Retrocesso

Gramado sintético da Arena da Baixada (Foto: Agência Estado)

Leio que há em pleno curso, manobra por parte dos clubes, visando duas viradas de mesa no regulamento aprovado para o Campeonato Brasileiro.

O primeiro item: permitir que os clubes possam mandar os seus jogos fora dos seus estados.

Já disse e repito que, isto é a porta aberta para privilegiar o poder econômico. Quem estiver com dinheiro em caixa vai sair por aí comprando todos os jogos como visitante, passando para um “campo neutro”.

Pode ser que alguém argumente que pode haver um caso em que ninguém seja prejudicado. Respondo de pronto que é difícil, mas neste caso, poderia se abrir uma brecha, exigindo unanimidade para a mudança de mando. Aí, nenhum problema…

Item dois: a liberação de gramados sintéticos. Um absurdo!

No campeonato passado, com um time apenas mediano, o Atlético Paranaense foi o clube de melhor aproveitamento jogando em casa. Motivo? Joga no único gramado sintético e, nestas condições, o jogo é outro.

Tomara que a direção de competições da CBF seja firme e, liquide este retrocesso.

Trapalhadas ao luar

Palmeiras e América-MG jogaram em Londrina, no último domingo.

Palmeiras e América-MG jogaram em Londrina, no último domingo.

Todos que convivem com este blog são testemunhas de que, faz bastante tempo, venho afirmando que o regulamento do Campeonato Brasileiro deveria inibir a possibilidade de qualquer venda de mando de campo e, a explicação é mais do que simples, na medida em que beneficiaria os clubes de maior poder econômico, tornando desigual a competição.

Isto sem falar no básico, no beabá, qual seja preservar a moralidade do campeonato, até porque, à Rainha da Inglaterra, não basta ser honesta. Tem que parecer honesta. Como o regulamento atual é omisso, o Palmeiras foi beneficiado quando o América Mineiro vendeu o seu jogo, saindo de casa para jogar na fronteira do Paraná com São Paulo.

Hoje, a CBF baixa uma norma proibindo a venda de jogos para outro estado, o que equivale a dizer que o Flamengo terá que jogar contra o mesmo América Mineiro em Belo Horizonte.

Liguei para o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero e, ouvi dele que os 20 clubes que disputam o campeonato aprovaram o regulamento permitindo a venda de jogos, desde que, houvesse a concordância dos dois clubes, o que vendeu e o adversário. Segundo o presidente da CBF, a medida de hoje visa evitar desequilíbrio na reta final da competição. Disse a ele que não haveria nenhum torcedor do Flamengo que não fizesse uma única indagação: Por que esta medida não foi tomada na semana passada? Se fosse, valeria para Palmeiras e para o Flamengo… Agora, só ficou valendo para o Flamengo.

Não estou aqui afirmando que houve qualquer tipo de ação para favorecer o Palmeiras e prejudicar o Flamengo. Acho apenas que, começou tudo errado e, vai terminar pior ainda.

A venda de um mando de campo só pode ser feita se houver unanimidade. Se os 20 concordarem. Aí jamais um terceiro será prejudicado. Tomara que no ano que vem isto seja corrigido. Meu Deus, é tão simples…

Pregando no deserto 2

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Eleição à vice-presidência da CBF (Foto: Vicente Seda).

Ontem, através dos números, ficou claro que os clubes – por maioria esmagadora – decidiram que o Coronel Nunes ocupasse a mais importante cadeira entre os vice-presidentes da CBF e, em função disso afirmei aqui que, quem brada por mudanças na Confederação e nas Federações, deveria antes estar preocupado em mudar “a cabeça” de quem realmente, através do voto, decide.

Com 40 votos de um total de 67, os clubes são soberanos. Agora, aprofundando no tema, lembro aos amigos que, pegando o Flamengo como exemplo, apesar do regime ser presidencialista, em muitas ocasiões, decisões importantes são de competência do Conselho de Administração ou do Conselho Deliberativo, cabendo ao presidente cumprir o que foi decidido. Vamos fazer o seguinte exercício, para que possamos meditar sobre o tema. Vamos imaginar que haverá uma eleição para a presidência da CBF, e o Flamengo, como integrante da série A, será um dos votantes. A decisão de em quem o Flamengo deve votar, deve ser de uma única pessoa, no caso o presidente ou, pela relevância do fato, o voto do Flamengo deve ser decidido pelo seu Conselho Deliberativo?

Vale dizer que fazem parte do Conselho Deliberativo do Flamengo, todos os sócios proprietários que manifestam interesse em participar deste conselho, mais os conselheiros eleitos, e ainda os membros natos, que são os ex-presidentes de poderes. Portanto, o colégio eleitoral é amplo e dividido em várias camadas sociais, o que sempre deixa tudo mais equilibrado e justo. Claro que o presidente terá o poder de defender a sua tese ou, neste caso, o seu candidato preferido, mas na hipótese desta opção ser estranha, terá pregado ele no deserto, pois o Conselho Deliberativo poderá dizer não a uma opção que a maioria entenda não ser a melhor para o futebol e, consequentemente, para o próprio clube.

