PaiMengo

(Reprodução da internet)

Amigos queridos, pais ou ainda não pais: Neste dia tão especial, reproduzo aqui no nosso blog o lindo texto de Renato Mauricio Prado, no JB, de hoje.


Dia dos Pais no Ministério do Tempo

Influência do “Ministério del Tiempo”, divertida série espanhola que comecei a acompanhar no Netflix, sonhei ontem, véspera do Dia dos Pais, que voltava ao passado, cruzando portas que me transportavam, como num passe de mágica, a tempos já vividos. Não podia, porém, interagir com ninguém, nem mexer em nada. Apenas observar. E isso já era o bastante.

Foi assim que revi, em 1963, o Fla-Flu que decidiu o Estadual daquele ano, num Maracanã explodindo de tanta gente. O rubro-negro se sagraria campeão, com um 0 a 0, mas no sonho não era o jogo que me chamava a atenção, mas um menino que, feliz da vida, no colo do pai, nas superlotadas cadeiras azuis (aquelas que ficavam embaixo das arquibancadas), se maravilhava com aquele mundo novo à sua frente. Mal sabia que, no futuro, tal universo lhe seria tão próximo. E que o Flamengo, time de coração do “velho”, se tornaria uma de suas grandes paixões. Que tarde!

Através de outra passagem no tempo, o sonho me levou, em seguida, a mais um jogo épico, no mesmo Maracanã, novamente superlotado. O ano era o de 1969 e Brasil x Paraguai faziam um duelo dramático, pelas eliminatórias da Copa de 70. Uma vez mais nas cadeiras azuis, com o velho, um então já adolescente sofreria durante 68 minutos até que Pelé  estufasse as redes, garantindo a vitória por 1 a 0 e a vaga para o Mundial. Que jornada inesquecível! E quanta alegria no abraço emocionado de pai e filho, comemorando, eufóricos, o triunfo das “feras do Saldanha”.

Passando mais transversais do tempo, acabei no Maracanãzinho, onde os “Harlem Globetrotters” se exibiam, em meados dos anos 60. E lá estavam eles, juntos como sempre, o jovem e o pai, fãs do basquete, que já dera dois títulos mundiais ao Brasil, mas não podia se comparar ao nível do jogo que praticavam os americanos nesse esporte. Mágico. Inesquecível!

Nem todas as épocas visitadas, porém, reservavam somente alegrias. Eis que, de repente, me vi num fusca, em 1970, acompanhando, divertido, a conversa de pai e filho, enquanto, no Motorola do carro, o comentarista Ruy Porto analisava mais uma derrota do Flamengo. E o pai praguejava: “Time de cegos, meu filho. Se tirar o guizo da bola, ninguém joga. Só o argentino Doval é craque. Ah, nos meus tempos, o Flamengo tinha onze dovais em campo! E o moleque, no banco do carona, se pegava, matutando: “Onze dovais, pai? Cacilda”!

Mal sabia ele que, em pouco mais de dez anos, acompanharia, de pertinho, uma equipe rubro-negra que conquistaria o mundo, bem na sua frente, no Japão, permitindo-lhe a imensa alegria de ligar para o “velho”, do outro lado do planeta, só pra dizer, com a voz embargada: “Esse time aqui é o melhor Flamengo de todos os tempos. Tem mais que onze dovais, pai”! Que era maravilhosa, dava vontade de não acordar, nem sair mais dela.

Mas, sonho é sonho, e outras portas se abriam. E foi assim que reencontrei a praia de Ipanema das décadas de 70 e 80, onde pai e filho tinham uma rede de vôlei, sempre cheia de amigos e na qual as partidas de duplas se sucediam, disputadas com empenho, entusiasmo e alegria. O jovem até que jogava direitinho, chegou a ser federado pelo Botafogo, no infantil, e pelo Flamengo, no juvenil. Mas o coroa dava banho nele e em todos os da sua turma! Era craque, mesmo. Que toque! E que agilidade! Parecia um gato! E levava jeito para todos os esportes. Um baita atleta.

Foi ainda nas areias de Ipanema que pude rever, no sonho, pai e filho em longas caminhadas diárias. O mais jovem recuperando-se de uma grave contusão no tornozelo (sofrida justamente num jogo de vôlei) e o mais velho a lhe fazer companhia, do Castelinho ao Jardim de Alah. Quanta conversa boa e franca, naquele trajeto pela areia fofa – exigência da fisioterapia. Quanto companheirismo e solidariedade.

