O ser humano

(Foto: Raphael Zarko / Globo Esporte)

Tudo que acontece interferindo no nosso dia a dia, na nossa qualidade de vida e na nossa sobrevivência, claro que tem um peso muito maior.

Desta forma, mesmo respeitando todas as loucuras cometidas mundo afora, não há como deixar passar em branco os episódios ocorridos ontem, desde cedo, nas imediações do Maracanã (assista à matéria do Globo Esporte aqui).

E, reparem bem que não se tratava de um clássico local, com duas torcidas envolvidas. O jogo de ontem foi entre um clube brasileiro e um argentino, com 95% do Maracanã ocupado pelos torcedores do Flamengo.

As cenas que foram mostradas pela televisão devem servir de profunda reflexão sobre onde vamos parar.

A sensação que tenho é a de que algumas pessoas armazenam ódio e encontram, em situações como a de ontem, a oportunidade de expressar o seu verdadeiro conteúdo interior.

Será que, como gente, pioramos? Acho que sim, e concluo isto puxando pela memória. Quantas e quantas vezes, principalmente como torcedor de arquibancada – ou como sócio do Flamengo tendo o direito de um lugar no setor quatro do ex-Maracanã – estive presente em jogos muito mais importantes, com muito mais do que o dobro do público de ontem, e tudo transcorria em um ambiente de paz e total tranquilidade? E, na maioria das vezes, em clássicos locais, onde a rivalidade também existia. O que não havia era a selvageria.

Há quem atribua à internet e, principalmente, às redes sociais esta difusão de “mau-caratismo”, onde as pessoas sem princípio e honradez se habituaram a agredir, se achando no direito de transportar este comportamento doentio para o dia a dia. O pior é que esta praga atinge a todas as classes sociais e, assim sendo, se algo não for feito, a tendência natural é se alastrar.

Não há como negar que outros fatores contribuíram para a vergonha de ontem no Maracanã. O despreparo das autoridades no trato com o cidadão, a ridícula engenharia de trânsito da prefeitura, e o momento dos nossos policiais – escorraçados, desmoralizados e desprestigiados, em visível stress coletivo – tendo a responsabilidade de colocar “ordem na casa”…

Estes itens aqui mencionados, se melhorados, vão ajudar a amenizar futuros problemas, mas, pelo comportamento atual do ser humano, são insuficientes como solução definitiva.

O problema está em nós mesmos. Estamos piorando, a cada cinco minutos, como gente.

Quebrar o retrovisor e olhar pra frente

(Foto:Gilvan de Souza / Flamengo)

A vida me ensinou a ser pragmático. Sei que o pragmatismo pode ser encarado até como insensibilidade, mas o nosso momento pede isso.

De que adianta fazer aqui e agora uma análise deste jogo? Acho que já jogamos o suficiente este ano para uma avaliação profunda sobre as providências que devam ser tomadas para o ano que vem. E, num ano complicado, de calendário apertado em função da Copa do Mundo. E de Libertadores.

Tivemos, nesta temporada, um bom elenco, mas não tivemos um time. O maior equívoco do ano foi a contratação de Rueda. E, sem discussão se é ele bom ou ruim. O fato absurdo foi se contratar um treinador na fase aguda da temporada, sem que conhecesse ninguém no Flamengo, o Flamengo e os nossos adversários. Rueda, já deu…

Hoje, começou acertando na escalação de Paquetá, depois, inseguro, demorou mais tempo do que devia para as substituições.

Vem aí um ano novo e, quem sabe, com ele, novos ares na Gávea. A nossa base não é ruim. Com sensibilidade, conhecimento de causa e sorte, teremos um 2018, sem dúvida, muito melhor do que este 2017, que já vai tarde…

Você trocaria o elenco do Flamengo pelo do Grêmio?

(Foto: Matthew Childs / Reuters)

O tal do rotavírus me pegou de jeito e, talvez por isso tenha visto o jogo do Grêmio de forma sofrida e desconfortável. Quem já teve, sabe do que estou falando.

Torci pelo Grêmio, pois lá tive e tenho queridos amigos que marcaram a minha vida. Agora, com certeza, os amigos vivos devem ter acabado com as unhas, e os que não mais aqui, devem ter soprado a bola chutada pelo Éverton.

O goleiro do Pachuca está acima do peso, tem 44 anos e mede 1,72m. Caramba, quem diria que o jogo seria duro, com o Pachuca dominando a maior parte do tempo normal e, só entregando o ouro na prorrogação? No time deles tem um japonês de nome Honda que, lembrou muito, pela elegância e toques precisos, o talentoso Ademir da Guia, craque que nasceu no Bangu e se consagrou no Palmeiras.

