#SOMOSTODOSEDU

Gostaria de contar para vocês a história do Eduardo.

Nosso amigo descobriu que tinha leucemia no começo de 2016, quando tinha 34 anos. O último ano foi de muita luta para vencer a doença.

Quando havia acusado uma melhora, já na fase de manutenção do tratamento, a doença voltou, e desta vez mais intensa.

Agora, além de precisar de quimioterapia, há a necessidade de um transplante de medula. Achar alguém compatível é sua única chance de sobreviver.

A ajuda de todos se faz necessária, tanto para divulgar e compartilhar esse pedido, quanto para fazer o teste de compatibilidade, que é a nossa principal necessidade.

O teste é feito no INCA, na Praça da Cruz Vermelha, nº 9. De segunda a sexta, pode ser feito de 8h às 14h30. No sábado, de 8h às 12h. (Clicando aqui você pode ler a página de “Perguntas e Respostas sobre Transplante de Medula Óssea” do órgão).

A campanha para ajudar o Eduardo tem uma página no Facebook, que pode ser vista aqui. Divulguem, compartilhem e apoiem essa campanha. É um apelo que lhes faço.

Eduardo está no INCA, lutando a cada dia. Vamos ajuda-lo e a todos que precisam.

#SOMOSTODOSEDU

Brigar, pra que?

Recebi e-mail do meu irmão Radamés Lattari, que ainda não havia recebido a informação de que o Flamengo retirara a ação, que ingressou no STJD, contra o Botafogo, já que os clubes chegaram a um acordo em reunião na sede da Federação.

A torcida do Flamengo terá direito a 10% dos bilhetes, que começarão a ser vendidos amanhã.

Mesmo com o assunto já superado, acho de bom tom, em homenagem à paz, a boa convivência, ao bom humor e, ao amor pela vida, reproduzir o e-mail do Rada, que traz bela sugestão para os presidentes de Flamengo e Botafogo.


Kleber,  

Estou lendo que a diretoria do flamengo está acionando STJD devido a demora por parte do Botafogo em colocar a venda os ingressos do jogo.

Acredito que todo tipo de rivalidade sadia seja benéfica ao esporte, para promovê-lo, para alcançar melhores resultados, entre outros.

Mas acredito que nos dias de hoje, com a onda de violência que atinge o nosso estado, seja perigoso e pouco inteligente alimentarmos esta rivalidade, além de tudo, ao invés de levar famílias aos estádios, estamos ajudando a afastá-las.

Por mais que os dois presidentes sejam os torcedores mais ilustres no momento, eles não podem esquecer que são dirigentes, e como tal devem comandar e recomendar a paz a todos os demais torcedores.

Eles deviam selar a paz publicamente, apostando um almoço, quem for para a final escolhe o restaurante onde o perdedor pagaria a aposta.

Cada qual deve lutar por seus direitos, os dois juntos devem lutar por interesses comuns a seus clubes e deixar aquele que atuar melhor vencer dentro de campo.

Fica a ideia.

Abraço

Radamés Lattari

Em se tratando de futebol, tudo é possível

(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo)

Participei de um adorável programa, comandado pelo grande Edson Mauro, o locutor bom de bola. Claudio Perrout e Carlos Eduardo, brilhantes e consagrados repórteres, que estranhamente andam afastados do rádio, e estudantes de jornalismo, compuseram a “arquibancada” do papo de bola.

Lá pelas tantas, alguém me perguntou sobre o novo treinador do Flamengo, Reinaldo Rueda. Respondi que, em tese, o momento (meio, quase final de temporada) não é oportuno para um técnico estrangeiro encarar este tipo de desafio, pois pega o bonde andando e, não conhecendo quase ninguém.

Porém, lembrei que, em se tratando de futebol, nem tudo que é feito com planejamento e competência, dá certo. E, que a recíproca é verdadeira. O que tinha tudo para dar errado, acaba dando certo.

Como sou um otimista de carteirinha, acredito, mais do que nunca, na imprevisibilidade do futebol.

Amém!!!

As porradas da vida

(Alexandre Schneider/Getty Images)

Liguei a televisão e ainda deu para ouvir o repórter falar a palavra tragédia e, ato contínuo, enviar mensagem de solidariedade para Abel Braga.

Talvez imaginando que todos os telespectadores estivessem ligados desde o início da reportagem, passou para outro assunto e me deixou angustiado. O jovem repórter nunca deve ter ouvido Deni Menezes, que nunca deixava de, a cada entrevista ou matéria, jamais encerrar, sem repetir os tópicos principais.