Portas, portas e mais portas. Que me levaram até à Copa de 78, na Argentina, onde o jovem, já jornalista, cobriu o seu primeiro Mundial, como enviado especial do Jornal do Brasil. Boas lembranças de lá? Com certeza. Mas as melhores vinham mesmo dos papos na volta, com o pai e a família, quando todos se deliciavam com as histórias que não podiam sair no jornal, como a do “perro caliente”, a do “Veni, veni, que yo voy pelear” e tantas outras peripécias vividas pelo caçula, na terra dos Hermanos.

No sonho, foi possível ainda me transportar até o ano de 1987, onde pude presenciar o filho, como correspondente internacional, então do Globo, levar o pai para conhecer os bastidores de um GP de Fórmula-1, no Estoril. Os olhos do velho brilhavam, vendo de pertinho os bólidos, nos boxes, e pilotos como Piquet, Senna e Prost preparando-se para a corrida. Já o olhar do filho se iluminava pela alegria de estar permitindo a ele tal prazer.

Até por Roma, passeei, no melhor estilo “El Ministério del Tiempo”, quando pai e filho (então acompanhados pela mãe) assistiram a um Mundial de Atletismo, no qual Zequinha Barbosa conquistou uma medalha de bronze, nos 800 metros. Que viagem deliciosa! Bem como a temporada que passaram juntos na Espanha, onde o rebento morava.

Tempo, tempo, tempo. Uma porta sombria de fevereiro de 1992, no entanto, tive o cuidado de evitar, para que o sonho, até ali tão bom, não se transformasse em pesadelo, ao reviver aquela despedida tão inesperada, tão prematura, tão absurda e eternamente doída.

Saudade, saudade, saudade. Como disse certa vez um amigo, ela não tem braços. Mas como aperta. Ainda que em sonhos, como é bom te rever, velho! Feliz Dia dos Pais para todos!

Renato Maurício Prado – Jornal do Brasil – 12 de agosto de 2018


Ali me vi ante situações tão parecidas que, também, voltei no tempo e me vi de mãos dadas com meu pai e minha mãe, entrando pela primeira vez, aos seis anos, no Maracanã, para ver o Flamengo tri-campeão.

A lembrança seguinte não foi boa. O ano, 62, meu pai e eu, no setor 4 do Maracanã, reservado para os sócios dos clubes, e ver Garrincha, sozinho, ganhar o campeonato. Tristeza, amenizada pelo fato de termos sido derrotados por um gênio.

No ano seguinte, 63, de novo no setor 4, um FLA-Flu de arrepiar, com Marcial fechando o gol e 0 a 0, dando o título ao Flamengo. Importante dizer que esta jornada ao lado do velho começou na Igreja de São Judas Tadeu.  Rezamos e velas acendemos. À tarde, Mengão campeão.

O amor pelo Flamengo me empurrou para o jornalismo. A venda de Gérson para o Botafogo despertou em mim a necessidade de dizer o que pensava. Mais uma vez, meu pai. Foi ele quem abriu as portas do Rádio para mim, por meio de um amigo que era diretor da Rádio Vera Cruz. Ali comecei. Graças ao empurrão dele.

Juntos saboreamos a era Zico. Eu viajando com o Flamengo para tudo que é lugar, e ele, meu maior ouvinte, saboreando as glórias da sua paixão maior, contadas pelo filho.

Fernando de Souza Leite, comandante da Marinha, rubro-negro de corpo e alma, apaixonado pelos animais, em especial pelos cachorros, marcou a minha vida com estas duas paixões, com as quais convivo, e sem as quais não teria valido a pena ter vivido.

(Reprodução da internet)

Pedido de desculpa

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Ontem, pelo sofrimento da derrota, acabei cometendo uma indelicadeza com um querido amigo. Cacau Barbosa foi funcionário do departamento de futebol do Flamengo, e hoje, cuida da carreira de vários jogadores de futebol, entre eles, Philippe Coutinho.

Ontem, com forte torção no tornozelo, não fui ao Maracanã e, vi o primeiro tempo do jogo em casa, indo no intervalo para o Flashback, onde Cacau recebia convidados para sua festa de aniversário. Lá, vi o segundo tempo, e quando o jogo terminou, não consegui reunir forças e humor para curtir a festa, mesmo tendo o maior carinho do mundo pelo aniversariante.

Aliás, até hoje não aprendi a perder e, se isto é defeito, vou morrer assim. Fui pra casa curtir a minha dor no silêncio da solidão.

