As notas dos jogadores

(Foto: Márcio Cunha / Mafalda Press)

(Foto: Márcio Cunha / Mafalda Press)

Os companheiros de jornal sempre me disseram que o que o leitor mais gosta após um jogo é ver a nota dada aos jogadores.

Hoje, com dois jornais à minha frente, me chamou atenção o desacordo entre eles. Os jornais são O Globo e Lance e, por incrível que pareça, só em dois casos as notas foram as mesmas. De resto, desacordo total nas avaliações dadas aos jogadores do Flamengo que atuaram ontem em Chapecó, contra a Chapecoense.

Antes de algumas observações, para quem não tomou conhecimento, vamos às notas do Globo e do Lance:

tabela notas2

Algumas observações.

. Em 14 notas, incluindo-se aí o treinador Zé Ricardo, só houve coincidência em duas oportunidades. Pará (6,5) e Rever (6,0). Em síntese, a concordância entre os dois veículos foi de apenas 14%. Convenhamos que, em se tratando do mesmo jogo, índice muito baixo…


. Claro que, cada um vê o jogo de uma forma, mas, mesmo assim, algumas notas me pareceram completamente fora de sintonia com a realidade.

No Globo: Mancuello (5,5) e Guerrero (5,5). Mancuello, além de dar um outro ritmo ao time, fez o gol do desafogo, e não foi um gol qualquer. E Guerrero, que realmente não chegou a ser destaque, também contribuiu para a vitória e, em momento algum destoou. A nota (5,5) foi muito baixa. No Lance, foram castigados: Rafael Vaz (5,5); Márcio Araújo (5,0); Arão (5,5); Diego (6,5) e Everton (5,5).

Caramba, o Flamengo ganhou o jogo por 3 a 1!!! A meu conceito todas estas notas estão abaixo do que os jogadores citados realmente produziram.


. Sei perfeitamente o quanto é complicado ser o mais justo possível quando o tempo corre contra e, não é à toa que existe a máxima famosa dando conta de que a pressa é inimiga da perfeição. A correria para o fechamento do jornal, claro que atrapalha. O outro fator negativo é que a nota é dada por apenas um profissional que, como qualquer ser humano, às vezes se equivoca. Se fosse eu escalado para dar as notas, sem dúvida alguma, escalaria dois amigos em quem confiasse para esta missão e, ao final do jogo, bateria uma bolinha com eles e, a média dos três seria o produto final. Fica a dica para os queridos companheiros…


. De qualquer forma, a estratégia realmente é boa. Não há, inclusive eu, quem não leia… Se cria polêmica, é bom…


. Agora, o comentário é com vocês… Aliás, que tal, aqui no blog, após cada jogo cada um sapecar a sua nota para cada jogador do Flamengo?

Não entendi

 

(Fotos: Andrey Menezes / FLA TV)

(Fotos: Andrey Menezes / FLA TV)

O nosso bravo Globo.com traz matéria com chamada forte, em que Zé Ricardo diz que ainda é cedo para afirmar que o Flamengo briga pelo título. Juro que não entendi…

Há duas possibilidades de se analisar se esta afirmativa seria prematura. A primeira se estivéssemos no início do campeonato, o que não é o caso, já que atingimos mais da metade do caminho a ser percorrido. A segunda, seria se na tabela do campeonato os números não fossem tão favoráveis.

Acontece que, os números afirmam que os 40 pontos conquistados credenciam sim o Flamengo como pretendente óbvio ao título. Não bastassem estes argumentos, mais dois: A distância entre o Flamengo e o Palmeiras, atual líder, é de apenas três pontos e, ainda haverá um jogo entre eles. E, como argumento final, o elenco do Flamengo, por si só, assina a lista dos concorrentes ao título.

Talvez Zé Ricardo tenha tido a intenção de evitar um possível oba-oba, calçando as sandálias da humildade. Até concordaria em outra situação, como por exemplo dizer que o Palmeiras é o favorito, mas contrariar os números, aí não dá…

Há hora para tudo na vida e, está mais do que na cara, que a nossa hora é essa!!!

Humor e talento

Quero dividir com vocês uma das mais engraçadas aventuras televisivas.

Simplesmente genial o diálogo entre os excelentes apresentadores Paulo Soares, o “Amigão”, e Antero Greco, no programa SportsCenter, da ESPN Brasil.

O título deste post é perfeito para o tema em pauta. Humor, com talento.

Simplesmente, espetacular!!!

O nível do futebol atual

Mozer e Aldair estão na minha seleção.

Mozer e Aldair.

