Eurico, por Bisotto

Recebi, via e-mail, um texto espetacular do nosso companheiro do blog Eduardo Bisotto.
Como sou fascinado pelo talento, seria um crime não dividir com vocês.
O tema é polêmico. O texto, genial!!!
Leiam e, comentem.


(Foto: André Durão / GloboEsporte.com)

COMO É FÁCIL ODIAR O DIABO

Eurico Miranda é o demônio. Então é fácil odiá-lo. E por oposição simplista, amar seus opositores. Se Eurico Miranda é o demônio, Julio Brant, seu opositor, deve ser um anjo do Senhor enviado para combatê-lo. É fácil. É simples. E é errado.

É fácil odiar Eurico Miranda porque ele está no poder há muito tempo. É fácil odiar Eurico Miranda porque ele fuma charutos cubanos, o que faz com que pareça um ditador. É fácil odiar Eurico Miranda, como é fácil odiar qualquer um que esteja sob as luzes 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias ao ano, como é o caso deste senhor nos últimos 30 anos.

Mas vem cá, querido: 30 anos sob os holofotes e ele não foi preso? 30 anos que incluem brigas homéricas com a Globo, inclusive exibindo o logo do SBT de graça em final de Brasileirão e ele não foi preso? Mas que bandidão da porra é este que não cai nunca? Que não encontra um único juiz a encará-lo? Que consegue ser idolatrado pela sua gente mesmo com toda esta blitz?

Nunca vi Eurico mais gordo na minha frente (nem mais magro). Nunca vi Julio Brant na minha frente.

Mas conheço efeitos-manada há tempo suficiente para saber que Eurico pode ter um milhão de defeitos, mas demônio, dificilmente ele é. Assim como Brant, santo, moderno, gestor, o caralho a quatro, dificilmente será. Ninguém entra na política da Associação de Bairro, quem dirá na política de um clube que lida com milhões (tanto financeiros quanto em pessoas), sendo o santo da vez.

Já odiei demônios. Já acreditei em narrativas fabricadas. Já fiz muita merda na vida. Mas passei da idade.

Cheguei na idade em que pensar liberta.

Odiar o Diabo é fácil.

Mas a pergunta imperativa é: Eurico Miranda, é mesmo o diabo?

Eduardo Bisotto

Diga aí, grande Egon!!!

Por motivo profissional, estou em Porto Alegre para acompanhar o final da estupenda jornada da nossa seleção, nas eliminatórias para a Copa do Mundo.

Juntando o útil ao agradável, vou rever queridos amigos que estão na seleção, especialmente nosso Renato Augusto, em estado de graça pela anunciada chegada de Romeo, primeiro pimpolho do casal Fernanda e Renato.

Pela impossibilidade de ter visto aqui de Porto Alegre o jogo do nosso Mengão, anuncio com o maior prazer do mundo que, como sempre, o nosso adorável Carlos Egon Prates, vai começar a levantar a bola para as competentes “cortadas” dos amigos do blog.

Diga aí querido Egon…


(Foto: Staff Images / Flamengo)

Queridos amigos,

Após algumas doses, os dedos aumentam e, o teclado do celular desaparece, kkkkkkk.
Vamos no mesmo embalo da Mia Farrow em “Terror Cego”…
Pensem num catado, digno de Aterro do Flamengo!
Foi mais ou menos isso que mandamos à campo hoje.
Como não sou sujeito de lamentar o óbito, torço ferrenhamente, como bom rubro-negro, pelo sucesso do nosso querido Ruedinha.
Prendeu mais os laterais, compactou mais o meio e, acreditou no conterrâneo Berrío.
Mas não se esqueça do ER7, amado colombiano…
Como nem mesmo esmeril está me amolando mais. Acredito que estamos em boas mãos.
Apenas um asterisco gigante! O cara vai ter que arrumar um buraco para o Éverton Ribeiro. Craque não senta em banco…
Quanto à pelada de hoje, nada mais natural que a ausência do sr. desentrosamento. Nem mesmo com todas as benesses da gratuidade…
Resultado absolutamente normal, não só por uma Liga morta, como para o bonde que colocamos em campo.
Para o show ficar completo, a famigerada camisa amarela mais uma vez…
Ou seja! Não cumprimos nossa obrigação, mesmo em cobranças de pênaltis e, estamos fora das semifinais de mais uma competição.
No exercício do bem me quer, mal me quer, já desfolhamos duas margaridas. A Libertadores e a Liga…
Mesmo natimortos, os próximos jogos prometem. Como surpresa, a classificação dos penetras Londrina e Paraná.
Vamos às notinhas dos bonecos.