Cacau, querido amigo, desculpe a minha falta de educação, mas se ficasse, o meu humor estragaria a sua linda festa.


Hora de usar a cabeça

O péssimo humor já passou. Nem quero falar sobre o jogo de ontem, e sim, tentar imaginar as saídas do que vem pela frente. Sei que o momento político, principalmente no Flamengo, tem enorme influência no futebol.

Agora mesmo, imagino que o pessoal responsável por algumas contratações que não deram – e provavelmente nunca darão – certo, esteja de certa forma tentando fazer ver ao treinador que tudo pode ser uma questão de adaptação e, quem sabe, no próximo jogo a coisa funcione…

A coisa não vai funcionar. O momento requer pragmatismo e ter o interesse do Flamengo como prioridade absoluta. Desta forma, quero aqui deixar o meu pitaco. Temos pouco tempo para ajeitar a casa, já que, no domingo, o time tem que entrar em campo para pegar novamente o Cruzeiro que, provavelmente, não deverá colocar em campo todos os seus titulares. Problema do Cruzeiro. O primeiro pitaco é conceitual. Temos que priorizar o Campeonato Brasileiro e colocar em campo o melhor time, doa a quem doer.

Não vejo como, não repetir, até a lateral esquerda, o time que vem jogando: Diego Alves; Rodinei, Réver, Léo Duarte e Renê. Como nunca vi este paraguaio Piris jogar e, como não temos um centroavante à altura das necessidades do Flamengo, completaria o time da seguinte forma: Cuellar, William Arão, Diego e Paquetá; Éverton Ribeiro e Vitinho. E, seja o que Deus quiser…

Muito melhor do que ter um centroavante ineficiente, é dar liberdade ao nosso jogador mais criativo, que é Paquetá. Ele, mais próximo da área, causará mais estragos para os adversários do que todos os centroavantes, juntos, até agora escalados.

Não é hora de se justificar contratações. No futebol, se erra e se acerta. A hora é de usar a cabeça, colocando em campo o que temos de melhor e, definitivamente, Ceifador, Uribe e até mesmo o menino Lincoln, não fazem parte desta turma. Paquetá, livre para criar, pode ser a nossa saída.

EM TEMPO:

O sempre atento, grande rubro-negro, Fernando Versiani, popular Versi, lembra que para domingo o Flamengo não poderá contar com Renê e Cuellar, ambos suspensos.

O meu pitaco, em nada muda. No lugar de Renê, obviamente, Trauco. No lugar de Cuellar, Piris ou Jean Lucas. Desta forma, recapitulando, pitaco do time para domingo:

Diego Alves; Rodnei, Réver, Léo Duarte e Trauco; Piris (ou Jean Lucas), William Arão, Diego e Paquetá; Everton Ribeiro e Vitinho.

Perda de tempo

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Quase inacreditável que, apesar de daqui a dois dias estar em jogo para o Flamengo, uma partida decisiva na mais importante competição do calendário, o principal assunto rubro-negro seja a dúvida se Guerrero está ou não fazendo corpo mole para não mais colocar o Manto número nove.

Antes que me esqueça, é bom lembrar que o contrato de Guerrero termina sexta-feira, agora e, pelas informações, está mais do que claro que o jogador só aceitaria renovar por quatro anos. Enquanto isso e, com razão, o Flamengo tem acenado que toparia renovar por mais dezessete meses, no máximo.

Fato é que este tema vem se arrastando e, sem solução prática. Desta forma, melhor virar a página e começar a entender que há vida sem o peruano, embora para um final feliz seja necessário se encontrar um substituto à altura.

Pelo que demonstrou até aqui, Uribe não é o homem. Ceifador, hoje, é – sem Guerrero – a terceira opção. No meio deles, o garoto Lincoln, que não vejo como solução.

E, não entendo como até agora o menino Vítor Gabriel não mereceu, ao menos, a oportunidade de ser relacionado. Claro que, pela idade, embora com belíssimo potencial, ainda é uma incógnita.

Por tudo isso, eu e meu amigo do blog, o catarinense Henrique, pensamos da mesma forma, com uma formação tendo Vitinho, pelo meio, com Marlos Moreno, pela esquerda. Entendemos que, apesar do improviso, o ataque ficará mais insinuante e rápido.