Como fiquei angustiado e órfão de informação, corri para o Globo.com, e lá me deparei com a tragédia. O filho caçula de Abel, João Pedro Braga, a cara dele, havia caído da cobertura da família, no Leblon, e morrido.

Por mais que a vida ensine, não dá pra segurar este tipo de coisa, vitimando uma família adorável e, um amigo especial, figura humana rara.

Dudu, meu filho, apaixonado pela cultura uruguaia, criou o restaurante Gonzalo, onde o destaque era a carne uruguaia e, de onde Abel não saía, tendo até mesa cativa.

Lembro que uma noite, após o jantar, ficamos conversando no barzinho e, lá pelas tantas, Abel disse que teria que passar mais uma temporada no exterior para poder pagar as obras, que sua mulher comandava, neste apartamento do Leblon, onde certamente foram muito felizes, até este sábado trágico.

Dizer o que para um amigo querido num momento como este? Melhor abraçar e, chorar junto. Algumas porradas da vida são injustificáveis e insuportáveis.

Estou chocado. Que Deus dê força a toda família para suportar esta cacetada da vida.

Força Abelão!!!

 

Sugestão para Zé Ricardo e a loucura das camisas

O meu querido amigo Fernando Versiani enviou por WhatsApp a seguinte sugestão e, muito bem fundamentada, para o nosso treinador Zé Ricardo:

“Que tal amanhã o Zé Ricardo ousar um pouco e jogar com um volante só, colocando Éverton Ribeiro e Diego no meio, e na frente Geuvânio, Guerrero e Éverton? O Coritiba, sem o Gladiador, é praticamente inofensivo. Tomou de quatro da Ponte Preta. Amanhã tem que ganhar fazendo saldo de gols.”

Mesmo sem Diego, que será poupado, a proposta continua sendo válida, pois o que importa é a filosofia do jogo. Ousadia em demasia ou, ousadia pertinente? Eu gostei. E vocês?


Outro dia, na Ilha do Urubu, o Flamengo, como mandante, disputou uma partida oficial – Campeonato Brasileiro – sem o uniforme rubro-negro.

Não bastasse isso, utilizou o uniforme número dois – aquele da listra vertical – e, sobre isso quero contar um depoimento do presidente do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia.

Num papo informal, me disse ele que foi tarefa difícil dissociar a imagem do Flamengo, pois a camisa do Atlético era rigorosamente igual à nossa. Não só o uniforme rubro-negro, como também o número dois. A solução encontrada para FUGIR DO FLAMENGO foi transformar as listras horizontais, em verticais. E assim tem sido até hoje.

Agora, o Flamengo que tem como marca registrada as listras horizontais, aparece com o uniforme número dois com a listra vertical.

Caramba, como se muda uma marca registrada e consagrada? E não é que o Flamengo deixou de ser Flamengo para ser Atlético Paranaense, que luta até hoje para não ser confundido com o Flamengo…

Agora vem como terceiro uniforme a camisa amarela. Tudo isto começou na década de 90, quando a Umbro fez uma pesquisa exclusivamente com torcedores rubro-negros, que elegeram o azul como cor favorita.

Em função da pesquisa, a Umbro lançou o terceiro uniforme, que tinha o azul como base, porém, sem deixar o vermelho e preto de fora. A camisa ficou linda, registrando o recorde de vendas da empresa inglesa no nosso continente. O problema é que o produto foi colocado no mercado sem a aprovação do Conselho Deliberativo que, quando convocado, reprovou a camisa, pois passava ao largo da nossa tradição e das nossas cores. Vejam bem. O azul era a base e, tudo em cima do azul era vermelho e preto. E, mais: o Conselho Deliberativo daquela época só permitiu a utilização do terceiro uniforme em jogos festivos. Jamais em jogos oficiais.

Agora, vem o amarelo, sem nada de rubro-negro e, podendo ser utilizado em qualquer competição, inclusive em jogos oficiais.

Com todo respeito ao modernismo e, à vontade estou, pois adoro o novo, acho que estamos passando do ponto. Não pode haver fato novo, por mais bonito que seja, por mais resultado financeiro que proporcione, que agrida a tradição.