Hoje, no excelente programa “Redação Sportv”, quando começou a se discutir o nível atual do futebol brasileiro, o apresentador, e muito bom apresentador, André Rizek, convidou a todos para um exercício que, consistia em encontrar um único jogador atual a fazer parte da seleção de todos os tempos do clube de coração de quem estivesse vendo o programa.

Muito boa a sacada que, por si só, sem que se precise pensar muito, revela a pobreza técnica do atual futebol brasileiro. Alguém citou os atuais goleiros de Cruzeiro e Palmeiras e houve quem rebatesse afirmando que Raul e Marcos, respectivamente, impediriam as escalações dos goleiros atuais. De qualquer modo, são goleiros….

Lá pelas tantas, um telespectador lembrou de Nenê, do Vasco. De imediato, foi lembrado o nome de Jair da Rosa Pinto, realmente, infinitamente melhor que o atual 10 do Vasco.

Um torcedor rubro-negro afirmou que Juan poderia estar em uma seleção rubro-negra de todos os tempos. Pensei logo: “Quem seria barrado, Aldair ou Mozer?” Para em seguida lembrar daquele que os mais velhos sempre consideraram imbatível: Domingos da Guia.

Enfim, um exercício interessante que mexeu com a cabeça de muita gente e, comprovou que, tecnicamente, vivemos no futebol um momento delicado. Realmente, não faz muito tempo tínhamos muito mais bons jogadores para ver.

Já que tocamos no assunto, embora já tenha indagado isto aqui no blog, acho que vale a pena repetir. Qual é a seleção rubro-negra de todos os tempos que você tenha visto jogar?

Lá vai a minha: Raul; Leandro, Aldair, Mozer e Junior; Andrade, Gérson, Zico e Paulo César Caju; Bebeto (ou Dida, não consigo deixar de ter esta dúvida) e Romário. A outra dúvida seria no gol, pois Júlio César foi um goleiro espetacular.

Que exercício bom… quanta saudade…

Perguntar não ofende

(Foto: Gazeta Press)

(Foto: Gazeta Press)

Assisti a uma coletiva do goleiro Cássio, do Corinthians, em que, se já era admirador, fiquei ainda mais. Quando o entrevistado é bom, tudo flui de modo natural e, neste caso, mais ainda pelo fato de Cássio ter sido sincero e direto, admitindo problemas pessoais que interferiram diretamente no seu rendimento, a ponto de ter perdido temporariamente a posição de titular, agora recuperada. Aliás, aproveitando este gancho só para dizer que quem comanda o futebol de um grande clube tem que ficar ligado 24 horas por dia, inclusive dormindo…

Neste momento de turbulência por que passou o goleiro – que na opinião de Tite é o melhor do Brasil – pintou a oportunidade para algum clube, necessitado de um grande goleiro e com pinta de ídolo, partir para cima e tentar a contratação. E, aconteceu. Lá pelas tantas na entrevista coletiva, Cássio afirmou que houve a proposta de um grande clube brasileiro, mas que este clube e o Corinthians não chegaram a um acordo. Fiquei louco duas vezes. Primeiro de curiosidade, para saber que clube era esse e, torcendo para que tivesse sido o Flamengo e, depois, louco de raiva, pelo fato de nenhum repórter, na sequência, ter feito a pergunta óbvia e obrigatória. Por incrível que pareça, nenhum repórter sapecou: “Qual foi o clube?” Meu Deus…

Como fiquei intrigado, comecei a fazer um exercício na tentativa, através da coerência, de descobrir o tal clube. Como era uma contratação de peso que exigia investimento, e pelo fato de Cássio ter dito que era um grande clube brasileiro, concentrei as minhas energias no eixo, Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Eliminei Palmeiras, Fluminense, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético, Inter e Grêmio. Em síntese, sem medo de errar, entre Flamengo, Santos e São Paulo, o clube que correu atrás de Cássio, em clara demonstração de bom gosto e de senso de oportunidade.

O dono do mundo


Há determinadas cenas que chocam pela violência que, necessariamente não precisa ser física. Há a agressão moral, descabida e grosseira, como esta que acabo de ver no Globo.com (vídeo acima).

Cada vez que vejo Cristiano Ronaldo, mais admiro e me apaixono pela figura humana de Messi. Um é um gênio com a bola nos pés e exemplo como homem. O outro, o “dono do mundo”, um bom jogador e uma figura humana que deixa a desejar e, que piora a cada cinco minutos…

Minha solidariedade ao profissional de imprensa agredido moralmente por Cristiano Ronaldo.

Que papelão!!!

