Obra de arte

 

Ainda como dirigente esportivo conheci José Luiz Portella e, sempre tive por ele apreço e profunda admiração, pois contribuiu com criatividade, lisura e transparência para a evolução do esporte –principalmente o futebol – no nosso país.

O tempo passou e José Luiz Portella mergulhou de cabeça no jornalismo esportivo, sendo hoje colunista do Diário Lance. Confesso que, o seu conceito de vida  – e como analisa o futebol brasileiro – somando-se um texto que extrapola o criativo e invade a genialidade, me transformaram em assíduo leitor e fã declarado.

Hoje, quero dividir com vocês “O discurso do Rei”, publicado pelo Lance, nesta quarta-feira. Verdadeira obra de arte, pelo conteúdo, pelo texto e pelo talento criativo…

Por favor, leiam, saboreiem e comentem…


Guerrero e Copa do Brasil

(Reprodução do SporTV)

. Hoje, o diretor de futebol do Flamengo, Rodrigo Caetano, esteve no programa do talentoso Marcelo Barreto e, desmentiu que exista uma proposta do futebol chinês pelo artilheiro do Campeonato Carioca, Paolo Guerrero (assista ao vídeo aqui).

. Se foi firme, negando a proposta por Guerrero, Rodrigo Caetano, “se virou nos trinta” para falar sobre a transferência de Vinicius Júnior para o Real Madrid. Meio sem jeito, não disse que sim e também não desmentiu. Para quem viu o programa ficou a certeza de que, tudo que ontem foi aqui colocado no blog corresponde à verdade.


. Hoje, completa 50 anos de vida meu sócio, e querido amigo, Sergio Campos, o Serginho da Klefer.

Há trinta anos, Serginho, estudante de comunicação, por indicação de Carlos Alberto Pinheiro, começava na Klefer. A correção de caráter, o dom da bela convivência e a extrema competência, o guindaram a sócio na empresa.

Carlos Alberto Pinheiro, quando me pediu uma oportunidade para o rubro-negro Serginho, disse que naquele momento estava eu fazendo um favor a ele, porém, um dia, eu é que ficaria devendo este favor. Verdade pura. Obrigado, Carlos Alberto, você tinha razão. Conviver com o Serginho é um privilégio.

E, viva o cinquentão!!!


. Como não poderei ver o jogo da Copa do Brasil ao vivo (claro que verei quando chegar), pois estarei na festa do cinquentão, deixo o espaço com o meu querido amigo Carlos Egon Prates, que rolará a bola para o comentário de todos.

Diz aí Egon…

(Fotos: Gilvan de Souza / Flamengo)

Atualmente, vejo mais jogos do Flamengo que minha namorada… Em 10 dias, jogamos 3 decisões e um joguinho mequetrefe como o de hoje. 

Mesmo com time alternativo, 33 mil testemunhas assistiram essa pelada morna.

Algumas considerações não podem passar em branco. Difícil dizer quem foram os melhores em campo. Mas, fácil apontar os 3 piores: Damião, Cuellar e Paquetá!

O saldo da nossa maratona não pode ser desconsiderado. Em 12 pontos disputados, além de um campeonato invicto, arrumamos 10 preciosos pontinhos.

Acho mais fácil dar notas para os bonecos, que relatar o pouco que aconteceu em campo.

De bom, com time alternativo ou principal, Zé mantém seu esquema defensivo e ofensivo. Difícil chegar na cara do Mureta…

MURALHA – Continua batendo mais roupa que lavadeira do interior na beira de rio. Transmite absurda insegurança – 4

RODINEI – Nosso mais novo atacante está numa empolgação que dá gosto. Não existe bola perdida para o cara. Perde na qualidade, mas ganha na vontade – 7

JUAN – Jogando na sobra, ainda pode brincar. Se colocar correria, só chega na bola semana que vem. Por toda experiência é muito útil, mas acho que não passa desse ano – 6

VAZ – Parou de brincadeiras e, com o jeito meia de ser. Seguro por cima e por baixo. Não tem mais vergonha em dar um bicão pra arquibancada – 6

RENÊ – Quase posso afirmar que estamos bem na lateral-esquerda. É um ótimo reserva do Trauco. Mais objetivo defendendo que atacando – 7

RONALDO – Continuo não vendo absolutamente nada de fora do comum. Jogador lento, que erra poucos passes, joga simples tocando o mais perto possível. Muito mais cara de 2º volante, que de 1º – 6