O jogo estava comendo e, mesmo não jogando, coloquei o Flamengo em campo e, alguns questionamentos começaram a surgir na minha cabeça. Se o presidente Eduardo reunisse a imprensa e comunicasse que trocaria o time do Flamengo pelo do Grêmio, qual seria a reação da nossa torcida? A favor ou contra?

O Grêmio, a meu conceito, tem os seguintes jogadores indiscutíveis: Marcelo Grohe, Geromel, Arthur, Luan e, ponto! E, quais são os jogadores indiscutíveis do Flamengo? Vou tentar: Diego Alves, Réver, Diego, Éverton Ribeiro, Éverton e Vinícius Júnior. No meu placar, 6 a 4 para o Flamengo.

Para não aumentar a polêmica, vamos deixar o lance do treinador pra lá…

Quero dizer que apesar do rotavírus, estou superconfiante. A quarta, será nossa!!!

DEU CERTO!!!

Prédio do Morro da Viúva.

Parabéns aos rubro-negros que estiveram na reunião do Conselho Deliberativo e aprovaram a transação em que, finalmente, o Morro da Viúva deixa de ser um problema e passa a ser contribuição para o Flamengo cada vez mais independente.

Com 320 conselheiros presentes e por uma maioria esmagadora, a diretoria aprovou sua proposta.

Começamos a semana muitíssimo bem. Que venha o Independiente.

Tomara que tudo dê certo

Fachada do prédio do Morro da Viúva (Reprodução da internet)

Alguns queridos amigos, sócios das mais variadas categorias do Flamengo, me perguntaram durante todo o dia a minha opinião sobre o projeto do Morro da Viúva.

A minha resposta foi simples e pragmática. Embora algumas pessoas que estejam hoje no poder achem que o Flamengo nasceu quando foi criada a chapa azul, e estão redondamente enganadas, não posso deixar de colocar que todos que lá estão são bem-intencionados e, a maioria esmagadora, muito competente. Portanto, é uma questão de delegação. Se elegemos estas pessoas e, ao longo do tempo as demonstrações são de seriedade e competência, como não apoiar?

Paralelo a tudo que aqui coloquei, lembrei aos amigos que me procuraram que, em 1995, a nossa prioridade número 1 era a retomada da dignidade, com o clube honrando os seus compromissos, principalmente com os seus funcionários e, durante quatro anos esta meta foi atingida.

A prioridade número 2 era resolver o problema do Morro da Viúva, pois o prédio era um pardieiro, em petição de miséria e com o risco de causar danos irreparáveis, inclusive, com risco de vida para as pessoas. Gastamos uma fortuna, deixando o prédio, um brinco. Querem saber? Embora não houvesse outra solução no momento, foi dinheiro jogado fora, pois ao longo do tempo, até pelo fato do Flamengo não ter a vocação de administrador imobiliário, o prédio acabou novamente deteriorado.

Ainda apareceu o Eike Batista, mas pelo que passou o empresário, o projeto deu pra trás. Agora, surge uma nova oportunidade e nela, só pessoas bem-intencionadas e competentes tocando o barco. Aprovar este projeto, é dizer sim a um futuro melhor para o Flamengo.

E esta quarta-feira que não chega…

Chegando a hora

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Os momentos que antecedem à decisão de quinta-feira são preocupantes em aspectos completamente distintos. No lado humano, e também profissional, foi uma ducha de água fria a punição de um ano para Guerrero. Não sou um profundo conhecedor desta matéria, mas como leigo e também curioso sobre o tema, fico com a clara sensação de que, “nesta praia” o justo paga pelo pecador.

Tenho um amigo, aliás, queridíssimo amigo, que já conviveu e – graças a Deus – superou esta desgraça de vício, que fez uma colocação pertinentíssima. Disse ele que ninguém começa a experimentar cocaína na idade de Guerrero e, somando-se ainda o fato de que, em toda sua trajetória futebolística, Guerrero jamais foi flagrado no antidoping. A sensação que se tem é que estamos diante de uma “Lei Seca” no mundo esportivo.

Tolerância zero, mesmo para um copo de cerveja, para quem dirige, como para um chá de coca para quem joga futebol.  Claro que podemos debater à vontade, porém de que adianta, se esta postura radical não admite nenhum argumento? Sou a favor do esporte limpo, mas também acho um absurdo se condenar um inocente.

Pelo que ouvi hoje, os dias de Guerrero no Flamengo estão contados, havendo ainda uma remota expectativa de que tenha a pena reduzida a tempo de disputar a Copa do mundo.

