Aviso aos navegantes

Já passou do limite a covarde perseguição política que venho sofrendo ao longo de 20 anos no Flamengo.

Os que, por incompetência, inconsequência e, quem sabe até, má-fé, deram início à descabida defesa do Flamengo no caso “Consórcio Plaza”, juntamente com os oportunistas que por mim foram contrariados em seus objetivos, somando-se ainda, os que sem qualquer conhecimento de causa, irresponsavelmente, agridem pelo prazer de agredir, que tomarei as medidas judiciais cabíveis contra todos que denigrem a minha imagem.

Apresento agora, a contra notificação, por mim encaminhada ao presidente do Conselho Diretor do Flamengo.


Rio de Janeiro, 31 de maio de 2017.

Ao

Ilmo. Sr. Presidente do Conselho Diretor do Clube de Regatas do Flamengo

Av. Borges de Medeiros, nº 997, Lagoa

Prezados Senhores,

                        KLEBER DA FONSECA DE SOUZA LEITE, em resposta à notificação encaminhada por V.Sas. em 3.5.17, apresenta a seguinte contranotificação:

                       V.Sas. exigem, por meio da referida notificação, que o ora contranotificante efetue o pagamento de R$ 61.000.000,00 (sessenta e um milhões de reais), mais acréscimos legais, no prazo de 30 dias, sob pena de instauração de processo disciplinar pelo Conselho de Administração do Flamengo, com vistas à aplicação da penalidade de suspensão, que vigoraria até a quitação integral desse débito.

Desde logo, em resposta a correspondência datada de 3.5.17, o contranotificante afirma, aqui e agora, categoricamente que não reconhece a dívida que lhe é imputada por V.Sas. e que em nenhuma hipótese é de sua responsabilidade o ressarcimento de tal quantia ao Clube de Regatas do Flamengo.  É, pois, lastimável o expediente adotado por V.Sas. que demandam o ressarcimento de um alegado prejuízo que o ora contranotificante não deu causa.

Ressalte-se, por oportuno, que, conforme atestou o Conselho Deliberativo desta agremiação desportiva, todas as prestações de contas dos exercícios em que o notificante funcionou como Presidente do Clube de Regatas do Flamengo foram aprovadas, sem quaisquer ressalvas, não podendo V.Sas. agora, passados cerca de 20 anos da aprovação dessas contas, pretender responsabilizar o notificante por atos que já foram referendados pelo órgão deliberativo competente do clube.

V.Sas. também certamente sabem que, por força do art. 844 do Código Civil, a transação celebrada nos autos do processo nº 0077233-03.2002.8.19.0001 apenas opera efeitos entre as partes contratantes, e, por isto, não é oponível ao contranotificante, que não participou desse acordo.

Ademais, ainda que fosse imputável a aludida dívida ao contranotificante ­- o que não se admite em nenhuma hipótese -, V.Sas. declaram abertamente estar prescrita essa pretensão de cobrança dos malfadados R$ 61 milhões.

Enfim, por qualquer ângulo que se analise a questão, fica muito evidente que notificação ora respondida é um completo despautério cujo propósito não pode ser o ressarcimento do prejuízo alegado por V.Sas.

A notificação aqui respondida é, no entanto, reveladora das reais e lamentáveis intenções de V.Sas. É evidente o manifesto cunho político e persecutório na conduta adotada por V.Sas. na medida em que ameaçam arbitrariamente o contranotificante com gravosas sanções administrativas, caso não ocorra o pagamento pleiteado na notificação. Ora, quando V.Sas. cobram, por meio da notificação datada de 3.5.17, o ressarcimento de prejuízo daquele não lhe deu causa, exigindo o pagamento de dívida manifestamente prescrita, relativa a fato ocorrido há mais de 20 anos, durante uma gestão cujas contas foram aprovadas, é de se presumir que o ora contranotificante jamais pagará tal valor. Todavia, mesmo cientes dessa realidade acachapante, V.Sas. formulam uma descabida cobrança, para constranger e ameaçar o contranotificante com severas sanções administrativas.