CUELLAR – Errou uma cacetada de saídas de bola. Me parece completamente inseguro e dando sempre um toque a mais. Não vejo nenhum futuro neste colombiano – 2

PAQUETÁ – Por enquanto, e acho que NÃO vai mudar, continua sendo apenas uma ilha na Cidade do Rio de Janeiro. Além de individualista ao extremo, é um meia à moda antiga – 3

MATHEUS – Quase no mesmo nível da ilha acima. De bom, apenas o segundo nome. Tenho observado que os oriundos da base, além de individualistas, sempre se perdem no último toque – 3

GABRIEL – Acho que estou me acostumando ao futebol “regular” do Gabriel… Útil quando faz o papel de escudeiro de lateral, péssimo, quando faz o papel de segundo-atacante – 5

DAMIÃO – Como essa vassoura conseguiu jogar um dia na Seleção Brasileira? O cara é ruim de tudo! É farto. Farta tudo… Sem dúvida alguma, o pior “centroavante” do futebol brasileiro. Só merece nota porque esteve em campo – 1,99

ZÉ RICARDO – Como deixar Vizeu no banco! Mesmo não sendo o Mickey Mouse, é um oceano melhor que o Cone. Bola fora, do meu técnico campeão invicto…”

Carlos Egon Prates

Fatos e comentários em uma segunda-feira deliciosa…

(Reprodução da TV)

. Lindo o “Globo Esporte” desta segunda-feira. O pessoal da TV Globo deu um verdadeiro show, reunindo a maioria dos jogadores campeões cariocas e, com eles, todos os temas referentes ao Fla-Flu de ontem sendo desenvolvidos.

Muito legal a presença do torcedor para devolver a camisa de Rodinei (veja o trecho aqui), como emocionante e pitoresco o lance dos casais separados, com os homens torcendo pelo Flamengo, e as mulheres pelo Fluminense. Edição espetacular. Matérias oportunas, sensíveis, emocionantes e, pra lá de atualizadas. E, para variar, o Escobar dando um show de simpatia e de comunicação. Programaço!!!


(Foto: Rudy Trindade)

. Para os que acham que o Campeonato Carioca é uma competição ultrapassada. Ontem, a TV Globo bateu todos os seus recordes de audiência, superando novelas e Seleção Brasileira. A audiência estava tão acima da expectativa que, ao final do jogo, ao invés de entrar o meu amigo Faustão, foi para o ar toda a comemoração e a premiação dos campeões.

Esta é uma tese que defendo há um tempo enorme. O Campeonato Carioca é um produto espetacular. O único problema se resume ao formato, pois, com o calendário mais aberto, é necessária uma adequação também no campeonato estadual, com um número menor de participantes ou, com uma fórmula que diminua a quantidade de jogos.

O que não se pode é mudar a cultura futebolística do país, pelo fato de na Europa não ser assim. Ora bolas, dane-se a Europa. Aqui, numa cidade com quatro clubes gigantes, cabe sim o campeonato estadual, onde a rivalidade fica muito mais aflorada e, com jogos e decisões mais pegados e sofridos. Que o pessoal da Federação tenha se tocado, no sentido de que o produto é excepcional, porém precisa ser tratado com mais cuidado, com mais sensibilidade e, inteligência. Os extraordinários índices de audiência de ontem da Rede Globo deixam claro que o carioca adora o seu campeonato. E, quem não aqui vive, também…


. Como dirigente, dos 34 campeonatos estaduais conquistados, tive a honra e o privilégio de participar de quatro: 1996 (invicto, com 22 jogos disputados), 2007, 2008 e 2009, no conhecido penta-tri.

Ontem, recebi no nosso camarote as visitas de dois ex-campeões, Fábio Luciano e Rodrigo Arroz. Fábio Luciano, assim como Romário, se transformou em um rubro-negro apaixonado. Além de excepcional zagueiro, penta-tri campeão, foi um líder na acepção da palavra e, sem medo de errar, a liderança mais positiva que já vi no futebol.

Rodrigo Arroz nasceu Flamengo e continua o mesmo torcedor enlouquecido. Uma curiosidade é que os dois não conseguem ver o jogo sentados. Precisam estar em pé e em movimento, como se ainda jogando estivessem. Revivemos os nossos momentos de alegria e comemoramos juntos, com total euforia, como rubro-negros apaixonados, mais uma grande conquista. Como foi bom estar com eles neste momento mágico… Se chorei? Claro! E… muito!


