sonho de consumo do novo presidente do Vasco das Gama, Alexandre Campello, é ter Rodrigo Caetano comandando o futebol vascaíno, o que gerou reações distintas por parte dos torcedores do Flamengo, causando preocupação em alguns, pela possibilidade de um trabalho poder ser interrompido, além de – de certa forma – se sentir passado para trás pelo Vasco.

Claro que houve também entre os rubro-negros quem comemorasse a notícia. Fato é que, esta cadeira no Vasco está vaga desde a saída de Anderson Barros, para o Botafogo. Pelo reto caráter de Rodrigo Caetano e, pelo permanente prestígio que sempre teve do presidente Eduardo Bandeira de Mello, e do Super CEO do clube, Fred Luz, acho que o sonho do novo presidente do Vasco vai ficar na vontade…


Para responder rápido. Se Flamengo x Bangu, jogo válido pelo Campeonato Carioca de profissionais, que será disputado amanhã, na Ilha do Urubu, estivesse programado para o mesmo dia e hora de Flamengo x São Paulo, na decisão da Copinha, que jogo você assistiria?

Respondendo ao Julieverson

O nosso companheiro Julieverson, certamente em função do que aconteceu na última eleição no Vasco da Gama, puxou o tema para discussão, meio que, querendo saber qual é a fórmula ideal para ser adotada nos clubes e, querendo entender a diferença entre torcedor e sócio.

Certa vez, estava eu sendo entrevistado no programa de TV que era comandado pelo querido José Carlos Araújo, quando lá pelas tantas, um jovem rubro-negro, que fazia parte do quadro ‘”repórter por um dia”, e que afirmara ter o sonho de um dia ser presidente do Flamengo, me perguntou o motivo de, na política rubro-negra, as caras serem as mesmas, embutindo na pergunta a crítica que era óbvia, pregando uma renovação no quadro de dirigentes. Ouvi e, disse que iria responder com uma pergunta a ele e, sapequei: “Você é sócio?”. Ato contínuo, veio a resposta: “Não!”. Quase não precisei mais falar e, como num passe de mágica, o assunto passou a ser outro.

Como muito bem colocou no post anterior o nosso amigo Julieverson, torcedor é torcedor, sócio é sócio. Ou seja, o torcedor tem como princípio torcer. O sócio, de participar da vida do clube.

Graças aos meus pais, sempre entendi o quão era importante contribuir e participar da vida do Flamengo. Minha carteirinha de sócio, que ainda tenho (imagem abaixo), é de 1965, portanto, são mais de 50 anos como associado à paixão da minha vida. Naquela época era eu sócio patrimonial e, o número do título não esqueço nunca: 6654.

Respeito todas as campanhas de marketing que vendem vantagens para alguém ser sócio de um clube, mas não abro mão em afirmar que nunca haverá vantagem maior do que, mesmo modestamente, você estar contribuindo para a consolidação da sua paixão e, além disso, adquirindo o direito de ter voz ativa, através do voto.

Qual é o melhor sistema? Há controvérsias, reconheço, mas o que é praticado no Flamengo é extremamente democrático e, para não dizer que é perfeito, acho que o processo eleitoral deveria ser mais curto, com as chapas sendo inscritas em data próxima à eleição, fato que não ocorre hoje, quando as chapas são apresentadas no meio do ano, e as eleições acontecem no mês de dezembro. Período muito longo que, em ano eleitoral, acaba mais dividindo do que somando.

De qualquer forma, a eleição no Flamengo é direta, o que me parece saudável e democrático. O outro formato, como o que se viu recentemente no Vasco da Gama, embora tenha ocorrido pela primeira vez, dá margem a que uma minoria decida de forma diferente do que todo quadro social optou. Como a bíblia de um clube é o seu estatuto, certo ou errado, deve se cumprir o que está escrito. Desta forma, sem discussão, Alexandre Campello é de fato e de direito o presidente do Vasco da Gama.

Outro tema polêmico diz respeito à duração do mandato. Na minha época, no Flamengo, o mandato era de dois anos. Depois, o Conselho Deliberativo entendeu que deveria ser de três. O argumento de quem defendia a tese de que dois anos era o ideal se baseava no fato de que, se o presidente não fosse bom, lá não permaneceria por muito tempo.