Fica nítido, portanto, o escuso propósito de V.Sas., que conspiram para fabricar um “factoide” (consistente no não pagamento da alegada dívida), o que supostamente legitimaria esse velado caráter político e persecutório, pois criaria um fundamento (totalmente leviano, diga-se de passagem) para justificar a imposição de sanção administrativa/disciplinar que, na realidade, é de todo arbitrária e descabida. Essa conduta de V.Sas. viola os mais comezinhos princípios da boa-fé na condução de uma respeitada e reconhecida entidade desportiva. Afinal, não se pode admitir que o clube seja usado como títere de alguns indivíduos, que, eventualmente, possuam eventuais divergências, desavenças ou antipatias com o contranotificante.

Assim, surpreendido com essa evidente retaliação política de V.Sas., revelada nessa vetusta e descabida pretensão — irremediavelmente prescrita —, na qual se exige do notificante o pagamento de quantia estratosférica que não lhe pode ser imputável, o contranotificante reafirma que não deu causa ao débito de R$ 61.000.000,00 (sessenta e um milhões de reais), mais acréscimos legais, que lhe foi cobrado por meio da correspondência de 3.5.17.  Adverte, ainda, o contranotificante que tomará as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis contra os responsáveis por essa descabida e constrangedora conduta adotada por V.Sas, caso decidam prosseguir nesse desiderato.

Atenciosamente,

KLEBER DA FONSECA DE SOUZA LEITE

Uma terça-feira para marcar a minha vida

Ontem, lá fui eu para a reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo. Na pauta, de novo, o assunto do shopping e, nas entrelinhas, um caminho sutil para me apontar como culpado pelo dinheiro que o Flamengo, pelo acordo realizado entre as partes, está pagando ao consórcio que deveria ter colocado o shopping em pé e, ao invés disso, de forma astuta, usufrui daquilo que, na realidade, deveria estar pagando.

Ontem, após ouvir algumas barbaridades proferidas por pessoas sem a menor sensibilidade e de caráter duvidoso, uma delas inclusive com a responsabilidade de julgar e definir a vida de seres humanos, já que desembargador é, resolvi deixar de ouvir e dizer o que estava dentro da alma.

Pedi que as pessoas tivessem a coerência, como ponto de avaliação para qualquer julgamento.

Relatei a minha chegada ao clube em 95, quando encontramos uma verdadeira calamidade. Os 600 funcionários, além dos profissionais, estavam completando quatro meses de salários não recebidos. Como entrar no clube, como começar olhando nos olhos desta gente e vendo tanto sofrimento? Como, na condição de “patrão”, determinar, comandar, sendo devedor e não cumpridor das suas obrigações básicas?

Aí, três pessoas, Plínio Serpa Pinto, Jorge Rodrigues e eu, com recursos próprios, até porque, nos cofres do clube nada havia, colocamos os salários de todos os funcionários e profissionais, rigorosamente em dia e, assim foi até o último dia da nossa administração, em 31 de dezembro de 1998.

Este dinheiro que emprestei ao Flamengo me foi devolvido quatro anos após e sem um único centavo de juros.

Ao longo de quatro anos como presidente, e outros tantos como vice de futebol, viajei muito a serviço do Flamengo mundo afora, em que TODAS as passagens aéreas e estadias foram pagas com meus próprios recursos, pois sempre esteve em mim que servir ao Flamengo era um sacerdócio, uma missão de alma, uma doação.

Contei o caso de um malfeito por parte de uma pessoa que havia eu colocado para ocupar interinamente o lugar do nosso vice-presidente de finanças que, por motivos profissionais se mudara para Portugal. Esta pessoa, contrariando determinação minha, para ajudar um amigo, autorizou um pagamento que havíamos decidido não pagar, pois era um assalto ao clube. Quando fui informado do fato, tomei duas atitudes. Afastei a pessoa e ressarci o Flamengo.

Após fazer estas colocações perguntei aos presentes se havia coerência entre o que estava eu sendo acusado e o meu comportamento como dirigente do clube. Como alguém pode ser irresponsável e negligente em assunto tão importante, se no dia a dia, comprovadamente, foi cuidadoso e responsável ao extremo?