(Reprodução da internet)

. Vamos agora falar de um absurdo. O Maracanã custou pra lá de bilhão de reais e, a sua configuração é uma vergonha, onde a segurança passa ao largo. Para se entrar em um dos portões de garagem é preciso passar no meio do povo. Quando o povo é a favor ou, reza na sua cartilha, tudo bem. Apenas o cuidado para não se atropelar os pedestres que, ficam à mercê de motoristas bons ou ruins, mais ou menos responsáveis. Uma vergonha…

Agora, quando o jogo é de duas torcidas, quem é rubro-negro e entra pelo portão 9 do Maracanã, encontra ali – com um enorme bar em frente, onde a torcida adversária bebe até não aguentar mais – um clima de animosidade assustador. Ontem, com meus filhos e netos, tivemos que passar por um perrengue fora do normal, ouvindo ameaças e o coro: “Kleber Leite….Viado!!!” “Kleber Leite…Viado!!!” Meus dois netos, um de 10 e outro de cinco, ficaram muito assustados e, coube ao Cadu, uma tirada muito interessante, ao ouvir o corinho da torcida tricolor. “Olha quem fala…” Espetacular!!!


. Pior, passaram Fábio Luciano e Rodrigo Arroz, que chegaram mais tarde, consequentemente com muito mais torcedores tricolores pra lá de Bagdá, e quase tiveram o carro virado, em ato de puro vandalismo. Felizmente, mas com o carro avariado, conseguiram entrar. Em síntese, esta concentração de torcedores, que ficam enchendo a cara e agredindo a quem simplesmente chega para ver um jogo de futebol, merece uma melhor avaliação por parte das autoridades responsáveis, antes que uma tragédia aconteça.


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

. Vamos falar do jogo? Começo pelo gol. O nosso Muralha anda tão questionado pela nossa torcida e, aqui pra nós, não sem sentido, acabou me demonstrando que, quando o torcedor está de má vontade, realmente distorce os fatos. No primeiro gol do Fluminense, meio confuso, não faltou entre nós quem comentasse, e com ênfase, que a culpa havia sido do goleiro. Vendo o lance depois do jogo mais de 20 vezes, fica claro que não houve culpa alguma de Muralha no gol do Fluminense. Aliás, é bom que fique registrado que, além de ter atuado bem e com personalidade, inclusive driblando um jogador tricolor dentro da área, Muralha teve sorte, como na cabeçada à queima roupa, em que a bola foi em cima dele. Ontem, Muralha jogou como um grande goleiro. Pegou as possíveis, uma impossível no chão e, teve sorte.

Meu amigo Michel Assef estava ao meu lado e, concluímos todos que Berrío não estava bem. Curioso este jogador, que só corre e não tem os mínimos fundamentos para ser um profissional da bola. Michel achou que iria entrar o Rodinei no lugar dele. O nosso treinador optou pelo Gabriel. Depois, Rodinei entrou no lugar do Trauco, quando todos imaginavam que sairia o Renê, com o Trauco retornando à sua posição de origem. Enfim, como dizia a avó do meu amigo Fernando Versiani, “certo, é o que dá certo”.


(Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo)

. Houve a falta de Réver no primeiro gol do Flamengo? Na hora do gol, não dá para quem está torcendo ver nada, até porque, a única coisa que se quer ver é a bola na rede. Depois, na televisão, vi umas vinte vezes. O lance é tão polêmico, que em determinados momentos achava que sim e, em outros achava que não. Em minha opinião, o Réver voou em direção à bola e, no meio do caminho, houve o contato com o jogador do Fluminense. Prefiro ficar com esta conclusão. Tenho todo o direito…


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

. E a nossa zaga, hein? Juro que, depois de Fábio Luciano e Ronaldo Angelim, esta, composta por Réver e Rafael Vaz, é a melhor, disparada!!! O que me encanta é como as características casam perfeitamente. Réver, mais vigoroso e combativo e, Rafael Vaz mais técnico e com uma boa saída de bola, o que ajuda muito a um time que não tem um meio de campo muito criativo. Se continuarem jogando assim, principalmente com Rafael Vaz atuando com seriedade, é zaga para se consagrar com o “manto sagrado”.


