Domingo de jogão e de dor de cotovelo

(Foto: José Ignacio / EFE)

O jogão, claro, foi Boca e River – pela Libertadores.

Desde o primeiro minuto uma intensidade incomum, com o River apresentando um time tecnicamente melhor, enquanto que, dentro de suas características, o Boca jogava com o coração na ponta chuteira. Justíssimo o placar de 2 a 2. Quem não viu perdeu um jogaço.

Em tese, por ter um time tecnicamente melhor – e pelo fato do próximo jogo ser no Monumental de Núñez – o River tem um leve favoritismo. Leve, pois do outro lado haverá um time com camisa pesadíssima, com jogadores que se entregam de corpo e alma.


A dor de cotovelo, por tudo que aconteceu nesta rodada do Campeonato Brasileiro.

Tomara que a maioria dos jogadores do Flamengo tenha visto Boca x River. Quem sabe não se inspirem para jornadas futuras. Quem sabe não tenham aprendido o que significa entrar em campo com responsabilidade, entrega, inteligência e talento, quando a causa é corresponder minimamente à paixão de 40 milhões de alucinados torcedores.


Por fim, quero dividir com meus amigos e companheiros do blog a gentil homenagem que recebi de Itair Machado, vice-presidente de futebol do Cruzeiro, a quem já tive a oportunidade de agradecer esta demonstração de amor e carinho, fato, infelizmente, pouco comum no nosso mundo da bola.

Para mim, este depoimento vale muito, pois partiu de um ser humano especial e, dirigente carismático, sensível, competente, e que nasceu para ganhar.

Adeus ao vermelho e preto?

Mário Celso Petraglia (Foto: Divulgação/Atlético-PR)

Mário Celso Petraglia talvez tenha sido o mais dinâmico e realizador dirigente com que tenha convivido neste nosso mundo da bola. O salto qualitativo que, graças a ele, deu o Atlético Paranaense, é realmente impressionante. Hoje, o rubro-negro do Paraná tem estrutura invejável para as divisões de base, e algo de cinema para os profissionais. Isto sem falar no verdadeiro bibelô que é a Arena Atleticana. Todo este pacotão, obra e graça de Mário Celso Petraglia.

Há quem possa torcer o nariz para o que aqui coloco, dizendo ser ele polêmico. Para quem por aí vai, respondo, perguntando: Que dirigente criativo e realizador, seja em que atividade for, não é polêmico?

Fiquei impressionado com o noticiário dando conta de que o Atlético Paranaense, por iniciativa de Mário Celso, sofreria uma transformação radical no seu visual, inclusive deixando de ser rubro-negro, para não ser confundido com o Flamengo, passando a ter identidade própria.

Não resisti e liguei para meu amigo Mário Celso e, de cara, sapequei a pergunta: “É aí Mário Celso, o Atlético vai deixar de ser rubro-negro?”. Mário Celso riu e disse que a notícia, vazada, de que o vermelho e preto seria abandonado, foi apenas “o bode colocado na sala”…

As mudanças ocorrerão, mas em vermelho e preto, até porque, é estatutário, na medida em que o Atlético nasceu da junção de dois clubes. Um era vermelho e o outro, preto.

Para finalizar, fiquei feliz em saber que o realizador, criativo e polêmico dirigente Paranaense, pensa como eu. Mário Celso também acha que é impossível qualquer clube se tornar mundial sem que tenha, ao menos, um ídolo, um jogador mundial. E, também como eu, Mário Celso acha que o caminho é dar a este ídolo situação financeira diferenciada que não o anime a deixar o Brasil.

E, acrescentou que isto ocorrerá em uma próxima geração. Como sou apressado, havendo coragem e competência, quem sabe muito mais rápido do que se imagina?

Uma coisa é certa. Nenhum clube será mundial, sem ter jogador mundial.

Jogo decisivo

Victor Luis comemora o gol que deu a vitória ao Palmeiras (Foto: Marcos Ribolli).

Este jogo contra o São Paulo não é decisivo para o Flamengo. O jogo, a meu conceito, define o campeonato. Além do Flamengo, não vejo ninguém que possa, ao menos, fazer cócegas ao Palmeiras, seja pelo ângulo matemático ou, pela qualidade.

A nossa missão, a cada rodada, será “vencer ou vencer”, deixando o secador ligado e direcionado, permanentemente, para o Palmeiras. Vi a partida deles. Ganharam, como poderiam ter empatado ou, perdido.