A segunda parte da minha mensagem aos conselheiros foi relatar fielmente o ocorrido.

Dos seis milhões aportados pelo Consórcio, 800 mil eram referentes a adiantamento feito pela gestão anterior e cinco milhões e duzentos foram destinados a resolver a penhora importante e comprar o passe de Edmundo.

Estava eu na Espanha, a serviço do Flamengo, quando recebi um telefonema de Michel Assef e Getúlio Brasil, informando que os dirigentes do Consórcio Plaza haviam decidido só liberar o dinheiro se nós déssemos a eles, caso o Shopping não fosse aprovado, o passe do jogador, como garantia, e que a decisão deles era irrevogável.

O problema era gravíssimo, pois os cheques para a Parmalat – e para salvar os apartamentos no caso da penhora – foram emitidos e entregues a quem de direito e o vencimento para dois dias depois.

Claro que usaram a nossa fragilidade para obter uma vantagem, nos colocando “numa sinuca de bico”.

No final do dia, após várias conversas, fizemos o exercício do que poderia ser o pior cenário, que seria a não aprovação do shopping e, concluímos que ainda assim, não seria de todo ruim, pois teríamos utilizado por um bom tempo e, sem qualquer custo, o melhor jogador em atividade no Brasil, teríamos quitada a dívida de 800 mil contraída pela gestão anterior e, teríamos resolvido o problema da penhora.

O melhor cenário, apenas relembrando, era o shopping aprovado e, neste caso, automaticamente tudo incorporado ao patrimônio do Flamengo.

Para manter a dignidade do clube, evitando o escândalo que dois cheques voadores poderiam causar, informamos aos diretores do Consórcio que entregaríamos o documento, inclusive com o “de acordo” do jogador.

Deixei a presidência do clube em dezembro de 98. O shopping, foi oficialmente e definitivamente aprovado em setembro de 99, quando o Governador Anthony Garotinho sancionou, finalmente, o projeto (reprodução do diário oficial abaixo). Ali, naquela data, por contrato, na cláusula 3.1, o Flamengo estava, oficialmente, incorporando todos os benefícios aqui citados, ao seu patrimônio.

Última etapa: Governador sanciona projeto. Shopping totalmente aprovado (17/11/1999).

Com tudo transcorrendo dentro da maior normalidade, dois meses após sancionar o projeto, o Governador Garotinho jantando com algumas pessoas, ouviu de José Isaac Perez, presidente do Consórcio Plaza que havia ele, Perez, subornado a câmara de vereadores para aprovar o projeto (ler coluna do Boechat abaixo). Atônito, ante bombástica revelação, o Governador ligou para o ex-presidente Gilberto Cardoso, seu amigo de longa data, desde a época de Campos, informando que, ante tamanho escândalo, revogaria sua decisão e, assim o fez.

Início do fim. Ricardo Boechat anuncia o fim do Shopping (18/12/1999).

O contrato entre Flamengo e o Consórcio estava em pleno vigor. A revogação por parte do governador, tornou, consequentemente, o contrato nulo. Pergunta: Quem deu causa ao rompimento do contrato?

A resposta é óbvia e, ao invés de incursionar no judiciário, contra o Consórcio, reivindicando seus direitos, a diretoria do Flamengo nada faz. O tempo passa e, os poderosos empresários do Consórcio entram com uma ação contra o Flamengo, reivindicando os seis milhões de volta. A direção do Flamengo, ao invés de enfrentar, até porque o direito era pra lá de bom, afirma em juízo, como tese de defesa, que o clube não tinha responsabilidade alguma, pois este assunto deveria ter passado pelo Conselho Deliberativo e, isto não havia sido feito. Incrível, ridículo, criminoso, mas esta foi a nossa defesa. Pergunto: que culpa tenho ante tamanha barbaridade? Pergunto mais: por que o Flamengo não acionou em momento algum o Consórcio, por perdas e danos?

Contei também para os conselheiros, episódio triste, ocorrido, se não me falha a memória, em 2007, em que era eu vice de futebol. A situação financeira do clube, caótica. O presidente Márcio Braga mal de saúde, e os salários dos jogadores em atraso quase chegando ao limite do suportável.