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

. E Guerrero, hein? Estão lembrados quando aqui no blog, na época em que Guerrero estava para ser contratado, contei o meu papo com Renato Augusto, em que quis saber dele se o peruano era bom de bola, e Renato me afirmou que o Guerrero era um atacante pra lá de diferenciado? Pois é, Renato Augusto tinha razão. Guerrero, mesmo quando não tem uma atuação brilhante, como ontem, é sim um jogador decisivo e mortal… Curioso é que Diego, quando saiu por contusão, era o ídolo da galera. Quando voltar, vai ter que, no mínimo, dividir “o trono” com Guerrero…


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

. Zé Ricardo merece uma atenção especial. Por uma questão de coerência, tenho a obrigação de afirmar que o único ponto negativo que via no nosso treinador, o tempo, sábio como sempre, vai cuidando de amenizar a cada dia.

Sempre afirmei que o Flamengo, a meu conceito, é final de linha para qualquer treinador. Início de carreira para técnico, para mim, passa longe da Gávea. Quis o destino que, em função da doença de Murici, somando-se ao que o mercado apresentava como alternativa, que Zé Ricardo, inicialmente interino, acabasse assumindo definitivamente o cargo. De resto, tudo que penso sobre um bom treinador, ele se encaixa: íntegro, trabalhador, estudioso, apaixonado pelo que faz, coerente, com um belo poder de comunicação, se expressando muito bem e, sempre passando sinceridade.

O treinador, pelo fato de sempre ser o mais requisitado para as entrevistas, acaba tendo a sua imagem como representante do clube. Não tenho nenhuma dúvida de que o Flamengo esteja muito bem representado.


Eric Faria entrevistando o novo “Rei do Rio” (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

. Ouvi uma informação do excelente repórter da TV Globo, meu querido amigo e grande rubro-negro Eric Faria, que talvez depois de amanhã, pela Copa do Brasil, contra o Atlético Goianiense e, com certeza, contra o Atlético Mineiro, pelo Campeonato Brasileiro, Vinícius Junior será relacionado entre os profissionais que estarão à disposição do treinador. Graças a Deus!!! Antes tarde, do que nunca…

Ontem, a alteração normal seria a saída de Berrío para a entrada de Vinícius Júnior. A torcida amaria, o Guerrero adoraria e o time adversário se borraria…

Quando se é exceção e a cabeça é boa, a idade pouco importa, já dizia o genial Telê Santana.

Vinícius Júnior, já!!! Sem medo. O garoto, ao seu tempo, vai arrebentar!!! Quem viver, verá.

Ia esquecendo. E o Márcio Araújo, hein? Que belo volante. Merecia ter feito aquele gol. Dar a volta por cima, em meio a tanta pressão, requer muita personalidade. Ganhamos um jogador.


. No mais, até que a quarta-feira chegue, vamos comemorar…

.MEEEENNNNGGGOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!

 

O alerta de Zico

Márvio dos Anjos, Zico e Marluci Martins (Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)

Em entrevista à minha querida amiga Marluci Martins, brilhante repórter e, colunista do jornal Extra, o nosso Galo, meio que mandou um recado para seus súditos, ou seja, para a torcida do Flamengo, dizendo e alertando que a euforia da nossa torcida é desproporcional ao real valor do nosso time.

Zico tem razão, mas sempre foi assim, até mesmo quando os nossos times não eram nem um pouco representativos. Já tivemos alguns times medonhos, porém, a nossa galera sempre esperou por um milagre e, acreditou sempre. Talvez seja este um dos segredos da importância do clube e do tamanho da nossa torcida.

Ao contrário de algumas épocas não tão felizes, temos um bom elenco e um time de razoável para bom. A diferença é que atualmente tudo está muito nivelado, sem grandes bichos papões, o que faz com que o torcedor acredite que qualquer caneco pode ser conquistado, respeitando-se como limite as fronteiras do continente sul-americano.

E a nossa estreia, quarta que vem, contra o Atlético Goianiense, será mesmo no Maracanã, já que a Arena rubro-negra, na Ilha do Governador, ainda não foi liberada pelas autoridades competentes. Melhor assim. Sei que muitos não concordam comigo, mas o Maracanã é a nossa casa. Diria mesmo que, o Flamengo e o velho Maraca, foram feitos um para o outro.

Mudando de assunto, dentro do mesmo tema. Haja condicionamento físico neste calendário sul-americano. Já repararam a sucessão de jogos decisivos e eliminatórios?