Além disso, há uma enorme contradição. No exato momento em que o Flamengo entende que deva invadir o mundo, se fazendo conhecer, provocando novas paixões em continentes nunca antes atingidos pelo carisma do rubro-negro horizontal, jogar de amarelo é de uma falta de visão Maracaneana

Com todo respeito…

São Januário

(Foto: André Durão)

Quem olha a tabela do Campeonato Brasileiro, talvez imagine uma igualdade técnica entre o terceiro e o sexto. Como o campeonato ainda não atingiu o ponto em que tudo fica mais claro, há de se imaginar um equilíbrio entre Flamengo, o terceiro, e Vasco, o sexto.

Na realidade, e sem qualquer influência emocional, este jogo só pode ser encarado como equilibrado pelo fato de ser realizado em São Januário, pois inegavelmente o Flamengo tem um elenco infinitamente melhor e, não bastasse isso, um time bom, que começa a ganhar entrosamento.

Além do que foi colocado, o Flamengo vai completo, já que Pará ou Rodinei, a diferença não é tão grande. O Vasco, além da inferioridade técnica, tem problemas na escalação, principalmente com a ausência do jovem e talentoso Douglas.

Acontece que o jogo é em São Januário, que terá lotação máxima, com goleada cruzmaltina nas arquibancadas, em função do regulamento do Campeonato Brasileiro. De cada dez torcedores, nove estarão torcendo para o Vasco.

E, não fosse São Januário, isto é, não fosse a performance do Vasco como mandante, certamente estaria próximo ou, na zona de rebaixamento. Portanto, localizado está o nosso grande adversário.

Dá pra ganhar em São Januário? Confesso que estou otimista. Hoje, o futebol mudou e, há muito menos árbitros caseiros do que antigamente. Além disso, o time do Flamengo é cascudo e, neste tipo de jogo, experiência conta, e muito.

O horário do jogo, simplesmente espetacular!!! Jogando às 18h, o sábado é todo do torcedor, que pode fazer o que bem entender durante tarde e manhã e, se tiver disposição, a noite será uma criança…

Ontem, Washington Rodrigues, o genial Apolinho, enquanto apresentava o seu programa na Rádio Tupi, recebeu a visita do rubro-negro Leonardo, mineiro, de Belo Horizonte. O filho de Leonardo nasceu em 1995, ano do nosso centenário e, foi batizado com o nome de Washington Kleber, homenagem ao Velho Apolo e a mim. Caramba, quanta honra e que homenagem linda. Obrigado, Leonardo!!!

Como compôs Peninha, um trecho de “Sozinho”, canção eternizada por Sandra de Sá, Tim Maia e Caetano Veloso, retrata com fidelidade as almas rubro-negras, minha e do Velho Apolo… “é que carinho às vezes cai bem…”. E, como… quanto mais pintado com tanto amor e, em vermelho e preto.

Angra dos Reis de luto

Há uma semana perdemos uma das pessoas mais carismáticas e doces de Angra dos Reis. Na verdade, ninguém conhecia Marcio Frederico da Silva Reis.

Mas TODOS, conheciam Marcio da Fla Angra…

Por razões que a própria razão desconhece, além do seu amor incondicional pelo clube, Marcio nasceu no dia 3 de março. Coincidentemente, no dia de aniversário do nosso maior ídolo, Zico!!!

Em março de 1975, juntamente com Nilson Gonçalo (Nilsinho), fundou a primeira torcida organizada de Angra dos Reis. A Fla Angra…

Além do amor pelo Flamengo, foi eterno participante de TODAS as procissões marítimas de Angra, sendo um dos maiores vencedores do evento.

Além do mar e da terra, a Fla Angra também venceu inúmeros torneios nos campeonatos amadores do Aterro. Sempre levando e elevando o nome da organizada.

Em um determinado tempo, ficamos mais de 60 partidas invictos. E eu, como não jogava essa bola toda, bebendo ao lado dos meus amigos.

A última vez que encontrei meu amigo, já com 59 anos, me disse estar cansado de participar de alguns eventos, como a procissão marítima.

Até porque, após a morte do Roberto Marinho, e do afastamento do Boni da cidade, o evento ficou muito esvaziado.

Mas o amor irreversível pelo Flamengo, se resumia em ver os jogos na casa dele com vários amigos. Era nosso ponto de encontro…

Marcio, por muitas vezes, abriu mão da família para organizar viagens ao Rio e, colocar o barco da organizada na competição.

Aos 59 anos, vítima de um infarto fulminante, esse cara especial nos deixou.