Havia um jogo programado para uma quarta-feira e, no dia anterior, na concentração os jogadores resolveram que não iriam para o jogo no dia seguinte. Fui avisado por Fábio Luciano, indo imediatamente para o local da concentração, onde nos reunimos e, me foi dado o prazo, até às 16h de quarta-feira para que os depósitos fossem feitos nas contas dos jogadores, caso isto não ocorresse, todos iriam embora e não haveria jogo.

Como um louco, corri atrás do dinheiro e consegui um empréstimo de quase seis milhões e, às 15h, todos os depósitos foram feitos. Assim foi evitada uma mancha irrecuperável na imagem do Flamengo. Já imaginaram as manchetes, se o jogo não tivesse ocorrido?

Aí, também não havia tempo para juntar o Conselho e, é bom lembrar que, qualquer mútuo, pelo estatuto, só pode ser feito com a aprovação do Conselho.

Perguntei o que faria cada um deles. Deixar o Flamengo ir para outra página que não a esportiva, no que seria o maior “mico” de uma história pra lá de centenária ou, tomar a decisão que tomamos?

A ação de regresso contra mim foi arquivada, com o plenário votando favoravelmente e, em sintonia como havia se manifestado a vice-presidência jurídica do clube.

No encerramento, contei o caso do ator Mário Gomes, que em 1977, no auge de sua carreira, foi vítima de inominável cafajestada, com uma notícia plantada, segundo dizem, por um marido traído.

A notícia foi a de que Mário Gomes dera entrada na emergência do hospital Miguel Couto, com uma cenoura entalada em seu ânus. A partir daí, Mário Gomes, virou “Mário Cenourinha” e sua vida desmoronou. Hoje, vende sanduíche na praia e diz que carrega o peso desta cenoura maldita até hoje. A minha cenoura, foi este shopping center. Também maldito e recheado também por cafajestes e cafajestadas, internas e externas.

Como disse o sobrevivente Mário Gomes, em recente entrevista, “o que não mata, engrandece”. Continuo vivo. Ontem, a penúltima etapa vencida. Resta agora, o Conselho de Administração. Vamos pra lá. Quem não deve, não teme.

Obrigado, de coração, a tantos e tantos companheiros de luta no Flamengo, pelo apoio incondicional, pelo amor e, pelo carinho de sempre.

Ontem, quando subi à tribuna, sendo o último orador inscrito, lembrei muito da minha genial professora de fonoaudiologia, Glorinha Beuttenmüller, quando ainda garoto, na Rádio Tupi, pedi uma dica para para me comunicar com sucesso. A resposta, genial e pragmática, me marca profundamente até hoje:

“SEJA SINCERO”!

Agradecimentos, sequência do desabafo, camisa nova e decisão em Brasília

Clipboard02Como não poderia deixar de ser, começo com um enorme MUITO OBRIGADO, por tantas mensagens carinhosas e estimulantes, através do blog, e-mails e telefonemas. Definitivamente, a paixão que nos une conseguiu algo difícil nos dias de hoje, qual seja, debater com respeito e educação e, em muitíssimas vezes, também com carinho. O nome disso é afinidade. Se escudo houvesse para este blog, seria um coração rubro-negro repousando em mãos que afagam e confortam. Mais uma vez, MUITO OBRIGADO A TODOS.

A sequência do desabafo nasce nos comentários. O HÉLDER, por exemplo, fala sobre o fato de se criticar sem conhecimento de causa. E, não tenho nenhuma dúvida de que a maioria absoluta dos rubro-negros desconhece a matéria. Grande parte imagina que esta relação com o Consórcio tenha iniciado na minha gestão. Errado! Dos seis milhões sobre o qual falamos, oitocentos mil diziam respeito a uma dívida contraída na gestão anterior, já por conta do negócio com o Consorcio. Este é o início do erro quando se diz que Edmundo custou seis milhões. Como já informei, do total de seis milhões, oitocentos mil reais diziam respeito a um empréstimo feito pelo Consórcio ao Flamengo, na gestão anterior à minha.