Já quem sempre defendeu o mandato de três anos, tem como argumento principal o fato de que, sendo o mandato de dois anos, o presidente eleito, após o primeiro ano, já encara no ano seguinte um ano eleitoral e, não há como negar que este seja um baita argumento. Para o bom andamento do clube, não tenho nenhuma dúvida de que o mandato de três anos seja muito mais produtivo.

Para encerrar, deixo aqui o meu fraterno abraço, de reconhecimento e gratidão, aos sócios rubro-negros que não residem no Rio de Janeiro. Esta é uma prova inconteste de amor ao clube. Dar, sabendo que nada ou, muito pouco, terá em troca. Isto é amor!!!

Feliz natal, e que 2018 suavize e inspire o ser humano

(Arte: Equipe KL)

A hora é de parar um pouquinho e, até pelo espírito de Natal, arranjar um tempinho para se olhar pra trás, tentando encontrar um balanço do ano que está no fim e projetar a vida no que está chegando.

A parada é quase que obrigatória, já que neste período, como acontece em todos os anos, a especulação impera e o noticiário esportivo acaba virando o “samba do crioulo doido”. Fred, vem ou não vem? Vinícius Júnior, fica ou já vai para o Real? Rueda, fica ou vai dirigir a seleção do Chile? E Guerrero, que atitude tomar? Enfim, o dia a dia rubro-negro, até que as coisas se definam vai ser por aí…

Como não sou de ficar em cima do muro, devo dizer que o nosso presidente Eduardo está perdendo uma bela oportunidade de começar do zero. Modificações de meia boca nunca deram resultado. Portanto, há duas alternativas, quais sejam: deixar como está ou modificar radicalmente a estrutura do futebol.

A segunda opção, por tudo que se viu este ano, a meu conceito, seria a mais pertinente. Sem briga, sem espinafrar ninguém, agradecendo o esforço de cada um e, mudando tudo.

Parto da premissa de que futebol é turma e, quanto menos gente, melhor. A sintonia fina é necessária e isto só se consegue quando há total afinidade entre as pessoas que compõem o departamento.

Trocar peças é tapar o sol com a peneira. Melhor seria trocar o tabuleiro e começar um novo jogo. Pelo jeito isto não acontecerá no futebol do Flamengo. Como, por formação, respeito quem pense em contrário, e pelo fato de só saber torcer a favor, torço para que tudo dê certo.

No aspecto humano, ainda com a população impactada pelo horror das cenas que assistimos no nosso último jogo do ano, imaginar pessoas menos selvagens e agressivas no ano que vem chegando. Culpar o Flamengo, ou o policiamento, pela selvageria que tomou conta do Maracanã e seu entorno é, pura e simplesmente, virar às costas para a realidade do nosso dia a dia, onde se faz o que quer sem a mínima responsabilidade, e sem nenhum tipo de preocupação, carinho, respeito e amor pelo próximo. A convivência real entre as pessoas se transformou no comportamento verificado nas redes sociais, onde a falta de respeito é completa e, se não houver um freio forte, definitiva.

Em síntese, que o ser humano acorde desta viagem sem volta, onde impera a lei de Murici, onde cada um cuida de si, além da máxima nordestina, “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Que 2018, o ano da Copa, traga ares de amor, bondade, compreensão e carinho. Que 2018 seja um ano mais justo.

Um lindo Natal e muita paz neste ano que vem chegando. Obrigado por vocês existirem na minha vida e, em janeiro estaremos de volta. Se Papai do Céu quiser…

Para ler e refletir

Mais uma vez enfatizo que este blog não é meu, e sim, de todos os amigos e companheiros que sabem ler, ouvir e respeitar, mesmo não concordando.

Criamos aqui, desculpem a falta de modéstia – e falo por todos nós – uma trincheira de amor, paixão, carinho e respeito que, infelizmente não se encontra com facilidade nos dias de hoje.

Por favor, leiam este texto adorável e atual do nosso amigo e companheiro EDUARDO BISOTTO, reflitam e fiquem à vontade para comentar.

Acho que já é hora de cada um de nós contribuir para o final desta selvageria que infesta e envergonha o nosso futebol.

Com vocês, EDUARDO BISOTTO:


AS REDES SOCIAIS, O ESPÍRITO DE MANADA E O SER HUMANO CADA VEZ PIOR

Li com muita tristeza o texto do Kleber sobre os eventos na final da Sulamericana, concordando da primeira à última linha. Por isso, resolvi contribuir com esta reflexão.