MURALHA – A bola viajou 50 metros e, essa draga não pegou em 7,32 metros. Carimbou sua dispensa hoje. Vai pra prateleira do brechó. 1
GABRIEL – Não teve a quem marcar e pouco avançou. Como desculpa, a novidade na lateral. 5
LÉO DUARTE – Como o Paraná quase não chegou, não valeu o teste. 5
RAFAEL VAZ – Uma calma que amedronta e, alguns bons lançamentos. 6
KLEBINHO – Minha aposta desde os 15 anos. Mesmo deslocado não comprometeu. 6
MÁRCIO ARAÚJO –  Depois que “conheci” Cuellar, não sonho mais com Caramujo. 6
RÔMULO – Não pode nem ser reserva de um catado. 4
ÉVERTON RIBEIRO – Tem que jogar pra pegar ritmo. É craque mas tem que assinar. Tirou onda no pênalti. 7
GEUVÂNIO – Firulas e nada mais. Cópia sem vidros elétricos do Denilson. 5
VIZEU – Se tivesse ficado no banco não teria se machucado. Nulo. 3
V. JUNIOR – Quando parar de dificultar o fácil,x e jogar mais simples, vai justificar a grana preta paga por ele. 6

Carlos Egon Prates

O rubro-negro nasce otimista

Fernando Versiani bate um papo com o nosso Zico (Foto: Miguel Sá)

Hoje reencontrei meu querido amigo Fernando Versiani, o “FER” da Klefer, nome que é fruto da junção de Kleber e Fernando.

Apresentado o personagem, vamos ao tema. Fernando, como eu e mais 39.999.999 brasileiros, é um rubro-negro alucinado. Só que – e isto o arco-íris jamais entenderá – conduz a um otimismo além do normal, o que acaba contagiando e tornando tudo possível, inclusive quando ninguém mais acredita.

Fernando Versiani puxou a tabela do Campeonato Brasileiro, pediu papel e caneta ao elegante Maître Joãozinho e, após alguns rabiscos, arriscou: “Podemos ganhar este campeonato. O Flamengo vai fazer cinco jogos seguidos em casa. Se ganharmos todos, vamos papar este Campeonato Brasileiro, pois o Corinthians vai ratear”. Lembrei que não era só o Corinthians que estava na nossa frente, que o Grêmio também estava. E, mais otimista do que nunca, sepultou o tema com famoso…”quem viver, verá!!!”

Não parece, mas este tipo de comportamento contagia. Este “bem”, pega!!! Tomara que chegue até Rueda e seus meninos. Com todo respeito ao Chef Tita, do Esplanada Grill, o otimismo do Fernando foi o ponto alto do almoço.

Amanhã, ainda sem Conca, que estará no banco, será a vez da garotada mostrar serviço. Estratégia inteligente colocar os meninos, poupando quem vai pegar o Cruzeiro na final da Copa do Brasil, no dia 7, e o Botafogo, no domingo seguinte, pelo Brasileiro, partida que meu amigo Fernando considera o jogo chave para a “grande arrancada”.

O que mais posso dizer? AMÉM!!!

#SOMOSTODOSEDU

Gostaria de contar para vocês a história do Eduardo.

Nosso amigo descobriu que tinha leucemia no começo de 2016, quando tinha 34 anos. O último ano foi de muita luta para vencer a doença.

Quando havia acusado uma melhora, já na fase de manutenção do tratamento, a doença voltou, e desta vez mais intensa.

Agora, além de precisar de quimioterapia, há a necessidade de um transplante de medula. Achar alguém compatível é sua única chance de sobreviver.

A ajuda de todos se faz necessária, tanto para divulgar e compartilhar esse pedido, quanto para fazer o teste de compatibilidade, que é a nossa principal necessidade.