O companheiro DIEGO NUNES fala em se abrir aqui, espaço para quem esteve envolvido neste tema. O espaço não só está aberto, como me coloco à disposição para debater o tema, seja com quem for e onde for. Que estejam presentes os presidentes, desde Luiz Augusto Veloso até Eduardo Bandeira de Mello e, se tiver peito, o que não acredito, o presidente do Consórcio, Sr. José Isaac Perez. Se o presidente Eduardo Bandeira de Mello tiver interesse em promover este debate, estou confirmando a minha presença.

O companheiro LEANDRO, muito gentil, porém se equivocando nos títulos conquistados por Romário, que não foi campeão só em 96, no Campeonato Carioca. Romário, quando a Taça Guanabara era uma conquista importante, ganhou duas, em 95 e 96, sendo que em 95, na final contra o Botafogo, quando ganhamos por 3 a 2, fez os três gols do Flamengo. E, bom não esquecer, foi campeão continental na conquista da SuperCopa Libertadores, competição que contou com 17 clubes campeões das Américas, dentre eles Boca, River, São Paulo, Grêmio…

O companheiro ANDERSON fala e elenca temas importantes para debatermos. A ideia é boa. Temos falado em vários dos assuntos por ele mencionados, porém, de passagem. Se todos estiverem de acordo, podemos debater profundamente, tema a tema, um dia por semana. A relação o Anderson já fez. Terça- feira, seria um bom dia?

O companheiro LUIZ CARLOS comenta que a última camisa lançada pela Adidas é horrorosa, e indaga quem aprova este tipo de coisa no Flamengo. Luiz Carlos, quem aprova é o Conselho Deliberativo, muito embora, o clube, antes da apresentação ao Conselho Deliberativo, interaja com a fábrica de material esportivo.

Estava respondendo ao Luiz Carlos e me veio a ideia de, em cada camisa nova, a Adidas apresentar três opções, e todos os sócios participariam votando democraticamente para eleger uma delas. Isto daria um belo movimento. E, nada impede que, mesmo após haver a escolha por parte dos sócios, seja obrigatória a aprovação do Conselho Deliberativo. Tipo do assunto que quem é Flamengo vai fazer questão de participar. Acho que daria um belo caldo…

Lamentar a falta de diálogo e sensibilidade dos que comandam o nosso futebol. Todos os jogos deveriam ter sido antecipados para este sábado. O Brasil inteiro neste domingo, só pensa naquilo… Hoje, ouvindo a Rádio CBN, tive certeza da correção desta crítica. A CBN, amanhã, vai transmitir os jogos de futebol… PELA INTERNET!!!

No rádio, Verde e Amarelo x Vermelho, batalha que será travada em Brasília.

E, amanhã, seja o que Deus quiser…

Um domingo especial a todos. Emoção, não vai faltar…

DESABAFO

Mais uma vez, sem nenhum prazer, sou obrigado a voltar ao tema “Consórcio Plaza”.

Hoje, um querido amigo me desaconselhou e, como exemplo, citou o momento político do país, afirmando que não adianta explicar, por melhor e justos que sejam os argumentos, quando quem está do outro lado já tem opinião formada, mesmo que sem profundo conhecimento de causa.

Há sentido na colocação e diria até que é pragmática. O problema é que isto está atravessado na minha garganta e, mesmo ante um enorme sentimento de impotência ao longo de tanto tempo, isto continua me machucando, pelo lado pessoal e, principalmente, por ver o Flamengo ter sido vítima, não agora, onde as pessoas que dirigem o clube são corretas, e sim, lá atrás, de uma conspiração de malandragem, inconsequência e incompetência. A história que, quem quiser mais riqueza de detalhes, inclusive com documentos, vai encontrar aqui no blog (aqui), pode ser resumida da seguinte forma:

Com o shopping aprovado, conseguimos, eu e Gilberto Cardoso, mais 6 milhões de reais junto ao Consórcio, para: quitar dívida da gestão anterior junto ao Consórcio, recursos para resolver penhoras inadiáveis e comprar junto à Parmalat o passe do jogador Edmundo. Resumindo, o projeto do shopping passou a custar mais 6 milhões de reais para o Consórcio. Com tudo documentado, e com data fixada para o depósito dos 6 milhões, nos comprometemos nas outras pontas (penhoras e Parmalat).