O Globo

o-globo-logo-principalEsta segunda-feira quem não leu O Globo, não sabe o que perdeu.

Para quem gosta de política, a coluna do Ricardo Noblat, simplesmente, impecável e brilhantemente didática (ler aqui).

E, genial, no segundo caderno, na página 6, Raphael Montes e o seu “depoimento nº 003” (texto abaixo).

Para quem tem sensibilidade depurada, e tem sempre um pé atrás quando o tema é o ser humano, a coluna do Ancelmo Gois é um oásis. O tema em questão, tem como título, “O SER HUMANO NÃO É FÁCIL” (texto abaixo).

Claro que, sobre futebol, passei batido…


DEPOIMENTO Nº 003

Nunca fui falsa comigo. E isso me consola. Sabia que não seria feliz. Aceitar a aliança de Douglas foi como assinar um tratado de monotonia

 Casar com Douglas foi um ato de desespero. Ou de redenção, não sei. Eu já estava fazendo trinta anos, o senhor entende? E chega uma idade em que a gente precisa dar um rumo pra vida. As pessoas são cruéis. As pessoas comentam. Lucia vai morrer sem ninguém. Lucia é independente. Cadê seu namorado que conhecemos na última festa, querida? Difícil suportar.

Conheci e namorei Douglas em um mês. Eu não gostava dele. Ele chupava uma bala de tamarindo fedida cujo cheiro impregnava na língua. Odeio tamarindo. Mas ele tinha um monte delas no bolso. E sempre as chupava. Chupava e me oferecia. Nunca aceitei.

Também nunca aceitei seus carinhos, presentes, perguntas ou sorrisos. Eu fazia cara feia e reclamava de tudo. Jamais fingia orgasmo. Em minha defesa, devo dizer que nunca fui falsa com ele. Mas Douglas sorria. Sorria e dizia gostar daquele meu jeito. Você é muito sincera, Lucia, mas amo você assim. Vai entender. Amava mesmo.

Nunca fui falsa comigo também. E isso me consola. Sabia que não seria feliz. Mas estabilidade é mais importante do que felicidade, não acha? Aceitar a aliança de Douglas foi como assinar um tratado de monotonia. Nos casamos e fomos morar em Copacabana. Ele acordava às seis e saía para comprar jornal. Caminhava no calçadão e comprava balas de tamarindo numa mendiga da praça Inhangá. Jogava na loteria com a mesma sequência numérica (as datas de aniversário da mãe e do pai — que Deus os tenha). Voltava com um livro velho comprado no sebo lá perto de casa. Passava o café, refestelava-se na poltrona, fazia palavras cruzadas, chupava as malditas balinhas. Quarenta anos se passaram assim, sem eu me dar conta.

No início, era mais fácil. Ele trabalhava no Banco do Brasil e só voltava de noite. Eu podia ficar em casa e ver tevê sem ouvir o tilintar irritante da bala de tamarindo batendo em seus dentes, sendo revolvida pela língua, prendendo-se no céu da boca. Com a aposentadoria, todos os dias eram como o domingo. A rotina matinal se repetia de tarde e de noite. E a casa se entupia de jornais, bilhetes de loteria, livros velhos e balas de tamarindo. Um cheiro agridoce e poeirento dominava os móveis. Mas eu estava disposta a viver assim. Tinha aceitado minha sina. Aos setenta anos, a gente já não quer mais mudar as coisas. Temos o consolo de que falta pouco para acabar. Basta ter paciência.

Douglas me surpreendeu uma única vez na vida. Quando acordei, ele não estava na poltrona, fazendo palavras cruzadas e chupando balas de tamarindo. Em vez disso, enchia uma mala velha com mudas de roupa e alguns documentos. Assustou-se quando me viu acordada, mastigou uma bala de tamarindo e murmurou:

— Vou embora.

Pensei que estivesse sonhando. Douglas não se deteve e passou o zíper na mala quase vazia.

— Conheceu alguma garota novinha? — perguntei. Não estava com ciúmes, só queria entender.

— Não conheci ninguém. Apenas não quero mais te fazer infeliz.

Depois de quarenta anos?, eu quis perguntar. Levantei-me da cama e fui ao banheiro lavar o rosto. Nada fazia sentido. Quando voltei, a mala já estava na soleira da porta.

— Não vai levar seus livros e jornais velhos?

— Se puder empacotá-los, busco depois.

— E as balas de tamarindo?

— Pode jogar fora.

— Vai deixar o apartamento para mim?

— Não seria capaz de tirá-lo de você. Pode ficar com o Fusca também.