O refresco, por incrível que pareça, será o Campeonato Brasileiro, disputado no sistema de pontos corridos. Porém, é bom não esquecer que no período em que estiver sendo disputado o Brasileirão, correrão paralelos, Copa do Brasil e Libertadores. Em síntese, quem não tiver um bom e numeroso elenco, dança…

Obrigado por tanto carinho e amor neste dia cinco de maio. Falo por mim, e pelo meu parceiro e amigo Robert Rodrigues, que também aniversaria hoje.

Os amigos, na verdade, são as velas no bolo da vida. Sem eles, não há luz, não há alegria, não há amor, não há vida…

Obrigado, por tanto amor e carinho.

 

Jorjão e a decisão deste domingo

Jorjão

Ontem foi um dia feliz e festivo para muitos rubro-negros. Jorge Rodrigues, o Jorjão, completou 70 anos e a comemoração foi em um simpático clube, na Barra da Tijuca.

Na minha vida como dirigente só vi três pessoas que tiraram dinheiro do próprio bolso para resolver situações emergenciais do clube. Jorjão foi uma delas.

Rubro-negro apaixonado, com recursos próprios, rodou o mundo atrás do Flamengo e, como diretor de futebol, tinha uma mania, que era a de se dirigir aos jogadores, momentos antes de cada jogo, numa linguagem direta que faria corar minha avó Corina.

Alguns companheiros chegaram a me questionar se aquilo era positivo, e outros recriminavam o linguajar rasteiro. Tive a absoluta certeza de que era positivo, quando – num jogo importante no Maracanã – vi que, após o aquecimento, os jogadores levaram um tempo enorme para colocar o uniforme, atrasando a entrada do time em campo. O corpo mole deles era pelo fato do grito de guerra não ter acontecido e, como era importante para eles e o nosso Jorjão se atrasara, foram empurrando com a barriga, na esperança de Jorjão chegar. Ali, tive a certeza do quão positivo para o time era o grito de guerra do Jorjão.

É aquele tal negocio. Não é você que tem que gostar do namorado da sua filha. Quem tem que gostar é ela. E, neste caso havia uma doce e eficaz sinergia entre o recado inflamado do Jorjão e os jogadores do Flamengo.

Os temas eram variados, dependendo do momento e do jogo. O final, era sempre o mesmo e, como todos já sabiam, ouvia-se um coro: “E hoje… é pica neles! Piiiiiiica neles!!!”

Saúde e muitos anos de vida para o grande rubro Jorge Rodrigues, o Jorjão do Flamengo.


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Semifinal de domingo

Agora, a decisão de amanhã. Há no ar que a zaga voltará a ser composta por Réver e Rafael Vaz. Acho esta zaga boa, onde as características dos jogadores se completam. Resta saber como anda o estado emocional de Rafael Vaz. Com ele, a saída de bola fica melhor, mais fácil e mais objetiva.

No mais, vamos ver o que o nosso Zé Ricardo está preparando, principalmente no que diz respeito a como compensar a ausência de Diego. E, sempre é bom lembrar que o Flamengo joga com dois resultados. Vitória e empate.

A semana do Botafogo foi praticamente toda dentro do avião. Isto desgasta. E, como…

Apesar de muita gente aqui no blog questionar o interesse pelo Campeonato Carioca, continuo achando que é um título importante. E para o Flamengo conquistar o primeiro título do ano, faltam três jogos. O primeiro, e com a vantagem do empate, é neste domingo.

Todos ao Maraca…

 

Flávio Godinho

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Mesmo neste momento conturbado que vive o nosso país, há espaço para o bem querer, independente de qualquer coisa, independente da turbulência e dos julgamentos.

Quero registrar a minha alegria. Uma pessoa a quem quero bem e admiro está retomando a sua normalidade de vida. Ao contrário de tantas outras, esta é uma delação pública de alegria e amor ao próximo.

Delação esta, premiada também… pelo simples reencontro com o nosso amigo que, imagino, venha a ser sábado, no Maracanã.

MEENNNNNGGOOOOO!!!!

Fla Galvão

Está rolando pelas redes sociais, naturalmente entre os torcedores rubro-negros, uma série de apelos contundentes para que, pela Libertadores, contra o Atlético Paranaense, a direção de esportes da Globo escale Galvão Bueno para narrar o jogo.