E, como a notícia tomou corpo, já apareceram matérias distintas informando as prováveis alternativas do Flamengo para substituir Guerrero. Como acho que não é hora de se falar nisso, e sim, concentrar todas as energias na decisão, vamos ficar por aqui.

Chegou também a informação de que, entre 25 e 30 ônibus chegarão na quarta-feira, pela manhã, trazendo os torcedores do Independiente. A polícia militar já entrou em contato com a Suderj, no sentido de que estes torcedores argentinos tenham a necessária proteção, ficando em local isolado, próximo ao portão 11. Acho bom este tipo de precaução, pois há o forte comentário de que alguns torcedores do Flamengo, que foram ao jogo em Buenos Aires e não foram tratados com civilidade, podem querer ir a forra. Neste jogo, todo cuidado é pouco…

E o nosso Zico, coberto de razão, critica a politica adotada – ninguém sabe ao certo por quem – de só se colocar à venda 55 mil ingressos, quando mais de 70 mil poderiam estar à disposição dos torcedores. Além de uma agressão comercial aos cofres do Flamengo, fica no ar uma péssima imagem para o clube e seus torcedores, pois pela transmissão da TV para todo o mundo, vai passar a impressão de que, nem em momento decisivo, a torcida do Flamengo é capaz de lotar o Maracanã. Simplesmente ridículo aqueles espaços vazios e, esta barbaridade vem sendo cometida há um tempão, castigando o clube no bolso e, principalmente na sua imagem. Será que esta medida pode ser atribuída à lei do menor esforço por parte de quem é responsável pelo policiamento e segurança do evento? Acho que é por aí…

Há algo importante, de caráter pessoal, para contar e dividir com vocês, porém necessário é que fique para segunda ou terça. Um lindo final de semana, se é que é possível sem o Flamengo jogando, a todos.

Zico pede Vinícius Júnior

Vizeu, Paquetá, Vinicius Jr e Zico (Reprodução Youtube / Canal Zico 10)

Recebi matéria publicada no Extra, que me foi encaminhada pelo companheiro e amigo Getúlio Brasil, na qual Zico afirma que, pelo que apresentou até então, Vinícius Júnior já merece ser titular neste time do Flamengo.

Embora pense desta forma, Zico lembrou que, se isto acontecer, Vinícius terá uma dificuldade maior, pois tem entrado sempre quando os zagueiros já estão cansados.

Tudo que o nosso Rei colocou é absolutamente pertinente e, ousaria eu acrescentar que, se Vinícius Júnior leva vantagem por entrar no final do jogo pegando os zagueiros cansados, em contrapartida, entrando no início terá ele mais tempo para ajudar a decidir um jogo. Não canso de enfatizar que no futebol praticado hoje em dia, o time que não tiver, ao menos, um atacante agudo e veloz, está roubado…

Tudo isto aí é o que nós pensamos e, de forma prática, não vale absolutamente nada. O que vale é o que pensa o senhor Rueda e, por falar nisso, tenho a nítida impressão de que a única alteração do time que começou o jogo na Argentina será a entrada de Everton 22, no lugar de Paquetá. Talvez o treinador do Flamengo possa até estar com o mesmo pensamento do que aqui tenho defendido – e do que o nosso Zico disse hoje – porém, deve estar se questionando se convém mudar a maneira do time jogar exatamente no jogo decisivo, o último do ano.

Outro tema muito debatido hoje foi a má atuação de Arão e, não faltou quem pedisse a saída dele do time. O raciocínio do treinador, até por uma questão de coerência, deve estar sendo o mesmo. Mudar no último jogo do ano?

Enfim, temos uma semana para descansar e treinar. Que São Judas inspire o nosso treinador…

Vai ser sofrido

(Fotos: Gilvan de Souza / Flamengo)

Começo com uma pergunta. E quando não foi?

Sei lá, mas, sem nenhum sentimento masoquista, a glória rubro-negra foi construída, sempre, com muito sofrimento. Nunca, para nós, qualquer conquista foi fácil.

Comecei assim para dizer que estou otimista. O jogo, aliás, muito bom, teve um sopro de sorte para o time argentino. A bola que pegou na veia no lance do gol deles, em lance igual, no pé do Vizeu, espirrou…

O fator sorte faz parte e, não há como negar isso no futebol. A sorte, hoje, não falava, hablaba

O problema maior é que até agora o nosso bravo professor Rueda não entendeu o quanto Vinícius Júnior pode ser um fator de desequilíbrio.

No time do Independiente, o treinador – que era do mundo do handball – entendeu com facilidade que o time é Barco, que tem 18 anos, e mais dez.

Quando será que o nosso professor concluirá que o nosso time deve ter Vinícius Júnior jogando, ao menos, meio tempo? Confesso que esta teimosia já está passando do ponto.