O teste é feito no INCA, na Praça da Cruz Vermelha, nº 9. De segunda a sexta, pode ser feito de 8h às 14h30. No sábado, de 8h às 12h. (Clicando aqui você pode ler a página de “Perguntas e Respostas sobre Transplante de Medula Óssea” do órgão).

A campanha para ajudar o Eduardo tem uma página no Facebook, que pode ser vista aqui. Divulguem, compartilhem e apoiem essa campanha. É um apelo que lhes faço.

Eduardo está no INCA, lutando a cada dia. Vamos ajuda-lo e a todos que precisam.

#SOMOSTODOSEDU

Brigar, pra que?

Recebi e-mail do meu irmão Radamés Lattari, que ainda não havia recebido a informação de que o Flamengo retirara a ação, que ingressou no STJD, contra o Botafogo, já que os clubes chegaram a um acordo em reunião na sede da Federação.

A torcida do Flamengo terá direito a 10% dos bilhetes, que começarão a ser vendidos amanhã.

Mesmo com o assunto já superado, acho de bom tom, em homenagem à paz, a boa convivência, ao bom humor e, ao amor pela vida, reproduzir o e-mail do Rada, que traz bela sugestão para os presidentes de Flamengo e Botafogo.


Kleber,  

Estou lendo que a diretoria do flamengo está acionando STJD devido a demora por parte do Botafogo em colocar a venda os ingressos do jogo.

Acredito que todo tipo de rivalidade sadia seja benéfica ao esporte, para promovê-lo, para alcançar melhores resultados, entre outros.

Mas acredito que nos dias de hoje, com a onda de violência que atinge o nosso estado, seja perigoso e pouco inteligente alimentarmos esta rivalidade, além de tudo, ao invés de levar famílias aos estádios, estamos ajudando a afastá-las.

Por mais que os dois presidentes sejam os torcedores mais ilustres no momento, eles não podem esquecer que são dirigentes, e como tal devem comandar e recomendar a paz a todos os demais torcedores.

Eles deviam selar a paz publicamente, apostando um almoço, quem for para a final escolhe o restaurante onde o perdedor pagaria a aposta.

Cada qual deve lutar por seus direitos, os dois juntos devem lutar por interesses comuns a seus clubes e deixar aquele que atuar melhor vencer dentro de campo.

Fica a ideia.

Abraço

Radamés Lattari

Em se tratando de futebol, tudo é possível

(Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo)

Participei de um adorável programa, comandado pelo grande Edson Mauro, o locutor bom de bola. Claudio Perrout e Carlos Eduardo, brilhantes e consagrados repórteres, que estranhamente andam afastados do rádio, e estudantes de jornalismo, compuseram a “arquibancada” do papo de bola.

Lá pelas tantas, alguém me perguntou sobre o novo treinador do Flamengo, Reinaldo Rueda. Respondi que, em tese, o momento (meio, quase final de temporada) não é oportuno para um técnico estrangeiro encarar este tipo de desafio, pois pega o bonde andando e, não conhecendo quase ninguém.

Porém, lembrei que, em se tratando de futebol, nem tudo que é feito com planejamento e competência, dá certo. E, que a recíproca é verdadeira. O que tinha tudo para dar errado, acaba dando certo.

Como sou um otimista de carteirinha, acredito, mais do que nunca, na imprevisibilidade do futebol.

Amém!!!

As porradas da vida

(Alexandre Schneider/Getty Images)

Liguei a televisão e ainda deu para ouvir o repórter falar a palavra tragédia e, ato contínuo, enviar mensagem de solidariedade para Abel Braga.

Talvez imaginando que todos os telespectadores estivessem ligados desde o início da reportagem, passou para outro assunto e me deixou angustiado. O jovem repórter nunca deve ter ouvido Deni Menezes, que nunca deixava de, a cada entrevista ou matéria, jamais encerrar, sem repetir os tópicos principais.

Como fiquei angustiado e órfão de informação, corri para o Globo.com, e lá me deparei com a tragédia. O filho caçula de Abel, João Pedro Braga, a cara dele, havia caído da cobertura da família, no Leblon, e morrido.