Não seria este um bom caminho?

Pregando no deserto

(Foto Reprodução/Facebook/Federação Paraense de Futebol)

Antonio Carlos Nunes (Foto Reprodução/Facebook-FPF)

As manchetes de hoje ridicularizam não a figura de Antonio Carlos Nunes, eleito ontem vice-presidente da CBF, e sim, os coronéis deste Brasil varonil. Manchete: “ ‘Coronel eleito vice da CBF”. Pergunta: Onde está escrito que um coronel não pode ser eleito, em processo democrático, seja lá para o que for? Será que é demérito ser coronel? Será que coronel é uma doença contagiosa, quem sabe, uma “Zica” camuflada?

Enquanto o Coronel em questão vira Geni e, por tabela, os outros todos coronéis viram Genis, o foco da questão é esquecido. Pergunta: Como o Coronel Antonio Carlos Nunes foi eleito vice-presidente da CBF? Foi um golpe de estado? Foi nomeado pelo presidente licenciado? Foi indicado pelas forças armadas? Foi por interferência do Papa? Resposta: Não. Foi eleito, num processo democrático, em que os CUBES têm a maioria dos votos.

Para quem não sabe, são 67 votos. As 27 federações, os 20 clubes que participam da primeira divisão e os 20 clubes que participam da segunda divisão. Os clubes somados representam maioria esmagadora, num total de 40 votos, contra 27 das federações. Nesta eleição, o Coronel foi eleito com 50 votos a favor, 3 contra, 3 votos em branco e 5 abstenções.  Resumo da ópera: Quem decidiu ser este o melhor caminho para o futebol brasileiro foram os CLUBES. Isto sinaliza de maneira clara que, antes de se bradar por reformulações nas Federações e na CBF, talvez mais importante seja o pleito ou, a luta, de que isto comece pelos clubes. O episódio de ontem é o maior exemplo.

A mesa é pesada

virada-de-mesaMuitos companheiros demonstram enorme preocupação pela notícia divulgada por Renato Maurício Prado, dando conta de que estaria havendo uma manobra no sentido de que, para 2016, nenhum clube seja rebaixado, pelo fato de se introduzir modificação no regulamento, onde os pontos corridos seriam substituídos pelo mata-mata.

Nenhum repórter inventa notícia. Se o Renato noticiou, é porque ouviu isto de alguém, embora, por uma série de motivos, ache quase impossível esta virada de mesa.

Para começar, a legislação esportiva inibe qualquer mudança em regulamento de forma tão abrupta. Em segundo lugar, pelo novo formato da Copa do Brasil que, no calendário, ocupa os dois semestres, mudar o regulamento do Campeonato Brasileiro, saindo dos pontos corridos e passando para o mata-mata, seria ter ao longo do ano dois campeonatos praticamente iguais, o que convenhamos, seria muito pouco inteligente. Enfim, para o Vasco não cair de novo, que trate de resolver dentro do campo, pois esta mesa sobre a qual estamos falando, é muito pesada… e, como diria aquele ex-ministro, “invirável”…

Galo 1 a 0

(Foto: Márcio Iannacca)

(Foto: Márcio Iannacca)

Em meio a um momento tão delicado do futebol brasileiro, Zico é recebido pelo presidente da CBF, Marco Polo del Nero, que confirma o apoio da entidade à candidatura de Zico para presidente da FIFA.

Embora este apoio me pareça óbvio, pois jamais poderia imaginar a negativa para este pleito, não posso deixar de elogiar e, agora, torcer para que o nosso Galo consiga mais quatro apoios que consolidarão sua candidatura. Acho mesmo que, esta missão pode ser cumprida aqui mesmo na América do Sul, e a própria CBF pode ajudar neste sentido.

Boa notícia…

Jogo aos domingos às 11 da manhã

o-CLOCK-facebookA CBF bateu o martelo e já anunciou que o Grêmio fará a sua estreia no Campeonato Brasileiro, jogando na sua arena, num domingo às 11 da matina. Na realidade, isto não é um fato novo. Alguns jogos já foram realizados neste horário, principalmente em São Paulo. A impressão que tenho é que esta novidade deve ser boa para quem vai ao estádio, pois o horário é estratégico. Nem muito cedo, nem muito tarde, e sem atrapalhar o almoço em família. Para a televisão, boa audiência garantida. Para o telespectador, emoção à vista, seja para torcer a favor, ou contra. A chiadeira, podem escrever, ficará por conta de alguns treinadores e jogadores, que alegarão desconforto no relógio biológico…

Bom ou ruim, o jogo aos domingos, às 11 da manhã?