Lamentavelmente era uma situação perfeitamente previsível. Certo que a engenharia de trânsito, a segurança e o policiamento falharam. Mas mais certo ainda é que isso foi parido, alimentado e amplificado até não poder mais pelas redes sociais. E é com uma dor profunda no coração que escrevo isso: redes sociais são, para mim, um instrumento de trabalho. Mas é impossível não reconhecer o território de selvageria em estado puro em que as redes estão se transformando dia após dia.

O motivo é simples. É o chamado efeito-bolha. Com as minhas curtidas, o algorítimo do Facebook (principalmente) “adivinha” o quê penso, quais são meus gostos e desgostos. E então vai me mostrando tão somente aquilo que seu algorítimo “adivinhou” que eu quero ver. Vejamos na prática o efeito psicológico desgraçado que isso gera.

Li o trecho em que Kleber relembra seus tempos como torcedor em arquibancadas com muito mais torcedores, de ambos os times, misturados e sem nenhuma violência. Era natural. E era natural porque a convivência era algo treinado no cotidiano. Sim, você era um flamenguista convicto, por vezes fervoroso. Mas convivia com colegas de trabalho torcedores do Fluminense, do Botafogo, do Vasco. Encontrava eles no boteco e discutiam por horas intermináveis. E nesta interação, aprendia-se a respeitar, a tolerar, a ouvir, a cornetar e ser cornetado.

Agora voltemos aos dias de hoje. Você é flamenguista. Curte a página do Flamengo. Curte blogs ligados ao Flamengo. Lê apenas textos que tratem do Flamengo. Seus grupos no Whattsapp tem apenas flamenguistas. E então acabou a experiência de reconhecimento do outro, do diferente, daquele que discorda. Todos berram juntos. Todos unem-se não mais contra adversários, mas contra “inimigos”. E no espírito tribal, a única “disputa” que surge é pra mostrar quem consegue ser mais fanático, mais “Flamengo de verdade”, mais intolerante com o outro.

Há não muito tempo, este blog publicou outro texto meu em que eu defendia Eurico Miranda. É pública e notória a relação de amizade e respeito que une Eurico Miranda e Kleber Leite. Duas lendas do futebol brasileiro, gostando ou não. E que se cornetaram muito, que rivalizaram muito, que disputaram muito. Sabe quando isso acontecerá com a minha geração e, pior ainda, com a próxima? NUNCA! Não se compreende mais que rivais possam ser amigos. Tudo está transformado em uma guerra de vida ou morte.

Aliás, na minha página pessoal do Facebook, basta que eu trate do Flamengo para que chovem críticas: como assim? Mas não diz que é Colorado? Como pode se interessar por outro clube? E que palhaçada é esta de aparecer no blog de um dirigente histórico deste outro clube? Quem tem dois times não tem nenhum, ora essa! E os ataques amplificam. Nem mesmo a minha torcida pela Chapecoense, um time da minha região natal, no interior de Santa Catarina, o que sempre faz com que os interioranos torçam para um time da região e outro grande é perdoada: que palhaçada é esta de torcer pra Chapecoense e pro Inter? E participar do blog do Kleber Leite? Como eu não consigo te definir através dos likes? Tá de sacanagem, mermão?

É assim no esporte, é assim na política, é assim em todo e qualquer assunto que possa ter dois lados divergentes. Discorda de mim? Só pode ser safado, bandido, mal caráter.  

Junte-se este clima beligerante permanente com uma sociedade como a brasileira, que começa a sair de uma crise econômica que dura quatro anos, repleta de frustrações e problemas pra resolver e tem-se a receita do desastre.

Pra piorar, um jornalista que eu admiro demais como Rica Perrone opta pelo caminho fácil do caça-cliques com textos absurdamente infelizes. No sexta passada, dia 08/12, Rica postou em seu blog um texto com o título “Entre o santo e o bobo“, onde basicamente relembrava do tratamento recebido por torcidas brasileiras em países sul-americanos e dizia que tratar bem visitantes era coisa de menino bobo que perde a merenda no intervalo.

Na terça-feira, véspera do jogo, Rica publicou um novo texto, desta vez intitulado “Sobe pra ver“. A linguagem tá clara desde o título. É linguagem de confronto, de chamado pro embate. No texto, basicamente justifica mais uma vez quaisquer ataques que viessem (e vieram) a ser feitos aos torcedores e ao time do Independiente. 