Esta ação acaba sendo uma justa homenagem a Galvão Bueno, a meu conceito, o maior comunicador esportivo da televisão brasileira. Claro que o que rola, começa pela paixão de quem interage com o profissional em questão. Galvão, para quem é Flamengo, é sopa no mel, é juntar fome com vontade de comer. Em frente à telinha, o torcedor do mais querido do Brasil curte a narração, sabedor que atrás daquela voz há um coração rigorosamente igual ao dele, onde circula um sangue diferente. Sangue rubro-negro.

Claro que, pelo nível profissional dele e da Rede Globo, jamais a paixão pelo Flamengo fará o comunicador em questão distorcer um lance. Se por acaso ocorrer um fato real que não seja bom para o Flamengo, como por exemplo um pênalti a favor do adversário, será transmitido retratando a realidade, de mãos dadas com a verdade. Ao mesmo tempo, mesmo sabedor de que não terá um cúmplice na arte de distorcer, o nosso torcedor adora saber que voz e imagem que invadem a sua casa frequentam a mesma igreja e, praticam a fé através da mesma religião.

Talvez ninguém tenha notado que não me referi a Galvão Bueno como narrador e, proposital foi. O que difere, entre tantas coisas, Galvão de todos os outros profissionais e, sem desmerecer ninguém, é que todos narram, Galvão, comunica.

Menos mal…

(Foto: Staff Images/ Flamengo)

. Tive dúvidas com relação ao título deste post. No final, fiquei entre “deu sono” e, “menos mal”. Acabei optando pela segunda alternativa, na medida em que fui concluindo que a minha má vontade com o jogo tinha muito mais a ver pelo fato dele nada valer, do que propriamente pelo que acontecia dentro das quatro linhas. E, quando você vai ver um jogo sabendo que não vale nada – e que seu adversário entra com um time reserva – ter boa vontade como?

O gol de Arão me acordou e fez com que mudasse o título. Perder é ruim. Para o Fluminense, pior. Para o Fluminense, com o time B, vexame… O gol no final, ao menos, evitou um papelão.


. Quero agora levantar a bola para a estratégia. A decisão de colocar a maioria dos titulares em campo foi boa? Aliás, maioria dos titulares, não! Time titular, sim! Até porque, se Diego jogou, estava em campo o nosso time principal.

Certa vez, demonstrei ao genial e incomparável supervisor Domingo Bosco a minha preocupação pelo fato de determinado jogador ter que ficar de fora de um jogo importante. A reação dele, pragmática e genial: “Tire esta preocupação da cabeça. Aqui o único desfalque é o Zico. Ele jogando, não há desfalque”. Guardadas as devidas proporções, Bosco continua tendo razão…

Voltando ao tema inicial, sou de opinião que, quando se sabe – como foi o caso neste Fla-Flu – que o adversário vai jogar com o time reserva, o estado psicológico é afetado, pois fica no ar a obrigação de ganhar e, todos sabem que, em se tratando de futebol, não é assim que a banda toca…

Acho que, igual, deveríamos ter entrado com um time B. Sei que alguém argumentará que, se esta decisão fosse tomada, Diego – por exemplo – passaria muito tempo sem jogar, pois, foi para a Seleção e não entrou em campo. Para quem pensa assim, indago: e daí?

Mil vezes melhor seria ter sido poupado, evitando um desgaste desnecessário, colocando em risco a quebra da confiança nele mesmo, e no time, caso houvesse uma derrota.


. Outra coisa: Lembram o que contei aqui com relação ao Júlio César que, embora fosse muito melhor do que todos os goleiros da categoria júnior, jogava no juvenil?

Pois é. O fato se repete vinte e dois anos depois. Vinícius Jr é muito mais talento do que qualquer um dos garotos que vêm sendo aproveitados por Zé Ricardo e, aproveitado não é, provavelmente por ser mais jovem. Como me disse certa vez o grande Telê Santana: “Talento não tem idade. Talento é raridade”. VINÍCIUS JR, JÁ!!

Até por uma questão de coerência, por tudo que aqui coloquei, me recuso a analisar o jogo e, consequentemente, a atuação do nosso time. Na escalação das equipes, psicologicamente, o Fluminense entrou com enorme vantagem.


. E os jogos que nada valem prosseguem. Agora, o adversário será o Vasco. Que tal fazer do limão, uma bela limonada? VINÍCIUS JR, NELES!!!!

Garanto que será esta a grande (talvez única) motivação para qualquer rubro-negro ir ou ver o jogo.  VINÍCIUS JR, JÁ!!!