Seja lá qual for a alternativa do nosso treinador, o que não se deve mais, é perder tempo com Guerrero. Já deu…

Que vá com Deus…

Tudo pronto

Treino da Seleção – Sochi – 04/07/2018 (Foto: CBF)

O problema é que a sexta-feira não chega. Como o noticiário está calmo, e as dúvidas foram dissipadas, não há o que fazer, se não esperar a hora dos jogos.

Cavani não joga. Os uruguaios tentam esconder o óbvio, mas ninguém é bobo. Esta contusão na panturrilha é grave e, o tempo para a recuperação é superior a um mês. Como a Copa acaba no próximo dia 15…

Em função deste desfalque, a França entra como favorita. Se o garoto que vai ocupar o lugar de Cavani (Maxi Gomez) for tudo isso que meu amigo Atílio Garrido fala, quem sabe o Uruguai não surpreende….

No Brasil, Marcelo volta e Tite terá à disposição, no banco de reservas, todos jogadores. Com todo respeito aos belgas, levo a maior fé na nossa Seleção.

E por falar em nossa Seleção, vou deixar vocês com um texto divino do nosso querido amigo Eduardo Bisotto.

Diga aí Bisotto…


Porque me ufano da minha Seleção

Enquanto assistíamos ao jogo da Croácia, o amigo Renan Santos perguntou porque eu torcia tanto para o Brasil. Expliquei de modo bastante superficial que eram minhas memórias afetivas infanto-juvenis. Como sou bem melhor escrevendo do que falando, achei legal escrever este texto.

Comecei a acompanhar futebol com alguma atenção em 1990, aos quatro anos. Não vou mentir: minhas memórias deste tempo são limitadíssimas. Mas lembro de meu saudoso avô xingando os argentinos, o Dunga, o meio-campo da Seleção e nossos zagueiros de tudo quanto foi coisa em italiano na hora em que o Caniggia fez aquele gol desgraçado nas oitavas-de-final. E lembro da minha avó, preocupadíssima com o mau exemplo que o netinho estava tendo, xingando ele de volta e cobrando compostura.

Lembro muito claramente das Libertadores e Mundiais do São Paulo em 1992 e 1993 e o quanto aquilo me alegrava. Lembro também das Eliminatórias pra Copa de 1994. Da crise na Seleção. Do convoca-não-convoca Romário. E da alegria indescritível o dia que classificamos para a Copa com Romário destruindo o Uruguai no Maracanã.

A Copa de 1994, pra mim, equivale a um momento mágico. Lembro de todos os jogos, de cada gol, de como eu idolatrava o Baixinho. Aliás, confissão que só a minha esposa, a Jéssica, já ouviu: tenho medo de encontrar Romário pessoalmente. A chance de eu começar a chorar, abraçar ele e fazer uma fiasqueira do tamanho do mundo não é pequena.

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Um novo Cavani?

Atílio Garrido, jornalista, escritor e historiador, é um irmão de vida que tenho no Uruguai. Sabe tudo de futebol. Ele que me indicou para o Flamengo Luizito Suárez e Godin, quando cada um deles tinha 17 anos.

Atílio está na Rússia e, após o jogo do Uruguai, enviei mensagem para ele e, lá pelas tantas, brincando, disse que Messi havia nascido no lado errado do rio, ou seja, se tivesse nascido no Uruguai, esta seleção uruguaia com uma defesa espetacular, com Cavani e Luizito Suárez na frente, e com Messi no meio, seria imbatível. E, já outro tema, lamentei a contusão de Cavani.

A resposta de Atílio, na mensagem de voz, traz uma informação importante, a de que pode estar surgindo um novo Cavani. A mensagem é em espanhol, mas dá para entender. Ele começa falando sobre o nascimento errado de Messi, fala sobre o novo Cavani e aposta em uma zebra na Copa.

Com vocês, Don Atílio Garrido, “El Rey de Punta”…

A explicação perfeita para a zebra da Copa

Ontem, recebi – via WhatsApp – uma mensagem que faço questão de dividir com vocês.

Radamés Lattari, meu querido amigo, embarcando para a China e, já dentro do avião, definiu com precisão, não só a surpreendente eliminação da Alemanha, como também a postura do futebol brasileiro após a goleada de 7 a 1, para a Alemanha, até a Copa da Rússia.

O nosso Rada foi muito feliz. Confiram.

Estamos caminhando na Copa imprevisível

(Foto: FIFA / Getty Images)

E a Alemanha, hein? Quem diria… e o pior é que jogando contra uma seleção fora do contexto, leva de 2 a 0 e vai embora pra casa.