Faltando dois dias para o depósito na nossa conta, recebo em Barcelona telefonema de Michel Assef e Getúlio Brasil, dando conta de que o Consórcio queria uma garantia para a aplicação dos 6 milhões, caso o shopping não fosse aprovado, e a garantia solicitada era o passe de Edmundo. Como os nossos cheques já estavam na rua para os compromissos que assumimos, a nossa posição de negociação ficou frágil.

Concordamos, exigindo que no contrato houvesse uma cláusula em que, com o shopping aprovado, esta “dívida” estaria automaticamente quitada, com o Flamengo nada devendo. O Consórcio aceitou, e no contrato esta é a cláusula 3.1.

Raciocinamos que na pior das hipóteses, com o shopping rejeitado, o Flamengo teria utilizado um grande jogador sem qualquer custo. O X da questão é que o shopping foi totalmente aprovado, tendo sido a assinatura do Governador a última etapa, e fez com que o contrato começasse a ter efeito, pois, a partir daquele momento, o shopping estava oficialmente aprovado, portanto, entre os benefícios para o Flamengo, a construção do Mini estádio na Gávea, o centro de treinamento construído, a parte social do clube recuperada e, com o Flamengo livre da “dívida” de 6 milhões de reais.

O tempo passou, desocupamos a Gávea para o início das obras, e o futebol foi se instalar no Fla-Barra.

Tudo corria às mil maravilhas, até que em evento social, já na gestão seguinte, José Isaac Perez, presidente do Consórcio, em momento de euforia, afirma ao Governador Garotinho e, na frente de outras pessoas, que havia corrompido quase toda Câmara dos Vereadores para aprovar o projeto. Pasmo, o governador se dirigiu ao ex-presidente Gilberto Cardoso, seu amigo pessoal que havia trabalhado junto a ele para que sancionasse o projeto do shopping, comunicando que, pela gravidade do fato, não havia outro caminho senão revogar. O que efetivamente ocorreu dois dias depois.

Aí, com Edmundo Santos Silva à frente, o Flamengo ao invés de acionar o Consórcio, que deu causa à não construção do shopping, não toma nenhuma providência, e ainda por cima passa a ser acionado pelo Consórcio. Pior do que tudo isso foi a defesa do clube, admitindo uma “dívida” que não existia e, em meio a dinheirama que caía por todos os lados dos cofres da ISL, negociar a tal “dívida”. Era, à época, uma louca vontade de pagar…

Este foi um período em que estive ausente por dois motivos. Pela total incompatibilidade de vida com quem dirigia o clube e, pelo fato de ter morado quatro anos em São Paulo.

Quando tomei conhecimento do caso pela imprensa, imediatamente, por livre e espontânea vontade, relatei o que aqui disse, em reunião do Conselho Deliberativo.

Sofro com o desenrolar deste caso. Dói em mim a injustiça que alguns cometem tentando me empurrar responsabilidade que jamais tive. Não gosto de tocar nestes casos, até por considerar cabotino, mas ante a situação, não tenho como não fazer.

Será que, levando-se em conta a coerência, alguém que quando assume o clube que estava em situação financeira caótica, com quatro meses de salários atrasados de 600 funcionários e mais uma centena de profissionais, inclusive os do futebol, dos seus próprios recursos, deposita junto com mais dois companheiros, significativa quantia para estancar o dilema, e é ressarcido quatro anos depois sem um tostão de juros, seria negligente com a paixão da sua vida?

Será que alguém que por nove anos, como presidente e vice-presidente de futebol, que rodou o Brasil e parte do mundo a serviço do Flamengo, nunca admitiu que o clube pagasse uma única passagem aérea, uma única hospedagem de hotel ou, uma Coca Cola, seria negligente ou irresponsável com qualquer coisa pertinente ao Flamengo?

Será que, um presidente que descobre que o clube foi vítima da “esperteza” de um diretor, por ele lá colocado, assume a responsabilidade, devolvendo aos cofres da instituição a quantia afanada, tem cara de ser negligente ou irresponsável?