Não fosse o frango do bom goleiro do Santos no terceiro gol palmeirense, o resultado poderia ter sido problemático para Felipão e seus meninos. O 3 a 2 caiu do céu.

Tomara que os nossos meninos tenham em mente que é possível sim, remando muito, encostar no Palmeiras. Não gostei da semana que, ao invés de se trabalhar o ânimo e melhorar o jogo, perdemos tempo ruminando o problema disciplinar do nosso goleiro, tema que envolveu, além do treinador, o capitão do time.

Vencendo o São Paulo, vamos atravessar uma rodada em que ganharemos fora de casa, enquanto que o Palmeiras somou os três pontos em casa. Levando-se em conta de que na frente isto será invertido, terá o Flamengo dado um passo maior do que o seu rival.

Como sou um otimista de carteirinha, continuo levando fé. Este campeonato, para o Flamengo, será uma decisão a cada rodada.

E o Vinícius Junior, hein? Além de bom de bola, tem estrela…

(Foto: Twitter @LaLiga)

Folga contestada

O nosso bravo Fernando Versiani, rubro-negro de carteirinha, está uma fera com Dorival Júnior, pelo fato do treinador do Flamengo ter “premiado” seus jogadores, com dois dias de folga, após o jogo contra o Palmeiras.

Copio as mensagens que recebi do Fernando, pois nelas embutidos estão os argumentos. Aliás, os pertinentes argumentos.


“Kleber, o Dorival deu 2 dias de folga pra esses malandros. Brincadeira… isso não existe na Europa. 

Segue link: Esperando definição sobre o cargo, Lopetegui comandou treinamento do Real após derrota diante do Barça ”

O Gavião e o Porco

Diego Alves (Foto: Gilvan de Souza)

O Gavião é o São Paulo. Sempre digo e, todos os meus amigos aqui são testemunhas, de que tanto na vida como no futebol, a percepção do timing é componente decisivo para o sucesso. Porém, há um limite para tudo, até para o timing que, além de competência na ação, aprecia a discrição.

Desta forma, o genial Francisco Horta contratou Rivelino. Assim, o Botafogo arrancou Gérson do Flamengo. Assim, Radamés Lattari (pai) contratou Paulo Cesar Caju. Assim, o Flamengo contratou Romário. Ações no momento exato, realizadas com rapidez e discrição.

Digo isto para concluir que achei grosseira a iniciativa do São Paulo, tornando pública uma possível tentativa junto ao Flamengo, em função do problema envolvendo o goleiro Diego Alves. O timing, perfeito. A ação, um desastre. O que poderia ser feito “na encolha”, com sensibilidade e competência, se transformou em atitude inconveniente e oportunista, causando péssima impressão. Assim como na vida, o “savoir faire” no futebol faz a diferença.

O Porco, claro, é o Palmeiras. Todos aqui são testemunhas de duas colocações que venho fazendo desde o início do campeonato. A de que o Flamengo ia brigar pelo título – já fui aqui gozado pelo meu otimismo – e que o Palmeiras é o grande rival. A cada rodada isto vai ficando mais claro, principalmente após o empate do Inter diante do Santos.

Temos duas boas vantagens. A primeira, os quatro desfalques do time de Felipão para o nosso jogo de sábado. A segunda, pelo fato do Palmeiras, estar disputando a Libertadores. Neste sábado, vão encarar Flamengo após uma batalha infernal em Buenos Aires, contra o Boca Juniors. Pedreira…

Recebi, via WhatsApp, do meu amigo Luiz Guilherme Barbosa, uma animação que traduz com perfeição tudo que acabo de dizer.

Eles também erram

Lucas Lima recebe cartão amarelo contra o Ceará (Foto: Marcos Ribolli)

Quando se tem amor a um clube é mais do que normal que a exigência seja maior, e o sentido crítico também. Por isso mesmo, aqui no blog, em função da nossa paixão, muitas vezes criticamos aqueles que comandam o nosso futebol. Não há nada de pessoal, apenas, coerência, pois, sempre queremos para o Flamengo o melhor e, se possível for, a perfeição.

Como a nossa paixão ocupa quase a totalidade do nosso tempo, esquecemos de olhar para o lado, para os nossos vizinhos, inclusive aqueles efusivamente elogiados pela competência e pela organização.

Faço esta introdução para dizer que, por aqui acordei e, espantado fiquei, ao ler os depoimentos do bom dirigente palmeirense, Alexandre Mattos, e do meu amigo Felipão, em que eles espinafraram o árbitro do jogo contra o Ceará, que alijou do jogo de sábado que vem, contra o Flamengo, quatro jogadores, um por expulsão e três pelo terceiro cartão amarelo.