Angra dos Reis perde o maior representante da nossa Nação. Meu amigo e parceiro Marcio da Fla Angra…

Carlos Egon Prates

JOÃO SALDANHA. JOÃO SEM MEDO. JOHNNY…

Gilson Ricardo lançou e, na Rádio Globo, João Saldanha, o comentarista que o Brasil consagrou, deixou de ser João, para ser Johnny. E, para quem não sabe, ele até que gostava de ser assim chamado. Isto era intimidade.

Digo isto pelo fato de perceber que alguns “companheiros”, na maior cara de pau, vivem apregoando uma intimidade com o nosso doce e querido personagem que, a bem da verdade, só existiu na imaginação de quem tenta se aproveitar e pegar uma carona na imagem do João.

Viajei o mundo inteiro com o nosso Johnny, dividi até cama de casal com ele e, sou obrigado a aturar estas criaturas com visíveis sinais de deformação de caráter. Cuidado “companheiros”, algum dia vocês podem reencontrar o João e aí, o pau pode comer…

Hoje, 3 de julho de 2017, João Saldanha estaria completando 100 anos. Portanto, hoje é o centenário de uma das mais carismáticas e geniais figuras do mundo do futebol.

João, com uma cultura geral invejável, foi o rei do pragmatismo, o campeão do poder de síntese, a simplicidade em forma de gente e, tudo isto, com muito charme.

Figura humana especial, que em diversas oportunidades deixava, em viagens ao exterior, suas suadas diárias para brasileiros que passavam aperto em função do exílio e, na maioria das vezes, pessoas que sequer conhecia.

João Máximo, com o brilhantismo de sempre, conseguiu sintetizar com clareza quem foi João Saldanha ao escrever para O Globo, afirmando que “João Saldanha era vários Joões em um só”.  Íntegro, leal, amigo dos amigos, culto, generoso, simples, doce, contundente, pavio curto, corajoso, afetivo, brigão, despojado, charmoso e, o maior contador de história que o rádio já produziu.

Certa vez, viajávamos ele, eu e Fernando Versiani e, em pleno voo, Fernando observou que a calça jeans do João estava muito surrada, perdendo a tonalidade azul. João chamou a comissária, pediu uma caneta Bic e, durante um bom tempo foi revigorando o azul na sua calça com a tinta da caneta emprestada…

E, por falar em viagem, João não levava mala. Era uma malinha de mão, com duas cuecas e duas mudas de roupa. Ocupava o tempo de folga nas viagens procurando sempre conhecer algo novo. Não comprava nada. Gastava o dinheirinho das diárias alimentando a alma.

Através de longas caminhadas João me apresentou Paris, cidade pela qual sou apaixonado. Andar em Paris, para João, era como se estivesse no Rio ou em Alegrete, conhecia tudo, “inclusive, tudo”!!!

Aliás, houve uma única oportunidade em que, por ter recebido encomenda de um dos filhos, comprou duas garrafas térmicas na zona franca de Manaus. Quando foi passar pela fiscalização foi informado de que só poderia passar uma única unidade, que era lei. João ainda tentou argumentar, dizendo que as garrafas eram encomenda dos filhos e, apresentando as notas, mostrou que havia gasto muito pouco e longe estava do valor permitido. O fiscal, irredutível, disse que uma das garrafas lá teria que ficar. João olhou pra ele com cara de poucos amigos e, jogando e quebrando a garrafa no chão, disse: “Pode ficar pra você”…

Alguns companheiros, em especial os mais gozadores, diziam que João adorava inventar histórias, que era mentiroso e acreditava na própria mentira.

Certa vez, chegamos a Londrina, João, Cury, João Fogueira – nosso engenheiro de som – e eu. Pegamos um táxi. Cury na frente, nós três atrás. No caminho para o hotel, João falou sobre um determinado prédio histórico, se não me equivoco, onde há algum tempo atrás funcionou uma Universidade, afirmando que ficava do lado oposto ao estádio. O motorista disse que João estava enganado, que o tal prédio ficava ao lado do estádio. Jorge Cury, que adorava provocar João, pediu que ele se mancasse e não discutisse com um motorista profissional e, local.