Claro que a vergonha dos 7 a 1 ninguém vai apagar. Da mesma forma, a seleção campeã do mundo ser eliminada na primeira etapa da copa, é também um enorme papelão.

Não sei se vocês concordam comigo, mas a soberba é a maior explicação para o fracasso alemão. A Alemanha já vai tarde…

Jogamos para o gasto e, nesta Copa do equilíbrio e das surpresas, foi de bom tamanho. Não houve um grande destaque individual. Todos estiveram em um mesmo nível. Preocupante a contusão de Marcelo que, a meu conceito, é um dos melhores jogadores do mundo.

Agora, o México. Vamos passar!!!

Estou levando a maior fé, embora seja obrigado, por dever de ofício, a dizer que nesta Copa tudo pode acontecer.

Eu, Vinicius França, Márcio Braga e outros grandes rubro-negros assistimos à vitória brasileira no Flashback.

A “FLASELEÇA” foi um sucesso. Torcemos juntos, no Flashback, com alma rubro-negra e espírito canarinho. Uma delícia torcer com meus irmãos rubro-negros pela nossa Seleção. Momento único…

E lá vamos nós…

Deu Colômbia, no domingão da Copa

Jogadores da Colômbia comemoram a convincente vitória sobre a Polônia (Foto: FIFA / Getty Images)

Estava no carro, antes do jogo decisivo entre Colômbia e Polônia e, quase perco o controle da direção, quando ouvi na minha querida Rádio Tupi, alguns queridos companheiros classificando esta Copa do Mundo como sendo de baixo nível técnico e que está nivelada por baixo. Levei um susto e comecei a me questionar. Será que estou vendo outro jogo? Será que estou vendo outra Copa?

Aí, chego em casa no finalzinho do empate em 2 a 2, entre Japão e Senegal e, começo a preparar o meu espírito para torcer pela Colômbia, no jogo de vida ou morte contra a Polônia, cabeça de chave pelo critério da FIFA e, favorita na bolsa de apostas.

Como já disse aqui, torço sempre pelos nossos irmãos de continente, onde tenho grandes amigos e muitas lindas histórias de vida.

A bola rolou e que final de domingo… A Colômbia deu um tremendo chocolate na Polônia. Exibição de gala, onde James Rodrigues e Cuadrado deram show… Caramba, como analisar esta Copa como sendo de baixo nível técnico e nivelada por baixo?

E, nem estou falando em algo fundamental no futebol que é a emoção. A quantidade de jogos emocionantes, até aqui, faz tempo não vejo nas Copas.

Falando em emoção, foi lindo ver a reação da torcida do Panamá, quando o seu time perdia por 6 a 0, comemorando o “gol de honra “, como se fosse o gol da conquista de uma Copa do Mundo. Momento marcante, inesquecível, poético, diria mesmo…

Ainda falando em emoção, não bastasse a transmissão consagradora de ontem no jogo entre Alemanha e Suécia, a dupla Luís Roberto e Roger Flores voltou a brilhar intensamente neste jogo maravilhoso entre Colômbia e Polônia. Quem vai ser o campeão do mundo, só Deus sabe. O “caneco” da emoção na Copa caminha sorridente para o talentosíssimo Luís Roberto. Roger Flores, a revelação na “latinha”. Galvão, não conta. Gênio é hors concours

Ia esquecendo. Domingo de Messi. O mais talentoso jogador do planeta completando 31 anos. Aliás, hoje é dia de aniversário dos gênios. Messi, no mundo da bola. Luiz Oscar Niemeyer, na música. Que o dia dos dois, um a quem amo e tenho como irmão de vida e, o outro que faz com a bola nos pés verdadeiras obras de arte, esteja sendo muito especial.

Por falar em Messi, os meus amigos e informantes argentinos garantem que o ambiente que vinha ruim, após uma longa reunião com o treinador maluquinho, melhorou muito. Será a terça-feira da verdade… Aqui estarei, como sempre, torcendo por Messi.

Para terminar. Há forte comentário de que Tite pode começar o jogo decisivo contra a Sérvia com Renato Augusto. Se verdade for, a minha torcida será dupla. Por ele, e claro, pela Seleção.