Jogou o molho de chaves sobre a poltrona em que se sentara por quarenta anos.

— Vai ficar onde?

— Na casa de algum amigo.

— Você não tem amigos.

Ele sorriu, embaraçado, mas logo retrucou:

— Ficarei em algum hotel então. Copacabana é cheio deles.

A velhice deve estar me deixando um tanto lerda. Demorei a concluir o óbvio. Pedi um instante a ele e fui à cozinha. O jornal do dia estava sobre a bancada da pia, como sempre. Alguns hábitos não se perdem. Confirmei os números da loteria. As datas de nascimento dos pais dele. Vinte milhões acumulados.

Peguei o revólver velho guardado na cômoda do nosso quarto e dei três tiros no peito de Douglas. Quando o sangue saiu, cheirava a tamarindo. Ao revolver seus bolsos, encontrei o bilhete premiado. Rasguei-o antes de a polícia chegar. Não queria o dinheiro. Os jornais me chamaram de velha maluca. Me colocaram em prisão preventiva como se eu pretendesse fugir para algum lugar. Não quero fugir. Sou paciente. Logo que cheguei na cadeia, fiz duas amigas. São meninas moças, simpáticas, mas lésbicas. Gostam de mim e me trazem presentes. Parece ironia: essa semana, me ofereceram balas de tamarindo. Numa provocação a mim mesma, aceitei provar. E quer saber? Gostei.

Raphael Monte – Jornal O Globo – página 6, segundo caderno – 09/05/2016


O ser humano não é fácil

Eike Batista, quando estava por cima da carne seca, deu R$ 22 milhões para ajudar na elaboração do projeto da candidatura do Rio para ser sede das Olimpíadas. Em 2009, ele cedeu o jatinho que levou a delegação brasileira à Dinamarca, para a escolha da sede dos Jogos. Agora, por baixo, é solenemente ignorado. Não foi convidado para nenhum evento, nem mencionado pelas autoridades ou pelo Comitê Organizador.

Ancelmo Gois – Jornal O Globo – página 10 – 09/05/2016


 

A boa comunicação

bagaco

(Imagem: reprodução Jornal Extra)

Manchete do Jogo/Extra:
NO BAGAÇO
Matéria:
MURICY RAMALHO REVELA QUE TIME ESTÁ DESGASTADO POR CAUSA DO EXCESSO DE JOGOS.

Manchete do Lance:
MURICY RECLAMA: “LOUCURA!”
Matéria:
ÀS VÉSPERAS DO CLÁSSICO CONTRA O FLUMINENSE, TÉCNICO MURICY RAMALHO VOLTA A RECLAMAR DO CALENDÁRIO.

 

Amigos,

Quem lê o que repeti, retirado de dois importantes jornais, fica com a clara sensação de que o Flamengo é vítima de um calendário louco, irresponsável, que de tão cruel faz o time não ter pernas para vencer um adversário que disputa a terceira divisão. Aliás, pior. Perdeu para este adversário, o Confiança, que jogou com 10 jogadores quase que o jogo inteiro.

O próprio Lance acabou consertando a manchete equivocada, colocando na boca de Muricy: “É loucura o que estamos fazendo. Time sofre com viagens em meio a três competições.”

Enfim, é isso aí. E, faz um tempão que venho aqui dizendo que isto iria acontecer. Não sou pitonisa, apenas tenho um mínimo de experiência sobre a matéria em pauta.

Deixo aqui três sugestões, todas possíveis, pela ordem do que seja o melhor para o Flamengo:

  1. O nosso presidente ligar para o do Vasco e negociar a utilização de São Januário;
  2. Escolher qualquer outro estádio na cidade do Rio de Janeiro, mesmo que seja um estádio pequeno;
  3. Tratar da mudança de jogadores e comissão técnica para Brasília e, lá ficar até final de outubro, quando o Maracanã será entregue aos clubes.

O fundamental é agir rápido, antes que aconteça um desastre.

Papelão

(Imagem: Reprodução)

(Imagem: Reprodução)

Os americanos, lá atrás, e durante muito tempo, achavam que a capital do Brasil era Buenos Aires, numa demonstração clara de ignorância com relação a qualquer assunto que saísse fora das fronteiras do Tio Sam.

O tempo passou, a cultura geral dos americanos melhorou um pouquinho, mas este de hoje é um misto de ignorância e irresponsabilidade.

O nosso “Globo.Com“, pescou uma tremenda bola fora da importante revista TIME. Nesta edição, o nosso querido Joel Santana entrou para a lista dos corruptos e, ainda por cima, mudou de nome…

Que papelão, dona TIME…