O motorista se encheu de gás e disse que era meio que uma ofensa discutir este assunto com ele, motorista há mais de vinte anos e, sempre em Londrina. Enquanto Cury morria de rir, João, já emputecido, se dirigiu ao motorista, dizendo: “Se você tem tanta certeza, vamos fazer uma aposta. Se o prédio estiver onde você diz estar, pago sozinho a corrida e, em dobro. Se estiver onde afirmo estar, a corrida é de graça”. Aí, Cury riu mais ainda, dizendo tratar-se de uma verdadeira barbada para o motorista, que após rodar por 20 minutos, quase perdeu a cor ao se deparar com o prédio exatamente onde João disse que estava. Cury agora ria de alegria, pois a corrida havia ficado de graça e, como gostava ele de uma moleza…

João, todo prosa, contou a história para Deus e o mundo, sempre chamando a mim e ao João Fogueira como testemunhas. Contei este fato para dizer que, além de tudo, da genialidade, João tinha memória fotográfica. Se fosse espião seria melhor do que o agente 007.

E, por falar em James Bond, a mais britânica sacada de todos os tempos foi de um brasileiro. Entrevistado pela BBC, João teve que ouvir de companheiros ingleses que o futebol sul-americano era violento e praticado por bandidos. João ouviu, e sem perder a elegância, disse: “Bandidos são vocês ingleses. A Scotland Yard ficou famosa prendendo freiras?” A entrevista terminou aí e, entrou para a história do jornalismo mundial.

João sempre foi um apaixonado pelo craque, embora tenha sido sempre elegante – menos em uma oportunidade, que depois eu conto – a ponto de jamais afirmar que um determinado jogador era ruim, era perna de pau. Preferia dizer que, “mais uma vez, fulano de tal, não esteve em uma tarde inspirada…” O craque era a sua paixão. João, na primeira convocação como treinador da Seleção Brasileira, no estúdio da TV Continental, em Laranjeiras, além de convocar, escalou o time titular. Esta matéria que fiz com ele, não dá para esquecer. Foi em 1969, ano em que eu começava na Rádio Tupi e, honrado, fui escalado por Doalcey Camargo para esta adorável missão. A tese de João Saldanha, de que futebol é momento e, a de que compete ao treinador encontrar um jeito de colocar os melhores em campo, está viva até hoje na cabeça de cada torcedor brasileiro.

A única vez que João deixou de ser elegante, foi genial. Em uma excursão da Seleção Brasileira pela Europa, em Cardiff, onde vários jogadores estavam estreando. O primeiro tempo terminou, fiz as reportagens e retornei para o Cury. Ato contínuo, com aquele vozeirão, anunciou: “e agora, com vocês, o comentarista que o Brasil inteiro consagrou”… Vinhetinha… João Saldanha… – antes de continuar, quero chamar a atenção de todos com relação a hábitos e costumes da época, onde ninguém imaginava falar um palavrão no rádio que, era mesmo nas transmissões esportivas, um veículo cerimonioso –  Muito bem, aí, o João sai com essa; “Meus Amigos… Vocês estão querendo saber o que eu achei dos novatos na seleção? UMA BOSTA!!! UMA BOSTA!!!”

Não acreditei no que estava ouvindo. Saí comentando com todos os companheiros de outras rádios e, o pior é que ninguém acreditava que fosse verdade.

Em 1983, a Klefer foi fundada e, a nossa primeira ação foi uma integração nacional através do Rádio e, via Embratel, “ao vivo e a cores”. Os grandes astros do futebol: João Saldanha, Jorge Cury, Zico, Sócrates, Falcão, Armando Marques, Raul, Carlos Alberto Parreira, Gérson “Canhotinha de Ouro” e Carlos Alberto Torres, viviam no nosso estúdio, na Glória, montado pelo genial Formiga, craque das carrapetas.

O estúdio, na realidade, era parte da nossa sede, pequena, mas aconchegante. O maior freguês foi o João, que adorava ir pra lá e ficar jogando conversa fora e, quantas e quantas vezes tirou uma soneca após o almoço, num sofazinho que ficava no corredor… Ali, conversamos muito sobre tudo que se possa imaginar, inclusive futebol. Johnny, para mim, como aprendizado de vida, foi primário, ginásio, clássico, faculdade e mestrado. Mestre de vida, de bola. Mestre de mundo…

Sem medo de errar, e certo de que não estou cometendo nenhuma injustiça, João Saldanha, o nosso Johnny, foi o mais carismático ser com quem convivi. E, aprendi. Muito!!!

Ia contar a história da baianinha do Acarajé, a linda Maria. Fica para outro post.

Valeu, João!!! Nos seus 100 anos, a alegria por ter tido o privilégio de ter convivido com você é toda nossa…

VIVA JOÃO!!! VALEU, JOHNNY!!!… Um dia nos encontramos… Tomara!!!