Pontos de vista

(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

O atual e delicioso momento rubro-negro nos remete a uma enorme euforia e, como se já não tivesse visto este filme uma infinidade de vezes, o tão necessário equilíbrio, importante para qualquer tipo de avaliação, passa batido…

Claro que, o volume de jogo apresentado ontem, principalmente no primeiro tempo, não deixa de ser um sintoma flagrante de que estejamos evoluindo. Porém, também é bom não esquecer que há uma disparidade técnica brutal, onde sem qualquer paixão envolvida, é simples e fácil concluir que o nosso elenco é infinitamente superior ao do Fluminense.

O meu doce, querido e eterno amigo, Otavinho Drummond, filho do imortal rubro-negro Ivan Drummond, o famoso Barão, responsável pela mais brilhante geração que já tivemos, no delírio da vitória sobre o tricolor, chegou a afirmar que o nosso estagiário engoliu o veterano Abel. Propus uma aposta imaginaria, em que, com os mesmos jogadores, Flamengo e Fluminense jogassem 10 partidas, sendo que, o Fluminense dirigido pelo mesmo Abel, e o Flamengo, ao invés de Barbieri, sendo comandado pelo atual treinador da categoria infantil. Em quem ele apostaria que ganharia mais nos 10 jogos?

Otavinho superestimou quem está apenas começando e foi injusto com Abel. Sem ele, a segunda divisão para o Fluminense fica logo ali…

Outro querido e brilhante amigo, um dos principais responsáveis pela transformação pela qual o clube vem passando, me enviou gentil mensagem, encantado com o segundo gol, em que atribui ele, méritos para o nosso jovem comandante, para ele “o novo Guardiola” e, a quem tenho me referido como “nosso estagiário”.

Respondi, afirmando não ter nada contra ninguém, no Flamengo e na vida. Que tenho apenas a opinião formada de que o Flamengo deve, sempre, ter profissionais compatíveis com o seu gigantismo. Que para mim, isto é um conceito definitivo – uma regra – do qual não abro mão.

E, finalizei dizendo que, como é de conhecimento público, para toda regra há uma exceção e, que estimo que este seja o caso. Porém, ainda muito cedo para se concluir.

O show foi da torcida

Fabio Koff (Foto: Adriana Franciosi / Agência RBS)

Antes do nosso papo sobre o jogo, duas mensagens. A primeira, para lamentar a grande perda do futebol brasileiro. Fabio Koff deixa uma enorme lacuna, pois foi a liderança que, durante muito tempo, conseguiu o milagre da união entre os clubes brasileiros.

Tive a honra de, em determinada reunião do Clube dos 13, propor a mudança de estatuto da entidade e, com isso, Fabio Koff pôde estender o seu mandato. A mudança foi a de permitir que ex-presidentes de clubes também pudessem exercer a presidência. Até então, só os presidentes de clubes, com mandato em vigor, poderiam presidir o clube dos 13.

Muito tempo depois, disputei com ele uma eleição no Clube dos 13, em que foi ele o vencedor com 12 votos contra 8. Não éramos inimigos. Apenas, naquele momento, tínhamos visões distintas sobre o futebol brasileiro.

O meu abraço sincero à sua família e ao mundo tricolor gaúcho. Fabio Koff foi uma das mais marcantes lideranças do futebol brasileiro.

Missão mais do que cumprida. Descanse em paz, amigo.


O segundo tema, para agradecer às mensagens de carinho e apoio aos amigos do blog sobre a notícia da minha absolvição no Conselho Deliberativo, que, na realidade, seria uma redundância. Este assunto está sepultado, pois fui absolvido, por ampla maioria, pelo Conselho de Administração, onde os beneméritos do clube, de acordo com o estatuto, são julgados.

Em síntese, esta vitória já comemoramos lá atrás.


(Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Agora, o jogo

Quase, por muito pouco mesmo, uma linda festa correu sério risco.

O Flamengo, que dominou todo jogo, não conseguiu traduzir esta superioridade em gols e, aos 40 do segundo tempo, tomou uma bola na trave.

O time começou com Geuvânio e Ceifador, que nada produziram. Entraram Jean Lucas e Guerrero e, claro que o time melhorou. Guerrero, nota-se com clareza, continua sabendo jogar bola, mas precisa de ritmo de jogo. Precisa jogar…

Fora a individualidade exagerada, principalmente no primeiro tempo, as atuações estiveram em plano bem razoável.

O que interessa é que a classificação foi garantida. Destaque absoluto para a nossa torcida, que deu um verdadeiro show no Maracanã. O nosso maior patrimônio esteve em noite de rara inspiração, amor, entrega e beleza.

Que torcida é essa!!!!!!!!!