Vinícius Júnior

(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O querido companheiro Anderson Santos, preocupado com a situação de Vinícius Jr, cujo contrato com o Flamengo só vai até 2019, me enviou a seguinte mensagem:


“Bom dia Kleber.

Queria tirar uma dúvida:

Depois do sucesso do nosso Vinícius Junior, surgiu a notícia que vários clubes na Europa estariam dispostos a pagar a multa que hoje é de 100,5 milhões de reais( 30 milhões de euros).

Há quem diga que a diretoria do Flamengo esteja correndo para renovar o contrato do jovem que até onde sei, vai até 2019.

Há quem afirme, que a Traffic, empresa que cuida dos direitos do jogador, esteja irredutível quanto a renovação.

Pergunto:

Vinícius pode ser vendido nessa próxima janela, mesmo sem completar 18 anos?

Queria que se fosse possível o senhor explicasse como funciona a venda de jogadores que são menor de idade e ou que ainda estejam sob o primeiro contrato.

Abç”

Anderson Santos


Anderson e amigos rubro-negros:

O tema é preocupante. Assim que li a mensagem, com as dúvidas e preocupações do Anderson, procurei me informar, ouvindo um conhecido, competente e vitorioso empresário que, pelo seu depoimento pragmático e sincero, precisa ser preservado.

Vamos às dúvidas:

    • Um clube do exterior pode comprar agora Vinícius Jr, que ainda não completou 18 anos?
      – EMPRESÁRIO: “Sim, desde que pague a multa estipulada em contrato (30 milhões de euros), muito embora só possa inscrever o jogador quando este completar 18 anos”.
    • Um clube do exterior pode comprar Vinícius Jr, pagando a multa estipulada em contrato e, emprestar o jogador para o Flamengo até que complete ele 18 anos?
      – EMPRESÁRIO: “Sim, nenhum problema”.
    • Um clube do exterior pode comprar Vinícius Jr, pagando a multa estipulada em contrato e emprestar para qualquer outro clube do Brasil, até que ele complete 18 anos?
      – EMPRESÁRIO: “Sim, pode”.
    • Na sua opinião, qual deve ser a estratégia dos representantes desta empresa?
      – EMPRESÁRIO: “Fazer dinheiro e, quanto antes, melhor. Aliás, de cada dez empresários, nove pensariam desta forma. A exceção é quando há um vínculo muito forte entre o clube e o empresário em questão. Aí, neste caso, visando a manutenção da relação com o clube, o empresário passa a racionar de forma diferente, pois tem a perder se a parceria com o clube for quebrada”.
    • Os representantes desta empresa e os dirigentes do Flamengo já começaram a tratar da renovação de contrato. Como é que este “tabuleiro de xadrez” está sendo mexido?
      – EMPRESÁRIO: “O Flamengo tentando renovar o contrato, pagando ao jogador salário de gente grande e exigindo aumento significativo na multa. A empresa deve topar renovar com significativo aumento salarial para o jogador, porém, mantendo a multa atual”.

O assunto poderia ter parado aí. Porém, como queria me aprofundar mais, voltei no tempo, corri atrás da notícia e novamente, não podendo divulgar a fonte, acabei descobrindo o que realmente preocupa o pessoal do Flamengo.

O problema é que não há apenas uma multa prevista neste contrato. Existem duas multas: uma para o exterior, no valor de 30 milhões de euros; e outra para o mercado brasileiro, esta de 30 milhões de reais.

Isto, em tese, é preocupante, pois o Barcelona, por exemplo, pode arranjar por aqui uma barriga de aluguel. Um clube brasileiro pode pagar a multa de 30 milhões de reais, utilizar o jogador até que este complete 18 anos e, ato contínuo, o repassa ao Barcelona. Claro que, para que isto aconteça o jogador tem que estar de acordo e, pelo que levantei, Vinícius Junior é rubro-negro de corpo e alma, e toda família dele também. Além disso, também já apurei, todos muito corretos com respeito aos valores de vida.

Querem saber – depois de tudo que ouvi – o que acho que vai acontecer?
Vamos lá e, da forma mais pragmática possível. O contrato de Vinícius Junior será renovado por mais cinco anos. O salário que hoje é de dez mil reais, deve, para começar, ganhar mais um zero. A multa para o mercado brasileiro deve ser igualada à multa para o exterior e, esta mantida como está. Se o final do filme não for esse, será muito próximo disso. O importante, é que o final será feliz para todos.