No mais, dizer que, como um otimista de carteirinha, levo fé na virada no Maraca.

Por favor, senhor Rueda, VINÍCIUS JR, JÁ!!!

Agradecimento e estranheza

(Reprodução da internet)

Ontem, para mim, foi o dia mais elétrico do ano. Em um mesmo dia a reunião do Conselho de administração, ponto final nesta escabrosa história do shopping center. E, no meio do caminho, nos Estados Unidos, um festival de falta de caráter, com barbaridades proporcionadas pelo delator e réu confesso José Hawilla.

Já afirmei e reafirmo que as transcrições do áudio em que o delator – para conseguir benefícios para ele e sua família – saiu gravando Deus e o mundo, em verdadeiro festival de covardia, não correspondem à verdade.

Querem um exemplo? Há um áudio transcrito em que eu me dirijo ao delator da seguinte forma: “Ô cuzão…” Jamais, em toda minha vida usei este termo chulo e horroroso.

Enfim, a nossa nota oficial divulgada ontem (ler aqui) deixa clara a nossa posição.


Agora, a coisa boa. A mais longa e injusta novela da história do Flamengo, terminou ontem. O tema Consórcio Plaza foi encerrado quando a maioria esmagadora dos Conselheiros entenderam, e decidiram no voto, que jamais ultrapassei meus limites como presidente do clube, tendo agido, rigorosamente, dentro do estatuto.

Quero deixar aqui um afetuoso e agradecido abraço a todos os companheiros e companheiras, que, acreditando em mim, sepultaram a possibilidade de ocorrer uma inominável injustiça. Vocês simbolizaram para mim o despertar de um pesadelo.

Vamos ajudar?

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Sempre acreditei em energia positiva. Isto é, mais ou menos, como se todos remassem, mesmo que calados, na mesma direção, um dando força ao outro. Neste momento, em que estamos a dois jogos de um título continental, para rimar, me parece fundamental…

Tenho lido os companheiros com os seus comentários no blog e, com o respeito de sempre ao que cada companheiro pensa, sugiro que deixemos a avaliação do balanço final deste ano para a partir da madrugada do dia 14 próximo, quando então teremos chegado ao fim da temporada.

Hoje mesmo, o papo entre rubro-negros invariavelmente tomava este curso, quando, a meu ver, deveríamos estar discutindo as duas partidas decisivas, e tudo que gira em torno delas. E, motivos para um bom papo não faltam, começando pela surpresa altamente positiva que ocorreu no nosso calcanhar de Aquiles neste ano de 2017.

Quem diria que um quarto goleiro, que estava sem jogar há praticamente dois anos, entraria em ação para ser a salvação da lavoura? Este é um bom papo e, com absoluta certeza cada comentário ou observação irá enriquecendo o outro. Pessoalmente, atribuo o sucesso de nosso César a quatro fatores somados, quais sejam: personalidade, talento, confiança e sorte. E, que termine o ano assim…

Outro bom papo diz respeito às notas dadas pelos nossos jornais. Hoje, no Globo, Éverton Ribeiro recebeu nota 4.0, enquanto que no Lance, a nota foi 7.0. Será que os analistas viram dois jogos diferentes? O comentário do Lance foi exatamente o que coloquei ontem no blog: “As principais jogadas ofensivas do Flamengo saíram dos pés dele, principalmente no primeiro tempo.” Aliás, o que faltou ao Éverton Ribeiro, como a quase todo time do Flamengo, no segundo tempo, foi … gás!

Mudando de assunto, e aí já há uma unanimidade, diz respeito ao parcimonioso e irritante aproveitamento de Vinícius Júnior, que ontem foi decisivo. O jogo desta quarta-feira, que esperamos que seja mágico, foi feito para o garoto, pois jogando em casa, com o apoio de sua torcida, o Independiente não tem outra alternativa qual não seja atacar e, para isso, inevitavelmente vai deixar espaços, facilitando o contra-ataque.

E, para contra-atacar com sucesso, há de se ter obrigatoriamente, ao menos, um jogador de velocidade. Repito que este jogo cai como uma luva para Vinícius Júnior. Não bastasse o aspecto tático, há o fator confiança que ele já estava começando a perder. A boa e decisiva atuação contra o Vitória trouxe a auto estima de volta. Vinícius Jr neles!!!

No mais, é confiar e concentrar todas as energias na decisão, ou melhor, nas decisões, já que são dois jogos. Vamos juntos acreditar? Há tempo para tudo, inclusive para o balanço, se positivo ou negativo, do ano. A hora é de corrente positiva. Vamos ajudar?