Lendo, me dei conta de que, apesar de bons profissionais, eles também erram. Esqueceram que o jogo contra o Flamengo pode ser para eles o mais importante do campeonato? Como não poupar, pelos menos os pendurados em uma partida, em casa, contra um time que vive lutando para não cair? O rodízio, em função do numeroso e qualificado elenco, não tem sido uma rotina na vida do Palmeiras neste campeonato? Então, como não pensaram nisso?

Ao contrário, e elogiar é preciso, o nosso pessoal esteve muito atento no jogo contra o Paraná. Não dava para poupar ninguém, pois estamos correndo atrás para ver como é que fica na frente…

Na medida em que o jogo ia ficando mole, os pendurados iam sendo sacados. Nossa turma estava atenta. O pessoal do Palmeiras dormiu no ponto. Eles também erram.

Agora, para não perder o hábito da crítica. Será que ninguém percebeu o incômodo em Diego Alves? Será que a intempestiva e equivocada decisão do goleiro, se rebelando e não viajando, não poderia ter sido evitada com um bom papo?

Disse no post anterior e aqui repito. Dirigente bom é o que se antecipa ao problema, interferindo no momento exato, evitando o pior. Domingo Bosco foi o “Zico” nesta matéria…

Agora, colocar Diego Alves em campo, contra o Palmeiras, é o mesmo que fazer continência para a baderna. Há de se punir com jeito, mantendo a dignidade, porém, não prejudicando o time. Banquinho no próximo jogo e depois, vida normal. Diego Alves é um baita goleiro, um dos melhores do Brasil e claro, o melhor do Flamengo.

E o Palmeiras chegou…

(Foto: Cesar Greco / Palmeiras)

Cinco clubes ainda brigam pelo título: Palmeiras, Inter, São Paulo, Grêmio e Flamengo. Nesta rodada, Palmeiras, Inter e Grêmio venceram. São Paulo e Flamengo, empataram.

Flamengo e São Paulo pisaram na bola. Quem quer ser campeão não pode se dar ao luxo de tropeços evitáveis, na reta final do campeonato.

Dos três que venceram, o Palmeiras foi o que convenceu, embora o Cruzeiro tenha jogado com seu time reserva. O Grêmio, também com time mesclado, ganhou com um gol, aliás, golaço, no último minuto do jogo. E o Inter sofreu para vencer o Vitória.

Faltando onze jogos, o prognóstico é difícil, pois as competições paralelas – Copa do Brasil e Libertadores – podem influenciar, e muito, na definição deste Campeonato Brasileiro. Neste caso, Palmeiras e Grêmio, em tese, os principais favoritos, podem derrapar em função do calendário.

Matematicamente, ainda dá para o Flamengo. Todos os adversários têm os seus problemas, só que nós temos os nossos e, não são poucos. E, com toda sinceridade, ainda acho muito cedo para cravar, entre os cinco, um ou dois, que possam ser apontados como favoritíssimos. Os problemas, dos mais variados, rondam os pretendentes ao título. Quem souber administrar melhor será o campeão.

Agora, na sexta-feira, pegamos o Corinthians, certamente com o time reserva, em São Paulo e, em seguida, o Fluminense. Ganhando estes dois jogos estaremos no páreo. O problema é que para se ganhar, a bola tem que entrar no gol adversário…

Que solução terá Dorival?

Gol do Cruzeiro

O termo “tapetão” não se sabe quem inventou. O que sabemos é que José Carlos Vilela, extraordinário personagem tricolor, brilhante advogado, foi quem mais surfou nesta onda…

O tapetão era o Maracanã, transportado para um grande salão, onde vezes por outra, alguns resultados obtidos no campo, eram modificados, daí um certo tom pejorativo para esta palavra tão comum no mundo da bola.

Hoje, no tapetão, quem marcou um gol de placa foi o Cruzeiro.

Vejam que belo recurso foi encaminhado e já protocolado na Conmebol.


(Caso não consiga visualizar o PDF acima, clique aqui e baixe o documento para o seu dispositivo).
 
A causa é boa e justa. Quando isto ocorre, muito difícil, quase impossível, perder.

Parabéns e boa sorte ao Cruzeiro!!!

Conmebol encurralada pelo óbvio

(Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

O pessoal do Cruzeiro não brincou em serviço. O presidente da Raposa, já nas primeiras horas da manhã, desembarcou em Assunção, onde na sede da Conmebol pôde colocar de maneira clara e objetiva o motivo de sua visita.