Aos que não gostam de mim, peço apenas que, independente do sentimento de justiça, atentem, por favor, para a coerência.

Ontem, o Conselho Deliberativo entendeu que o acordo é o melhor caminho neste caso. Decisão do Conselho Deliberativo, no Flamengo, é como a lei. Não se discute.

Desculpem o desabafo, mas precisava…

Se todos fossem iguais a você

Em meu post anterior, recebi o seguinte comentário do leitor Marcos Barboza, em meio à justificada euforia que toma conta da nação rubro-negra:

“Caro Kleber há dois dias você replicou em seu blog um comentário educado de meu amigo Leandro Duarte, o qual é seu fã, falando sobre milagres em função da sua pouca fé (falta jamais por ser rubro negro) na classificação do Flamengo para próxima fase da Copa do Brasil, tendo perdido por 3 gols lá em Curitiba. Enfim, tendo sido concretizado tal feito nesta noite passada de quarta-feira, a qual pude presenciar em loco no Maraca, eu que já fui mais seu fã outrora que hoje, por ser adepto de administração consciente, gostaria apenas de compartilhar com você como a Bíblia define fé: “é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. E diz mais, “a fé vem pelo ouvir”, com isso meu amigo, não há sujeito mais cheio de fé do que um rubro negro, e se os jogadores entraram com pouca fé em campo para este jogo, encheram-se dela quando nos ouviram bradar em alto e bom som nas arquibancadas do maior do mundo: Nós queremos respeito // E comprometimento // Isso aqui não é Vasco // Isso aqui é Flamengo! // Ooooooo!!!!

Saudações, educadas porém inflamadas rs, Rubro Negras.”

Estimado Marcos Barboza,

O genial João Saldanha ficava uma fera quando alguém o interrompia para uma observação a favor, dizendo sempre: “só se interrompe alguém para contestar. Aparte à favor, faça-me o favor.”

Não há nada mais saudável no processo democrático do que a possibilidade de discordar. Isto na realidade é caminhar, é evoluir, é facultar a alguém a alternativa de melhorar ou de corrigir um equívoco. Claro que uma palavra carinhosa, um elogio, afagam a alma e, como diria outra figura genial que é Francisco Horta, “Ninguém sobrevive sem aplauso”.

O reconhecimento é gratificante. A colocação contraditória, dependendo de quem a receba, ajuda e muito. Tenha a certeza de que é o meu caso.

Muito interessante, a exemplo do seu amigo Leandro Duarte, a maneira como você explica a fé. E, quando se tem fé, o milagre é possível…

Quanto a você já ter sido mais meu fã antes do que agora, pois é adepto de administração consciente, da mesma forma que ouvi, gostaria que a recíproca fosse verdadeira e que você acreditasse que mais consciente do que procurei ser como presidente ou vice de futebol, impossível. Em meus quatro anos na presidência, abri mão da minha vida pessoal para me entregar ao Flamengo de corpo e alma. Neste período, o clube retomou a sua dignidade cumprindo os seus compromissos, principalmente com seus funcionários e atletas, fato que amargurava, e quase levava a loucura, mais de 600 famílias. Jamais, em qualquer das funções via Flamengo, empreguei alguma pessoa, pois o clube vivia inchado pelos interesses pessoais ou pelo empenho em atender alguém. Houve um erro administrativo na minha gestão, quando contrariando uma determinação minha foi paga uma fatura que cheirava a autêntico jabá. Como a pessoa que “capitulou” foi por mim indicada, corrigi, repondo ao clube a quantia em que foi lesado. Este é um capítulo que torno público pela primeira vez, em que dois importantes dirigentes e um aproveitador estavam mancomunados. Todos estão vivos.

No Flamengo também fiz inimigos. Quando existe um esquema que vinha funcionando e garantindo o belo sustento de alguém, e de repente alguém acaba com isso, vira inimigo mortal.  Acabei sim, com algumas igrejinhas, sendo no futebol a maior delas.