E por quê cito Rica, mais uma vez, insisto, alguém que eu respeito demais? Porque não era um jornalistazinho de fundo de quintal. Não era um blogueiro sem expressão. Era talvez, o principal nome da nova geração do jornalismo esportivo brasileiro, alguém com um alcance brutal, como ele mesmo gosta de ressaltar. E alguém assim impacta muito mais profundamente com suas ideias do que o Zé Mané que escreve um blog falando bobagens ou apenas desopila em seu perfil pessoal do Facebook.

Hoje, com a repercussão de todos os lamentáveis eventos, Rica comete mais um texto ruim, repleto de bobagens, tentando justificar o injustificável. Já inicia negando a realidade. Diz que eventos violentos assim hoje são muito menos comuns do que no passado. Ele quer que que nós todos que vemos a realidade deteriorar dia após dia acreditemos que melhorou e não piorou. Intitulado “A blindagem dos marginais é você“, basicamente Rica tenta negar a própria responsabilidade nos eventos. Acusa. Ataca. Terceiriza. Não assume a responsabilidade em momento algum.

Mas a equação está claríssima.

Uma sociedade exacerbada. Redes sociais que mantém as pessoas em suas bolhas. Um jornalista de altíssima repercussão em redes sociais que resolve fazer média com textos na medida para inflar as bolhas. 

Se tivéssemos uma polícia mais focada em inteligência e tecnologia, nesta altura um monitoramento já teria detectado as relações de causa e efeito. E aí, certamente cada um poderia ser chamado à sua própria responsabilidade. Se não no aspecto legal, ao menos para repensar a própria prática profissional e os riscos que ultrapassar limites oferece.

Que estes eventos sirvam de lição. Poderia ter sido pior. Muito pior.

E que sirva para que nós mesmos paremos e reflitamos: as redes nos deram muito, a internet fez com que pessoas distantes se conectassem, mas as bolhas que as redes criaram não estão nos fazendo bem.

É isso que queremos para nossos filhos e netos?

O Maraca dividido meio-a-meio é um patrimônio cultural brasileiro. E não voltará enquanto não conseguirmos dar alguns passos atrás, retomando a civilidade perdida.

Eduardo Bisotto

O ser humano

(Foto: Raphael Zarko / Globo Esporte)

Tudo que acontece interferindo no nosso dia a dia, na nossa qualidade de vida e na nossa sobrevivência, claro que tem um peso muito maior.

Desta forma, mesmo respeitando todas as loucuras cometidas mundo afora, não há como deixar passar em branco os episódios ocorridos ontem, desde cedo, nas imediações do Maracanã (assista à matéria do Globo Esporte aqui).

E, reparem bem que não se tratava de um clássico local, com duas torcidas envolvidas. O jogo de ontem foi entre um clube brasileiro e um argentino, com 95% do Maracanã ocupado pelos torcedores do Flamengo.

As cenas que foram mostradas pela televisão devem servir de profunda reflexão sobre onde vamos parar.

A sensação que tenho é a de que algumas pessoas armazenam ódio e encontram, em situações como a de ontem, a oportunidade de expressar o seu verdadeiro conteúdo interior.

Será que, como gente, pioramos? Acho que sim, e concluo isto puxando pela memória. Quantas e quantas vezes, principalmente como torcedor de arquibancada – ou como sócio do Flamengo tendo o direito de um lugar no setor quatro do ex-Maracanã – estive presente em jogos muito mais importantes, com muito mais do que o dobro do público de ontem, e tudo transcorria em um ambiente de paz e total tranquilidade? E, na maioria das vezes, em clássicos locais, onde a rivalidade também existia. O que não havia era a selvageria.

Há quem atribua à internet e, principalmente, às redes sociais esta difusão de “mau-caratismo”, onde as pessoas sem princípio e honradez se habituaram a agredir, se achando no direito de transportar este comportamento doentio para o dia a dia. O pior é que esta praga atinge a todas as classes sociais e, assim sendo, se algo não for feito, a tendência natural é se alastrar.

Não há como negar que outros fatores contribuíram para a vergonha de ontem no Maracanã. O despreparo das autoridades no trato com o cidadão, a ridícula engenharia de trânsito da prefeitura, e o momento dos nossos policiais – escorraçados, desmoralizados e desprestigiados, em visível stress coletivo – tendo a responsabilidade de colocar “ordem na casa”…

Estes itens aqui mencionados, se melhorados, vão ajudar a amenizar futuros problemas, mas, pelo comportamento atual do ser humano, são insuficientes como solução definitiva.