Disse ele que o prejuízo causado pela arbitragem no jogo de ida contra o Boca não havia como ser reparado, já que não há como se modificar o resultado da partida.

Em síntese, o motivo da visita não era para falar sobre o passado e sim, sobre o futuro. O injusto, absurdo e cretino cartão vermelho alija Dedé para o jogo da volta em Belo Horizonte, o que quer dizer que o Cruzeiro e o jogador serão novamente punidos, sem que nada tenham feito para merecer grosseira e ridícula punição.

O discurso é perfeito e justo e, ante tamanha barbaridade, imagino que a Conmebol – até baseada em alguns casos parecidos – deva promover o julgamento de Dedé o mais rápido possível e, certamente absolvido, duas canetadas. A primeira liberando o zagueiro cruzeirense para o segundo jogo contra o Boca e, a segunda, determinar um tratamento psicológico para o árbitro durante os próximos vinte anos.

E, sem direito, enquanto perdurar o tratamento, de passar perto de um campo de futebol.

O mundo mudou. Aqui, muito mais…

Invasão corintiana ao Maracanã em 76, é fácil perceber a forte presença rubro-negra. (Reprodução da internet).

Desde menino – comecei aos seis anos vendo, ao vivo e a cores, o Flamengo ser tricampeão – acompanhando o Flamengo por tudo que é lugar neste planeta, fui assimilando certas coisas do mundo da bola.

O tempo passou e algumas destas coisas, que jamais poderia imaginar diferentes, estão bem diante de nós. Como meus pais eram fiéis seguidores do “Manto”, onde o vermelho e preto estivesse, lá estávamos nós.

São Paulo, pela proximidade, com absoluta certeza, foi a cidade – depois do Rio,  claro – que mais vi o Flamengo jogar. E para lá já fui de todas as formas. Pela estrada, de carro e de ônibus.

Houve época em que havia o trem de prata, que era uma curtição, em que a viagem noturna era a melhor opção, pois até cabine havia. O passageiro dormia no Rio e acordava em São Paulo. E, claro que, de uns tempos para cá, o avião foi o meio de transporte mais usado.

Neste longo período, aprendi que neste eixo Rio-São Paulo do futebol havia a tradição das torcidas amigas. A nossa torcida amiga sempre foi a do Corinthians e, lembro que inúmeras vezes, fosse o jogo no Pacaembu ou no Morumbi, era a coisa mais comum do mundo a confraternização entre rubro-negros e corintianos.

O noticiário de hoje dá conta de que as autoridades estão classificando este jogo, entre Flamengo e Corinthians, como de altíssimo risco. Palavra que levei um susto.

Cansei, como torcedor, antes de ir para o nosso canto em um estádio paulista, ir cumprimentar e confraternizar com a torcida corintiana. E, a recíproca era verdadeira.

Que os corintianos me perdoem, mas aquela famosa invasão alvinegra no Maracanã, no jogo contra o Fluminense, houve, de forma camuflada, um enorme contingente de torcedores do Flamengo que, para a história, foram computados como torcedores corintianos. Enfim, a harmonia sempre prevaleceu, mesmo em jogos importantes ou decisivos. Será que isto mudou ou, será que as “autoridades” estão enxergando pelo em ovo?

Tomara que este jogo transcorra na mais absoluta paz, que a história seja preservada, que rubro-negros e corintianos continuem amigos e confraternizando. Tomara que não sucumba uma das melhores memórias que tenho deste nosso mundo da bola.

Outras coisas devem ter mudado e, muito! Pasmo estou com o estado do gramado do Maracanã, e mais surpreso ainda com as explicações dos responsáveis por sua manutenção.

Alegam eles que a quantidade exagerada de jogos está impossibilitando a boa conservação. Pera lá! Há muito tempo atrás, havia uma quantidade muito maior de jogos no Maracanã, que era utilizado permanentemente pelos quatro grandes clubes do Rio. E, não esquecendo que antes os quatro usavam, enquanto que hoje, Vasco da Gama e Botafogo desenvolvem os seus jogos, respectivamente, em São Januário e no Engenhão.

E, lembro ainda que, lá atrás, além dos jogos de TODOS os times grandes, cansamos de ver preliminares no Maracanã. E o gramado sempre foi muito bom. Então, que diabo de explicação absurda é essa? O pior é que não ouvi, nem li, ninguém rebatendo este argumento absurdo.

Há, sim, um forte cheiro de incompetência e, quem sabe, de descaso, no ar.