O que este tipo de gente pode falar de mim? Como o mundo, principalmente o do futebol, é testemunha da minha lisura, falam das ações na justiça, do Consórcio Plaza (Shopping) e do Banco Central. Na realidade duas aberrações que você pode verificar aqui mesmo neste blog:

Shopping Center – “Consórcio Plaza”

Banco Central

Para terminar, meu caro Marcos, toda e qualquer administração deve ser consciente. Isto não é favor, é obrigação!!! Da mesma forma, toda gestão tem a obrigação de entender o tamanho do Flamengo e a importância do futebol para o clube. Quem lá estiver tem o dever de manter o futebol, coração do Flamengo, em plena sintonia com o seu torcedor. Como? Conquistando títulos, criando (Zico) ou conquistando (Romário) ídolos, que são tão importantes quanto os títulos. O ídolo é o veículo de comunicação perfeito entre a instituição e o povão.

Não importa em que pesquisa do Ibope, se a que quantifica a nação rubro-negra em 32 ou em 40 milhões de apaixonados, o que importa é que somos uma nação graças a dirigentes que nesta história pra lá de centenária conseguiram enxergar a verdadeira vocação popular do Flamengo.

Além de todos os muitíssimos títulos importantes conquistados, quanto vale esta NAÇÃO?

A dívida que está sendo composta, e em parte contestada, no belo trabalho realizado por esta diretoria, perto do valor real do Flamengo, é nada.

Muito bom trocar uma ideia como você.

Forte abraço.

Kleber Leite.

Carta aberta ao Bap

Acabo de receber do ex-presidente Hélio Ferraz, e-mail com a matéria do EXTRA (ler aqui) que respondo agora neste Blog.

bapBap,

Nada mais me surpreende nesta vida. O fato de ter nascido em mil novecentos e não tão antigamente, não me torna um sábio, mas foi tempo suficiente para entender que do ser humano tudo pode se esperar. Deixando a filosofia de vida de lado, no que me diz respeito, tenho os seguintes comentários com relação a sua entrevista ao EXTRA.

1- Jamais ao longo de nove anos, quatro como presidente e cinco como vice-presidente de futebol, cometi o menor deslize e jamais fui irresponsável. Nestes nove anos a entrega de minha parte foi integral. O tempo dedicado ao Flamengo chegou inclusive a colocar em risco a saúde da empresa que presidia. Mais do que ninguém, você sabe o quão importante é estar presente o tempo todo, delegando o possível e resolvendo pessoalmente as questões mais complicadas. Por isso, pelo seu inegável talento, você é o presidente da Sky e, como tal, mergulha de cabeça integralmente atendendo os interesses da sua empresa. Fosse você um pouquinho irresponsável com a sua empresa, dedicando mais tempo ao Flamengo, certamente o panorama do clube seria outro, pois o seu talento estaria produzindo vitórias e conquistas para o clube. Não estou criticando você e tão pouco fazendo a apologia da irresponsabilidade profissional. Estou tentando dizer à você que fui irresponsável sim, mas com a empresa que dirigia e, porque não dizer, com a minha própria família.

Leia mais

Shopping Center – “Consórcio Plaza”

Recentemente, conversando com um amigo que fez parte da nossa diretoria no período de 1995 a 1998, fiquei surpreso ao notar que ele, meu amigo pessoal, que havia participado ativamente em duas gestões, pouco ou quase nada sabia sobre o assunto “Shopping Center – Consórcio Plaza”. Da mesma forma, ficou bem claro através das redes sociais a carência de informações relativas a este assunto. Imediatamente me veio a ideia de pesquisar este tema à fundo, pois jamais fui chamado pelo Flamengo para discutir ou colaborar na defesa do clube e, por meio deste blog, poder deixar registrado nos mínimos detalhes a verdade sobre esta página na vida do clube que, como já tive oportunidade de tornar público, tem um pouco de tudo: ganância, má fé, corrupção, inconsequência e irresponsabilidade. Ora, se quem conviveu neste período não domina o tema, como os mais jovens saberão?

Além disso, é uma ótima oportunidade para esclarecer fatos que são constantemente utilizados de forma indevida, por diversas correntes do clube, independente de partido.

Primeiro relato os fatos e, logo abaixo, anexo os respectivos documentos. Leia mais