O problema está em nós mesmos. Estamos piorando, a cada cinco minutos, como gente.

Você trocaria o elenco do Flamengo pelo do Grêmio?

(Foto: Matthew Childs / Reuters)

O tal do rotavírus me pegou de jeito e, talvez por isso tenha visto o jogo do Grêmio de forma sofrida e desconfortável. Quem já teve, sabe do que estou falando.

Torci pelo Grêmio, pois lá tive e tenho queridos amigos que marcaram a minha vida. Agora, com certeza, os amigos vivos devem ter acabado com as unhas, e os que não mais aqui, devem ter soprado a bola chutada pelo Éverton.

O goleiro do Pachuca está acima do peso, tem 44 anos e mede 1,72m. Caramba, quem diria que o jogo seria duro, com o Pachuca dominando a maior parte do tempo normal e, só entregando o ouro na prorrogação? No time deles tem um japonês de nome Honda que, lembrou muito, pela elegância e toques precisos, o talentoso Ademir da Guia, craque que nasceu no Bangu e se consagrou no Palmeiras.

O jogo estava comendo e, mesmo não jogando, coloquei o Flamengo em campo e, alguns questionamentos começaram a surgir na minha cabeça. Se o presidente Eduardo reunisse a imprensa e comunicasse que trocaria o time do Flamengo pelo do Grêmio, qual seria a reação da nossa torcida? A favor ou contra?

O Grêmio, a meu conceito, tem os seguintes jogadores indiscutíveis: Marcelo Grohe, Geromel, Arthur, Luan e, ponto! E, quais são os jogadores indiscutíveis do Flamengo? Vou tentar: Diego Alves, Réver, Diego, Éverton Ribeiro, Éverton e Vinícius Júnior. No meu placar, 6 a 4 para o Flamengo.

Para não aumentar a polêmica, vamos deixar o lance do treinador pra lá…

Quero dizer que apesar do rotavírus, estou superconfiante. A quarta, será nossa!!!

DEU CERTO!!!

Prédio do Morro da Viúva.

Parabéns aos rubro-negros que estiveram na reunião do Conselho Deliberativo e aprovaram a transação em que, finalmente, o Morro da Viúva deixa de ser um problema e passa a ser contribuição para o Flamengo cada vez mais independente.

Com 320 conselheiros presentes e por uma maioria esmagadora, a diretoria aprovou sua proposta.

Começamos a semana muitíssimo bem. Que venha o Independiente.

Tomara que tudo dê certo

Fachada do prédio do Morro da Viúva (Reprodução da internet)

Alguns queridos amigos, sócios das mais variadas categorias do Flamengo, me perguntaram durante todo o dia a minha opinião sobre o projeto do Morro da Viúva.

A minha resposta foi simples e pragmática. Embora algumas pessoas que estejam hoje no poder achem que o Flamengo nasceu quando foi criada a chapa azul, e estão redondamente enganadas, não posso deixar de colocar que todos que lá estão são bem-intencionados e, a maioria esmagadora, muito competente. Portanto, é uma questão de delegação. Se elegemos estas pessoas e, ao longo do tempo as demonstrações são de seriedade e competência, como não apoiar?

Paralelo a tudo que aqui coloquei, lembrei aos amigos que me procuraram que, em 1995, a nossa prioridade número 1 era a retomada da dignidade, com o clube honrando os seus compromissos, principalmente com os seus funcionários e, durante quatro anos esta meta foi atingida.

A prioridade número 2 era resolver o problema do Morro da Viúva, pois o prédio era um pardieiro, em petição de miséria e com o risco de causar danos irreparáveis, inclusive, com risco de vida para as pessoas. Gastamos uma fortuna, deixando o prédio, um brinco. Querem saber? Embora não houvesse outra solução no momento, foi dinheiro jogado fora, pois ao longo do tempo, até pelo fato do Flamengo não ter a vocação de administrador imobiliário, o prédio acabou novamente deteriorado.

Ainda apareceu o Eike Batista, mas pelo que passou o empresário, o projeto deu pra trás. Agora, surge uma nova oportunidade e nela, só pessoas bem-intencionadas e competentes tocando o barco. Aprovar este projeto, é dizer sim a um futuro melhor para o Flamengo.

E esta quarta-feira que não chega…