Por mais que a vida ensine, não dá pra segurar este tipo de coisa, vitimando uma família adorável e, um amigo especial, figura humana rara.

Dudu, meu filho, apaixonado pela cultura uruguaia, criou o restaurante Gonzalo, onde o destaque era a carne uruguaia e, de onde Abel não saía, tendo até mesa cativa.

Lembro que uma noite, após o jantar, ficamos conversando no barzinho e, lá pelas tantas, Abel disse que teria que passar mais uma temporada no exterior para poder pagar as obras, que sua mulher comandava, neste apartamento do Leblon, onde certamente foram muito felizes, até este sábado trágico.

Dizer o que para um amigo querido num momento como este? Melhor abraçar e, chorar junto. Algumas porradas da vida são injustificáveis e insuportáveis.

Estou chocado. Que Deus dê força a toda família para suportar esta cacetada da vida.

Força Abelão!!!

 

Sugestão para Zé Ricardo e a loucura das camisas

O meu querido amigo Fernando Versiani enviou por WhatsApp a seguinte sugestão e, muito bem fundamentada, para o nosso treinador Zé Ricardo:

“Que tal amanhã o Zé Ricardo ousar um pouco e jogar com um volante só, colocando Éverton Ribeiro e Diego no meio, e na frente Geuvânio, Guerrero e Éverton? O Coritiba, sem o Gladiador, é praticamente inofensivo. Tomou de quatro da Ponte Preta. Amanhã tem que ganhar fazendo saldo de gols.”

Mesmo sem Diego, que será poupado, a proposta continua sendo válida, pois o que importa é a filosofia do jogo. Ousadia em demasia ou, ousadia pertinente? Eu gostei. E vocês?


Outro dia, na Ilha do Urubu, o Flamengo, como mandante, disputou uma partida oficial – Campeonato Brasileiro – sem o uniforme rubro-negro.

Não bastasse isso, utilizou o uniforme número dois – aquele da listra vertical – e, sobre isso quero contar um depoimento do presidente do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia.

Num papo informal, me disse ele que foi tarefa difícil dissociar a imagem do Flamengo, pois a camisa do Atlético era rigorosamente igual à nossa. Não só o uniforme rubro-negro, como também o número dois. A solução encontrada para FUGIR DO FLAMENGO foi transformar as listras horizontais, em verticais. E assim tem sido até hoje.

Agora, o Flamengo que tem como marca registrada as listras horizontais, aparece com o uniforme número dois com a listra vertical.

Caramba, como se muda uma marca registrada e consagrada? E não é que o Flamengo deixou de ser Flamengo para ser Atlético Paranaense, que luta até hoje para não ser confundido com o Flamengo…

Agora vem como terceiro uniforme a camisa amarela. Tudo isto começou na década de 90, quando a Umbro fez uma pesquisa exclusivamente com torcedores rubro-negros, que elegeram o azul como cor favorita.

Em função da pesquisa, a Umbro lançou o terceiro uniforme, que tinha o azul como base, porém, sem deixar o vermelho e preto de fora. A camisa ficou linda, registrando o recorde de vendas da empresa inglesa no nosso continente. O problema é que o produto foi colocado no mercado sem a aprovação do Conselho Deliberativo que, quando convocado, reprovou a camisa, pois passava ao largo da nossa tradição e das nossas cores. Vejam bem. O azul era a base e, tudo em cima do azul era vermelho e preto. E, mais: o Conselho Deliberativo daquela época só permitiu a utilização do terceiro uniforme em jogos festivos. Jamais em jogos oficiais.

Agora, vem o amarelo, sem nada de rubro-negro e, podendo ser utilizado em qualquer competição, inclusive em jogos oficiais.

Com todo respeito ao modernismo e, à vontade estou, pois adoro o novo, acho que estamos passando do ponto. Não pode haver fato novo, por mais bonito que seja, por mais resultado financeiro que proporcione, que agrida a tradição.

Além disso, há uma enorme contradição. No exato momento em que o Flamengo entende que deva invadir o mundo, se fazendo conhecer, provocando novas paixões em continentes nunca antes atingidos pelo carisma do rubro-negro horizontal, jogar de amarelo é de uma falta de visão Maracaneana

Com todo respeito…